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Durante as primeiras etapas da vida, os pais podem assentar as bases da educação da liberdade estabelecendo uma disciplina básica. Um mínimo de normas ou regras do jogo, conhecidas, aceitas e vividas por todos, que funcionem como um canal pelo qual decorre, tanto a liberdade dos filhos, como a dos pais. Educar a liberdade inclui o desenvolvimento da virtude da obediência pois uma criança indisciplinada é má candidata para o desenvolvimento de uma liberdade autêntica.
A idade escolar, que corresponde dos seis aos doze anos, é a etapa apropriada para iniciar a educação da liberdade propriamente mencionada, com base no alcançado nas etapas etárias anteriores.
A razão é muito simples, já que ao redor dos seis anos as crianças adquirem o “uso de razão”, isto é, são capazes de raciocinar com certa lógica e, portanto, podem começar a usar consciente e voluntariamente sua liberdade.
Para isto, é importantíssimo que os pais, em tudo aquilo que não esteja regulamentado, permitam, animem e até empurrem, se for necessário, aos filhos a exercer a capacidade de escolher e a decidir .
É preciso ter em conta que a liberdade é algo que se aprende a usar. Como pode uma pessoa aprender a decidir? Escolhendo ou aceitando, de maneira similar como se pode aprender a nadar, nadando. É importante que os pais “dêem” uma certa liberdade aos filhos como condição indispensável para a aprendizagem de sua liberdade, da mesma maneira que os jogam na água para aprenderem a nadar.
Deixá-los decidir escolhendo ou aceitando, supõe ajudar-lhes a desenvolver estas capacidades primordiais da liberdade humana. Mas, além disso, é preciso ensinar-lhes a fazê-lo. E como se pode ensinar a decidir, e escolher e a aceitar para fazê-lo bem? Ensinando-o a pensar antes.
Para isto será muito útil que os pais dialoguem com os filhos, ajudando-lhes a calibrar as conveniências de decidir em um sentido ou em outro, com base nas próprias possibilidades, e também pensando nas possíveis conseqüências de cada decisão. É muito útil ajudar-lhes para que aprendam da experiência, aceitando asconseqüências que se derivam de suas decisões, boas ou más, e que colocam em manifesto seu acerto ou erro. Saber usar a liberdade não se limita a decidir, a escolher ou a aceitar, mas também implica decidir bem, escolher bem e aceitar bem.
Para isto, faz falta ensinar aos filhos a distinguir o bom do mau e o bom do melhor, o feio do bonito, já que nem tudo o que é feio é mau, nem tudo o que é bonito é bom, animando-os para que decidam sempre pelo melhor e não tanto pelo agradável, o cômodo ou o fácil.
A tudo isto podemos chamar “saber querer”, que unido ao “saber pensar” favorece o bom uso da liberdade.
A aprendizagem da liberdade inclui necessariamente o desenvolvimento da responsabilidade. De nada serve que os filhos decidam, escolham e aceitem, se a seguir não são capazes de responder por sua decisão, escolha ou aceitação.
Por isso, quando o filho pretende livrar-se das conseqüências de seus atos, os pais devem ajudar-lhe a carregar com elas, sempre e quando não suponha um grave dano.
Obviamente, convém insistir mais uma vez, o exemplo dos pais é muito importante para que os filhos aprendam a usar sua liberdade, respondendo pessoalmente a seus atos.
Do livro “A Educação da Liberdade”, de José Antonio Lopez Ortega Muller *
* Médico cirurgião, formado pela Universidade Nacional Autônoma do México. Presidente fundador da Sociedade Mexicana de Educação para a Saúde. Orientador familiar pelo Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Navarra. Vice-presidente do VI Congresso Internacional da Família. Professor associado do Instituto de Ciências da Educação. Fundador e Diretor geral de LOMA, O. F., S.C., instituição dedicada a preparar profissionais da orientação familiar.
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