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terça-feira, 5 de maio de 2009

As Funções dos Pais Quando o Filho é Drogado



Os pais são responsáveis por seus filhos quando eles são menores de 18 anos e quando maiores, caso tenham alguma anormalidade psíquica (os doentes mentais não são responsáveis por si mesmos, portanto, perante a lei, os pais são seus responsáveis). Independentemente da idade, quando os filhos ficam doentes, os pais são os primeiros a socorrê-los. No caso das drogas, o esquema é o mesmo: cabe aos pais cuidar do filho drogado. Mesmo se for maior de idade, ao ser internado, a lei exige que um adulto assine um termo de responsabilidade pelo tratamento.
Difícil é enumerar quais as atitudes que os pais devem tomar em relação a um filho drogado, porque é preciso levar em conta as características pessoais do pai, da mãe, do filho drogado e também do relacionamento entre eles (pai-mãe, pai-filho), além da relação com os outros elementos da família (irmãos, tios, avós, etc.).
De maneira geral é importante primeiramente conhecer a situação e fazer um diagnóstico: qual é a droga usada; há quanto tempo existe o vício; qual é a freqüência do uso; qual a quantidade; de que maneira é usada (se injeção, fumo ou ingestão oral); como a droga é comprada, etc.
Dificilmente alguém se sente à vontade para responder a todas essas questões. São muito comuns a vergonha, o constrangimento, o silêncio, as reticências, o mau humor, as respostas evasivas. Também não é fácil para os pais fazer tais perguntas sem alterar seus estados emocionais pois a cada resposta vem o inesperado, o não desejado, a frustração, a mágoa, a agressão...
Diante de situações desse tipo, é comum o pai ficar bravo, agressivo, e a mãe entrar em depressão e chorar, sentindo-se culpada: "onde foi que errei?".
Enfim, é difícil para todos - pai, mãe e filhos - manter um diálogo tranqüilo numa hora dessas, pois todos se encontram emocionalmente envolvidos uns com os outros, e cada um à sua maneira, com a droga.
Se essa conversa for de topo impossível, é preciso recorrer à ajuda de uma terceira pessoa, que se sinta livre e preparada para ajudá-los. Geralmente trata-se de um profissional especializado, como um psicólogo, um psiquiatra, um assistente social. Ou seja, obtém um bom diagnóstico e um bom encaminhamento, ou o tratamento pode estar fadado ao fracasso.
Ansiedade também só atrapalha; de nada vale querer soluções imediatas para o problema. É mais eficiente a busca de um tratamento adequado que a urgência de uma solução apressada e inadequada. 
A Droga Influi no Desenvolvimento da Pessoa em Três Níveis: Biológico, Psicológico e Social

Desenvolvimento biológico:
O feto é diretamente atingido por tudo que a mãe ingere. Se forem alimentos saudáveis, isso irá ajudá-lo. Se forem drogas, venenos, poluição, isso irá prejudicá-lo. A maioria das drogas atravessa a barreira placentária e atinge estruturas biológicas em formação, que são muito mais vulneráveis que as já formadas A maconha por exemplo, dificulta a síntese do DNA (ácido desoxirribonucleico), que é o constituinte fundamental dos genes e dos cromossomos responsáveis pela hereditariedade. A maconha também dificulta o desenvolvimento dos neurônios, prejudicando a formação do cérebro fetal. Se a mãe cheirar cola de sapateiro, que destrói neurônios já formados, o que não provocará no frágil cérebro ainda em formação?

Em termos biológicos, todas as células passam por quatro etapas: formação, crescimento, produção e morte. A maioria das drogas prejudica principalmente as duas primeiras, afetando, portanto, seu desenvolvimento.
As crianças e os adolescentes são mais vulneráveis que os adultos aos efeitos das drogas, juntamente por estarem em desenvolvimento. A puberdade, aliás, é um dos períodos mais vulneráveis por que passa o ser humano, pois nesse período manifestam-se suas características sexuais secundárias, sendo grande o movimento de hormônios, de crescimento celular com conseqüente maturação de muitos órgãos e estruturas cerebrais neurológicas e corporais. Toda essa movimentação orgânica torna o puberdade., muito suscetível aos efeitos prejudiciais da droga no seu desenvolvimento e crescimento.
Desenvolvimento psicológico:
A parte psicológica é constituída pelo potencial físico (biológico) e pelas experiências de vida. Portanto as drogas que atingem e/ou destroem os neurônios (biológico) atrapalham também o desenvolvimento psicológico. As experiências emocionais negativas, provenientes das drogas e do seu uso, podem diminuir a auto-imagem do usuário, desvalorizando-o perante seus amigos não-usuários. O período de vida de que um drogado passa sob os efeitos da droga, "fora do ar", sem nada produzir, colocam-no em desvantagem em relação aos outros, que, durante esse mesmo tempo, fizeram algo útil, colaborando para seu próprio desenvolvimento psicológico. Repetir de ano é atraso de vida, não importa qual seja a justificativa. Dizer que "foi bom ter repetido", ou que "o tempo absorve a repetência", ou que "a maioria repete" são desculpas para tentar negar o prejuízo. E o maior prejudicado é aquele que teve seu desenvolvimento psicológico afetado.
Desenvolvimento social:
As drogas prejudicam o desenvolvimento social profissional e afetivo trazendo sérias conseqüências aos jovens, como repetência escolar, afastamento da família, brigas com namorado, rejeitar e ser rejeitado pelo amigos que não usam drogas. Para os adultos; as conseqüências podem ser perda de emprego, de dinheiro, da família e dos amigos. As drogas só dão dinheiro aos traficantes.
 As Drogas Afetam o Nosso Físico?

Sim. São prejuízos transitórios, intermediários e definitivos. Quando o usuário está sob os efeitos de uma droga, seu .físico também está comprometido. Veja o exemplo: a maconha, durante a intoxicação aguda, que dura de duas a quatro horas, provoca alterações físicas transitórias, como moleza no corpo, cansaço, funcionamento vagaroso do cérebro (fica esquecido, desatento, etc.). Com o uso contínuo da maconha, virão os prejuízos intermediários: diminuição de hormônios sexuais femininos e masculinos, baixa resistência do organismo às infecções, etc. São definitivos, mesmo que se interrompa o uso, os prejuízos que, uma vez estabelecidos, são irreversíveis: câncer de pulmão nos canabistas ou os depósitos de THC no cérebro.
Existem muitos outros efeitos físicos provocados por diferentes drogas. Os mais graves são: emagrecimento, convulsão, parada cardíaca, overdose e morte (cocaína); dependência física, síndrome de abstinência e morte (morfina, heroína, ópio); destruição de células nervosas e embriaguez (éter, lança-perfume, cola de sapateiro e inalantes em geral).
Os alucinógenos provocam psicoses transitórias, intermediárias (precisam ser tratadas com medicações psiquiátricas) e definitivas (desencadeiam uma psicose esquizofrênica que já estava latente na pessoa).

Por que se Injetam Drogas na Veia?




A injeção na veia é o método mais violento de se drogar. Além de não ser uma ação natural como comer, beber e cheirar, a pessoa tem que ferir seu próprio corpo com uma agulha; procurar sua própria veia, perfurá-la e puxar para a seringa um pouco do seu próprio sangue para verificar se realmente a agulha está dentro da veia. É uma agressão gratuita a um corpo sadio, pois uma injeção só se justifica quando serve para tratamento de saúde. A droga injetada na veia chega em poucos segundos até o cérebro e bem mais concentrada que uma droga que se cheira: portanto, seu efeito é também mais intenso. Mas, por ser eliminada muito depressa, seu usuário quer repetir a dose mais rapidamente. Freqüentemente, a injeção é feita sem condições de higiene, sendo bastante comuns as infecções na própria veia, desde as flebites até as mais generalizadas, como a AIDS, a hepatite, etc.
Quanto maior for o vício tanto maior será a necessidade da droga. O viciado paga qualquer preço por ela: em dinheiro, para compra; em agressão para com o próprio corpo, para injetar. O viciado grave se aplica injeções para que tenha sensações mais rapidamente. ( Içami Tiba)

 Drogas, Prevenção e Recuperação
Cabeça baixa, olhos cravados no chão, coração "encharcado de dor. "Será que Deus ainda olha para mim?" Paira no ar uma tristeza densa, que se pode cortar. A falência da auto-estima e o sentimento de culpa, à semelhança de uma laje de chumbo, esmagam a alma.
A cena, dura e forte, retrata o "day after" de um adicto da cocaína. O drama do meu jovem interlocutor, tragicamente rotineiro no frio anonimato da cidade sem alma, não é um recurso ficcional. É real. Tem nome e sobrenome, obviamente preservados por razões éticas elementares. Recupera-se, agora, numa comunidade terapêutica, o Horto de Deus, em Taquaritinga, no interior de São Paulo. Seus olhos recobraram o brilho da esperança. Sua história, à semelhança da trajetória de milhares de jovens, merece ser registrada.
Não se faz jornalismo, nem mesmo matéria de opinião, fechado entre as quatro paredes de uma redação ou circunscrito ao rarefeito ambiente de um laboratório acadêmico. É preciso ver, ouvir, apurar, sentir, refletir e, só então, escrever. Nada supera o realismo da reportagem. Com esse espírito, movido pela solidariedade e pelo dever de obter informação verdadeira, fui atrás de literatura especializada, de fontes confiáveis e, sobretudo, de experiências bem-sucedidas na prevenção e recuperação de adictos.
Tenho acompanhado o excelente trabalho realizado por alguns serviços especializados. O Grea (setor vinculado ao Departamento de Psiquiatria da USP) e o Proade (unidade da Faculdade Paulista de Medicina), por exemplo, desenvolvem importantes esforços na luta contra as drogas. Mas o que mais me chamou a atenção foi o trabalho promovido pelos grupos de Narcóticos Anônimos (NA) e Amor-Exigente e a estratégia adotada pelas comunidades terapêuticas. Sem uso de medicamentos e apostando num conjunto de providências que vão às causas profundas da dependência, essas comunidades têm obtido surpreendente índice de reabilitação. Segundo Leo de Olivéira, coordenador da Comunidade Terapêutica Horto de Deus, o programa tem apresentado índices de recuperação entre cinqüenta e sessenta porcento.
Recentemente, visitei o Horto de Deus. Fiquei vivamente impressionado com o que vi e ouvi. Trata-se de um pequeno sítio, sem muros e sem grades. Os internos, cerca de quarenta e cinco , estão lá voluntariamente. Aliás, o desejo explícito de deixar as drogas é um pré-requisito para ingressar na comunidade terapêutica. As internações compulsórias, em clínicas caras e sofisticadas, freqüentemente acabam na amargura da recaída. Falta o essencial: querer. Os pavilhões são simples, limpos e arejados. Sente-se no ar uma alegria que contrasta com a história pregressa dos seus moradores. Lá, depois de terem descido todos os degraus da miséria material e moral, reencontraram a chispa da esperança. Vida saudável; laborterapia, disciplina, resgate dos valores e da espiritualidade e terapia individual e de grupo compõem a receita da instituição. O tratamento, inspirado nos ensinamentos do padre Haroldo J. Rahm, S. J., presidente nacional do AmorExigente e respeitadas autoridades mundial na luta antidrogas, é uma das iniciativas mais sérias no trabalho de prevenção e recuperação de adictos.
Reuni-me com dezesseis internos. A conversa, franca e direta, foi ao cerne do problema, desfez inúmeros equívocos e me transmitiu a sinceridade cortante daqueles que conheceram o fundo do poço. Ao contrário, por exemplo, dos que proclamam o caráter inofensivo da maconha, quinze dos dezesseis entrevistados afirmaram que o primeiro baseado foi o passaporte para as drogas pesadas. São unânimes na crítica a discriminação da maconha. "No começo eu tinha receio da droga. A maconha tira o medo. Depois, o organismo pede coisas mais fortes", comentou S. M., 17 anos; filho de um empresário. Vários deles foram influenciados pela tolerância e pelo apoio ao consumo que transparecem em entrevistas de artistas, letras de algumas bandas de rock e matérias de comportamento. "Os artistas e as bandas influenciam muito. Dão empolgação, transmitem um clima de sucesso", afirmou E. C. C., filha de um médico.
A família é uma âncora fundamental. Surpreendentemente, não querem um apoio concessivo. Esperam carinho, mas aspiram por firmeza. "Precisamos de limites", sublinhou M. A recuperação do adicto reclama, necessariamente, a reabilitação da própria família. Traumatizados e desorientados com o drama dos seus filhos, os familiares podem encontrar apoio e orientação nos grupos de AmorExigente e Nar-Anon espalhados pelos quatro cantos do Brasil.Por isso, tenho a convicção de que, numa operação conjunta com o Ministério da Saúde, fugirá das amarras dos esquemas burocráticos e saberá encontrar caminhos ágeis (convênios, acordos, etc.) para apoiar as instituições idôneas que trabalham na prevenção e recuperação de adictos.
O perfil da nova secretaria, definido como um órgão de` coordenação, não tem, felizmente os traços de um clone estatizante, de uma nova Drogabrás da vida. A dependência química já não é uma ameaça distante. A juventude, caro leitor, está morrendo. Do nosso lado. Chegou a hora da prevenção e da recuperação.( Carlos Alberfo Di Franco)

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