terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

carta de um bebê


Oi mamãe, tudo bom?

Eu estou bem, graças a Deus faz apenas alguns dias que você me concebeu em sua barriguinha.
Na verdade, não posso explicar como estou feliz em saber que você será minha mamãe, outra coisa que me enche de orgulho é ver o amor com que fui concebido.

Tudo parece indicar que eu serei a criança mais feliz do mundo ! Mamãe, já passou um mês desde que fui concebido, e já começo a ver como o meu corpinho começa a se formar, quer dizer, não estou tão lindo como você,mas me de uma oportunidade !

Estou muito feliz!!!!!! Mas tem algo que me deixa preocupado... ultimamente me dei conta de que há algo na sua cabeça que não me deixa dormir, mas tudo bem, isso vai passar, não se desespere.

Mamãe, já passaram dois meses e meio, estou muito feliz com minhas novas mãos e tenho vontade de usá-las para brincar... Mamãezinha me diga o que foi? Por que você chora tanto todas as noites? Porque quando você e o papai se encontram, gritam tanto um com o outro?
Vocês não me querem mais ou o quê? Vou fazer o possível para que me queiram... Já passaram 3 meses, mamãe, te noto muito deprimida, não entendo o que está acontecendo, estou muito confuso.

Hoje de manha fomos ao médico e ele marcou uma visita amanhã. Não entendo, eu me sinto muito bem.... por acaso você se sente mal mamãe?
Mamãe, já é dia, aonde vamos?
O que está acontecendo mamãe? Porque choras?

Não chore, não vai acontecer nada...mamãe, não se deite, ainda são 2 horas da tarde, não tenho sono, quero continuar brincando com minhas mãozinhas.
Ei,  o que esse tubinho está fazendo na minha casinha??
É um brinquedo novo??
Olha, ei, porque estão sugando minha casa??
Mamãe !!!! Espere, essa é a minha mãozinha!!!!
Moço, porque a arrancou?
Não vê que me machuca?
Mamãe, me defenda ! Mamãe, me ajude ! Não vê que ainda sou muito pequeno para me defender sozinho??
Mãe, a minha perninha, estão arrancando. Diga para eles pararem, juro a você que vou me comportar bem e que não vou mais te chutar. 
Como é possível que um ser humano possa fazer isso comigo?  

Ele vai ver só quando eu for grande e forte.....ai.....mamãe, já não consigo mais... ai...mamãe, mamãe, me ajude...mamãe, já se passaram 17 anos desde aquele dia, e eu daqui de cima observo como ainda te machuca ter tomado aquela decisão.

Por favor, não chore,lembre-se que te amo muito e que estarei aqui te esperando com muitos abraços e beijos.
Te amo muito..... 

seu bebe.

Que Deus tenha pena de nossas almas !!!!

Digam nao ao aborto!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ensine deu filho a aprender

Temos vivido na educação escolar a cultura do "passar de ano". É um fazer o mínimo esforço para conseguir o máximo resultado, com o aprender em segundo plano. Em casa, o filho acredita que o importante é ser aprovado pois seus pais lhe imploram: "pelo menos passe de ano!" e ainda usam um recurso legal de se reprovado em uma escola e fazer uma reclassificação em outra escola e ser aprovado. Parece que o aprender não lhes interessa tanto quanto o diploma. Alguns estados brasileiros adotaram a Progressão Continuada, conhecida como aprovação automática, pela qual um aluno não pode ser reprovado a não ser por faltas. A maioria dos professores afirma que a educação piorou. Ser aprovado sem mérito não prepara o aluno para a vida.

O aprender é uma das formas de se construir o conhecimento. Os conteúdos que os professores passam em aulas chegam aos alunos como informações que deverão ser transformadas em conhecimentos. Estes, cada aluno tem que construir o seu. É preciso que ele aprenda esta construção. A informação que chega precisa ser compreendida, aceita, assimilada, experimentada e praticada. Assim, ela é transformada em conhecimento. A prática do conhecimento é a mãe da sabedoria. 

Cabe aos professores fazer estas informações chegarem até o aluno, não importa quais recursos usem, e cabe ao aluno transformá-las em conhecimentos. Aos pais, cabe verificar se este aprendizado está ocorrendo.

O cérebro humano não aceita ficar sem resposta a uma pergunta. Pergunta e resposta são complementares, e ambas criaram a civilização humana. Oferecer respostas a quem não perguntou só tem significado a quem está interessado em sempre aprender. Mas se estas não forem usadas também caem no esquecimento.

Os conteúdos passados pelos professores são respostas a perguntas não feitas pelos alunos, portanto nada lhes significam. Se o aluno quer passar de ano, ele precisa responder às perguntas que caem na prova. Se ele é aprovado de qualquer maneira, para que gastar o cérebro em aprender o que nem vai usar? Se para as provas finais os pais lhe suprem com professores particulares, para que prestar atenção em sala de aula todos os dias? Se o aprender não tem significado, para que estudar?

A criança tem vontade de crescer e de ser e saber como o adulto que lhe ensina, protege e provê. A criança quer mostrar o que aprendeu. Isso lhe dá auto-estima. O adolescente quer enfrentar tudo sozinho, como se fosse dono de sua vida, não dependesse de ninguém, demonstrar que sabe mesmo sem saber e fazer o que tem vontade, mesmo que contrarie seus provedores. Não se pode querer ensinar uma criança e um adolescente da mesma maneira.

O adolescente já tem a capacidade de pensar do adulto, portanto o seu cérebro já funciona no esquema pergunta-resposta. O que os professores de adolescentes não captaram ainda é que os conteúdos das suas aulas são respostas a perguntas não feitas pelos alunos. Isto é, os alunos precisam aprender a perguntar. Geralmente, um professor não se pergunta para que serve ao adolescente o que ele está ensinando.

Quando um aluno aprende a existência da gravidade, percebe que ela está presente em todos os movimentos. Se não souber dela, tudo acontece à sua volta como se fosse natural. Quem descobriu a gravidade, segundo histórias, foi aquele que quis saber por que a maçã caiu na sua cabeça. As maçãs que já caiam antes desta descoberta continuam e continuarão caindo nas cabeças dos distraídos, mas agora já sabemos o porquê.

Aos interessados nos processos de aprendizados, recomendo a leitura dos meus livros Ensinar Aprendendo: novos paradigmas da educação eFamília de Alta Performance: conceitos contemporâneos na educação, ambos pela Integrare Editora.

Material escolar: O pai deve ceder e comprar os materiais que o filho escolher?



Pela maneira como os pais lidam com o material escolar para os filhos pode-se avaliar o estilo de educação familiar reinante. Os filhos copiam a importância que os pais dão aos seus materiais escolares, que também será o quanto os filhos valorizarão os estudos. Bons alunos cuidam bem do seu material escolar.


O material é o instrumento do uso do aluno e lidar com ele significa o relacionamento que o aluno estabelece com ele. Esse relacionamento envolve várias etapas: comprar, usar, manter, preservar para poder guardar o que for importante e descartar o que não mais for necessário. Incluir neste descarte a doação a instituições que distribuam a quem dele precise para estudar. O aluno tem o seu material escolar como o cirurgião conta com seu instrumental cirúrgico, o motorista com o seu carro, o mecânico com sua oficina. Só a ferramenta não faz um bom profissional, mas a sua falta compromete-lhe a competência.
Faz parte do ensino que seus professores indiquem os materiais necessários para o seu conteúdo programático e a Escola todo o restante necessário para o bom andamento da educação pedagógica, geralmente por meio de uma lista. 


Há pais que passam a lista diretamente para seus funcionários comprarem e entregarem todo o material prontinho ao filho, sem a participação deste. Apesar de financeiramente presentes, estes pais não estão participando da construção psicológica do papel de aluno. A ligação entre o desejo e a posse está sendo atropelada. Posse sem desejo tira um dos prazeres da vida. A fome é o melhor tempero da comida, já diziam os mais velhos. Assim também é o desejo que valoriza um prêmio, uma conquista, uma aquisição. Sem desejo, tudo fica igual, sem envolvimento emocional nem afetivo. Seu material escolar não tem vida. É um que já vem pronto, e não construído conforme os seus sonhos. Apesar de ser seu de posse, não lhe pertence e, portanto, nem tenha prazer em utilizá-lo como se deve. É como um professor que dá uma matéria pronta sem que seu aluno participe da construção deste conhecimento.


Alguns aluninhos chegam à escola arrastando uma mochila que de tão grande nem conseguem carregá-la. Voltando este filme, retomemos na hora da compra da mochila. O filhinho entra correndo no setor das mochilas e os pais falam a ele para escolher o que quiser. Os olhinhos brilham e ele pede a maior mochila que existe, cheia de compartimentos, penduricalhos, bolsas externas e zíperes aos montes... Ele quase cabe dentro. Os pais compram-no também com brilho de felicidade nos olhos por poderem comprar o que nunca puderam ter quando crianças. Eles acham que estão fazendo o melhor que podem, mas não estão, pois não se pode delegar a responsabilidade de compra a quem não tem competência para escolher. Os pais mais satisfizeram o desejo "desmedido" do filhinho do que compraram o que na lista se pedia. Assim são também com a quantidade e variedade de outros materiais que ultrapassam de muito as necessidades escolares. É comprar uma Ferrari para andar na fazenda. Por melhor ou mais cara que seja, este não é o veículo adequado para as estradinhas e atoleiros rurais. Os pais estão investindo no desperdício e despreparo para este filho se tornar um cidadão ético.


O ideal é pelo menos um dos pais acompanhar o filho nas compras para servir de adequação tanto na aquisição quanto na qualidade e na quantidade. Um caderno, que é encapado com capricho pelo pais, com o filhinho ajudando, deixa de ser material sem vida e passa a ser um objeto de prazer; promove lembranças futuras. Tudo isso propiciará maior cuidado e capricho nos estudos.

Por Içami Tiba

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