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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Crise familiar aumenta violência escolar

Meu filho Matheus e uma amiga em santos



Tenho observado que o aumento da violência escolar se deve em parte a uma crise de autoridade familiar, onde os pais renunciam a impor disciplina aos filhos, remetendo-a para os professores.

Vários especialistas em educação  se reuniram  na cidade espanhola de Valência  para analisar  o assunto «Família e Escola: um espaço de convivência».

Os participantes no encontro, dedicado a analisar a importância da família  como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas, o que obriga a "um esforço conjunto da sociedade".

As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", um elemento fundamental para o seu crescimento. As famílias não são o que eram antes, um núcleo muito amplo e hoje o único que muitas crianças contatam é a televisão, que está sempre em casa. Os pais continuam a não querer assumir qualquer autoridade, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinar quase exclusivamente para os professores.

No entanto e quando os professores tentam ter esse papel disciplinador, são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que intentam exercê-la sobre os professores,confrontando-os. Ao contrário do que ocorria algum tempo atras onde pais e escola falavam a mesma língua, tinham os mesmo objetivos, e se respeitavam.

Quanto mais o tempo passa, mais convicta fico de que éramos mais felizes há alguns anos atrás. Não tínhamos toda essa facilidade que pipoca ao nosso lado, dia-a-dia.

A televisão era preto e branco e ficávamos em êxtase, aos sábados, assistindo a sessão da tarde com suas séries fantásticas. O matinê era o programa do domingo, que a maioria fazia uma vez por mês e onde a molecada aproveitava para trocar seus gibis ou aquelas figurinhas que estavam repetidas e dar aquela  paquerada sem ter por perto o professor ou a mãe.

Nos nossos bolsos, trazíamos apenas os trocados para a entrada e  também para o sorvete ou para a pipoca. Não ouvíamos falar em drogas, parecia tão distante de nós e de nossas famílias.

Éramos, sem dúvida alguma, muito mais felizes. Não precisávamos nada mais do que isso para nos sentir privilegiados. Não importava se tivéssemos que usar a velha e surrada "conga" ou um "kichute" já desgastados pelas brincadeiras de rua. É, a gente podia ficar nas ruas.

Não importava o quanto era difícil encontrar nos velhos livros da Biblioteca Municipal, aquele assunto determinado pelo professor. Para nós era uma oportunidade ímpar de sair de casa. Íamos como quem vai a uma festa. Nos debruçávamos sobre os livros e líamos para depois fazer a síntese do assunto determinado e ai daquele que simplesmente copiasse. O Professor não tinha dúvidas e nem compaixão. Era zero na certa.
Fazíamos com cuidado para não receber além da nota baixa uma reprimenda por plágio ou simples cópia, tudo a mão, em letra legível, com todo capricho.Não nos fazia falta toda essa tecnologia que disponibilizam hoje em dia e que na verdade acaba por nos tornar reféns dela. Éramos felizes sem ter no bolso um telefone, sem ter ao alcance de um simples toque, todo um universo de informações que a "internet" coloca a nossa frente num piscar de olho.

Éramos mais felizes respondendo as provas impressas no velho e "cheiroso" mimeógrafo a álcool. Nos contentávamos com uma ou duas horas de televisão ao dia, isso se conseguíssemos sintonizar a TV.

Crescíamos assim. Felizes... 

Para sabermos, necessitávamos de leitura e líamos muito. Era comum encontrar adolescente com 12, 13 anos, que já haviam devorado toda a obra de Machado de Assis, Jorge Amado, José de Alencar e muitos outros. Eu mesma li todos eles na adolescencia. 

 os presentes então! Geralmente era roupa, - assim no singular, uma camisa ou uma calça, comprada nas Casas Pernambucanas, escolhida com um único critério, durabilidade! Tínhamos que nos contentar com as escolhas, quase sempre contrárias ao nosso gosto.

Hoje não! Independente da classe social, opinião de pais ou dos "mais velhos", só é ouvida por educação, isso quando ouvem, porque a grande maioria nem mesmo isso. Pais, professores, irmãos mais velhos, todos são considerados ultrapassados e isso significa, também, sem direito a opinar.
Presentear essa moçada é uma verdadeira aventura. Raramente conseguimos escolher o CD certo ou o modelo de celular que esteja no top da semana. É isso mesmo, da semana, pois as coisas acontecem com tanta rapidez, que não se pode comprar nada com muita antecedência, - corre-se o risco de na hora de dar o presente, você pagar o maior "mico" ao ouvir do presenteado que esse modelo ele já aposentou no mês passado.

E a roupa! Não tente dar de presente esse artigo, a não ser que conheças profundamente a pessoinha. Com a facilidade do cartão de crédito, as modalidades de crediário e a grande variedade de opções, fizeram com que eles - a moçada, se tornassem verdadeiros modelos. Vestem-se de acordo com o padrão "Global", por mais ridículo que isso possa parecer e não possuem só algumas "mudas de roupa", como era nós. Seus roupeiros é de dar inveja a qualquer figurinista. Nele se encontra de tudo um pouco. O das meninas está repleto de pequenas peças, todas parecendo menores que a pessoa que irá usar, já o dos meninos, ao contrário do das meninas, se resume a várias bermudas, todas maiores que eles, de preferência que fiquem caídas com as tarjas das cuecas a mostra,  grandes camisetas  que  poderiam muito bem se transformar em barracas de acampamento e  grandes pares de tênis, que eles usam com os cadarços desamarrados, sabe-se lá como.

E tudo isso para que?

Converse com alguém com 15, 16 anos, e se tiver sorte e conseguir emplacar um diálogo intelegível, "tipo assim...", você só ouvirá reclamações. Estão todos "entediados", descontentes, querendo mais e mais... Contentá-los é qualquer coisa entre o impossível e o surreal. Faça um teste! Fique ouvindo o que eles conversam por alguns minutos, se seus ouvidos aguentarem, e vai ver que a nossa língua está fadada ao insucesso, tal é a forma com que eles a maltratam...

E nós, alijados de qualquer ação, assistimos a tudo, meio atônitos, sem saber bem o que está acontecendo.

Quero de volta todo o pouco que tivemos.

Eu era muito mais feliz quando saia e ao encontrar um policial, procurava andar com muito cuidado, porque ali estava uma autoridade que me protegia e punia aos malfeitores. Quero poder ouvir com mais freqüência a frase "Sim senhora!", já tão escassa no nosso dia-a-dia. Quero voltar a ter medo apenas da gripe suína, quando durmo com a janela aberta.

Quero um grande sorriso, quando eu der um abraço de reconhecimento e não a expectativa de um grande presente por uma obrigação executada. Hoje é assim! Poucos são os que se sentem devidamente recompensados com um fraterno abraço. Mais vale um CD do momento que um beijo maternal.

Quero de volta a conversa franca do olho no olho, onde um aperto de mão selava um compromisso inabalável. Quero poder reencontrar a confiança total em todos aqueles que me cercam. Quero que meninos e meninass, sejam apenas meninos e meninas e não assaltantes, estupradores e prostitutas e principalmente não quero mais ouvir essa frase medonha e nefasta, - os tempos são outros, - última alternativa dos irresponsáveis e inconseqüentes.

O tempo até pode ser outro, mas os valores são os mesmos. A família tem que assumir essa grande responsabilidade que é a educação. Não foi suprimido o respeito, a dignidade, o caráter. Não se decretou que crianças de 12 ou 13 anos, que mal saíram das fraldas, devam fazer sexo, fumar maconha, só porque isso se tornou moda nos grandes centros, já decadentes e sem rumo, do País ou porque isso é tratado por pseudos intelectuais, com a maior naturalidade em horário nobre da televisão.

Invadem nosso mundo e "estupram" a inocência de nossos filhos com falsas facilidades, destruindo nossa cultura, atropelando nossas benditas diferenças regionais e culturais, construídas ao longo dos séculos.

Quero poder novamente ver na televisão aquelas enfadonhas séries maniqueístas, na luta permanente contra o mal e não a apologia ao descaramento,  sexo fácil, a competição entre quem "transa" mais rápido com o professor, ou quem beijará mais rapazes e moças no recreio da escola e o pior de tudo isso, com a conivência de mães e pais que, para se eximirem das conseqüências, limitam-se a colocar alguns preservativos na bolsa dos seus filhos. Melhor seria que tivessem sido impedidos de procriar. Por que na verdade não estão assumindo seus papéis.

Tenho certeza que, quem ama realmente seus filhos, deveria dizer com mais freqüência a palavra não. Alias o "não" nesse caso, quando dito pela boca de um pai ou uma mãe, deveria ser sinônimo de amor.

É imperativo que  cuidemos mais dos nossos filhos. Sejamos mais pais e mães e menos seres provedores. Antes de sermos amigos de nossos filhos, somos pais. E pais distinguem-se dos amigos exatamente por um detalhe, é deles a responsabilidade de formar cidadãos para a vida.

Tenho certeza que só conseguiremos atingir um porto seguro se fortalecermos a família e os valores humanos. A crise familiar colabora para o aumento da violência em todas as esferas sociais, e principalmente nas escolas.



Um comentário:

Sissym disse...

Xenia, a educação primária é de responsabilidade dos pais. A escola entra como aliada. Quanto a falta de apoio familiar, ultimamente, que acaba sobrecarregando a escola, concordo. Com a separação litigiosa que estou passando, vi isso claramente acontecer, pq como o pai de minha filha não se comunica comigo, numa aula extra que eu consegui para ela na escola, ficou tudo tão confuso por parte dele que ela resolveu a questão dela na maneira dela. Eu nem imaginava o que ela estava fazendo na "semana dele". Por intermédio da van escolar que descobri que ela modificou tanto a aula quanto o horário extra quando estava com ele. Então fiz o que ele deveria ter feito e resolvi o problema. Sei que não ficou muito claro para uns, mas para explicar melhor usaria muito mais linhas.