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terça-feira, 14 de abril de 2009

Homossexualidade o que fazer?

“Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles”. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces. Henry David Thoreau

A sociedade estabelece os modelos de comportamento, de como agir, de ser , de pensar para os sexos masculinos e femininos. Qualquer pessoa que se afaste do que é considerado " normal" é discriminado, ridicularizado.

Atualmente, muito se discute sobre as causas do homossexualismo. Alguns privilegiam os aspectos sociais, outros os psicológicos, outros os biológicos e outros, ainda, consideram simplesmente uma opção pessoal.

Na psicanálise, as possíveis causas do homossexualismo poderiam ser caracteristicas da propria pessoa, a inter-relação da pessoa com a dinâmica familiar, a relação com pais na infância e na adolescência, carência afetiva.

Outra causa discutida também é o abuso sexual na infância, que deixa traumas profundos.

Apesar de as pessoas apresentarem maior abertura a determinados temas sobre a sexualidade, o homossexualismo ainda é tratado com muita discriminação e preconceito.

Os homossexuais possuem uma imagem estereotipada em nossa cultura, muitas vezes imposta pela mídia, principalmente nas novelas e programas humorísticos. achar que os homossexuais sejam sempre efeminados é um grande engano. 

Atualmente, os homossexuais tentam desmistificar esse rotulo e mostrar que são seres humanos que lutam pelos seus direitos. Não querem mais viver escondidos. A opção sexual não interfere em nada na sua forma de viver em sociedade.

Assumir a homossexualidade requer muita coragem, porque a pessoa precisa estar disposta a contrabalançar estigmas o tempo todo.

Selecionei vários depoimentos de homossexuais pela Internet, de diferentes fontes, e através deles podemos perceber o mundo em que vivem o que pensam, o que desejam para suas vidas. É muito difícil nos despir dos pré-conceitos que temos e aceitar o fato de que as pessoas tem opções sexuais diferentes. E que isso não é uma escolha. É uma orientação que está presente na vida destas pessoas desde cedo. É interessante observar que ao julgarmos os homossexuais, muitas vezes nos esquecemos de enxergar a pessoa que está ali, diante de nós, precisando de compreensão, amor e de uma mão estendida. Não estou fazendo apologia da homossexualidade, nem tão pouco menosprezando os sentimentos dos pais e familiares que sofrem por não aceitarem a condição homossexual de seus entes queridos. Estou tão somente dizendo que é preciso conhecer, aproximar da realidade, para fazer um juízo de valor, sem falsos moralismo.


Depoimentos:

Olhem uma coisa: a homossexualidade não é uma opção, mas uma orientação, do mesmo modo que a heterossexualidade também não o é. Com certeza que vocês na adolescência (sem ofensa) não tiveram de escolher o objeto do seu desejo sexual, isto é, terá sido algo de natural e instintivo o interesse pelo  sexo oposto.
Com os homossexuais passa-se o mesmo. No meu caso desde muito cedo que conheço a minha inclinação sexual e nunca senti o mínimo desejo sexual por mulheres. Até porque se tratasse de uma opção teria sido para mim muito mais fácil na adolescência optar por ser heterossexual. Seria muito mais facilmente aceite pelos outros e não teria de enfrentar a discriminação a que os homossexuais são sujeitos, nem a sensação de ser diferente da maioria, e sentir-me sozinho com aquilo que sentia e desejava, porque não conhecia ninguém que partilhasse os meus gostos e preferências. Do mesmo modo, a minha 1ª experiência sexual não foi nem um pouco determinante na "escolha" da minha sexualidade, uma vez que desde cedo sempre senti atração pelo mesmo sexo e nunca pelo feminino. Com os heterossexuais passa-se exatamente o mesmo: isto é, muito antes de iniciarem a sua vida sexual ativa, tanto rapazes como raparigas sabem muito bem quais os seus gostos e qual o "objeto" do seu desejo. Porque é que com os homossexuais seria diferente?Claro que a adolescência é um período difícil, os jovens estão a adaptar-se às mudanças do seu corpo e à sua afirmação numa sociedade da qual desconhecem uma parte do seu funcionamento. A crise que os homossexuais atravessam na adolescência não se deve a uma "indefinição" das suas apetências sexuais, mas ao choque que sofrem por perceberem que elas são diferentes da maioria. Uns (como foi o meu caso) apercebem-se que são diferentes, sentem-se inferiores e sozinhos nos seus gostos e têm medo de serem discriminados pela família e pela sociedade. Mas quando se percebem que têm de aceitar como são por que as suas preferências são e serão sempre essas (e que nesse aspecto nunca serão igual à maioria) acabam por se aceitar como são. No entanto, existem outros adolescentes homossexuais (com energias mais resistentes e obstinadas) que (fruto da discriminação social q n querem enfrentar) se recusam a se aceitar como são, e então, não só escondem a sua homossexualidade dos outros, como deles mesmo, e procuram combatê-la à viva força e provar a eles mesmos que são capazes de ser "normais”. São precisamente esses (à exceção dos "genuinamente" bissexuais) que se acabam de casar, para serem aceites pela família e não terem qualquer tipo de confronto a nível social nem profissional. Outros (como conheço) acabam por se casar porque têm um desejo enorme de terem filhos... (Só que como não conseguem combater aquilo que sentem e desejam, acabam por ter as suas “experiências paralelas”, e serem (como conheço alguns) profundamente infelizes no casamento e fazerem as suas mulheres infelizes). A única diferença é a de que os adolescentes heterossexuais na adolescência não sentem a mínima necessidade de esconder as suas preferências sexuais, e a única coisa que há de mais parecido é os episódios de fantasias com professores ou amigos (q têm a ver com processos de criação de ídolos e modelos de comportamento), que na maioria dos casos é transitório e não perturba em nada  a sua sexualidade futura. O que determina a homossexualidade não é o desempenho das práticas sexuais, mas sim as preferências, o objeto de desejo. Isto é, mesmo que eu agora decidisse deixar de ter relações sexuais com homens e passasse a tê-las com mulheres não deixava de ser homossexual por causa disso. Isto é, passaria a ser um homossexual com práticas heterossexuais, que faz sexo com pessoas do sexo oposto, um "elo", portanto. Ou seja, não me torno bissexual nem heterossexual porque essas práticas não seriam fruto de desejo. Do mesmo modo ninguém muda de inclinação sexual de um momento para o outro, porque não o consegue caso dos bissexuais "genuínos" (que manifestam desde a adolescência estas duas inclinações) obviamente, que a sua vida afetiva e sexual é muitas vezes mais atribulada e acabam por se casar e muitas vezes terem relações paralelas, mas em que a componente do desejo está presente em ambas.Claro que concordo quando dizem que o papel dos pais é muito importante na formação da sexualidade. Entre os homossexuais que conheço há sempre um ponto em comum: um pai ausente ou distante emocionalmente. Isto é, muitos homossexuais têm na infância falta de uma referência, de um modelo masculino de comportamento no qual possam se "inspirar”. Mas até isso, eu acredito sinceramente que não é fruto do acaso. Isto é, eu acredito que escolhi estes pais, um ambiente na infância em que vivi rodeado de mulheres, e todo o contexto envolvente, porque sabia que ele era propício para eu realizar as várias experiências (entre as quais a da homossexualidade) uma vez que ia tornar bastante viável a sua ocorrência... Isto é, acredito que fatores hormonais e educacionais foram importantes para que essa experiência fosse realizada no decurso desta encarnação.Nada é por acaso e acredito que decidi fazer esta experiência (entre outras nesta encarnação), tal como podia ter decidido nascer com uma deficiência física.Sinto que devo ter andado por vidas de vitimização, com baixa auto-estima, de excesso de projeção nos outros, excessivamente dependente dos outros e da sua aprovação.Nesta vida decidi passar por esta experiência de maior desadaptação social precisamente para perceber que a única coisa que me tenho de adaptar é a mim próprio, para perceber que tenho de gostar de mim por mim próprio, e enquanto estiver excessivamente focado nos outros, não reforçarei verdadeiramente a minha auto-estima.Ou seja acredito que a homossexualidade seja uma opção sim, antes de encarnarmos. Como não acredito no acaso nem em fatalidades ou acidentes de percurso (até porque as perdas somos nós que atraímos), acredito que, tal como outras experiências, é uma escolha que faz parte da     programação prévia da nossa existência e q vamos escolher as condições para torná-la possível. Mas depois na adolescência já não se trata de uma escolha ou opção consciente, mas sim uma orientação. Paulo, 21 anos.

2.     Depoimento 2:

 

“Quando tinha seis anos, gostava de me deitar com uma amiguinha só para sentir o cheiro do cabelo dela. Namorei homens, tive filho e pode ser que um dia volte a namorar rapazes. No momento estou desencantada. Não acho que eles sejam confiáveis. Quando resolvi namorar uma mulher, fui direto para as páginas de anúncio da Internet. Foi a primeira escolha. Cheguei a conhecer uma menina que não queria um relacionamento, pois ela já tinha namorado. O curioso é que muitos homens retornaram meu anúncio. Eles não se conformam, acham que é falta de uma figura masculina. Estava preocupada comigo mesma porque perdi completamente o interesse sexual até encontrar uma mulher que me fez tremer toda. Relação com mulher é mais completa. Ela é mais companheira, amiga, amante. Ri com você, chora com você. A mulher se permite experimentar mais. Essa coisa de separar amor e sexo, que os homens sempre souberam fazer, é uma descoberta recente para mulheres como eu. No final das contas, eu não quero que me julguem. Sou missionária de minhas idéias e se no meio do caminho descubro que aquilo não me interessa mais, mudo meu percurso sem a menor culpa.” Raíssa, 22 anos. 


Depoimento 3:

“Não escolhi ser homossexual. Sempre tive uma atração por mulheres, mas não sabia do que se tratava. Pensava comigo mesma que não poderia gostar de meninas. Foi um baque quando me apaixonei por uma mulher, há quatro anos. Entrei em depressão profunda. Antes tive a fase do bissexualismo, quando os meninos só queriam saber de ficar. Hoje em dia é até cool, moderno, dizer que é bi. As meninas se acham modernas, abertas. Não gosto de me relacionar com elas, pois não posso competir com os homens nesse campo. Até já fui trocada por um. Guardo experiências sexuais maravilhosas com eles, já os amei até. Nunca tive medo de perder emprego por causa da minha decisão, mas perdi amigos quando me assumi. Sabia que meus pais iriam me aceitar, mas eu tinha medo de fazê-los sofrer porque eles são de outra geração. Quando contei para eles, rolou a famosa cena do choro, mas as lágrimas caíram do meu rosto, não dos deles. Tenho uma namorada de um ano e meio e a gente se acaricia em público, sim. Confesso que nem percebo a reação das pessoas. Não é para provocar ninguém. Agimos como se fôssemos uma hetero. Mas se mexerem comigo, eu revido. Sou uma ótima cidadã, mas viro um bicho quando me desrespeitam. Não vou dizer que nunca mais ficarei com homem, até porque nunca me imaginei homossexual. Há preconceito, claro, mas a tendência é diminuir. “A sociedade precisa de alguém para crucificar.” Carolina, 22 anos.

Depoimento 4:

“Namoro desde os 16 anos, meninos e meninas. Tive uns poucos namorados, queria experimentar os homens e ter certeza do que eu queria. Tive vários problemas familiares. Sou filha única, tive educação severa, fui criada pelos avós. Eu precisava disfarçar o tempo inteiro. Inventava, mentia, arrumava um amigo para o jantar da firma. Minha tia me ajudou a reconquistar meus pais. Hoje, acho que vale mais a pena ser verdadeira e correr riscos. As coisas estão bem diferentes. Dia desses dei um beijo de língua na minha namorada numa lanchonete de um bairro de mauricinhos de São Paulo. Um grupo parou de comer e, chocados, vieram nos perguntar se éramos artistas. Os homens têm fetiche por duas mulheres, mas muita gente ainda quer saber quem é o homem ou a mulher na relação, como se isso acontecesse com todas as lésbicas. Mas eu e uma outra namorada já fomos agredidas por um homem. Fomos à delegacia e abrimos um processo. Ele nos agrediu física e moralmente. Acho que por isso as lésbicas não se expõem tanto. Somos fisicamente mais frágeis numa briga. Mais: não é porque duas mulheres estão juntas que elas não pensam em ter filhos. Eu penso em ter. Inseminação é muito cara e eu prefiro ter filho naturalmente, com o acordo de minha namorada. A homossexualidade é só um pedaço da minha vida. Ninguém precisa se preocupar com esse único aspecto da minha vida.”Ana Paula de Oliveira,  27 anos.   

Depoimento 5:

Eu sofri abusos durante minha infância e adolescência, contudo normalmente não entro em muito detalhes com as pessoas sobre isso. Eu acredito que se não fossem essas experiências, eu seria hetero hoje em dia, já que normalmente procuro os caminhos mais fáceis na vida. Também acredito que a homossexualidade possa ter alguma origem genética, já que algumas pessoas contam terem atração desde estágios bem iniciais da infância, embora este não seja o meu caso. O fato deu ter me tornado homossexual fez com que me desenvolvesse mais intelectualmente para lidar com minhas questões pessoais, meus problemas. Hoje, quanto à minha sexualidade, posso dizer que sou feliz e vejo com naturalidade o fato de ser gay. Para falar a verdade, acho muito estranho quando vejo alguém considerando a homossexualidade como algo fora do normal. Acho estranho quando algum homem (seja ele gay ou não) não sente atração ou interesse por mim. Porque essa sempre foi a regra geral para mim até hoje. Não estou dizendo que todos homens são gays, mas que a grande maioria dos que não são gays deve ter fantasias sexuais que nunca terão coragem de concretizar. Baseado na minha experiência pessoal como homossexual, em estudos com o relatório kinsey, outros materiais científicos que já li, nos depoimentos dados por associados em meu grupo e por outras pessoas com quem já conversei, também em pesquisas que observei no site www digame.com.br, eu acredito que a maioria dos homens, por volta de 70%, gostaria de ter ou já teve alguma experiência homossexual. Por isto acho anormal as pessoas terem preconceito quanto à homossexualidade, já que a atração homossexual é uma coisa normal que acontece com a maioria, embora nem todos concretizem este desejo em uma relação sexual.Por causa da ignorância, preconceito e discriminação da maior parte da sociedade, eu sempre tive medo de me assumir para todas as pessoas que me rodeiam. Lembro que o grande medo de assumir fez com que eu perdesse muitas oportunidades de ficar com pessoas interessantes na minha adolescência. Hoje, quando eu me lembro dos meninos que insinuaram alguma coisa para mim e de como eu não fiz nada na época, penso que fui muito bobo. Lembro que quando tinha cerca de 15 anos, um cara disse diante de toda a sala que me achava lindo, que adorava meu cabelo e minhas roupas. A sala ficou pasma e eu mais que toda a sala. Fiquei totalmente mudo e sem ação. Todos estavam sérios. Mas o fato dele fazer isso diante da sala era tão surreal que ninguém conseguia acreditar que ele estivesse falando sério, embora ele tenha dito com o mesmo tom de voz de sempre, o que demonstra que ele estava dizendo a verdade. Eu passei noites pensando naquele menino, no que ele tinha feito e se eu deveria contar para ele ou não sobre a minha homossexualidade. Ele era bonzinho e nós dois poderíamos ter nos dado bem. Mas eu era muito imaturo sexualmente, apesar dos abusos sexuais sofridos anteriormente e tinha medo de me abrir a ele. Na mesma escola (o CEFET de Belo Horizonte), um dia eu levei outro susto. Estava no vestiário e um dos meninos da sala disse que as minhas pernas eram mais bonito que de qualquer menina da sala. O mais engraçado é que outro cara da sala estava ao lado dele, ouviu e concordou. Mais uma vez eles falavam sério e eu fiquei sem ação, não tomei posição. O pior é que eram os dois meninos que eu achava mais bonitos na sala. Acho que o fato de eu não ter assumido ou tomado uma posição sobre o que eles disseram fez com que eles me perseguissem durante o resto do curso, aproveitando da minha anti-sociabilidade. Na mesma época eu fiquei dois anos apaixonado por um cara que tinha mais medo que eu. E então os dois, apesar da atração mútua, nunca contamos explicitamente um para o outro sobre o que sentíamos e desejávamos com medo das reações. O que continuava a acontecer é que ainda não tinha conseguido vencer o meu medo e a minha imaturidade. Anos depois, já na Faculdade de Administração, havia um cara que era doido para transar comigo. Tinha 2,05 m de altura, um monstro de altura. Era muito bonito de rosto e as meninas da sala o achavam lindo. Éramos amigos e certo dia ele (que era noivo) chegou com uns papos estranhos sobre qual a menina que eu achava mais bonita da sala, aonde eu ia no sábado? Essas coisas. No final das contas, perguntou se eu era gay. Fiquei em dúvida sobre o que deveria falar, mas então percebi o quanto ele estava excitado e achei que no mínimo ele fosse bissexual. Como eu sabia? Ele mexia muito a boca e dava para perceber que salivava muito. O corpo dele estava todo inclinado para bem perto de mim e quase me beijava; ele me olhava fixamente, respirava forte e mostrava desejo. No final das contas, eu continuei andando com ele mesmo sabendo que ele estava super a fim de ficar comigo. Mas nunca poderia acontecer nada entre nós, pois conseguia vê-lo apenas como um amigo. Por fim tive que me afastar, porque ele não sabia separar as coisas e, além disso, estava tendo um relacionamento com uma mulher que mais tarde ficou grávida dele. A sexualidade é complexa. Uma prova disso é o espanto que alguns homens têm diante da homossexualidade feminina, o que prova que a homossexualidade é mais que apenas sexo. Outro exemplo: no final da minha adolescência, eu ficava pensando que poderia (tecnicamente falando) não ser considerado gay, já que apesar de sentir atração por homens eu não tinha relações sexuais. O dicionário me informava que homossexual é a pessoa que PRATICA atos sexuais com pessoas do mesmo sexo. E seu eu tiver apenas uma relação homossexual (com uma pessoa) em minha vida? E seu eu me casar, virar pai e sempre sentir atração por homens sem nunca ter uma relação sexual com outro homem? Eu vou ser hetero, bi ou homossexual? Isso tudo mostra que os comportamentos homo/bi/hetero estão ligados a classificações um pouco imprecisas e não envolve somente o fazer ou o não fazer sexo. Talvez por isso exista o preconceito. A sociedade estabelece limites: você pode sentir atração por pessoas do mesmo sexo desde que ninguém saiba ou perceba desde que você não tenha relações sexuais com essas pessoas. Então você estará seguro e terá seu lugar na sociedade. A homossexualidade é como matemática. Uma matéria difícil para maioria, nem todos entende a maioria não gosta de se envolver com o tema. É uma questão difícil e nem todos têm inteligência suficiente para entendê-la, mesmo nós, os homossexuais. Como posso obrigar essas pessoas a entenderem e aceitarem a homossexualidade com naturalidade? O que posso pedir apenas é que me respeitem. Hoje em dia, eu vivo com minha família e apesar de não lhes ter contado sobre minha sexualidade, acho que eles sabem. Nunca levei uma mulher em casa falando que era minha namorada, embora tivesse pensado nisso. Contei para algumas amigas de confiança da faculdade e para um cara por quem fiquei interessado (que não era da minha sala). Na minha família contei apenas para minha prima que é lésbica. Não sei se um dia eu sairei contando isso para todo mundo. Pode até ser que de uma hora para outra assuma isso para toda a sociedade, se achar que é o melhor caminho. Basta que alguém me mostre isso através de um depoimento, colocando as vantagens dessa posição. Eu já assumi para mim mesmo e acho esse o passo mais importante para todos. Isto é assumir-se e aceitar-se. O que sei é que sinceramente algumas amigas a quem contei, apesar de dizerem que aceitam, forçam sorrisos contrariando o que dizem. A religião também nos condena. Mas é claro que ela tem seus aspectos bons, como por exemplo, dar um caminho a quem se encontra totalmente desnorteado. Eu conheço pessoas que estavam no limite e começaram a seguir uma religião. Com certeza, para aquelas pessoas, a religião foi a única saída. Mas temos que ser críticos em relação a certos dogmas que nos rodeiam. Muitos ensinamentos da religião devem ser aproveitados, como o de amar ao próximo e assim por diante e outros devem ser questionados, como a posição da igreja quanto à homossexualidade. A minha mãe é extremamente religiosa, uma beata, e ela acharia um absurdo a minha orientação sexual. Se ela soubesse, sei que continuaria gostando de mim, porque gosta muito dos filhos, mas acho que ela já tem muitos problemas para suportar mais isso. Já o meu padastro é ignorante, mas como ajudo em casa, acho que ele não me mandaria embora e aceitaria. Apesar disso, ele tem a língua solta. O bairro todo e a cidade natal dele toda saberia, já que isso seria um prato cheio para conversas, principalmente para uma pessoa que não tem assunto como ele. Bem, este relato mostra um pouco do que eu sou e do que eu penso. O que tenho ainda para dizer para vocês é que hoje sinto-me feliz em ser gay. Já tive dois relacionamentos de longo tempo, sendo que o primeiro durou 8 meses e o segundo está em andamento. O primeiro foi ótimo. Eu estava muito entusiasmado porque era a primeira vez que namorava e havia conhecido ele na cantina do meu curso de letras bem em um momento em que não esperava. Acabou porque ele foi fazer um curso de graduação nos Estados Unidos e este era um seu projeto antigo que tinha mesmo antes de me conhecer. Eu sofri, mas o tempo cura tudo e eu superei. O meu namorado atual, o conheci quando estava voltando para casa. Ele estava escorado na grade da Igreja do bairro e olhou para mim com uma expressão de interesse. O meu namorado é um doce e eu espero um dia ter a certeza que o amo, assim como ele diz que me ama. Falta muito pouco para eu dizer isto, mas enquanto esse dia não chega, já posso afirmar que é muito bom estar com alguém que ama você. Uma coisa posso dizer com certeza, eu estou feliz compartilhando a minha vida com outro homem, que gosta de mim e de quem eu gosto. É isso que importa. É isso que eu desejo para você: que encontre alguém que lhe faça feliz e pleno! :-). Até um dia, abraços, Rodrigo.21 anos 

 * Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos participantes.

 

4 comentários:

Breno disse...

Vi o link para o artigo no twitter! Parabéns! Follow @brenogodoy!

Fabiano Roberto disse...

discriminação, preconceito.. isso é coisa de gente que por não ter nada de bom pra falar de si mesmo, procura desesperadamente algo para criticar os outros.

EAD disse...

Parabéns pelo assunto abordado e pela qualidade. Apresentou um mundo , de certa forma, desconhecido.

Cris disse...

Bem dito Fabiano Roberto. A verdade é que me identifico com alguns pontos desses relatos. Tenho dezasseis anos e já compreendi e aceitei a minha homossexualidade, mas ainda não me assumi para ninguém. Talvez pelo que dizia no último: "A minha mãe, se ela soubesse, sei que continuaria gostando de mim, porque gosta muito dos filhos, mas acho que ela já tem muitos problemas para suportar mais isso."