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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Só por amor se justifica uma adoção

Meu pai e o caçula da família, Luis felipe, filho do Júnior.


Adotar uma criança é um gesto de amor. E só por amor se justifica a adoção. Tem pessoas que erroneamente pensam que ao adotar uma criança estão ajudando ou praticando a caridade... Nesse caso, o melhor é ser voluntário em um orfanato, em abrigos, participar de entidades filantrópicas,Ongs e afins.

Ser mãe ou ser pai implica muito mais que isso... Tem que AMAR!

Um filho natural é fruto do amor entre duas pessoas, mesmo que com o tempo, esse amor se desgaste, mesmo que se separem um dia, no ato da concepção houve uma cumplicidade, uma doação, houve amor. Muitos poderão me dizer que nem sempre é assim, pois existem muitas crianças que são concebidas involuntariamente, sem o desejo dos pais, ou foram frutos de uma aventura sexual. Concordo com a não intencionalidade do ser humano, mas, a criação é sempre de Deus.
Deus nos criou por amor. Nós, somos meros instrumentos para Ele. Algum de nós poderia ter essa capacidade de "gerar" um filho?
Uma vez, no corpo da mãe, o feto se desenvolve de maneira quase que mágica, sendo orquestrado pelo Criador.
Em meu trabalho como orientadora educacional e ainda como psicopedagoga, tenho atendido vários pais de crianças que são filhos do coração. Muitos deixam claro a insegurança e o medo de não estarem"acertando" por que não são os pais biologicos daquela criança. Para eles falta lhes algo. É como se nós, pais naturais,  pelo simples, o fato de passar pelo processo de espera da gravidez e do parto, tivessemos um diploma de pais. Como seu filho é adotivo, eles se sentem sem preparo para lidar com a criança em algumas situações cotidianas.
A minha resposta é sempre a mesma para as inúmeras dúvidas que me apresentam:
- AME SEU FILHO, INCONDICIONALMENTE!
Só através do amor podemos educar, só através de cumplicidade, de companheirismo, do respeito, da ética, da doação e da entrega total.
Minha mãe, ficou viúva aos 27 anos, com 07 (sete) filhos: Geisha, Vinícius, Cícero, Djalma, Ciro e as gêmeas Shirley e Sheila. Minha mãe nunca evitou filhos, seu tempo era outro, antes das pípulas anticoncepcionais. Ao se ver viúva com toda essa prole, ela considerou que teria que dedicar sua vida a eles, e a sua profissão ( professora). Ela só não sabia que ainda seria mãe de mais 3(três) filhos... Isso mesmo, minha mãe teve 10 filhos naturais.
Depois, de viúva, aos 30 anos, ela se casou com meu pai, que tinha 23 anos, e era 7 anos mais novo. Para cada ano que ele era mais novo ela tinha um filho. Ninguém imagina isso nos dias de hoje, não é verdade? Um jovem solteiro de 23 anos se casando com uma viúva, mãe de sete filhos...
Então, nasceram: Eu, o Júnior e o Renato. 

Por que estou contando aqui a história de minha mãe?

Para contar a história do meu pai. Desde o primeiro dia de casado ele assumiu a família com tanto amor, que eu nunca percebi que meus sete irmãos era filhos só da minha mãe. Pelo contrário, ele sempre foi tão dedicado a nós, que muitas vezes a gente disputava o seu colo, o seu abraço, seus cafunés ( meu pai adora, pegar a pontinha do nosso cabelo e ficar enrolando enquanto assiste TV). Sempre contaram a verdade, nunca foi escondido ou camuflado, era o dito, mas, não era o  vivenciado. O que nossos olhos viam era apenas um pai e uma mãe e seus 10 filhos muito amados.  A educação se faz pelo exemplo e no exercício diário. Ele e minha mãe foram guerreiros, criaram e deram boa formação a todos. Sempre priorizaram o estudo e exigiram compromisso e bom desempenho escolar. Todos nós cursamos  universidade, fizemos todos os cursos que nos foram oferecidos e quando olho para o passado vejo a figura de meu pai e minha mãe nos incentivando, nos acolhendo, nos motivando, nos abrigamos. 
Não sei contar quantos livros ganhei de presente de meus pais, assinaturas de revistas e jornais, eles nos incentivavam e oportunizavam  um contato diário com a leitura. (É de uma grande importância colocar os filhos diante ao letramento e em contato com boas leituras. Forma se o hábito de ler. Forma se o leitor crítico.)
Meu pai adotou com amor meus o7 irmãos, e quando é perguntado quantos filhos tem, ele responde 10 filhos, 28 netos e 4 bisnetos. Todos os meus irmãos o chamam de pai e tomam a bençao ao chegar em casa e ao se despedirem com o tradicional beijo na testa.
Eu, por experiência posso afirmar, que quando existe amor, não existe nada e nem ninguém que possa atrapalhar a criação de um laço afetivo consolidado.
Muitos pais querem adotar apenas os bebês, por acreditarem que só assim poderão ter o total amor de seus filhos. Isso não é verdade. Todo ser humano é capaz de reconhecer o amor, o carinho, o afeto e a atenção recebida... quando esta é verdadeira, espontanea e brota do coração.

2 comentários:

Antonio Regly disse...

Amiga Xênia,
Vim aqui com a intenção de parabenizá-la pela entrevista no Zazazuba e deparei-me com este lindo e emocionante post. Adorei lê-lo! Além de belo, acabei conhecendo mais ainda sobre você, pais e irmãos.
Ainda estou ausente e tratando de me recuperar. Aos poucos vou voltando.
Super-lindo o que escreveu aqui. Amei a sua entrevista! Pode me dar um autógrafo?
Abraço carinhoso do amigo,
Antonio Regly

cucasuperlegal disse...

Oi, antonio, é muito legal ter um amigo como você, viu? Obrigada, bjux e sucesso!