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terça-feira, 21 de abril de 2009

Prostituição infantil: as filhas da noite

A primeira pergunta que se faz: o que leva uma criança a se prostituir ou ser prostituída? 

Em primeiríssimo lugar a miséria. Em todos os sentidos. Ao perguntarmos, a resposta poderia ser dada em coro: por dinheiro. Dinheiro para comprar comida, sim, mas principalmente para comprar drogas. Logo que chegam às ruas, as meninas experimentam as drogas, muitas vezes oferecida pela "turma". Viciadas, elas roubam e se prostituem para comprar mais e, se não tiver, roubam e podem até matar. Na maioria das vezes tem sempre uma cafetina ou um cafetão por trás delas. Eles descobrem um ponto e começam a agenciar, muitas vezes trazem as meninas de longe ou das cidades satélites. Eles administram o negócio, mantêm as meninas dependentes e as protegem ao mesmo tempo.

Muitas delas  andam em bandos e dormem nas ruas. Arredias, ariscas, desconfiadas, agressivas. Se chegarmos um pouco mais perto, veremos uma outra realidade. Uma carência que não cabe no corpinho franzino de algumas delas e uma total falta de compreensão do peso real do que fazem. Sem a mínima maturidade sexual ou emocional, elas não têm capacidade para avaliar e muito menos optar se realmente querem ser prostitutas.

Mas nada é certo ou exato. Não podemos homogeneizar essas crianças e traçar um perfil ou montar um quadro com características rígidas. Após o contato com várias meninas, pudemos constatar que muitas delas fazem parte de uma segunda geração de pessoas que já viviam na rua, ou seja, filhos de filhos da rua. Por aí já podemos entender que o problema é bem anterior e mais profundo do que podemos imaginar.

A desestrutura da família é um dos únicos fatores constantes. Muitas dessas meninas já sofreram algum tipo de violência ou abuso sexual vindo de sua própria família e acabam fugindo para as ruas. Outras vêm de Goiás e do Nordeste para a capital, em busca de trabalho, não conseguem e a família não sabe como ganham aquele "dinheirinho" que mandam todo mês. Outras, ainda, são incentivadas pela própria família a se prostituírem. Ao ganharem a rua, com o passar do tempo, perdem os vínculos com a casa e com a família, seduzidas pelos atrativos da rua. A liberdade, a falta de limites e obrigações, o cheiro da cola e do thinner, o cigarro de merla (pasta de coca), a maconha, o crack, o mesclado( cigarro de maconha e crack), a cocaína injetada, etc.

Depois das armas, das drogas e dos presídios, traficantes partiram para a expansão de seus negócios passando a controlar territórios também no asfalto para explorar a prostituição de menores.De acordo com reportagem publicada na edição deste domingo do jornal O GLOBO, pagando propina a grupos de policiais corruptos e associados a uma rede de aliciadores espalhados pela cidade, os bandidos já dominam a prostituição envolvendo adolescentes em nove bairros da cidade, das zonas Sul e Norte.Na relação de pontos de prostituição estão algumas das mais movimentadas avenidas da cidade, como a Atlântica, em Copacabana, cartão-postal do Rio e do país no exterior.Relatos de menores explorados sexualmente (meninos e meninas) ouvidos pelo GLOBO - alguns deles de 15 anos - revelam que são obrigados a pagar diariamente até R$ 50 aos aliciadores, e cumprir uma jornada que pode representar até seis programas por noite em hotéis espalhados pela cidade, no interior de carros e até mesmo em calçadas de ruas sem iluminação pública.Tudo controlado por traficantes de drogas de uma favela do Rio, que recebem percentual do lucro em troca de segurança armada."

É chocante o depoimento de algumas dessas crianças:

Depoimento 1-

" Fugi de casa, aos 10 anos, não aguentava mais ter que aceitar os carinhos do meu padrasto. Minha mãe sabia o que ele fazia comigo todos os dias no banheiro quando chegava do serviço. Mas, ele trazia droga pra ela, então ela falava: Fia, vai tomar banho com seu pai! Lá, ele fazia de tudo comigo, tinha dia que colocava atrás e doía muito. Prefiro ficar na rua, aqui os homens me pagam e se eu for boazinha nem me batem." ( Andréia *, 14 anos)

Depoimento 2- 

" Conheci na praia uma moça que me ofereceu um emprego de babá. Falei com minha mãe e fui morar com ela. Eu tinha 13 anos. O marido dela, chegava mais cedo do trabalho e começava a mexer comigo, dizia que se eu não deixasse ia contar pra mulher dele e pra minha mãe. Eu deixava por que ficava com medo. Um dia, descobri que estava grávida, ele me mandou fugir, senão matava minha mãe. Aí, vim pra rua e não tive coragem de voltar pra casa. Meu filho nasceu e dei ele pra uma mulher na Lapa." ( Suzy*, 16 anos)



Eu fico imaginando a angústia de uma mãe que não sabe o paradeiro de sua filha e muito menos ainda sabe que ela está sendo usada na prostituição. Fico igualmente imaginando o que passa pela cabeça de uma mãe que troca sua filha por uma pouco mais de drogas... É muito dificil entender a situação dessas meninas, dessas mães e dessas famílias, existem depoimentos que chocam por que elas afirmam gostar dessa vida, do dinheiro fácil e até mesmo dos clientes que as procuram.

Essa discussão deve estar presente em todos so segmentos da nossa sociedade. temos que conscientizar nossas crianças que se são vitimas de abuso sexual a culpa não é delas e sim dos adultos que as torturam e humilham de forma despudorada. 

6 comentários:

Francisco Castro disse...

Olá!

Excelente texto que retrata dramas vividos por pessoas tão infelizes e que necessitam tanto de uma ajuda. Eu fiquei tremendamente chocado que esses dois depoimentos dessas duas jovens. Meu Deus, como é que pode isso acontecer? Isso não pode ser aceito em hipótese alguma. Essas pessoas que preticam um crime desses merceem punição mais que exemplar, merecem ficar fora da sociedade por muito e muito tempo. Quem sofrer algum desses problemas denuncie.

Abraços

Francisco Castro

Ainex Airam disse...

Infelizmente a realidade é mesmo muito cruel.
Bjux

Rafa Bonalda disse...

Crueldade com nossas crianças que assistimos, sem demandar uma postura de nosso governo. Uma vergonha, para todos nós.

tollen disse...

Na faculdade certa vez fiz um trabalho de um livre reportagem que retratava como e porque as crianças iam parar nessa vida de prostituição. Os relatos dela são parecidíssimos com o da sua postagem, referente a matéria do globo. O engraçado é ver como o tempo passa e nada muda.

Francisco Amado disse...

O que falta para a sociedade é a educação.
Mas principalmente a filosofia que ensina as pessoas a usar o senso critico sobre si e o mundo.

Francisco rayne disse...

Meu Deus! fico chocado quando vejo o depoimento dessas garotas e saber que muitas vezes os país que deveriam educar são os próprios culpados por os filhos estarem nesta situação,o caso da garota de 10 anos que o padastro a "abuzava" causa tristeza em quem ver o depoimento,a mãe não podia fazer nada para evitar como pode um homem adulto usar uma criança para sentir prazeres sendo que este devia proteger "acabando" com a infância e por causa deste hoje a vítima está perdida em um mundo onde o prazer leva a miséria e destrói um ser humano um caminho sem volta.Essas pessoas deveriam ser punidas com a mais severa lei que houvesse isto é se no brasil tivesse lei,porquê aqui infelizmente os criminosos vão presos e depois de pagar indeniz.Estão livres para fazerem o que bem querem,o brasil mudou muito na educação e isso é um grande passo para nossos jovens,mas precisa mudar mais,pois nosso país é rico e bom e ele tem mostrar ao mundo porquê é assim,e acabar com a prostituição infantil é fundamental,lugar de criança e jovem é na escola para ele saber o que quer pra vida e não fazendo programas.