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sábado, 11 de abril de 2009

Quando os filhos ultrapassam os limites - Capa de Época -


O que está acontecendo com nossas crianças e jovens? Por que é tão dificil para nós pais e educadores impor regras e limites? Onde estão os valores tais como: o respeito e a religiosidade?
Os pais de um modo geram, não sei se por causa das pressões do dia-a-dia, no trabalho, na vida a dois, fogem da responsabilidade de educar seus filhos. Colocam a escola como única fonte de conhecimento, educação e moralidade. Mas esquecem que a escola não dorme no quarto ao lado de seu filho, igualmente se esquecem de ir lá dar um beijo de boa noite. Falta aos pais serem menos permissivos, mais atuantes na educação dos filhos. É preciso mostrar: "Ó... estamos aqui. Prontos para ajudar. Prontos para punir.
Crianças que não se enquadram nos modelos educacionais são mais comuns do que se pensa. Há graduações nos distúrbios, que podem variar com a idade, os lugares que frequentam, as amizades, entre outros. Os pais dos jovens de hoje são oriundos de uma época de transição de valores sociais. Há vinte anos atrás, clamávamos por mais liberdade, menos rigor dos pais, mais respeito por nosso "espaço". Filmes americanos mostravam adolescentes que pegavam o carro dos pais, faziam festas maneiríssimas, sexo com as garotas, tinham seu prórprio quarto, onde pais não entravam sem "permissão". Pois bem, crescemos com essas ideias e quisemos proporcionar a nossos filhos o sonho americano de liberdade. Soma-se a isso o fato de que a maioria das mulheres modernas não quer ser mãe, mas quer ter filhos, é chic! Nesses casos quem cria é a empregada, ou o pior, o próprio mundo. A estrutura familiar tradicional está em xeque. A modernidade não combina com um modelo de criação que possa blindar uma criança da influência negativa que temos hoje. Há uma relação cruel e inversamente proporcional, a medida que a liberdade aumentou, diminuiu a atenção dos pais para com sua prole. Crianças menos protegidas psicologicamente estão mais suscetíveis à frustração, pois são carentes, vítimas potenciais para o tráfico de drogas. Coisas simples podem minimizar o problema. Fazer o feijão com arroz na educação, demonstrar algum interesse pelo que o filho faz, chamar-lhe atenção, não há nada de errado em ser pai, em ser mãe. 
Veja parte da reportagem da revista Época desta semana:
Por que crianças e adolescentes que têm família estruturada e boas condições financeiras extrapolam os limites do mau comportamento – e o que fazer com eles
FRANCINE LIMA E JULIANA ARINI
Eduardo (alguns nomes nesta reportagem foram trocados para preservar a privacidade) faz 18 anos neste mês, mas ainda não terminou o 2º ano do ensino médio. Ele foi forçado a sair do colégio tradicional e caro em que estudou por 12 anos, em São Paulo, por causa de seu jeito rebelde e agressivo. “Acho que fui o pior aluno da história dessa escola”, diz, sem demonstrar arrependimento. Eduardo até sorri ao listar suas ousadias. Conta que distribuiu apelidos pejorativos e alguns sopapos por motivos fúteis, tumultuou aulas, discutiu com professores, humilhou colegas. “Uma vez, mijei na mala de um moleque.” Os porteiros da vizinhança também já foram alvos de sua malvadeza, na forma de palavrões e ovos. O que há com esse menino?

Depois da expulsão, pais de seus antigos colegas, num misto de raiva e alívio, telefonaram para a casa de Eduardo dizendo que ele tinha recebido o que merecia. Na versão do colégio, Eduardo não era o líder que imaginava ser. Era apenas um mau exemplo para os demais alunos. O regimento da instituição exige dedicação e disciplina. Além de desrespeitar professores e alunos, o garoto ia mal nas provas e se recusava a estudar. Já tinha repetido dois anos de curso e rumava para a terceira repetência. Então, numa reunião de conselheiros, a decisão foi tirá-lo de cena.

A versão de Marta, mãe de Eduardo, é um pouco diferente. “Ele é um bad boy, mas não é mau.” Ela vê o filho como um adolescente normal e queixa-se da decisão da escola. Diz que todo o dinheiro que investiu ali merecia uma atenção melhor. “Como ele pode não ter o perfil desse colégio se estudou lá a vida toda?” Marta sabe que o filho não faz o tipo estudioso. Queria que o colégio “de grife” mudasse isso. Talvez tenha posto muita ênfase na responsabilidade do colégio – e pouca na própria e na do menino.

É provável que ambos tenham sua parcela de razão – e de culpa. O fenômeno dos meninos que fogem ao padrão de comportamento põe em xeque a forma como educamos as crianças hoje. A começar pelo papel dos pais e da escola, que anda meio confuso. Algumas décadas atrás, o modelo era claro: os pais falavam, os filhos ouviam; a escola ensinava, os alunos aprendiam. E a rebeldia era tratada com palmada. Hoje, a tônica é procurar o diálogo. Pode-se creditar essa mudança ao processo de democratização, que teria contaminado a dinâmica de poder na família. Ou à onda hippie, que influenciou tantos pais. Ou aos avanços da neurologia, pelas descobertas de que o aprendizado tem muito mais a ver com o prazer que com a disciplina. Ou à disseminação de conceitos da psicologia.

Qualquer que seja a explicação, o fato é que raros pais, hoje, desejam assumir o papel ditatorial que era tão comum nos tempos de nossos avós. Nas escolas, seja por uma mudança cultural, seja pelas leis que protegem os direitos dos alunos, o processo é o mesmo. O problema é que, uma vez tomado o rumo do diálogo, não é mais só a vontade dos pais e professores que conta. E os filhos parecem nascer com uma capacidade de identificar pontos fracos para dobrar, driblar ou tripudiar sobre a autoridade.

O que chama a atenção em casos como o de Eduardo é a dificuldade em explicar sua conduta antissocial. Quando deparamos com notícias como a do menino de 12 anos detido em dezembro, em São Paulo, após ter roubado o nono carro em um ano, tendemos a concluir que ele é um fruto do ambiente em que vive: a pobreza, a falta de perspectivas, as más influências, a estrutura familiar precária. Essas explicações soam bem menos convincentes para entender Eduardo, um rapaz boa-pinta, que se expressa bem, tem uma família tradicional e recebe carinho, mesada, estudo.

3 comentários:

ProfessorNelsonMS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ProfessorNelsonMS disse...

Xenia,

Um tema pertinente à realidade contemporânea. Quando cada um faz a parte que lhe cabe, as coisas fluem mais facilmente. Quando alguns deixam de fazer a parte que lhes cabe, outros são sobrecarregados. E é isso que acontece hoje na sociedade, cidadãos, professores, juízes e outras autoridades estão sobrecarregados porque, parafraseando você, muitos querem ter filhos, mas nem todos querem ser pais e mães.

Gostei muito deste post. Posteriormente irei utilizá-lo em meu blog com as devidas referências.

Um abraço.

Nelson

LL disse...

Muito boa a crónica.
Confesso que nunca me retraí de dar uma palmadinha quando é necessário, assim como de os aconchegar antes de ir dormir. E mesmo agora, que eles acham que "sabem tudo" e "que podem comandar a própria vida" como qualquer adolescente saudável, eu ajo da mesma maneira. A "palmadinha" transformou-se numa longa conversa antes de os aconchegar para dormir: mas a filosofia é a mesma.
Acho que aquela mãe da história, está simplesmente a transferir para a escola a sua incapacidade de interagir com o filho.
Este é um problema mais grave do que parece.
Abraços
Luísa