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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dê-me um afago...

Você já observou que às vezes tem necessidade de um abraço, de um carinho, ou mesmo de que alguém o pegue no colo?

Harlow*, em "Amor em filhotes de macacos", relata uma experiência com macacos recém-nascidos que o levou à conclusão de que "a estimulação tátil é tão importante quanto o alimento no desenvolvimento dos comportamentos".

Essa experiência foi realizada colocando cada macaquinho diante de duas mães substitutas, sendo que uma era de arame e outra de pano.

Estas foram algumas das observações de Harlow: os macaquinhos afeiçoaram-se à mãe de pano e, ainda que a mamadeira estivesse no peito da mãe de arame, os símios apenas saciavam sua fome e logo depois voltavam para a mãe de pano.

Quando na gaiola era colocado um estímulo que produzia medo, os macaquinhos corriam para a mãe de pano; junto dela, o macaquinho sentia-se mais seguro para arriscar-se e explorar o meio ambiente, mesmo na presença de um estímulo de medo.

Um macaquinho criado em solidão apresentava um quadro muito grave, evitava todo contato social, parecia sempre muito amedrontado, tinha uma postura de encolhimento e de abraçar-se a si mesmo.

Se esse quadro durasse mais um ano, tornar-se-ia praticamente irreversível. A estimulação tátil, além de significar algo gostoso, afetuoso e propiciar sensação de proteção e segurança, fornece material para o indivíduo criar uma identidade.

 Educar um Filho: Trabalho de Hércules?

Dos doze trabalhos atribuídos a Hércules, o primeiro manter o leão de Neméia poderia ser substituído por educar um filho nos dias de hoje e numa cidade grande.

São tantas as vicissitudes, os conflitos e também as alegrias que, ao assumir o papel de pai ou mãe, fecham-se as portas do purgatório. Ao ter um filho, "perde-se o direito de se aposentar do papel de pais". (Tânia Zagury, educadora carioca)

Ser pai ou ser mãe é:

Impor limites. Ter autoridade, sem ser autoritário, para não sucumbir à tirania do filho. A autoridade quando exercida com equilíbrio é uma manifestação de afeto e traz segurança. São pertinentes as palavras de Marilda Lipp, doutora em Psicologia em Campinas: "O comportamento frouxo não faz com que a criança ame mais os pais. Ao contrário, ela os amará menos, porque começará a perceber que eles não lhe deram estrutura, se sentirá menos segura, menos protegida para a vida. Quando os pais deixam de punir convenientemente os filhos, muitas vezes pensam que estão sendo liberais. Mas, a única coisa que eles estão sendo é irresponsáveis".

Transmitir valores: O filho precisa de um projeto de vida. Desde pequeno é importante o desenvolvimento de valores intrapessoais, como Ética, Cidadania, Solidariedade, Respeito ao Meio Ambiente, Auto-Estima, ensejando adultos flexíveis e versáteis, que saibam resolver problemas, que estejam abertos ao diálogo, às mudanças e às novas tecnologias.

Valorizar a escola e o estudo. Os educadores erram sim! E os pais também! Pequenas divergências entre a Escola e a Família são aceitáveis e, quiçá, salutares, uma vez que educar é conviver com erros e acertos. O filho precisa desenvolver a tolerância, a ponderação, preparando-se para uma vida na qual os conflitos são inevitáveis. No entanto, na essência, deve haver entendimento entre pais e educadores. O filho é como um pássaro que dá os primeiros vôos. Família é Escola são como duas asas: se não tiverem a mesma cadência, não haverá uma boa direção para o nosso querido educando.

Dar segurança do seu amor. Importa mais a qualidade do afeto que a quantidade de tempo disponível ao filho. Nutri-lo afetivamente, pois a presença negligente é danosa para o relacionamento. A paternidade responsável é uma missão e um dever a que não se pode furtar. No entanto, vêem-se filhos órfãos de pais vivos. A vida profissional, apesar de suas elevadas exigências, pode muito bem ser ajustada a uma vida particular equilibrada.

Dedicar respeito e cordialidade ao filho. Tratá-lo-emos com a mesma urbanidade com que tratamos nossos amigos, imprimindo um pouco de nós, pelo diálogo franco e adequado à idade.

Permitir que gradativamente o filho resolva sozinho as situações adversas. A psicóloga Maria Estela E. Amaral Santos é enfática:- "Um filho superprotegido possivelmente será um adulto inseguro, indeciso, dependente, que sempre necessitará de alguém para apoiá-lo nas decisões, nas escolhas, já que a ele foi podado o direito de agir sozinho". O caminho da evolução pessoal não é plano e nem pavimentado. Ao contrário, permeado de pedras e obstáculos, que são as adversidades, as frustrações, as desilusões, etc. Da superação das dificuldades advém alegrias e destarte aprimora-se a autoconfiança para novos embates. Há momentos em que os pais devem ser dispensáveis. Ao filho - usando uma feliz expressão da psicóloga Lídia Weber, UFPR "devemos dar-lhe raízes e dar-lhe asas".

Consentir que haja carências materiais. Cobrir o filho de todas as vontades (brinquedos, roupas passeios, conforto, etc.) é uma imprevidência. Até quando vão perdurar essas facilidades? Disponibilizamos prioritariamente aquilo que não tivemos em nossa infância. Mas cabe a pergunta: estamos lhe dando aquilo que efetivamente tivemos e fomos felizes por isso? 

Conceder tempo para ser criança (ou adolescente). Não se deve sobrecarregar o filho com agenda de executivo: esportes, línguas, música, excesso de lições, atividades sociais, etc. Se queimarmos etapas de seu desenvolvimento, ele será um adulto desprovido de equilíbrio emocional. Nosso filho precisa brincar, partilhar, conviver com os amigos, desenvolvendo assim as faculdades psicomotoras e a sociabilização.

Desenvolver bons hábitos alimentares e exercícios físicos. A saúde é um dos principais legados e não se pode descurar. Nosso filho será uma criança e um adulto saudável pela prática regular de esportes e pela ingestão diária de proteínas, frutas, verduras, legumes e muita água. Não esquecer o sol nos horários recomendados. Tais hábitos promovem o bem estar, a auto-estima e a boa disposição para a vida.

Convencer o filho a assumir tarefas no lar. Certamente haverá resistência. Mas, ele deve ter responsabilidades em casa; assumindo algumas tarefas domésticas, como limpar o tênis, fazer compras, lavar a louça, tirar ou colocar a mesa, etc. E indispensável que tenha hábitos de higiene e mantenha arrumado o seu quarto.

Teria Hércules sido bem sucedido? Em meio a tantas vicissitudes do mundo moderno, você pai, você mãe e eu chegamos, talvez, a um consenso: educar bem um filho corresponde não a um, mas aos doze trabalhos atribuídos ao nosso herói mitológico. Mas vale a pena!

O filho não vem ao mundo acompanhado de um manual de instruções e nem tampouco lhe será concedido um certificado de garantia. Isto posto, educar é conviver com erros e acertos. Mais acertos, proporcionalmente ao diálogo e à ternura.

 


2 comentários:

Victor S. Gomez disse...

Impor respeito com carinho, mas sempre colocando limites. Abraços

Xênia da Matta disse...

Com certeza o segredo pode estar nos estímulos e elogios. Bjux e sucesso.