Violência doméstica tem explicação?
Por Içami Tiba
Ser um dos campeões mundiais em violência doméstica é um título que envergonha qualquer brasileiro. A mulher é a sua maior vítima: segundo a Sociedade de Vitimologia Internacional, 70% dos assassinatos de mulheres são praticados pelo próprio marido e 25% delas sofrem agressões em casa. De cada 4 mulheres que você vê na rua, uma apanha do marido, quando não apanha do próprio pai, irmãos e tios.
Em um ranking da violência doméstica contra a mulher feito pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 2006, a Etiópia é líder, com índice de 71% de violência. O Japão, com 15%, é um dos últimos da lista.
As mulheres que mais apanham dos seus maridos são as que não trabalham fora, não têm instrução, têm filhos e moram na região rural. Mas existe uma qualificação ou defeito que está presente em todas as condições acima citadas: é o machismo. O machismo existe desde que o homem sentiu que tinha poder para subjugar a mulher.
Na Mesopotâmia, há 12 mil anos, quando se descobriu a agricultura, as organizações familiares que eram matrilineares viraram patrilineares. Algumas famílias começaram a invadir e conquistar agriculturas e seus donos. Os homens eram mortos e as mulheres e crianças tinham novo chefe de família.
Já existiu o comércio de homens e mulheres como escravos. A escravidão foi oficialmente abolida antes da emancipação da mulher, que foi muito recente. Ainda hoje existe trabalho escravo aqui e acolá, mesmo que seja muito combatido.
A cultura machista, do homem sentir-se dono da mulher, ainda existe bastante, principalmente nas famílias chefiadas pelo homem. O nome de "rainha do lar" é um disfarce para a situação da maioria das mulheres, que na realidade são escravas do lar. Ai das mulheres que não fizerem o que os seus donos homens desejam...
Mais do que a agressão física, existe ainda, em grande escala, o abuso moral social da mulher. A mulher receber menos dinheiro do que o homem pelo mesmo serviço é um abuso financeiro.
A mulher, por mais que trabalhe fora e produza dinheiro, ainda dedica entre 23 e 27 horas por semana aos afazeres de "rainha do lar de todos", principalmente em feriados e finais de semana. Uma dedicação sem direito a férias nem a décimo terceiro salário... A mulher tem mais direitos, ainda que abusada, fora de casa do que dentro dela.
Há muitas famílias que ainda cantam amorosamente canções infantis como "Terezinha de Jesus":
"Terezinha de Jesus
De uma queda foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão.
O primeiro foi seu pai,
O segundo seu irmão,
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão."
Com tanto amor e proteção, como pode uma mulher ser tão vilmente agredida dentro do seu próprio lar?
Um padrão cultural para ser mudado leva no mínimo algumas gerações. É o que acontece com a cultura machista. Os homens aos poucos estão mudando, e os últimos a mudar são os que têm menor grau de instrução. No íntimo de cada um ainda há ranços da lei da matilha, a lei do mais forte, ou seja lá qual for o nome dado ao machismo.
É neste íntimo que reside a família, na convivência mútua da qual não se presta contas a ninguém a não ser a si mesma. Assim como um usuário, que na solidão e intimidade do seu quarto faz o que quiser na internet; um homem, na intimidade do seu lar, se sente o dono de tudo, inclusive da alma de sua mulher.
Culturas há que perpetuam tais violências contra a mulher, das quais ela mesma faz parte. As mulheres que se insurgem contra têm o apoio da lei, mas ainda são condenadas pelos padrões culturais dos seus próprios pares, homens e mulheres. Tudo isso explica (mas não justifica) a violência doméstica nos dias de hoje.
Em um ranking da violência doméstica contra a mulher feito pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 2006, a Etiópia é líder, com índice de 71% de violência. O Japão, com 15%, é um dos últimos da lista.
As mulheres que mais apanham dos seus maridos são as que não trabalham fora, não têm instrução, têm filhos e moram na região rural. Mas existe uma qualificação ou defeito que está presente em todas as condições acima citadas: é o machismo. O machismo existe desde que o homem sentiu que tinha poder para subjugar a mulher.
Na Mesopotâmia, há 12 mil anos, quando se descobriu a agricultura, as organizações familiares que eram matrilineares viraram patrilineares. Algumas famílias começaram a invadir e conquistar agriculturas e seus donos. Os homens eram mortos e as mulheres e crianças tinham novo chefe de família.
Já existiu o comércio de homens e mulheres como escravos. A escravidão foi oficialmente abolida antes da emancipação da mulher, que foi muito recente. Ainda hoje existe trabalho escravo aqui e acolá, mesmo que seja muito combatido.
A cultura machista, do homem sentir-se dono da mulher, ainda existe bastante, principalmente nas famílias chefiadas pelo homem. O nome de "rainha do lar" é um disfarce para a situação da maioria das mulheres, que na realidade são escravas do lar. Ai das mulheres que não fizerem o que os seus donos homens desejam...
Mais do que a agressão física, existe ainda, em grande escala, o abuso moral social da mulher. A mulher receber menos dinheiro do que o homem pelo mesmo serviço é um abuso financeiro.
A mulher, por mais que trabalhe fora e produza dinheiro, ainda dedica entre 23 e 27 horas por semana aos afazeres de "rainha do lar de todos", principalmente em feriados e finais de semana. Uma dedicação sem direito a férias nem a décimo terceiro salário... A mulher tem mais direitos, ainda que abusada, fora de casa do que dentro dela.
Há muitas famílias que ainda cantam amorosamente canções infantis como "Terezinha de Jesus":
"Terezinha de Jesus
De uma queda foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão.
O primeiro foi seu pai,
O segundo seu irmão,
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão."
Com tanto amor e proteção, como pode uma mulher ser tão vilmente agredida dentro do seu próprio lar?
Um padrão cultural para ser mudado leva no mínimo algumas gerações. É o que acontece com a cultura machista. Os homens aos poucos estão mudando, e os últimos a mudar são os que têm menor grau de instrução. No íntimo de cada um ainda há ranços da lei da matilha, a lei do mais forte, ou seja lá qual for o nome dado ao machismo.
É neste íntimo que reside a família, na convivência mútua da qual não se presta contas a ninguém a não ser a si mesma. Assim como um usuário, que na solidão e intimidade do seu quarto faz o que quiser na internet; um homem, na intimidade do seu lar, se sente o dono de tudo, inclusive da alma de sua mulher.
Culturas há que perpetuam tais violências contra a mulher, das quais ela mesma faz parte. As mulheres que se insurgem contra têm o apoio da lei, mas ainda são condenadas pelos padrões culturais dos seus próprios pares, homens e mulheres. Tudo isso explica (mas não justifica) a violência doméstica nos dias de hoje.

Içami Tiba
Psiquiatra, educador e conferencista. Escreveu “Quem Ama, Educa! Formando Cidadãos Éticos" e mais 22 livros.
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