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domingo, 26 de abril de 2009

Alcoolismo e a adolescência


Será que eu sou o único(a) que não bebe?

Se levarmos em conta o que as novelas, propagandas de bebidas e filmes nos dizem, todo mundo, jovem e adulto, costuma beber.Optar por abster-se de bebidas alcoólicas, ou por beber apenas moderadamente, em ocasiões especiais, é uma decisão saudável e bastante comum. Pense nisso quando for tomar suas próprias decisões nesse campo.

Aqueles que começam a beber ainda jovens percebem que, depois de alguns drinques, em geral, fica-se mais relaxado e alegre. A partir dessa descoberta, é natural que se pense que quanto mais se beber, mais relaxada e mais alegre uma pessoa vai ficar.No entanto, não é isso que acontece. O álcool é uma substância que não obedece à lógica simples de “quanto mais melhor”.

Os efeitos das bebidas alcoólicas acontecem em duas fases. Na primeira delas o álcool age como um estimulante, e deixa a pessoa mais eufórica e desinibida, mas a medida que as doses vão aumentando e o tempo vai correndo, passa-se à segunda fase, na qual começam a surgir os efeitos depressores do álcool levando à diminuição da coordenação motora, dos reflexos e deixando a pessoa sonolenta.Isso significa que, enquanto nossa alcoolemia está subindo, ainda no primeiro ou segundo copo de bebida, o álcool é uma droga que nos faz sentir cheios de energia, com sensação de poder e alegria. No entanto, conforme o tempo passa, o álcool provoca exaustão e sono.

Vale lembrar ainda que, quanto mais se beber, maior será o cansaço. Quanto mais alta a concentração de álcool no sangue (chamada de alcoolemia), mais a bebida atua como depressora e não como estimulante. Neste caso, portanto, agir com moderação é não só menos arriscado, mas também mais divertido.


80% dos estudantes pegam carona com quem bebeu


Após entrar em vigor, a chamada Lei Seca mudou o comportamento dos universitários, mas não imunizou todos os riscos do hábito de beber e dirigir. "Os jovens mudaram só o agente do perigo, mas continuam correndo riscos no trânsito ao andar ao lado de condutores que beberam antes de pegar o carro", afirma Sérgio Franco, chefe do departamento de ortopedia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do estudo, que ouviu, na semana passada, 1.034 universitários paulistanos e cariocas.

"Percebemos que há avanços substanciais (após a Lei Seca), mas nos surpreendeu a quantidade de jovens que pegam carona com motoristas que beberam", diz o pesquisador. As informações são do "Jornal da Tarde".


Medo da dependência alcoólica não assusta os jovens

O que mais interessa nos dois litros de refrigerante são as garrafas pet. São nelas que os jovens (meninos e meninas de 15 a 18 anos, invariavelmente) misturam os litros de bebidas destiladas.

Pode ser cachaça da mais barata ou, quando a coleta de moedas entre eles permite, um litro de vodka - de qualquer procedência.Pronto, o “tubão” já pode passar de mão em mão, ou melhor, de boca em boca. Agora é só sair por aí, aprontando.

Em qualquer lugar da cidade a cena se repete diariamente. Até na saída das escolas, tanto públicas quanto particulares, o “tubão” faz sucesso. E não importa se é de dia ou de noite. Longe de ser apenas uma estimativa, a constatação é de que os jovens começam a beber cada vez mais cedo. O principal motivo, segundo Dionísio Banaszewski, do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, que fez parte do Conselho Estadual Antidrogas (Conead), é a facilidade com que as pessoas têm acesso às bebidas alcoólicas.

A estudante do ensino médio Camile, de 15 anos, diz não se lembrar direito, mas acha que tomou só dois porres este ano. “Não fiz nada de errado, só me arrependi por ter passado mal no dia seguinte”, comenta, salientando que está aprendendo a se controlar. Para muitos adolescentes, beber junto com a turma passou a ser o principal programa da semana.

Thiago, de 17 anos, alega que começou a beber para acompanhar a turma, mas agora já está acostumado com a bebida. “Fico mais descontraído e corajoso”, se vangloria. Nas madrugadas, principalmente dos finais de semana, a turma de Camile e Thiago fica na rua "zoando".


Perdem o controle


Banaszewski também constata que os jovens freqüentam as festas cada vez mais cedo e, que, na maioria delas, o consumo de bebidas para menores é totalmente liberado. No entender do especialista, devido a falta de maturidade a maioria dos jovens desconhece o que é beber com responsabilidade. "Por isso perdem o controle quando bebem", ressalta.

A violência provocada pelo descontrole dessas turmas, conforme levantamentos oficiais são uma das principais responsáveis pela morte violenta de jovens entre 15 e 24 anos. Quando não são as brigas entre eles, os acidentes de trânsito provocados pelo abuso no álcool, inflacionam as estatísticas.

O fenômeno do aumento de alcoolismo entre jovens vem sendo acompanhado pelo há quase uma década com muita preocupação. Que o alcoolismo está se tornando cada vez mais alarmante não é novidade. “No entanto, é preciso tomar conhecimento de que a situação está ficando fora de controle”, enfatiza o psicólogo.

Uma recente pesquisa mundial constatou que o número de mortos e de incapacitados devido ao consumo de álcool em todo o mundo equivale à soma dos óbitos causados por pressão alta e pelo fumo. Por isso, especialistas reconhecem que uma política sobre o uso do álcool não é mais uma questão nacional, mas sim de saúde pública mundial.


O alcoolismo é uma doença


Além dos problemas físicos e emocionais, o álcool está direta ou indiretamente ligado à maioria esmagadora das ocorrências policiais e dos registros hospitalares. Segundo o psiquiatra Fernando Sielski, especialista em dependência química, o álcool provoca alterações neurofisiológicas profundas nas pessoas. “Ele causa graves danos à memória, capacidade de abstração e a inteligência”, afirma.

Essas disfunções no sistema nervoso independem do tipo de bebida ingerida, sejam as mais fortes como a cachaça ou as mais, socialmente aceitas, como a cerveja. Outra conclusão do estudo foi que as maiores alterações eletrofisiológicas foram registradas na região do tálamo, considerada a porta de entrada do cérebro no que se refere à sensibilidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1967, reconhece o alcoolismo como uma doença.


Os danos do álcool

No fígado: hepatite, cirrose
No pâncreas: pancreatite
No estômago: gastrite, úlcera

No sistema nervoso: lesões cerebrais, epilepsia, psicose e demência
Nos homens: atrofia nos testículos, redução no número de espermatozóides
Nas mulheres: um efeito semelhante nos ovários

A receptividade à publicidade de álcool interfere na iniciação de seu consumo


Antes de terminar a oitava série, 41% dos adolescentes já experimentaram álcool e 20% beberam até o ponto de intoxicação. 

Quando adultos, adolescentes que começaram a beber antes dos 15 anos, têm mais chances de se tornarem dependentes, de se envolverem em acidentes automobilísticos, em agressões físicas e outros comportamentos prejudiciais à saúde.  

A publicidade parece ser importante fator de risco à iniciação do consumo de álcool, interferindo nas expectativas e decisões de uso pelo adolescente.  A amostra foi constituída com leve predominância de meninas (57,3%). Quanto ao uso de álcool na vida (qualquer uso), 29% dos adolescentes que nunca haviam bebido (na avaliação inicial), fizeram-no no seguimento do estudo (após 12 meses). O reconhecimento e a recordação das marcas de bebidas alcoólicas correlacionaram-se à iniciação desse consumo.Em comparação aos adolescentes de mínima receptividade à publicidade, os de alta receptividade tinham 77% a mais de riscos de terem iniciado o consumo de álcool. Quanto ao uso recente, no seguimento do estudo, cerca de 13% dos adolescentes que não bebiam, passaram a fazê-lo na freqüência de 1-2 dias dentro dos últimos 30 dias. Novamente, os adolescentes de maior receptividade apresentaram 75% mais riscos de desenvolver esse tipo de consumo.

Assim, conforme os autores, as três medidas de publicidade (receptividade, reconhecimento e recordação) interferiram sobre o uso na vida e recente de bebidas alcoólicas. Porém, o efeito da receptividade parece ser mais significativo, sugerindo que respostas afetivas sejam mais preditoras do comportamento de beber que medidas cognitivas.

Ainda de acordo com os autores, frente aos presentes resultados e à literatura, em função da penetração da publicidade de álcool no mundo dos jovens, é preciso monitorá-la, principalmente no que diz respeito à distribuição de itens promocionais a adolescentes. Porém, ainda não se sabe sobre os mediadores e moderadores da receptividade sobre o comportamento de saúde e de beber dos adolescentes, necessitando-se de mais estudos para esclarecê-los. 

A Interferência de amigos sobre o comportamento de beber de adolescentes de ambos os sexos


Entre os adolescentes, já é conhecida a influência de amigos sobre o uso de drogas. Quanto ao uso de álcool, os fatores de risco parecem ser diferentes conforme o sexo do adolescente, de tal forma que as mulheres têm-se mostrado mais vulneráveis que os homens.

A composição do grupo de amigos (se do mesmo sexo ou não) é fator de risco relevante. Assim, o objetivo desse estudo foi testar a influência entre o sexo do adolescente e o seu  ciclo de amizades,. Na presença desta interação, investigar se seria mediada por mecanismos genéticos ou ambientais.

FinnTwin12) sobre o desenvolvimento comportamental e os fatores de risco durante a adolescência. Tal estudo foi conduzido entre gêmeos e seus familiares. 

Esta  pesquisa utilizou-se dos dados dos adolescentes quando completaram 14 anos, momento em que foram introduzidos tópicos sobre o uso de drogas no questionário de entrevista. Quanto ao uso de álcool, em especial, obteve-se a participação de 4709 adolescentes, dos quais 1488 eram gêmeos do mesmo sexo, divididos em monozigóticos (gêmeos idênticos - 706 homens e 752 mulheres e dizigóticos (800 homens e 718 mulheres).  

Entre eles, as variáveis medidas foram: 

1) início do uso de álcool;

 2) características dos amigos quanto ao uso de álcool, cigarro e incidência de comportamentos delinquentes, ou seja, se os amigos se envolviam em problemas ou eram desonestos e, finalmente 

3)o  sexo dos amigos.

Conforme os autores, as características do ciclo de amigos diferiram conforme o sexo. As mulheres têm maior probabilidade de terem amigos que já beberam, enquanto que os adolescentes do sexo masculino tinham com maior freqüência amigos que já se envolveram em problemas ou delinqüência.

Aos 14 anos, apenas 35% dos adolescentes relataram já ter bebido, sendo a prevalência pouco maior entre as mulheres desta faixa etária. Esse uso, de certa forma, parece relacionar-se ao sexo dos amigos, de tal forma que, os adolescentes (seja homem ou mulher) que tivessem amigos do sexo oposto apresentavam 3 vezes mais chances de já terem experimentado álcool. 

Já o risco de beber em função das características dos amigos (ter amigos que bebessem, fumassem ou que já tivessem se envolvido em problemas) foi maior entre as mulheres.  

Paralelamente, ao comparar gêmeos mono e dizigóticos, os autores concluíram que a influência de amigos sobre o comportamento de beber, entre adolescentes do sexo feminino, possivelmente estivesse relacionada a fatores genéticos e ambientais, enquanto que entre os homens as influências eram preferencialmente ambientais. 

Assim, conforme os autores, no que concerne ao uso de álcool, as mulheres estão mais predispostas a fatores de risco durante a adolescência, entre eles, a influência dos amigos, principalmente do sexo oposto. 

Os autores sugerem que a convivência com amigos do outro sexo tornaria os adolescentes menos inibidos ou funcionaria como uma pressão para seu engajamento em comportamentos precoces à sua faixa etária, entre eles, o comportamento de beber.

As mulheres, quando comparadas aos homens, parecem  beber mais precocemente em função de componentes genéticos, que as faz aproximar de amigos que tenham os mesmos valores. Já entre os homens, o comportamento é essencialmente influenciado por fatores ambientais, porém, essas diferenças entre os sexos tendem a desaparecer com o transcorrer da adolescência. 

Em contrapartida, o estudo apresenta uma série de limitações. Como a pesquisa é transversal, conclusões sobre a relação de causalidade são impossibilitadas. Soma-se a isso, o fato de que as medidas adotadas são simples e por vezes, inapropriadas. Mas, de forma geral, esses resultados fornecem informações de relevância a possíveis programas de prevenção e intervenção.

Alcoolismo infantil e juvenil


O problema do alcoolismo é um grande tabu, mas quando se trata de crianças e adolescentes, a situação é mais complicada e delicada ainda. O assunto é um problema social e deve ser debatido por todos os membros de uma sociedade. Embora seja notável e comprovado que os casos de alcoolismo infantil e juvenil ocorrem, em sua grande maioria, através da influência de amigos, é necessário um alerta para o ambiente familiar que também pode ser o vilão e fazer com que crianças se interessem pela droga.

Uma pesquisa realizada em todo o Estado de São Paulo mostrou que metade dos estudantes entre 10 e 12 anos já fez uso de bebidas alcoólicas e, na grande maioria, com apoio ou exemplo dos pais. A família precisa ficar atenta como a bebida é apresentada aos filhos, muitos pais oferecem bebida (dedo na espuma da cerveja) aos filhos que acham isso algo normal e interessante, pois todos apóiam.

O alcoolismo precoce danifica o desenvolvimento da criança, a coordenação motora e o funcionamento do fígado. O corpo de uma criança muitas vezes ainda não está 100% formado e com a defesa necessária e, por isso, a ingestão excessiva pode afetar quase todos os órgãos causando doenças preocupantes como gastrites, úlceras, pressão alta, infarto do miocárdio e até epilepsia e cirrose.

O alcoolismo infantil dá sinais muitas vezes mais claros do que nos adultos. Com um organismo mais frágil em relação às substâncias os sintomas são facilmente diagnosticados como mudanças bruscas de humor, isolamento, tonturas, andar cambaleante, vermelhidão, enjôos, tremores, sonolência, agressividade e mau desempenho escolar. Os pais, quando se depararem como uma situação dessas, devem partir para um diálogo aberto e mostrando o que essas atitudes dos filhos podem causar e uma ajuda profissional também pode ser uma saída.

Atualmente, de acordo com diversas pesquisas, o alcoolismo atinge milhões de crianças e adolescentes em todo o país. Além dos pais e amigos o consumo de bebida alcoólica nessa fase da vida é responsabilidade também de empresas e pessoas que exploram todos os tipos de situações para vender seus produtos. A polícia, com base nas leis, prende o traficante de drogas, mas deixa “livre” o que mata milhões com álcool. A responsabilidade é sim dos grandes produtores de bebidas alcoólicas.

O álcool é a droga livre, a droga protegido por lei e, mesmo assim, é a que mais têm dependentes espalhados pelas cidades. A Organização Mundial tem certo cuidado quando fala sobre o álcool e dizem que só a minoria dos usuários se torna dependentes químicos. A realidade é bem diferente. O alcoolismo é a doença que muitos não aceitam e escondem e pode, muitas vezes, começar com um simples dedo na espuma da cerveja que o pai está bebendo.

Fica um pedido aos pais. Dêem exemplo e limites aos seus filhos. Não abuse do álcool na frente deles, você pode está sendo o causador de uma futura dependência química em seu filho.  Aos fabricantes de bebidas é necessário mais respeito, mais consideração com a vida.


Brincando com álcool


A menor R., de 17 anos, filha de artistas famosos, procurou a Aldeia Clínica, em Niterói, para tentar se livrar do álcool. Ela começou a beber diariamente aos 12 anos, na saída do colégio. Sua pior fase foi entre 13 e 14 anos.

Aos 17, ela não ia mais à escola. Só bebia. Hoje R. ainda está sob tratamento, mas voltou a estudar:  

— Eu bebia por farra com os amigos e também por tédio. A vida sem bebida não tinha graça. Tinha um lado também de emagrecer. Quando a gente bebe, perde a fome.  

Eu bebia para não comer. Com o tempo, percebi que minha vida era só beber e mais nada. Queria parar, mas não conseguia. É muito difícil. Sozinha é impossível. É preciso pedir e aceitar ajuda — diz R. 

A menina é um dos milhares de casos de abuso de álcool entre jovens de 11 a 17 anos da classe média do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os índices cresceram de 25% a 30% nos últimos cinco anos, segundo o psiquiatra Frederico Vasconcelos, coordenador da Aldeia Clínica e homenageado pelo presidente Fernando Henrique no mês passado, juntamente com a autora Glória Perez, por seus trabalhos de prevenção às drogas.

O álcool é o grande problema dos jovens de classe média. Perdi a conta dos fins de semana que atendi a meninas em coma alcoólico. Nos anos 60, as drogas eram usadas para aumentar a percepção. Hoje, eles bebem para perder a consciência completamente. É um gesto suicida.


No currículo escolar, os riscos do alcoolismo

A idéia de que os professores têm hoje mais uma função, a de atuar como agentes de prevenção ao álcool, surgiu na Aldeia Clínica, de Niterói, há três anos, quando a direção do Instituto Abel, de Niterói, pediu ajuda aos profissionais que lá trabalham há 12 anos em prevenção às drogas para enfrentar um problema: três de seus alunos de 14 anos foram pegos fumando maconha. O que a escola deveria fazer?

— Eles tiveram uma atitude exemplar. Em vez de expulsar os alunos, o colégio tentou ajudá-los e procurou orientação sobre como agir. A expulsão fere o Estatuto da Criança e do Adolescente porque impõe ao menor um grande constrangimento. Geralmente as escolas vão enrolando os alunos que abusam de álcool até o fim do ano e não renovam suas matrículas. É uma expulsão velada, mas não resolve o problema, porque a incidência está aumentando — diz Frederico Vasconcelos. 

Para especialistas, muitos pais aprovam o uso de álcool 

Concluímos que o álcool é um problema de uso continuado e a prevenção deve ser contínua. Convidamos 300 escolas para discutir propostas concretas de capacitação de professores e funcionários para enfrentar o problema já. O professor tem vínculos com o aluno e pode identificar o problema antes que ocorra — diz Vasconcelos, que conseguiu patrocínio da Canadá Seguros, especializada em seguro escolar, para o evento. 

Para o psicanalista Luis Alberto Pinheiro de Freitas, autor de "Adolescência, família e drogas" (Editora Mauad), a liberalidade de muitas famílias com o álcool é um dos maiores problemas para a prevenção:

— Há o mito de que a maconha leva os jovens a outras drogas. Mas é o álcool que faz esse papel. E a própria família incentiva o consumo. Tenho pacientes que começaram a beber quando o pai, orgulhoso do filho que virava homem, os chamava para drinques.

Um exemplo é o da jovem F. de 14 anos, que viveu um drama doméstico ao ser flagrada pelos pais com maconha:— O meu pai fez um escândalo. Logo ele, que toma dois Lexotan por dia e todo aniversário toma um porre e dá altos vexames — conta a menina.

Para Frederico Vasconcelos, o álcool gera uma doença de longa evolução (dez anos em média) e o abuso entre jovens os leva a drogas maiores:

— Uma delas é o ecstasy, encontrado em dois tipos de pastilha: a MAP( meta-anfetamina) e a MDMA (metil-dietil- MA), esta com propriedades alucinógenas e ambas vendidas a R$ 50 cada, nas boates da Zona Sul e da Barra da Tijuca. O adolescente se expõe hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. 

Além dos riscos à saúde, há os perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool.


Jovens e Álcool: preferências, atitudes e experiências no consumo de cerveja

Basta chegar a sexta-feira de um dia quente para que os bares de todo o país fiquem repletos de adolescentes que, entre um papo e outro, bebem cerveja.

Mesmo assim, a maior parte dos jovens não associa a cerveja ao álcool. Foi o que comprovou a pesquisa de Nadir Ferreira Boa Sorte, professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), para obtenção do título de mestre.

O trabalho - "O imaginário do adolescente sobre o consumo de álcool e o processo de construção da identidade: implicações na educação e prevenção" -, concluiu que o jovem possui uma imagem ingênua da cerveja, vendo-a como diferente das demais bebidas alcoólicas.

Poucos sabem que bebida preferida contem 5% teor alcoólico e bastam seis copos para que uma pessoa apresente dificuldades de coordenação motora e reflexos.

"O jovem chega a apontar aspectos positivos. Dizem que a cerveja é fraca, que ela é mais apropriada para o jovem e que no calor o que combina mesmo é a cerveja, entre outros", contou Nadir.

"Os amigos e a família, sempre apontados, na literatura, como as maiores influências no consumo de substâncias psicoativas em geral, foram inocentados pela maioria destes adolescentes, que chamam para si a responsabilidade", afirmou a professora da Uneb. 

Frente à pergunta "Você acha que a cerveja é igual às outras bebidas alcoólicas?", 34% dos jovens disseram que não, e destes, 90% apontaram esses aspectos "positivos" para justificar a diferença.Segundo a professora, eles acreditam que os fatores internos têm maior influência do que os externos na constituição e manutenção do comportamento de beber.

Uma curiosidade da pesquisa: a palavra "álcool" só aparece uma vez e a palavra "droga" duas vezes entre as 1517 palavras dos questionários. 

"Isso talvez ocorra porque a palavra droga é um signo ideológico e, como tal, já possui uma riqueza significativa deformada pela cultura, utilizada com novas intenções, isto é, não mais com seu sentido científico, mas com uma grande carga negativa", concluiu.


Para a professora, ao negar a variável externa, o jovem chama para si a responsabilidade de seus atos em uma tentativa de obter o reconhecimento social da ascensão ao estatuto de adulto.



Como manter seu filho(a) longe do Alcoolismo?


Pouca gente lembra, mas o fato é que uma lei simplesmente proíbe o consumo de álcool a menores de 18 anos. E, sendo lei, deveria ser aplicada até dentro de casa. O problema é que muitos pais toleram uma bebidinha dos filhos.

Pior: às vezes até oferecem.

Especialistas contam que às vezes o pai chega ao consultório aflito porque o filho fuma um cigarro de maconha, sem se importar com que ele tome um porre todo fim de semana. Um dado alarmante é que, para piorar, os jovens estão começando a beber cada vez mais cedo, por volta dos 12 anos na década passada, isso acontecia aos 14. 

O excesso entre os jovens tem várias causas, desde um mau exemplo de casa, até a curiosidade, a tendência a repetir modelos dos adultos, dos amigos, entre outras. Por isso é tão importante retardar ou impedir o consumo de álcool entre os mais novos, alertando para as conseqüências do consumo.

A regulamentação rígida não existe à toa: o organismo adolescente responde de maneira bem diferente ao do adulto. Em excesso, o álcool pode levar a danos no cérebro que acabam comprometendo a memória, o aprendizado. Nessa fase o cérebro passa por uma reorganização , lembra a psiquiatra e especialista no assunto Maria Cecília Marques, de São Paulo.

Como o álcool age em praticamente todos os neurotransmissores cerebrais, ele atrapalha todo esse processo. O jovem fica mais suscetível a problemas de discernimento, por isso não consegue diferenciar situações de risco, tem problemas no trabalho, nos estudos, e por aí vai.

Os danos podem se tornar irreversíveis, atingindo a memória, a capacidade de aprendizagem, a motivação, além é claro, de deixá-los mais propensos a serem adultos alcoólatras.

Se tudo isso não bastasse, o abuso do álcool em qualquer idade - tem outras conseqüências diretas: a pessoa fica mais exposta a acidentes de trânsito e práticas inseguras, como sexo sem proteção. Para se ter uma idéia, no Brasil metade dos acidentes fatais de carro está ligada ao consumo de álcool entre jovens de 18 a 25 anos.


Para o seu filho você é um espelho


·         Em primeiro lugar, dê o exemplo. Beba com muita moderação. O limite do saudável, para adultos de peso e de estatura médias e sem doenças crônicas, é de três copos de vinho, ou três latas de cerveja ou 250 ml de destilados. Para mulheres, dois copos de vinho ou duas latas de cerveja.

·         Não permita que menores bebam, nem na festa de casamento de um parente. Explique que isso é bebida de adultos e que deve ser ingerida com muito controle.

·         Ensine-o a criticar as propagandas que passam um falso modelo de saúde em gente que consome álcool

  • Imponha limite e controle o acesso à bebida. Para isso é necessário saber com quem andam, aonde vão, os locais que freqüentam.
Agora, se você notar que ele anda consumindo álcool demais, não perca tempo e procure ajuda médica. Existem vários tipos de tratamentos, e apenas alguns tipos incluem medicamentos. Saiba mais sobre eles:


Tratamento

O tratamento dependerá da extensão do problema. Algumas pessoas são capazes de tirar a bebida de suas vidas ou beber em níveis moderados com a ajuda de um psicólogo ou de conselhos de amigos e familiares. Quem está em um estágio mais avançado de dependência do álcool, no entanto, precisa de ajuda especializada. 
Na maioria das vezes, os viciados e dependentes precisam de tratamento médico que os ajude a parar de beber. Podem ficar em hospitais ou em clínicas especializadas, como as que tratam viciados em drogas. Além de realizarem a desintoxicação do paciente, nessas clínicas o cuidado 
é constante para evitar que a pessoa tente se machucar ou se matar, e para que ela consiga lidar melhor com as crises de abstinência pelas quais passará. Uma vez que os sintomas de abstinência forem superados, o próximo passo é fazer com que o paciente se mantenha sóbrio. Muitas pessoas precisam de suporte contínuo para se manter sóbrias. Essa ajuda pode vir dos grupos de apoio, como os Alcoólatras Anônimos, ou de sessão com psicoterapeutas.
O sucesso no tratamento está intimamente relacionado ao tamanho da força de vontade que pessoa tem para deixar de beber e também se ela realmente admite que tem problemas de dependência do álcool.
Força de vontade pode não ser suficiente para largar o álcool, se seu corpo estiver extremamente dependente dele. Por isso, medicações específicas são muito úteis durante o processo de desintoxicação.

Medicamentos 

Se você passar por graves crises de abstinência, com tremores incontroláveis, ataques e alucinações, é possível que você precise ir para um hospital ou clínica especializada para se desintoxicar. Os medicamentos utilizados para reduzir os sintomas da falta de álcool são: ansiolíticos (remédios antidepressivos) e anticonvulsivos. Os remédios que ajudam a pessoa a se manter sóbria durante o período de recuperação agem reduzindo os efeitos prazerosos do álcool, provocando náuseas ao beber e tratando as crises convulsivas.
O uso em excesso do álcool pode fazer com que seu corpo sofra de deficiência de uma série de vitaminas e minerais, especialmente a vitamina B. Se for este o caso, você precisará recompor a perda destas substâncias por meio de suplementos. Tratamento permanente Depois do período de desintoxicação, você deve discutir com seu médico tratamentos para se manter sóbrios e evitar recaídas. Alguns deles são: 
Educação sobre o álcool e outras substâncias viciantes, seus efeitos sobre o corpo, sobre sua vida e sobre a vida de seus familiares 
Orientação psicológica em grupo em individual 
Grupos de apoio, como os alcoólatras anônimos.

 


2 comentários:

Fábio disse...

Olá, sou ex-interno e voluntário em uma clínica de tratamento para dependentes químicos e alcoólicos. No Blog, conto minha história de adicção, desde a descoberta do álcool, na adolescência, até meu internamento involuntário por uso abusivo de cocaína. Meu objetivo é tentar conscientizar as pessoas sobre a real dimensão dos prejuízos causados à vida daqueles que se envolvem com as drogas.

Um abraço!

Fábio.

Anônimo disse...

Fábio,estou à procura de ajuda:meu marido tem 62 anos,há algum tempo tem se excedido na bebida e agora acho que chegou ao auge.Sofro com as ofensas quando ele bebe,fora isso ele é carinhoso,um doce.Não aceita qdo eu digo o que foi capaz de fazer e tão pouco aceita ajuda médica.Por acaso vc teria algum remédio que eu pudesse colocar na comida,suco ,café etc.?
Mande resposta para :ana.aloisi@gmail.com
Obrigada.