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quinta-feira, 19 de março de 2009

Namorar, ficar e outros rolinhos...

Meu Deus! Acho que estou ficando velha, eu não consigo assimilar essa mudança de paradigma. Não consigo aceitar o que vejo professores, pais e mães aceitarem numa boa. Nessa ótica ainda sou do século passado.
Não acho que seja normal uma criança de 09, 10, 11, 12 anos já terem experiências de "ficar", de fazer "rolo", de namorar. Criança para mim é criança e ponto. Não é bonito, não é engraçadinho, não é correto.
Não vou fazer a apologia da castidade, nem querer que as crianças sejam tratadas como imbecis de acreditarem em cegonha e afins. Mas, é um erro gravíssimo de nossa sociedade ver e admitir que nossas crianças comentem na nossa presença que fulano ficou com a fulana na aula de sicrano, etc., dar risada e achar que é normal. Não é.
Gente, tudo começa é pequeno mesmo, até uma avalanche começa com uma pequenina bolinha de neve rolando penhasco abaixo.
Deem uma olhadinha numa comunidade do orkut chamada PPO - Piores perfis do Orkut, vejam as fotos que as crianças colocam se fazendo de sensuais, com caras e bocas e o que é pior: leiam os comentários que elas e os amigos fazem das fotos ede si mesmos.è muita vulgarização para o meu gosto.
Me pergunto: onde estão os pais dessas crianças? Será que estão tão concentrados no trabalho, no dia-a-dia que não percebem que seus filhos precisam de "DIÁLOGO"?
Me pergunto ainda qual é o papel da escola em tudo isso, em como podemos colaborar com as famílias e com a sociedade de modo geral?
Eu, particularmente, sempre questiono meus alunos. Não dando sermões, que não resolve nada, mas, ouvindo o que eles pensam sobre isso, questionando e exigindo um posicionamento frente a realidade que nos cerca.
Hoje mesmo, na minha sala de aula, com alunos entre 11 e 14 anos, engatamos uma conversa franca, aberta sobre esse tema. E a cada vez que me surpreendia com os "fatos" relatados, eu questionava: E você, fulano, o que pensa disso? E você, fulana, concorda com o comportamento descrito por seu colega?O que é certo nisso? O que é errado? E se fosse com você, fulano? O que você teria feito nessa situação sicrana?
E claro, ouço as respostas sem fazer um cavalo de batalha, disfarço minha indignação com a falta de pureza de nossos jovens. E de uma forma light, serena e amiga tento mostrar o meu ponto de vista, procurando levar a discussão para o campo da ética, da moral, da auto-estima, do preconceito, da discriminação, do amor, da caridade, etc..
Um aluno me contou que sua coleguinha da escola regular de 13 anos está grávida e vai ter um bebê. Eu perguntei o que ele achava disso. A resposta me deixou ainda mais triste: sabe, tia, as meninas, arrumam filhos, depois vão na lei e querem do "bão" e do melhor. Querem roupinhas assim pro bebê, querem carrinho assim e assado e o trouxa do menino tem que se virar pra arranjar, para pagar pensão...
Eu fiquei bege: as meninas arrumam filhos sozinhas? E começamos a debater o assunto, sobre a responsabilidade do casal no que diz respeito aos filhos. Discutimos ainda a árdua tarefa de educar um filho. Essa tarefa cabe só a "menina" ou a família dela, e onde fica o afeto, o amor de pai, os laços familiares? Será que tudo que uma criança precisa é de dinheiro e coisas materiais?
Fizemos um júri simulado. Foi muito legal! Dividimos os papéis e levamos o caso da gravidez precoce da colega dele para o tribunal. Nesse contexto, percebi que muitos possuem dentro de si valores adormecidos, que muitos estão apenas seguindo a onda, mas, que no fundo se sentem usados, mal amados e sozinhos.
Professores, pais, "percam" tempo e discutam questões importantes como essa com seus filhos. Estamos educando pessoas e não criando pessoas. Criar é dar comida, roupa, remédios, igual fazemos com nosso gato ou cãozinho. Educar é muito mais que isso, educar é um compromisso.

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