Mensagem do dia

Estude! Saber é o maior diferencial que existe!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A FORMAÇÃO DOS FILHOS NAS VIRTUDES HUMANAS



Creio que a todos nós gostaríamos que  nossos filhos fossem ordenados, generosos, sinceros, responsáveis, leais, etc., mas existe muita diferença entre um desejo difuso que fica refletido na palavra "tomara" e um resultado desejado e previsto e, pelo menos em parte, alcançável (que é a definição de um objetivo). Se a formação dos filhos nas virtudes humanas vai ser algo operativo, os pais terão que colocar muita intencionalidade em seu desenvolvimento. Para isso é necessário estar convencido de sua importância.

A família é uma organização onde se relaciona o mais profundo de cada pessoa, ou seja, sua intimidade. Precisamente por isso cabe à família a aceitação da pessoa tal como é, predominantemente pelo que é e não pelo que faz. Se pensarmos em outras organizações na sociedade, vemos como as pessoas são aceitas por sua funcionalidade. Por exemplo, o jogador de futebol é aceito enquanto marca gols. Quando deixa de marcá-los lhe recusam. No colégio, em princípio, cada aluno é aceito em função de ser estudante. Se não estuda, é recusado. Na família, em troca, cada pessoa tem a oportunidade de ser aceita pelo que é, irrepetivelmente.

A escola não é uma organização natural, mas uma organização cultural e, mediante a cultura, apóia aos pais na formação dos alunos. Mas os pais, sendo os primeiros educadores de seus filhos, e convivendo com eles na instituição natural que é família, devem atender, na educação, o que lhe é conatural. Concretamente, se trata de atender ao desenvolvimento dos hábitos operativos bons, que são as virtudes humanas. Não se deve pensar que é lícito delegar esta função à escola.

 Podemos  afirmar que o "ideal" (mas não realista) seria que as crianças chegassem à escola com todas as virtudes tão desenvolvidas que fizesse falta apenas ajudar-lhes a interiorizar a cultura. Como a realidade não é assim, o centro complementa aos pais este trabalho, mas a ação dos pais é a mais importante.

Por outra parte, se falamos de "objetivos", parece que o conteúdo deste livro vai ser muito técnico. Não é assim. O importante dos objetivos não é sua formulação por escrito ou a planificação de algumas atividades para consegui-los, mas, ou melhor, o "querer" esforçar-se para persegui-los. Se não existe o querer, o objetivo deixa de sê-lo automaticamente e entra no terreno dos sonhos. Às vezes será conveniente utilizar a técnica de formular um objetivo por escrito ou planificar atividades para conseguir alguns resultados, mas a base da questão está no grau de intencionalidade que existe ao buscar o êxito dos objetivos.

O que queremos destacar é que os pais, para formar a seus filhos no desenvolvimento das virtudes humanas, vão aproveitar os acontecimentos quotidianos da vida de família mais do que planejar atividades. Mas necessitam aumentar a intencionalidade com respeito ao desenvolvimento das virtudes e para isso podem refletir sobre dois aspectos constituintes da virtude. Refiro-me à intensidade com a qual se vive e à retidão dos motivos ao vivê-la.


COMO AUMENTAR A INTENCIONALIDADE



Ao refletir sobre qualquer hábito operativo bom, vemos que se pode viver com mais ou menos intensidade. Pode-se viver a generosidade com os amigos unicamente, ou se pode vivê-la com as pessoas que mais necessitam de atenção. Pode-se atuar de um modo generoso somente quando se encontra-se "muito bem" ou inclusive quando se está cansado, etc. Se os pais nos damos conta das possibilidades de cada virtude, sem dúvida será mais fácil atuar congruentemente com o que queremos. Mas não apenas se trata da intensidade com que os filhos vivem as virtudes, mas também da retidão dos motivos que têm ao vive-Ias. Um exemplo o esclarecerá. Dois meninos estão entregando uma quantidade de dinheiro a um colega. O primeiro está fazendo porque sabe que seu pai está doente e a família necessita de dinheiro para poder comer. O outro garoto está entregando porque seu colega lhe disse que se não o fizer, apanhará. A diferença de motivos faz do ato algo totalmente diferente. Os pais também teremos que pensar que tipos de motivos são os mais adequados para cada idade.

Se os pais esclarecem intelectualmente o que significa cada uma das virtudes que querem desenvolver em seus filhos, será muito mais fácil aumentar o grau de intencionalidade. Por isso vamos considerar, logo, a definição ou descrição operativa de algumas virtudes.

Também se pode aumentar a intencionalidade reconhecendo quais são os meios com que conta o pai para ajudar a seu filho. Já se sabe que um dos meios mais importantes na educação é o exemplo. Inclusive se chegou a dizer que se educa mais pelo que se é que pelo que se faz, ainda que não creio que isto seja totalmente correto. Entendo que educamos pela relação intrínseca do ser-fazer. Por isso, o exemplo que educa não é necessariamente o exemplo "perfeito", mas o exemplo da pessoa que está lutando para superar-se pessoalmente. Isto é, para chegar a ser mais e melhor. Esta luta consigo próprio supõe, auto-exigência com respeito à vontade e também esclarecimento para a inteligência. Nestes dois campos se trata de educar aos filhos.

Para adquirir um hábito é necessário repetir um ato muitas vezes. Apenas se repete se existe por intermédio algum tipo de exigência. Os pais podem exigir a seus filhos para que façam coisas - uma exigência operativa - ou para que não façam coisas - uma exigência preventiva -. Este último tipo de exigência será para que a criança não corra um risco desnecessário e também para que não desenvolva algum hábito operativo mau.

Parece lógico que seja necessário exigir operativamente para desenvolver certas virtudes. Por exemplo, a ordem ou a perseverança. Além da exigência no fazer, também existe a possibilidade de exigir no pensar. Esta atividade está por trás de toda orientação boa. Um orientador recebe informação e dá informação a diferentes pessoas. Ao fazê-lo exige um pensamento por parte do interessado e a seguir lhe apóia afetivamente. Este tipo de exigência - dando explicações, perguntando o por quê, aprofundando nos motivos - parece mais correto para outras virtudes - a lealdade por exemplo - e também para outras idades.

Nenhum comentário: