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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pais, Educadores e os Emos...

Para entender o comportamento de muitos jovens, nós: pais e educadores temos que nos encaixar nos novos padrões de comportamento e pelo menos tentar nos aproximar compreendendo os seus valores, o que norteiam seus pensamentos, seus sonhos e ideais.
Não dá mais para ignorar essa nova tendência de comportamento que está dominando grande parte de nossa juventude. 
Surgiu e já se consolida uma nova tribo social: Os emos. 
Você sabe o que é ser um EMO? 

Boa leitura e tente se situar ou poderá estar perdendo o contato com uma geração que prioriza o emocional...

Reportagem da revista Epoca - 

hais Antunes/ÉPOCA
EMOTIVOS Os amigos Laura, Eduardo e Vittória se identificam com as músicas emos, que falam de decepções amorosas e conflitos em família

Foram-se os dias das patricinhas, dos góticos e neo-hippies. A nova tribo que está tomando conta das ruas das grandes cidades brasileiras são os emos. O nome vem de emotional hardcore, vertente do punk que mescla som pesado com letras românticas. Mas o que distingue os emos não é só a música, e sim as atitudes. Eles têm entre 11 e 18 anos e, nas roupas, são capazes de misturar as botas do punk, o colar de Wilma, a mulher de Fred Flintstone, e uma camiseta com a gatinha Hello Kitty. Não escondem os sentimentos, expressam abertamente suas emoções, preconizam e praticam a tolerância sexual. 'Os emos têm um estilo de vida compatível com minha sexualidade. São menos preconceituosos', diz o paulistano Rafael Adami, de 15 anos, que afirma já ter namorado meninos e meninas. 'Gosto de meninas, mas isso não me impede de achar o estilo de outro cara legal', diz o gaúcho Douglas Palhares, de 17 anos. 'Nossa sociedade é discriminadora.'

O gênero emocore nasceu em Washington, na década de 80, para designar bandas que tocavam letras introspectivas, com batida pesada. Hoje, as principais são Good Charlotte, The Used e My Chemical Romance. 'É uma vertente do hardcore, por sua vez fruto do punk. Mas os punks têm letras políticas, enquanto as composições emos falam do que os adolescentes sentem', diz Marco Badin, dono da casa noturna Hangar 110. Essa é a chave do sucesso do emocore. Emos são expansivos. Gostam de trocar elogios, abraços e beijos em público. Ainda que não tenham um relacionamento, amigas emos se chamam de 'maridas'. 'As pessoas precisam cada vez mais dizer e ouvir um 'eu te amo'. De nada vale ser o fortão', diz o jovem emo Rafael.

Thais Antunes/ÉPOCA

'Rola mais preconceito contra os meninos emos. Só porque eles são sensíveis'

FERNANDA ROCHA, 17, que namora o emo Bruno Tonel

Esse tipo de comportamento tem alarmado muitos pais. 'Estranhei quando ele começou a pintar os olhos e as unhas', diz Dalva Bonfim, mãe de Rafael, que afirma ser bissexual. 'Fiquei deprimida quando ele me contou. Mas, mesmo sem aceitar, respeito a opção dele.' Também há um enorme preconceito contra a tribo. Não é incomum que os emos sejam insultados ou até agredidos por outros jovens. Na Galeria do Rock, em SãoPaulo, onde se reúnem às sextas-feiras,são freqüentes arrastões em que a garotada, perplexa, é expulsa do local a tapas por punks mais velhos - supostamente, a inspiração dos emos. ä Os próprios donos das lojas desconfiam da presença infanto-juvenil, dizem que os emos espantam fregueses. Na escola, a discriminação também é forte. Um adolescente emo de um tradicional colégio paulista foi alvo de agressão dentro da escola depois de publicar no Orkut uma foto em que beijava um colega. Teve de sair da escola e hoje está em intercâmbio na Europa. 'Na rua, tem gente que me chama de sapatão', diz a emo Laura Battaglia, de 14 anos. Os comentários mais maldosos ficam para os meninos. 'Já disseram que eu era gay e me chamaram de emocinha', diz Bruno Tonel, de 17 anos, de São Paulo.Ele diz namorar uma garota emo e afirma não se importar em ter amigos sexualmente flexíveis.

Para Regina de Assis, doutora em Educação pela Universidade Columbia, a tolerância é o traço de comportamento que distingue os emos de outros jovens. 'A atitude dos emos irrita outros jovens porque eles não temem os sentimentos, enquanto a maioria dos adolescentes busca afeto optando pela agressividade', diz. Há várias comunidades no Orkut dedicadas a atacar os emos. Os nomes de algumas beiram o bizarro, como 'Hitler também era emo'. Alguns fãs de música emocore afirmam que existem muitos 'paraguaios' - gíria usada pela turma para caracterizar aqueles que se fazem passar por emos sem entender nada da cultura. Muitos nem gostam da música, mas adotam as mesmas roupas e acessórios.

Em menos de um ano, os emos invadiram as ruas dos centros urbanos do Brasil. Em São Paulo, eles se reúnem na saída das escolas, em lojas de artigos de rock, em shows no Hangar 110 ou em casas noturnas como Attari e A Torre. Por serem muito jovens, não ficam até altas horas da madrugada na balada. 'Quando saio, volto para casa à meia-noite', afirma Fernanda Rocha, de 17 anos.

Apesar das peculiaridades, os emos apresentam o traço comum a todo adolescente: andar em grupo. 'A escolha do grupo pode ser casual, seus amigos são daquele jeito e você acaba indo na deles. Ou, então, a tribo acaba refletindo algo de sua biografia, de sua maneira de ver o mundo', diz Miguel Perosa, professor de Psicologia da Adolescência da PUC-SP. 'A atitude emo mostra um esgotamento do modelo ocidental, em que os jovens tentam se afirmar pela violência ou pelo consumo', diz Regina Assis. 'Os punks ou funkeiros se impõem pela agressividade. Os emos querem se fazer aceitos pelo amor. É uma forma radical de reação contra o desencanto que vive a juventude.'

Apesar de terem se inspirado no punk, os emos só encontram precedente nos hippies dos anos 60, que também praticavam a livre expressão dos sentimentos. Eles chegam a chorar de forma compulsiva nos shows - o que pode parecer estranho para quem acompanha a batida pesada do hardcore que embala as canções. Versos como Já tentei fazer com que você voltasse/Também já tentei sozinho encontrar a solução/Pra acabar com essa dor que hoje assola o meu coração, da banda gaúcha Fresno, soariam perfeitos na boca de Sandy, mas são entoados como hino pelos emos mais radicais. 'Choro ao ouvir um som que fala de amor. A música me faz lembrar de coisas que vivi ou deixei de fazer', diz Angelo Coffy, de 23 anos.

O maior veículo de disseminação da cultura emo é a internet. Ali circulam a música, os bate-papos e as modinhas. Como não há no Brasil bandas do estilo emocore em grandes gravadoras, os músicos emos preferem colocar suas músicas em sites. Em pouco tempo, elas viram hits na tribo. 'Existem bandas que, somente com a divulgação na internet e shows, vendem 10 mil discos. Muito artista de gravadora grande não chega perto disso', diz Eduardo Ramos, diretor do Departamento Internacional da gravadora Trama.

No Brasil, o movimento ganhou força nos últimos meses e assumiu traços próprios. Uma das bandas locais favoritas é a Fresno, que afirma fazer um 'roquenrol emotivo'. Apesar do sucesso, a Fresno teme a moda. 'A estigmatização pode queimar a música, porque quem não gosta nem se dá ao trabalho de ouvir', diz Lucas Silveira, vocalista da banda. Os emos podem não resistir no futuro às tribos emergentes. Esses alunos do jardim-de-infância da cultura pop têm na ponta da língua a resposta para os problemas da transição entre a infância e o mundo adulto. 'A gente se abraça porque é disso que mais precisamos nesta fase da vida. E não recebemos isso dos outros', diz Laura, de 14 anos.

Confira algumas das características da tribo


 Gostar de música emocore. O estilo mescla a batida hardcore com letras românticas e poesias adolescentes;

 Viver na internet e no Orkut. Todas as bandas emo brasileiras colocam suas composições em sites;

 Ser emotivo. Os emos choram ouvindo músicas que falam de amores perdidos e rejeição dos pais;

 Dar demonstrações explícitas de carinho. Meninos e meninas se beijam, se abraçam em público, seja com pessoas do sexo oposto, seja com as do mesmo sexo;

 Aceitar a opção sexual do outro sem preconceitos;

 Criticar pessoas violentas. Bater é altamente reprovável entre os emos;

 Escrever diários, poesias e músicas. Isso vale para meninas e meninos;

 Usar roupas que mesclam a rebeldia punk com os ícones infantis. Meninas e meninos usam rosa;

 Usar cabelos lisos com enormes franjas no rosto. Usadas somente de um lado, denotam certa ambigüidade sexual;

 Não curtir drogas;

 Lutar por um mundo sem violência, em que um dia todos se abracem sem parar.

                                      

        Como outras tribos adolescentes, os emos têm linguagem própria.


Diminutivos - Trocam amor por amorzinho, lindo por lindinho, cão por
cãozinho, e por aí vai;
 Internetês - Conversam trocando letras e assassinando a gramática.
"Sabia que eu te amo?" se transforma em "Xabia q eu ti amu?"
 Paraguaios - Ou emos "posers", que não gostam da música, mas se vestem com as mesmas roupas da tribo
 "Oi, lindo!", "Oi, linda!" e "Que meeeigo!" ou "Que fooófis!!!", "Ela é minha marida" são os termos mais usados pelos emos.


Saiba quais são as roupas e os acessórios desses adolescentes

É facílimo identificar um emo, mesmo que você nunca tenha ouvido falar neles. A marca registrada está no cabelo, com franja usada em cima dos olhos, somente de um lado do rosto. O visual é a própria contradição da adolescência. "Ao mesmo tempo que demonstram rebeldia, que aparece no preto, têm também uma vontade de se manter na infância, daí os ícones infantis", afirma a jornalista de moda Lilian Pacce.






Fotos: Márcio Lamzarini/ÉPOCA


5 comentários:

Mr.Jones disse...

Credu. Nunca entendi bem essa tribo "emo"
dizem que saber a diferença entre um emo e um clubber é apagar a luz...o que brilhar é emo.

Xênia da Matta disse...

É mesmo um pouco confuso, mas, devagar, vamos nos familiarizando com o novo e o diferente.bjux

Bronca no Trombone disse...

É, estou ficando velho e, parece, também retrógrado. Não consigo aceitar o surgimento de "tribos" que querem se impor perante à sociedade a qualquer custo. Afinal, somos todos iguais (pelo menos, na teoria e na Constituição Brasileira). Essas "tribos" fazem é dissiminar mais preconceito, violência etc. Eu, quando era adolescente, era André e pronto. Nunca fui atrás de modismos, sempre fui eu mesmo.
É complicado julgar, pois o mundo é dinâmico e as coisas acontecem cada vez mais rápido.

Belo post! E necessário!

Beijos, amiga!

André

Xênia da Matta disse...

Infelizmente temos que aprender a conviver com as "novidades" e os modismos do nosso tempo. A palavra é tolerância, amigo, por que aceitar é mesmo difícil.
Bjux e sucesso.

Srtª Letícia F. disse...

q eu saiba o q brilhar no escuro é clubber! E é facil entender: o emo é uma versão gótica mais moderna, e tbm tem um pouco d punk mas ñ são pessoas violentas. O emo é só mais um movimento criado para lutar contra as regras da sociedade e conttra a violencia e a descriminação.