Mensagem do dia

Estude! Saber é o maior diferencial que existe!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O plantio é livre, a colheita obrigatória..

Ele cuidava de tudo com eficiência e dedicação. Conhecia cada planta, cada árvore, cada canteiro de flor. Sabia onde estavam os ninhos de passarinho, por onde as formigas caminhavam, conhecia as lagartas, as pragas, os gafanhotos. Adubava, regava, podava com tanta diligência que acabou por acreditar que toda aquela beleza e exuberância era obra sua. Amava seu jardim. Brincava de Criador dentro dele. Pensava ingenuamente que era o seu talento e cuidado que faziam as sementes germinarem, as flores se abrirem em cor, as árvores vestirem-se de frutos. Passeava pelo jardim com ares de inspetor, perdera o olhar de poeta. Comprazia-se com o resultado do seu trabalho e não com os pequenos milagres da natureza.

Um dia, num dos seus passeios matinais, deparou-se com várias crisálidas numa touceira de azáleas. Notou que algumas estavam prestes a romper-se. No dia seguinte, viu que muitos deles estavam abertos e ficou encantado imaginando todas aquelas borboletas enfeitando o seu jardim. No outro dia quase todas os casulos estavam vazios. Todos, menos um. O jardineiro examinou muito de perto e viu que lá dentro a borboleta pulsava no seu tempo de espera. Afastou-se e não conseguia pensar noutra coisa que não fosse a borboleta presa na crisálida, sofrendo no escuro, impedida de voar. No final da tarde não resistiu. Com um estilete muito delicado, fez uma pequena incisão no invólucro. Teve o cuidado de não machucar a borboleta, só queria ajudar, facilitar sua saída, libertá-la. Foi para casa e naquela noite dormiu satisfeito. Acordou ansioso para ver se o casulo tinha sido abandonado. Qual não foi seu espanto ao encontrar ao lado da crisálida vazia, a borboleta murcha, atrofiada, rastejando penosamente, pois suas asas não estavam prontas nem fortes o suficiente para voar. Nunca estariam. Ela nunca voaria.

O ritmo da Natureza é sagrado...

O tempo de crisálida é fundamental para o pleno desenvolvimento das larvas e consequentemente das borboletas. É no escuro e no silêncio que elas se formam, se transformam e amadurecem como tudo que é vivo. É no heroico debater-se para sair sozinha do casulo que ela fortalece suas asas, seus membros, seus sentidos, seu ser borboleta. É no compasso da espera que a Natureza se aperfeiçoa. Tudo tem seu tempo. Tudo a seu tempo.

Interferir pode ser um desastre. Sim, há que cuidar, prover, adubar, podar, direcionar mas, acima e antes de tudo, há que respeitar o ritmo próprio das coisas, lembrando que tudo é único e requer um olhar especial.

O bom jardineiro zela, promove, dá instrumentos e prepara a terra para suas sementes, mudas, plantas mas entende que existe um tempo interno que não pode ser acelerado nem retardado, uma essência que não pode ser mudada.

Existe tempo de semente, de casulo, de crescimento para que seja possível o tempo da plenitude. O bom jardineiro é humilde, sabe que a Natureza é mais sábia que ele. Tem fé e é paciente, sabe também que “mesmo as terras dizimadas guardam sementes capazes de refazer mundos”; sabe que nem tudo vinga, floresce, germina mas não faz alarde nem se desespera pois assim é o ciclo da vida. Assim somos nós com nossos filhos. Relógios vivos que nos ensinam que tudo tem seu tempo, seu timming, seu ciclo. Não serão nossas angústias, medos e ansiedades que os farão crescer mais rápido, mais espertos, mais fortes.

Não serão nossas projetos, scripts perfeitos, escolhas cuidadosas que por si só os protegerão da vida como ela é. É vivendo que se aprende a viver. É aceitando as dificuldades e a adversidade que aprendemos a crescer. É descobrindo nosso ritmo pessoal que aprendemos a dançar conforme a nossa música. O que nos cabe é amá-los, aceitá-los, ajudá-los a ser quem eles podem ser. O bom jardineiro ama igualmente a plenitude de uma mangueira majestosa e a determinação corajosa de um cactos na solidão do agreste. Sabe que coqueiros não dão maçãs e que ervas daninhas podem existir apesar de todos os esforços. Aprende com seu jardim.

Assim é com nossos filhos, um dia você percebe que aprendeu com eles muito mais do que ensinou. Mas até para isso, há um tempo certo.

( adaptado de texto anônimo)

Nenhum comentário: