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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fobia Social, você sofre desse mal?



O que é?

A fobia social é definida como um medo acentuado e persistente de ser julgado, criticado ou humilhado em situações sociais e de desempenho. Essas pessoas sentem um excesso de ansiedade quando estão num contexto que pedem ser observadas fazendo algo como, por exemplo, dirigir, comer, escrever, falar, caminhar. O sofrimento descrito pelas pessoas com fobia social é muito grande, a ponto de muitas vezes as impedirem de realizar tais atividades.

Todos nós temos em algum grau certo receio de desempenhar algumas funções. Mas apesar da ansiedade e desconforto que a situação nos proporciona, não deixamos de executá-la. Já a pessoa com fobia social, na maioria das vezes não consegue, o que pode causar prejuízos significativos para a vida dela, como por exemplo, não concluir a faculdade porque precisa fazer alguma exposição em público; perder a chance de um trabalho porque não consegue ir a entrevista ou fazer uma apresentação do seu trabalho; se isolar do convívio social; não freqüentar as aulas no colégio ou não fazer as provas pois se sentirá observado.

Estudos e a prática clínica nos mostram que o início da fobia social pode ser na infância, mas que é muito mais comum o aparecimento na adolescência entre os 15 e 20 anos. Desconhecemos casos de fobia social tendo seu início após os 30 anos. O que ocorre por volta dessa idade são pessoas procurarem ajuda, já que as perdas ao longo dos anos foram muito significativas e o sofrimento ainda continua.

Pela própria característica da fobia social, faz com que os paciente não se queixem do problema, eles preferem se esconderem, se isolar do convívio social e continuar com seu sofrimento que na maioria das vezes não é entendido pelas pessoas ao seu redor. Frequentemente esse problema quando começa a incomodar o convívio da família ou amigos é visto como uma pessoa que quer “chamar atenção” ou “fresca e metida”. O que é um grande engano!

As pessoas com fobia social sentem que há algo estranho com elas, mas não sabem o que é, e muito menos sabem que se trata de um problema sério e que tem tratamento. Somente no convívio com outras pessoas é que elas se darão conta que precisam de ajuda.

As crianças com fobia social, têm menos oportunidades de evitar as situações temidas, afinal, os pais não sabem do problema e as obrigam a se submeterem à situações altamente indesejadas pela criança, o que pode acarretar mais problemas a curto, médio ou a longo prazo na vida dela. É comum tanto na infância como na adolescência, que a fobia social seja um fator que levam tais pessoas a evitarem ir e escola, o que pode ser interpretado como “preguiça".

Causas

É muito difícil falar em causa pela complexidade do problema. No entanto há duas linhas principais de pesquisas que sugerem algo sobre a causa:

a) genética: há indícios de ser genético por aparecer em pessoas da mesma família.

b) psicológica: dentro de uma abordagem comportamental cognitiva, na qual se tem a visão de que somos “frutos meio” em que vivemos, ou seja, o meio exerce influência sobre nosso comportamento, e que todo comportamento é aprendido, logo, fugir, se esquivar de tais situações também é um comportamento aprendido.

Principais sintomas

Entre os diversos sintomas há um que se destaca que é a ansiedade antecipada. As pessoas ao receberem a notícia de algum compromisso onde terão que desempenhar algo e que não podem evitar, ali começa o sofrimento, e esse sofrimento não passa, muito pelo contrário, vai aumentando a medida que o evento se aproxima.

Um estudo feito no Programa de Ansiedade e Depressão do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que a maioria dos pacientes diagnosticados como fóbicos sociais tinha dificuldade em assinar o nome na frente das outras pessoas.

Pavor de agir de modo ridículo diante das pessoas, por isso evitam situações como falar em público, ir a eventos sociais, fazer qualquer coisa que possa ser visto por outros.

Fobia Social e timidez

É comum as pessoas confundirem uma timidez ou ansiedade social com a fobia social. Não nada tem a ver. A ansiedade social é aquela sensação de frio na barriga, mãos suando, gaguejar ao falar, que todo mundo tem quando se aproxima uma situação já conhecida, como falar com um pretendente a namoro, com o diretor, fazer uma apresentação pública no trabalho, uma exposição na aula ou uma festa. Apesar da ansiedade, a pessoa vai adiante. Esse tipo de ansiedade é normal. Por outro lado, fobia social, impede, paralisa a pessoa fazer essas atividades, também diminui seu bem-estar, prejudica seu desempenho profissional e não permite que ela se prepare para enfrente as situações que considera ameaçadoras.

Fobia social e o uso do álcool

Uma pesquisa realizada e publicada na Revista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com pacientes dependentes de álcool apontou que 39% deles apresentavam o diagnóstico de fobia social, que iniciou antes de começar o uso de bebidas alcoólicas. No entanto, com o tempo, o álcool perdeu o efeito de aliviar os sintomas da fobia social ou piorou estes sintomas em 31.2% dos pacientes fóbicos sociais.

O uso do álcool por pessoas com fobia social é muito comum, já que essa bebida ameniza as crises de ansiedade, dando a sensação de um pouco de alívio. As pessoas não se dão conta, mas vão associando o “alívio” da ansiedade ao uso do álcool. Isso não é bom, pois além de uma possível dependência do álcool, a pessoa camufla o problema e leva mais tempo para procurar ajuda.

Presença da fobia social na população

Até o presente momento em que escrevo esse artigo, não encontrei dados concisos de estudos epidemiológicos no Brasil sobre a Fobia Social. Não temos como saber se alguma região é mais afetada que outra, ainda.

Tenho visto resultados de pesquisas muito diferentes, desde 1,5% a 13% de prevalência da Fobia Social na população geral. Provavelmente isso deva ser algum equívoco metodológico. Os tratados de psiquiatria aceitam uma taxa média de 2,4% de prevalência. Mais estudos são necessários para se confirmar essas taxas.

A recuperação e os conflitos com as pessoas mais próximas

As pessoas com fobia social apresentam em muitas situações, comportamentos de passividade e submissão, por exemplo: compram o que não querem ou não precisam apenas para se livrarem do vendedor insistente; vão a lugares que não querem para não entrar em conflito a pessoa; em casa com o cônjuge ou pais fazem muitas coisas que não queriam justamente para evitar desapontar a outra pessoa e assim não ter que discutir.

Porém, no decorrer do tratamento a pessoa com fobia social passa a mudar muitos comportamentos que até então tinham a função de proteção e esquiva de situações que causam ansiedade, desconforto e consequentemente muito sofrimento. Durante o processe do tratamento, o pessoa começa fazer coisas que até antão não faziam, como por exemplo, dizer não a algo que sempre disse sim (mas não queriam); rejeitar propostas que não querem (como a de um vendedor insistente), impor-se ao cônjuge ou pais em situações que até então diziam sim apenas para não entrar em conflito, mas que agora estão em condições de respeitar seus sentimento e vontades. Aqui começam os conflitos: as pessoas mais próximas se acostumaram paulatinamente com os comportamentos de submissão e passividade dessa pessoa, mas no decorrer do processo terapêutico ela passa a mudar, o que pode causar um impacto nas pessoas mais próximas.

Nesse contexto, é comum os pais ou cônjuge achar que o tratamento não é bom e que a pessoa está piorando, por isso, muitos tendem a tirar a pessoa da terapia (pais) ou “boicotar” o tratamento (cônjuge).

Impedir que a pessoa continue com o tratamento por causa das suas mudanças comportamentais (evolução do tratamento), é desejar que ela não fique boa, é querer manter os mesmos padrões de comportamentos que alimentam os sintomas da pessoa com fobia social.

Tratamento

As pesquisas e estudos mostram até o momento que o tratamento medicamentoso associado à terapia comportamental cognitiva é o que apresenta o melhor resultado.

Os resultados com o uso do medicamento começam a surgir em pouco tempo de uso, e os sintomas tem significativas melhoras. Porém quando o paciente pára o uso do medicamento os sintomas retornam.

Os resultados com a terapia comportamental cognitiva, começam a ter efeitos após um tempo de terapia, tempo esse que depende de cada pessoa para entender e mudar alguns comportamentos. Os resultados efetivos, em boa parte dos casos, precisam de um tempo maior, aproximadamente um ou dois anos. Cada caso é um caso e precisa ser analisado e tratado de modo particular.

Durante o processo terapêutico a pessoa conseguirá enxergar que existem comportamentos inadequados que foram aprendidos ao longo da sua vida, na qual causaram e estão mantendo os sintomas da fobia social.

Durante o tratamento terapêutico a pessoa conseguirá mudar tais comportamentos e reforçar os novos de tal modo que a fobia social deixará de existir.

Se você tem esse problema, não espere ficar pior para começar a se tratar. Quanto antes for o início do tratamento, melhor será para você.

Bibliografia

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Revista do Hospital das Clínicas, 2004, vol.59, n. 4, ISSN 0041-8781.

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