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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Gosto de homem ou de mulher?

Muitos adolescentes não sabem definir sua sexualidade. Em um trabalho que fiz com alguns deles, sugeri que escrevessem suas dúvidas. O tema era sexualidade e não propriamente a homossexualidade ou bissexualidade. Elaborei uma lista com a dúvida de alguns para  que você como mãe, pai ou educador, possa direcionar suas falas, e colaborar na orientação desses jovens que muitas vezes se sentem apavorados diante de algo que desconhecem: sua própria orientação sexual.
A escola não deve ser em hipótese alguma ferramenta que favoreça o preconceito e a discriminação. O papel da escola é justamente fazer com que essa transição da adolescência e a fase adulta seja a mais harmoniosa possível.

Adolescente 1

Ando preocupada, porque não sinto tesão quando estou beijando um garoto. É normal não sentir tesão? O que faço para ter? E por isso comecei a pensar que gosto de mulher, e realmente venho tendo atração por elas. Outra coisa, acho que tenho nojo de pênis. Na verdade nunca vi, mas quando vejo foto eu não me sinto nenhum pouco entusiasmada, e acontece ao contrário quando vejo uma vagina por exemplo. Será que isso passa? Sempre gostei de homens, estou muito preocupada com essa situação toda. Sou lésbica? Obrigada pela atenção.
Priscila - 15 anos


Adolescente 2


Oi! nos ultimos meses eu me sonto atraída por mulheres, tenho muitas amigas e ando muito com elas, mas também sinto atração por homens do mesmo modo. sinto mais ainda quando estou perto do meu ex-namorado e da minha melhor amiga, já tentei beija-la, mas sinceramente não sei o que estava acontecendo comigo. acho que sou bissexual. o que isso significa?Luciane - 13 anos


Adolescente 3

Meu problema é que tenho duvidas se gosto de homem ou de mulher. Minha primeira relação sexual foi com 12 anos e com uma amiga minha. Desde então tive várias relações com garotas, inclusive um mulher de 25 anos. Fazem 02 semanas que tive relações sexuais com um garoto da escola. Me senti muito desconfortável e não tive prazer nenhum. Tenho tendencia à gostar de garotas ou dependendo da minha idade o meu sentimento vai mudar. 
Grata, 
Rosa Josefina - 15 anos - SPolá.. 


Adolescente 3

Vou contar meu problema. 
Aki em casa, ouve uma festa do pijama... veio 4 meninos, e 5 meninas. 
começamos a brincar de verdado ou consequêcia, no q caiu eu e meu amigo. Como consequencia, ele ordenou eu bjar uma amiga minha. Apartir daí, senti certas atrações por mulheres.. Mas na verdade, eu sinto prazer por homens. 
Sou homosexual? 
Ou isso eh passageiro?
Lê - 14 anos - ES


Adolescente 5


Não consigo me decidi se gosto de girl ou boy, amo um rapaz me sinto atrainda por outras garotas estou cofusa.
keroene - 17 anos - GO


Adolescente 6


Precisava que me tirassem uma duvida, então é o seguinte: eu quando veijo uma mulher jeitosa fico toda excitada e adoro ver fotos e videos de mulheres nuas e giras, será que sou lésbica? 
Obrigado
Teresa - 13 anos - RJ


Adolescente 7
 
Eu fui viajar para a casa da minha tia que não a via a um tempo. 
E a minha prima é mais velha que eu tem 32 anos solteira lesbica mais eu não sabia. 
Eu é ela nos damos muito bem, a onde ela ia ela me chamava, eu gosto de está perto dela. 
Mais foi passando o tempo eu percebi que estava tendo um sentimento por ela. 
Será que eu estou gostando da minha prima.
Renata - 19 anos - SP




Assim como a heterossexualidade, a homossexualidade é um estado mental. Não há nenhuma doença ou desvio de comportamento ou perversão, como se pretendeu até a algum tempo atrás. Mas não é raro encontrar pessoas que insistam nisso mesmo no meio dos profissionais de saúde.

É importante lembrar que sob o ponto de vista legal, a homossexualidade não é classificada como doença também no Brasil. Sendo assim, os psicólogos não devem colaborar com eventos e serviços que se proponham ao tratamento e cura de homossexuais, nem tentar encaminha-los para outros tratamentos. Quando procurados por homossexuais ou seus responsáveis para tratamento, os psicólogos não devem recusar o atendimento, mas sim aproveitar o momento para esclarecer que não se trata de doença, muita menos de desordem mental, motivo pelo qual não podem propor métodos de cura.

Existe uma infinidade de teorias psicológicas e biológicas tentando explicar a origem da homossexualidade. As teorias psicológicas, assim como as biológicas são abundantes em opiniões e afirmações. Entretanto, nada de definitivo foi apresentado até o momento. E penso que, se este é um estado mental, nenhuma conclusão mais será necessária a não ser esta.Como se disse anteriormente, a homossexualidade é um estado psíquico. O indivíduo homossexual não faz opção por ser homossexual. Ele apenas é e não pode, ainda que queira, mudar isso. Ele pode sim, fazer uma opção no sentido de negar esse impulso e tentar viver como heterossexual. Mas isso tem um impacto negativo para o pleno desenvolvimento emocional do indivíduo. Trata-se de uma situação muito mais comum do que se imagina. 

O impulso sexual que um heterossexual tem por sua parceira é o mesmo que um homossexual tem por seu parceiro do mesmo sexo. O que muda é o objeto.A questão de ser a homossexualidade m desvio ou não está mais ligada a fatores culturais, econômicos e religiosos. Todos sabemos que, conforme as necessidades de uma determinada cultura, os valores mudam.Na antiguidade, entre os gregos, um jovem de doze anos, ao terminar o ensino ortodoxo, era tomado por um homem, na maior parte das vezes com mais de 30 anos, para continuar a sua educação. O termo pederastia significava amor de um homem por um jovem que já havia passado pela puberdade, mas ainda não tinha atingido a maturidade. Mas os escritos dos autores gregos daquela época parecem deixar claro que essa posição não pode ser sustentada (O Banquete, Sócrates). O ideal talvez tenha sido puro na teoria, mas nem um pouco na prática.Entre os romanos a homossexualidade não era reprovada, mas tinha algumas regras. Por exemplo, era inaceitável que um senhor fosse passivo com seu escravo. 
A felação era um crime aos olhos dos cidadãos romanos. Tirando as regras que sempre existem em qualquer cultura, a homossexualidade era muito presente em Roma e praticada por todos inclusive pelos Césares. Quem gostava, praticava e quem não gostava não praticava. Ninguém interferia com ninguém.Quando se observa os escritos antropológicos e históricos, não podemos deixar de observar que, em muitos casos, o comportamento sexual do homem é orientado política e economicamente obedecendo então os interesses do estado. Um exemplo disso é que alguns historiadores comentam que em Israel, a homossexualidade e a prostituição tiveram seus períodos de intensa ocorrência.Passado o período que a história chama de pagão, surge a igreja católica exercendo todo seu poder sobre os homens. Tanto a heterossexualidade como a homossexualidade são condenadas. Entretanto, diante do impulso sexual a igreja passa a "tolerar" a heterossexualidade, mas joga sobre a homossexualidade, toda a sua indignação. Os castigos para os atos homossexuais na idade média eram duros. Apesar disso o homossexual era considerado apenas um perverso.No final do século XVIII, o homossexual se torna um monstro, um anormal. Era considerado uma ofensa à criação, uma figura diabólica. A igreja estava pronta a insistir nisso. Esse é também o primeiro período em que se dá uma homossexualidade autônoma e isto ocorre sob o signo da feminilidade. Essa anomalia fazia do homossexual alguém mais exposto ao pecado e mais capaz de seduzir. Era alguém com capacidade para se aproximar dos demais e arrasta-los para o pecado.

Muitos países tinham pena de morte para a homossexualidade. Na França, quando Proust publica "Em busca do tempo perdido", onde escreve sobre a questão intrínseca da homossexualidade, ou seja, essa condição era um destino do qual os homossexuais não podiam escapar, houve uma reação social favorável. O fato de não serem perversos, mas vítima de uma condição, absolvia-os da responsabilidade moral. Era uma perspectiva triste, mas oferecia alguma proteção contra os progandistas puristas.Hoje talvez seja mais fácil para nós compreendermos os direitos individuais. Entender que o respeito a eles é fundamental para a qualidade de vida. Talvez seja a única forma de eliminarmos o preconceito e tornar melhor a vida em sociedade. 

Homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói. Não devemos esquecer que um homem tem inúmeros papéis em sua vida. Ele é filho, irmão, sobrinho, neto, cunhado, empregado, namorado, aluno, amigo, tem dons intelectuais ou manuais, pode ser homo ou hetero sexual. Não se pode avaliar um homem ou mulher apenas por uma de suas características sob pena de perdermos o melhor que ele (a) tem para nos oferecer.

Um comentário:

Samuel Alves disse...

Eu não vejo problemas em ser bissexual, pelo contrário sinto me bem e todas minhas parceiras são avisadas ant ecipadamente. E elas me aceitam como sou; depois de um bom diálogo, e umas boas pegadas marcantes.
Ai apimento tudo e no fim queremos sempre mais.
Samuel 33