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terça-feira, 30 de junho de 2009

Cultura Indiana - Algumas curiosodades...



Conheça um pouco sobre a India


A República da Índia é um país que ocupa a maior parte do subcontinente indiano (formado por Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão e, por razões culturais e tectônicas, a ilha do Sri Lanka e as Maldivas) e ainda as ilhas Laquedivas e Andamão e Nicobar. São muitos os países que circundam a Índia, formando fronteiras com China, Nepal, Butão, Mianmar, Bangladesh, Paquistão, além de ser banhada pela a Baía de Bengala, pelo oceano Índico, pelo mar das Laquedivas e pelo mar Arábico.

Muitas línguas em um só país


Depois da China, é o segundo país mais populoso do mundo, com mais de um bilhão de habitantes. Reconhece mais de 20 línguas oficiais, dentre elas o hindi (falada no norte, é a língua da administração central), o tâmil (no sul) e o inglês.

Sua capital é Nova Délhi, cidade projetada pelo arquiteto britânico Edwin Lutyens. A cidade é conhecida por seus boulevares amplos e cercados por árvores, e por abrigar diversas instituições e monumentos nacionais.

A chave para o novo mundo


Segundo a jornalista Mira Kamdar, a Índia é uma potência emergente do século XXI. “Nenhum outro país tem mais importância para o futuro do planeta do que a Índia. Não há desafio que enfrentemos, oportunidade que ambicionemos, em que ela não tenha importância crítica. (…) O mundo está passando por um processo de reciclagem profunda, no qual a ascensão da Ásia é o fator mais importante. A Índia tem a chave para esse novo mundo”, escreve Mira em seu livro Planeta Índia: a ascensão turbulenta de uma nova potência global.

A civilização indiana é uma das mais antigas do mundo e sua população diversificada divide-se em muitas religiões como o hinduísmo, o budismo, a religião muçulmana, o jainismo e o sikhismo.

Rúpia é a moeda da Índia.

Se você for à Índia, vai precisar trocar seu dinheiro por rupias, a moeda oficial do país. Assim como no Brasil existe o real e os centavos, na Índia existe a rupia e as paisas. Uma rupia divide-se em 100 paisas.

A palavra “Rupiah” deriva do inglês “Rupee” ou do sânscrito “Rupya” que significa prata. Na Índia, todas as notas trazem a imagem de Gandhi. A rupia é também moeda oficial de outros países, como Indonésia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka.


Divididos em castas

Uma peculiaridade da cultura indiana é o sistema de castas. A casta é um sistema de estratificação social hereditário, fundamentado na religião hindu. Mas atenção: a casta não deve ser confundida com classe social; ela não está necessariamente ligada à riqueza ou pobreza. O indivíduo nasce e morre dentro de sua casta e a transmite a seus filhos, independente de quantos bens venha a juntar ou dos méritos que venha a acumular.

A casta não é regida pelo que uma pessoa possui, mas pelo que ela é. Portanto, é imutável, não permite nenhuma mobilidade.

A origem
Segundo o hinduísmo, a humanidade nasceu de um único deus:Brahma. Porém, cada um se originou de diferentes partes de seu corpo. Esse é o critério para classificar as 4 castas básicas:
- Brâmanes(sacerdotes, professores, sábios) - a casta mais alta, saiu da boca de Brahma
- Xátrias (governantes e guerreiros) dos braços de Brahma
- Vaisias (comerciantes) das pernas de Brahma
- Sudras (agricultores, prestadores de serviço) dos pés de Brahma

Os “sem-casta”
Os dalits, ou intocáveis, são párias: aqueles que não têm casta, a poeira sob os pés de Brahma. Eles realizam os trabalhos considerados impuros para as outras castas, como a limpeza de excrementos, a lida com os cadáveres. Os dalits não podem beber água na mesma corrente dos demais, não lhes é permitido entrar nos templos, nem mesmo tocar, com seu corpo ou com sua sombra, um indivíduo pertencente a qualquer casta.

Luta contra o preconceito
Gandhi foi um dos que lutaram pela inclusão dos intocáveis. Ele próprio passou a lavar o seu e outros banheiros, numa atitude simbólica que tinha por finalidade demonstrar a igualdade entre os homens.

Depois da independência da Índia, em 1947, um intocável, o dr. Ambdkar, participou da redação da nova constituição, que aboliu as castas - da lei, mas não dos costumes. Elas vigoram até hoje, mais fortemente nas regiões rurais, e o governo da Índia tem feito campanhas sistemáticas no intuito de transformar esse quadro, estimulando com prêmios casamentos entre castas e proporcionando aos dalits o direito à educação e ao mercado de trabalho. Apesar de ainda encontrarem muita resistência, os dalits já fizeram conquistas consideráveis: entre outras, a eleição de Mayawati, uma intocável, para governadora do estado de Uttar Pradesh.


O catador de conquistas

"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo"...
( Fernando Pessoa)


Que história fantástica de superação...

Ter o nome na lista de aprovados do vestibular é uma emoção forte para qualquer estudante. Mas para o adolescente Klayton Rodrigues de Souza, um dos 3.050 aprovados no último concurso da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a conquista teve um sabor muito mais especial.

Catador de papel como a mãe, o garoto aprendeu a ler sozinho, aos cinco anos de idade, começou a escrever poesias aos 11 e vive agora, aos 17, a expectativa de iniciar o curso de enfermagem após ter passado no primeiro vestibular que prestou.

“Eu resolvi fazer enfermagem porque quero poder ajudar as pessoas. A saúde pública é muito precária, o atendimento nem sempre é bom e eu quero ajudar. Sei que não vou mudar as coisas de uma hora para outra, mas posso fazer algo para melhorar as vidas das pessoas”, afirma.

Klayton é assim. Espontâneo, afetuoso, carismático. Impossível não se encantar com o menino que vive no jardim Santa Fé, bairro pobre da zona leste, e até os 14 anos dividia seu tempo entre estudar e catar papel nas ruas com a mãe, a grande responsável por fazê-lo aprender que a vida só se transforma com estudos. Detalhe: a sábia Bernadete Rodrigues de Souza, 39 anos, não sabe ler nem escrever.

“Eu coloquei o estudo como meta para ter um futuro melhor. A partir da 4a série, minha mãe me disse: ‘a mãe não pode dar tudo para você que ela queria, mas vou te dar estudo e com estudo você vai mudar sua vida”, lembra o garoto.

Klayton levou a sério os ensinamentos de Bernadete e fez questão de agarrar todas as oportunidades que apareciam para ele. A catadora de papel trazia para o filho os livros que encontrava no trabalho diário pelas ruas de Londrina. Hoje o jovem tem mais de 80.

“Eram livros de poesia, didáticos, de história em geral. Eu lia para ela. Os que eu mais gostava eram os de poesia e com o tempo eu comecei a achar que eu podia escrevê-las”, conta Klayton.

Visibilidade

A partir da primeira poesia, escrita aos 11 anos, ele não parou mais. O talento deu visibilidade ao menino. Foram feitas muitas reportagens contando sua história. Uma delas chamou a atenção da equipe pedagógica do Colégio Londrinense, que lhe ofereceu uma bolsa de estudos. Era mais uma oportunidade que Klayton não deixaria passar. Mas ele confessa: ficou temeroso.

“Eu adorava a escola onde eu estudava [Escola Municipal Célia Moraes de Oliveira], era difícil sair de lá”, conta. “Eu fiquei com medo de passar a viver em uma outra realidade completamente diferente. Tinha medo de sofrer preconceito, de ser rejeitado. A idéia que eu fazia das pessoas que tinham dinheiro era de que não ligavam para os outros e de que eram arrogantes.”

O jovem conta que no primeiro ano foi difícil, mas teve muito apoio dos profissionais do Colégio Londrinense. Lá, conquistou excelentes amigos, que provaram o valor da amizade ao lhe pagar a inscrição do vestibular depois que ele perdeu o prazo para pedir isenção. “Eles disseram: ‘nossa parte estamos fazendo’. E eu disse que eu faria a minha, ia passar.”

“Tinha colocado na minha cabeça que não ia esconder quem eu era”

O grande temor de Klayton quando ganhou a bolsa para estudar no Colégio Londrinense era com uma possível rejeição dos outros alunos. “Era uma realidade muito diferente para mim. Achava que aquilo não ia dar certo, que eu nunca iria me encaixar naquele mundo”. Mas em nenhum momento ele ficou deslumbrado com a nova realidade que estava conhecendo, não se revoltou com sua própria condição ou se envergonhou dela.

“Eu tinha colocado na minha cabeça que não ia esconder quem eu era. Eu sou o Klayton, moro no Santa Fé, minha condição é essa.” O garoto conta que quando falava onde morava, os colegas se surpreendiam. “Assim como para mim as pessoas que viviam na realidade deles não ligavam umas para as outras, eram arrogantes, para eles no Santa Fé só tinha gente ruim, que falava errado, andava sujo.”

Desta vez, Klayton ensina e aprende. “Eu percebi que minha presença ali entre eles foi mudando a imagem que eles tinham de bairros muito pobres”, afirma. “E eu aprendi que não dá para julgar um livro pela capa e que é possível transitar entre duas realidades sociais tão diferentes. Para isso não tem que ter poder, tem que ter dignidade, nunca esquecer de quem você é.”

Sem diferenças

Vergonha, o rapaz afirma que nunca teve. “Eu não tinha vergonha de falar de onde eu vinha, porque tudo que eu considero que é bom – ser respeitoso, educado, tratar bem os outros, ter dignidade –, se eles tinham, eu também tenho”, afirma. “Nós éramos diferentes só na conta bancária, mas no resto somos iguais. A capacidade de aprender que eles têm, eu também tenho. É claro que eu via coisas materiais que eles tinham e eu não. Mas eu sabia que eu estava ali para tirar o melhor proveito para crescer na vida e era isso que me interessava.”

Colégio “adotou” o adolescente

Muito mais do que oportunidade, a maturidade para agarrá-la e se dedicar foram os elementos que levaram Klayton de Souza a superar tantos obstáculos. Esta é a avaliação da assistente social Jaqueline Teófilo, do Colégio Londrinense. “O Klayton faz bem tudo o que ele pega para fazer”, afirma.

Segundo ela, ele ia bem em todas as matérias. Algumas porque tinha mais facilidade – as da área de humanas, segundo ele – nas outras porque se dedicava muito até aprender. O jovem ganhou do colégio bolsa de estudo, uniforme, lanche, transporte escolar, material escolar e muito apoio durante todo o ensino médio.

“Nós na verdade não sabíamos como Klayton ia se sair vindo estudar em uma realidade sócio-econômica tão diferente”, afirma a assistente. “E ele em nenhum momento teve qualquer problema de relacionamento. Ficamos impressionados com a maturidade dele.”

A assistente social lembra que a equipe do colégio acompanhou emocionada todo o processo vivido por Klayton até a faculdade. “Nos emocionamos muito quando

(Reportagem publicada no Jornal de Londrina)


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Consciência negra e o racismo brasileiro


Cada ano, em novembro, crescem em todo o Brasil as comemorações ligadas ao dia da união e consciência negra. Desde alguns anos, a data do martírio do Zumbi dos Palmares se integra no calendário nacional. Antes, poucos livros de história do Brasil contavam que, em 1695, senhores de engenho, bandeirantes vindos de São Paulo e militares de Pernambuco invadiram o Quilombo dos Palmares, no alto da Serra da Barriga, hoje Alagoas, onde viviam pacificamente mais de 30 mil pessoas - negras, índias e brancas, em uma sociedade livre e mais igualitária. Os invasores, com respaldo da sociedade e da Igreja, mataram milhares de homens, mulheres e crianças. O líder Zumbi dos Palmares, traído por um companheiro, preferiu entregar-se aos inimigos para evitar um massacre maior. No dia 20 de novembro de 1695, foi fuzilado e teve seu corpo esquartejado em uma praça do Recife. Até hoje, na comunidade de Muquém (AL), sobrevivem do artesanato de argila descendentes de alguns sobreviventes do massacre.

Mais de 300 anos depois, as comunidades negras e os quilombos são exemplos de resistência cultural e social do povo negro em meio ao conjunto da sociedade brasileira, ainda injusta e discriminadora. Conforme o censo mais recente, 44% da população brasileira é afro-descendente, mas só 5% das pessoas se declaram negras. Estes dados se tornam mais ainda espantosos quando sabemos que, da população brasileira mais empobrecida, 64% são pessoas negras.

A lei proíbe o racismo, mas mantém estruturas sociais e econômicas que o alimentam. Pode evitar que um viole o direito do outro, mas não tem como levar brancos e negros a se amarem e menos ainda como ajudar cada pessoa a se sentir bem em sua pele e em sua identidade cultural.

No Brasil, os dados oficiais mostram que as desigualdades sociais são mais profundas à medida que as pessoas pobres não só são empobrecidas, mas são negras. O Brasil branco é 2,5 vezes mais rico que o Brasil negro. Nos últimos anos, as diferenças entre negros e brancos vêm se mantendo. Na educação, um branco de 25 anos tem, em média, mais do que o dobro de anos de estudo do que um negro da mesma idade.

Os governos têm procurado solucionar esta desigualdade através de medidas que continuam compensatórias e provisórias, já que a solução mais profunda exige um processo de reestruturação da sociedade, que é lento e muito exigente. Entretanto para quem vive a dor da exclusão social é melhor contar com essas medidas do que viver no desamparo como, durante a história, tem sido, muitas vezes, o destino dos mais pobres.

O crack denuncia uma sociedade falida


Manoel Soares

Para conversar sobre o drama do uso do crack e suas consequências, que atinge principalmente a juventude, convidamos Manoel Soares, jornalista e integrante da Central Única das Favelas (CUFA). Nesta entrevista concedida ao jornal Mundo Jovem: Ele e muitos outros lutam para que os jovens tenham outras oportunidades, afastando-os da realidade de consumo de drogas.


Manoel Soares,
jornalista e integrante da Central Única das Favelas (CUFA).


Mundo Jovem: O consumo cada vez maior de crack é sintoma de que alguma coisa está errada?

Manoel Soares: O crack se tornou o calcanhar de Aquiles de uma sociedade falida; uma sociedade que prega o consumo, o prazer, desvaloriza o que é o ser humano na sua mais pura essência. Ela ensinou às pessoas de uma geração que elas não tinham a menor possibilidade de alcançar a transcendência, porque a transcendência era ter. E essas pessoas não tinham. O que elas tinham era pouco e aí lhes surgiu ao alcance das mãos, pelo valor de cinco reais, uma substância que libera do cérebro muita serotonina. É uma combustão inevitável.

Essa droga coloca à prova nossas bases sociais. Faz o pai se perguntar: como é que estou tratando o meu filho? A mãe se pergunta: até onde eu estou sendo parceira da minha filha? Porque o crack gera um prazer infinitamente maior do que o corpo humano seria capaz de suportar. Em algumas situações, é mais forte do que o amor que o indivíduo sente pela própria mãe. Daí você pode calcular mais ou menos o que é a força do crack.


Mundo Jovem: E é consumido por todas as classes?

Manoel Soares: Todo mundo que tiver um buraco no coração está vulnerável ao crack. Na classe média, você tem um bando de playboys, depressivos, que ficam trancados dentro de casa porque o pai quer fazer manutenção de sua riqueza ao invés de dar atenção pro filho. Mas por que este jovem vai fumar crack e não vai usar outras drogas? Por uma questão simples: o crack tira o risco da infecção causada pela heroína e é bem mais forte do que a cocaína. Ele produz um prazer momentâneo muito forte, um prazer muito intenso, e o jovem enlouquece.


Mundo Jovem: Podemos dizer que o crack se tornou uma epidemia?

Manoel Soares: O crack é uma arma química de distribuição em massa. Aqui no Brasil, hoje, mata como a AIDS matou na África. O crack é uma pandemia. É de longe pior que a febre amarela, a dengue ou a gripe do “porquinho”.


Mundo Jovem: E gera muito sofrimento?

Manoel Soares: Um cara, quando usa crack, se ele mora numa família de seis pessoas, ele fragiliza os mais jovens, manipula os mais velhos, rouba... Ele faz isso por toda a organização em que está envolvido. A característica forte do cara que consome droga é que ele faz com que todo o amor que qualquer pessoa sinta por ele seja usado a favor do seu vício.

Eu não sou a favor de ficar demonizando o usuário do crack, fazendo dele uma pessoa derrotada, canalha na sociedade. Mas eu acho que a sociedade tem sido injusta para com aqueles que não consomem crack.

Uma mãe, por exemplo, com seis filhos, quando tem um que consome crack, ela presta mais atenção naquele filho que consome do que nos outros cinco que não consomem. Os outros cinco podem não consumir o crack, mas eles migram para outros problemas que vão prejudicá-los. Então acho que a sociedade precisa ser mais madura para essa realidade e começar a falar da prevenção, fundamental e necessária. Sem prevenção, a gente vai para a cova.


Mundo Jovem: O que você diria para os jovens?

Manoel Soares: Olha, eu já vi pessoas sob efeito de crack espancarem seus irmãos, bebês recém-nascidos, assassinarem a própria mãe... E aí se o cara vira pra mim e fala “eu quero experimentar o crack”, a única coisa que eu falo pra ele é: “faz o seguinte, querido, vai na BR e se atira logo na frente dum ônibus, que ao menos você se mata e não faz ninguém sofrer”.

O jovem que, com todas as informações que estão na rua, ainda assim se sente inclinado a experimentar o crack, não tem consciência. O que não serviu pra cocaína, virou crack. Então, não vou usar crack porque eu não sou lata de lixo. Só que o que a sociedade precisa entender é que por detrás da decisão desse jovem de fumar crack existe a responsabilidade também de cada um de nós.


Mundo Jovem: Qual é, então, a motivação do jovem para entrar nesse universo?

Manoel Soares: Qualquer coisa que não realiza a pessoa, que não dá o que você precisa, incentiva a entrar na droga. O jovem acha que pode andar a 250 km por hora no carro, acha que é indestrutível. E esse sentimento é que faz dele um ser tão suicida. O que faz o jovem achar que ele é mais forte do que o crack é esse sentimento natural da juventude. Só que esse sentimento da juventude é neurológico, fisiológico. A juventude sempre correu atrás de perigos mortais, seja através de bungee jump, seja através do sexo sem camisinha, todo mundo tenta alguma coisa perigosa. Só que no caso do crack, ele é realmente mortal. Vicia oito vezes mais do que a cocaína. Não tem volta. Essa geração está pagando o preço de algo que se usa e vai continuar pagando se não pisar no freio e se recondicionar a ponto de conter essa hemorragia social..


Mundo Jovem: E os efeitos no corpo?

Manoel Soares: O crack, na sua constituição, é um ácido sulfúrico. Fumando, derrama tudo no seu sistema respiratório. O crack derrete toda a mucosa, depois começa a derreter os neurônios do lóbulo central, e o que sobra dos neurônios passa a trabalhar a favor do vício. Por isso ele é tão definitivo. Alguns acham que resistiriam a uma provada de crack. E por achar isso é que usaram. Não sei se eu e você resistiríamos.


Mundo Jovem: O crack está espalhado em todo mundo?

Manoel Soares: Infelizmente, sim. O crack é um problema mundial. As periferias africanas consomem o crack. Os Estados Unidos consomem o crack, e de lá vem o seu nome. O mundo todo sofre com o crack há muito tempo. A questão toda é que o povo sofre em silêncio.


Mundo Jovem: E o que dá para fazer?

Manoel Soares: O crack é a chance de a humanidade voltar a olhar para seus valores, a chance de as pessoas voltarem a se olhar no espelho e dizer “e daí, velho, como é que eu estou criando o meu filho, como é que estou tratando minha família? Será que estou construindo uma base espiritual, psicológica, emocional pra toda minha família? Ou será que eu estou vivendo um dia após outro dia?”.

Não sou contra a lógica de consumo, sou contra a lógica de consumo desenfreado. Eu sou contra o pai que não consegue fazer o dever de casa com o filho e dá uma calculadora pra ele, porque não vai conseguir ter tempo de ensinar ele a dividir. Eu sou contra uma mãe que não conseguiu horário para o seu filho e dá um videogame para ele. Nós estamos industrializando nossas relações humanas. Nós podemos mascarar as necessidades de relações humanas, mas nós não as substituímos. Tem um momento em que o coração chora, suplica. Mas como ele está acostumado a industrializar as suas sensações, ele pode industrializar suas sensações através do crack.

São meninos, são meninas, é uma geração que não conheceu o amor verdadeiro de pai, de mãe. Porque se tivessem conhecido o amor verdadeiro de pai e de mãe, no momento cirúrgico do consumo, no momento em que iriam colocar a droga na boca, acender o isqueiro, essa voz, chamada consciência, iria falar mais alto e eles iriam soltar o cachimbo. Talvez seja isso que tenha feito com que eu e você não tenhamos fumado crack.


Mundo Jovem: E o que fazem as autoridades diante do problema?

Manoel Soares: Há oito anos, quando nós saímos dizendo que o crack estava chegando, onde as pessoas estavam? Estavam tentando salvar baleias. Nada contra as baleias, só que assim eles inverteram as prioridades. É como as dez pragas do Egito. O faraó só se tocou da desgraça quando começaram a morrer os primogênitos. Os faraós de hoje também parecem esperar a morte de seus primogênitos.

O investimento público brasileiro para a questão das drogas sempre foi pequeno. Deveria tratar o crack como arma química. A questão toda é que nós ainda discutimos o crack como quem discute a maconha. A gente vê nas comunidades os jovens fortemente viciados. O jovem acha que ele nunca vai morrer. Então ele acha que é mais forte do que o crack. O narcotráfico usa o jovem porque ali é uma reação em cadeia.


Mundo Jovem: Diante dessa tragédia, é possível ainda ter esperança?

Manoel Soares: O crack decepa o nosso conceito social. O próprio tráfico de drogas, o próprio crime organizado tem medo do crack. A família, nesta situação, ou abre mão do usuário ou usa o crack junto com ele. Por enquanto, está sobrando esta opção. Poucos são os casos de famílias que conseguem recuperar. Eu, particularmente, recomendo que nunca desistam, mesmo que o quadro não seja esperançoso.

Para mim o indivíduo que brota depois do crack não é um membro da família, é um monstro que estava preso e saiu... Se o seu irmão dá um tiro na cabeça da sua mãe, o sentimento que você tinha por ele, de irmão, se esvai nessa hora, porque ele quebrou um valor primordial para você. É esta a lógica com o crack. O familiar não pode ser refém do crack. Ele tem que levar a sério porque é uma batalha eterna entre o certo e o errado.

O que eu recomendo para uma família, que tem usuário de crack, é que evite que a mãe gerencie a situação, porque ele usa o amor dela contra ela. O ideal é que algum membro assuma a rédea com firmeza e trate o usuário não como um parente, mas como um dependente químico que precisa de ajuda.

O efeito do crack é liberar a serotonina do cérebro, de forma artificial e exagerada. Mas você tem como liberar serotonina correndo, comendo, tocando violão... Você não precisa do crack para fazer isso. Seja forte. Vai tocar o barco. A única coisa que você não pode fazer hoje é responsabilizar a sociedade pelos seus atos.


O caminho da superação

Trabalhamos a prevenção em forma de palestras, nas escolas, porque nós acreditamos que a palavra viva é muito importante. Geralmente não trabalhamos com ex-dependentes porque eles podem transmitir uma mensagem complicada, como se o cara pudesse ser consumidor e daqui a pouco se recuperar e ainda virar palestrante. Nós queremos mostrar que pessoas podem entender do tema sem nunca ter colocado a mão. Paralelo a isso também, nós levamos a exposição de fotos e nessas fotos tem um texto narrativo explicando o seu conteúdo. Levamos também o documentário “Falcão, meninos do tráfico”, uma realização da CUFA, com o rapper MV Bill.

Eu não digo que o jovem fique imune, mas ele fica mais consciente das abordagens do traficante porque, no fim das contas, o que nós tentamos fazer em nossas intervenções não é fazer uma lavagem cerebral na cabeça do jovem, mas estar no coração dele no momento da decisão. Haverá um momento onde o indivíduo vai dizer: vou ou não fumar. Então, nesse momento, nós entramos. Não que nós sejamos a tábua de salvação, mas é porque em todo o país nós assumimos o compromisso pessoal de trabalhar de corpo e alma para tentar resolver esse problema. Temos hoje uma abrangência mundial: estamos em 12 países e nos 27 estados brasileiros.

Comunicamo-nos com mais de meio milhão de jovens de forma direta, e com mais de 12 milhões de jovens de forma indireta. E, apesar de as pessoas dizerem “ah, que legal isso que vocês fazem”, para nós isso ainda não significa nada, porque tem muita coisa ainda a ser feita.

Educar sempre buscando promover a PAZ!




Líderes da Paz

Ao abrirmos , diariamente, os jornais nos deparamos com notícias sobre fatos violentos, próximos ou distantes de nós, que nos colocam em situação de impacto emocional pela gravidade do que é descrito. Muitas vezes, somos atingidos por um sentimento de indignação e por uma sensação de impotência, diante dos fenômenos que estamos presenciando .

Tomamos conhecimento desses fatos não só ,através da mídia ,mas ,também na família ,em ambiente de trabalho e em rodas de amigos .
Acompanhando a sensação de impotência que nos atinge aparece ,também , o questionamento sobre nossa responsabilidade frente a eles . Surge ,então , a pergunta : o que fazer ?

Fica evidente que estamos vivendo em uma cultura de guerra e de violência .A dimensão cultural da violência ou seja, como criação humana, ligada ,portanto , ao ato de ensinar , aprender e educar ,abre caminhos que apontam para a possibilidade que temos de poder transformar esse cenário, abandonando o lugar de espectadores passivos da cruel realidade que está pondo em risco a sobrevivência da humanidade .

Outro argumento a considerar é que as violências não são fenômenos naturais, assim sendo , está em nossas mãos transformar a cultura da violência em uma cultura de paz .A paz é o contrário de violência ,sendo necessário que as reflexões sobre paz e violência sejam realizadas ao mesmo tempo . Como a violência, a paz é ,também , um fenômeno complexo, tendo uma dimensão cultural ,ligada ao ato de ensinar e de aprender .

A paz não é um estado doado, mas sim construído,colocando-nos como sujeitos e seus construtores .

Carlos Rodrigues Brandão ,afirma que a paz é “ uma criação do exercício generoso do diálogo entre as pessoas que não pode ser outorgado. Um dever de direitos que nos cabe ,porque somos individual e coletivamente responsáveis,seres da sociedade ,dos povos e nações da terra “ (BRANDÃO ,Carlos Rodrigues. Em campo aberto:escritos sobre educação e a cultura popular. São Paulo . Cortês ,1995,p.48 .)

A construção da paz exige não só o comprometimento pessoal mas também a ação coletiva ,ou seja, o agir em concerto. A paz se constrói a partir do poder que cada um tem mas que precisa ser fortalecido . O empoderamento[1] de cada um e da ação coletiva no combate à violência e em prol da paz pode ser reforçado pelo conhecimento da ação de pessoas que dedicaram suas vidas a esta causa , legando exemplos a serem seguidos .Esses exemplos apresentam idéias , métodos e conquistas que apontam para um maior êxito do caminho a percorrer ,no presente , para atingir o que se busca ,na construção da paz .

Na impossibilidade de citar todos os que se notabilizaram , na luta contra as violências e na construção da paz –homens ,mulheres e crianças , em todos os cantos do planeta ,foram selecionados alguns para que suas histórias constituam-se em fonte inspiradora para“ forjar um mundo de justiça ,solidariedade,liberdade,dignidade,harmonia e prosperidade para todos “
( Manifesto 2000-Por uma cultura de paz. Pessoas premiadas com o Nobel da Paz .UNESCO )

.Entre os líderes da paz , destacam-se :

Mahtama Gandhi (1869-1948 )- Gandhi foi um indiano que lutou contra o sistema de castas e pela independência da Índia contra o domínio britânico . Ele lutou através da não-violência que consiste na recusa da violência , como forma de resolver os conflitos, e a adoção do princípio da verdade e da justiça .Gandhi congregou o povo indiano a resistir deforma pacífica contra os tribunais e às leis recentemente impostas .

Entre as medidas tomadas cita-se : indianos recusaram a cargos públicos ,crianças foram retiradas de escolas oficiais ,produtos estrangeiros foram boicotados e foi realizada uma marcha até o mar para a extração do sal ,desobedecendo às leis britânicas . Foi assassinado em 30 de janeiro de 1948 .

Bertrand Russel (1872-1970)-Foi escritor e filósofo inglês que ganhou o premio Nobel de Literatura . Na Primeira Guerra Mundial lutou contra o serviço militar obrigatório e contra a participação de pessoas na guerra ,sendo preso por esta razão .Participou dos movimentos contra as armas nucleares .

Martin Luther King Jr. (1920- 1968 ) Advogado americano e pastor batista lutou contra discriminação racial , através da não-violência . Conseguiu o fm da segregação contra negros, nos Estados Unidos . Recebeu o premio Nobel da Paz em 1964 .Em um famoso discurso diz :...Eu tenho um sonho que meus filhos viverão um dia numa nação onde não seriam julgados pela cor de sua pele ,mas sim pela virtudes de seu caráter ...Song Kosal –Foi uma criança que acompanhava sua mãe e irmãos nas plantações de arroz do Camboja ,na Ásia e ao pisar em uma mina terrestre perdeu uma perna .Passou a lutar por um mundo sem armas . Em 1997,no Canadá ,assinou o Tratado dos Povos contra as Minas Terrestres . Lançou a campanha mundial - Juventude Contra a guerra .Atualmente, ela é a embaixadora da Campanha Internacional para a Eliminação das Minas Terrestres,viajando pelo mundo inteiro, exortando pessoa a lutarem contra as minas terrestres .

Herbert de Souza ,o Betinho (1935-1997 )-Atuou na década de 50 como líder estudantil defendendo os direitos dos operários . Lutou contra a ditadura militar e apoiando as lutas sociais . Militou na Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida que foi lançada em 1993 com o seguinte postulado : “ Não se pode viver em paz em situação de guerra. Não se pode comer tranqüilo em meio à fome generalizada . Não se pode ser feliz num pais onde milhões se batem no desespero do desemprego,da falta de condições mais elementares de saúde,educação ,habitação e saneamento. A insanidade de um país que marginalizou a maioria deve terminar agora.Devemos criar em todos os lugares a ação da cidadania em luta contra a miséria e pela vida “.

As pessoas que desejam conhecer mais sobre os líderes citados e outros ,podem realizar pesquisas divulgando-as ,através de peças teatrais, teatros de fantoches, criados ou não pelos alunos . Podem, também, organizar debates, palestras , exposições de fotografias , de textos, de desenhos e pinturas dos temas pesquisados . E promover campanhas , cujos focos sejam inspirados nas ações realizadas por pessoas que lutam ou lutaram pela paz .


Bibliografia

BRANDÃO ,Carlos Rodrigues. Em campo aberto:escritos sobre educação e a cultura popular. São Paulo . Cortês ,1995,p.48 .GUIMARÃES,Marcelo Rezende .Cidadãos do Presente : crianças e jovens na luta pela Paz. São Paulo: Saraiva, 2002.

Beatriz Didonet Nery
Mestre em Educação – ONG Educadores para a Paz

Desabafos de mães de crianças portadoras de necessidades especiais

Meu filho é especial

Muitas vezes é difícil ver que meu filho não tem a maturidade que "deveria" ter. Também acho difícil ter que enfrentar os olhares curiosos das pessoas ou as perguntas indiscretas, mas estou aprendendo a lidar com isso e, quanto mais o tempo passa, vejo que meu guri é muito especial.

É emocionante ver que ele está se esforçando e, a cada dia, está mais maduro e tem mais consciência do mundo a sua volta.Confesso que no início fiquei revoltada, não queria aceitar que meu filho tinha dificuldades para aprender, se socializar, mas depois de quase três anos de tratamento psicológico, comecei a ver tudo de outra forma e a me dedicar muito mais para o seu crescimento. Hoje vejo o quanto ele é especial, um menino doce e alegre.

Escrito por Angel, Ag. Administrativa, 30 anos, Mãe de Ryan, 6 anos. Porto Alegre, RS


Preconceito

Minha filha nasceu com paralisia facial e, desde que ela entrou na escola, sofre com o preconceito por parte de seus coleguinhas.Eu acredito que os culpados por esse preconceito são, sobretudo, os pais que não orientam os filhos em relação às diferenças, ensinando-os a lidar com isso.

O mundo seria bem melhor se educássemos nossos filhos também para o convívio social...Esse é o meu desabafo!!!Minha filha é linda e não difere em nada das outras crianças...e viva o não preconceito!

Por Remaga, VENDEDORA,31 anos, Mãe de BEATRIZ REGINA e BARBARA LETICIA, SÃO PAULO, SP



O destino incerto dos anjos

A vida prega-nos certas surpresas e leva-nos para caminhos que nunca teríamos escolhido. Sempre me imaginei sendo mãe e pensava viajar para outro lugar muito diferente quando decidi ter um filho. Tive todos os cuidados na gravidez. Fiz uma alimentação correta. Fui a todas as consultas. Informei-me de tudo para ter uma gravidez saudável. Como poderia imaginar qual seria o destino do meu vôo? Se a minha reserva estava feita já há algum tempo... Penso que nunca saberei.
Teria sido uma escolhida de Deus? Fruto de uma aleatoriedade? Quem sabe? Eu não sei. Mas imaginava tudo perfeito. O mundo desabou quando soube que o meu filho tinha Paralisia Cerebral. Sim, desabou. Nem sabia o que esse "palavrão" queria dizer. Cérebro parado? Paralisado? Não. Termo estúpido que detesto empregar. O cérebro dele funciona, mas sofreu lesões na parte motora que o impossibilitam de ter um desenvolvimento "normal".
É certo que tudo o que é novo incomoda. E estive muito tempo incomodada. Chorei, muitas vezes sem lágrimas. Sentia uma revolta muito grande. Não era justo um bebê tão novo passar por tanta coisa. Com apenas dois meses, ele iniciou fisioterapia. Com quatro meses, natação adaptada. Com 1 ano e um mês, hipoterapia. Atualmente faz uma estimulação cognitiva como forma de prevenção de possíveis dificuldades de aprendizagem. Sem contar os exames, as consultas... eu sei lá.
Sofria, não por mim, mas por ele. Não queria que meu filho sofresse e temia que isso viesse a acontecer. Eu vejo tantas pessoas que engravidam sem querer e que fazem todas as asneiras durante a gravidez, maltratam as crianças, abandonam e ainda são agraciados com lindos bebês saudáveis e perfeitinhos. Agora sei que a vida é incerta para todos os seres humanos. Não penso tanto assim no amanhã e vivo um dia de cada vez.
Com 1 ano e meio, ele não se senta com firmeza nem engatinha. Rasteja, mas ainda não é bem sucedido. Mas tem uma força de vontade, uma grande e poderosa teimosia, um enorme poder de observação, um sorriso e uma gargalhada deliciosa e contagiante. Agora sei quanto feliz estou de ser uma dessas protetoras de um menino especial. Esses Anjos. Sempre foi Especial. Mesmo antes de nascer. Agora que sei como ele é, ainda é mais especial.
Sinto-me cheia de uma força e de uma coragem capazes de mover montanhas. Convenci-me de que a melhor maneira de derrotar o inimigo era conhecê-lo muito bem. Por isso, tornei-me uma ávida leitora e pesquisadora de artigos e livros relacionados ao desenvolvimento e à reabilitação de crianças com paralisia cerebral. Se do desconhecido temos medo, não temos tanto do que conhecemos. Foi assim que evoluí. E pude ajudar o meu tesouro a evoluir também.
Tenho uma relação muito carinhosa e física com ele. Sempre adorei fazer massagem, brincar com o seu corpo, tocá-lo, falar para ele e cantar. O maior e mais poderoso estímulo que ele recebe é o meu amor incondicional, que o tem sempre à disposição e em quantidades generosas. Sei que vai ser uma dura batalha. Espero apenas ter a capacidade para conseguir sempre ajudar o meu pequenino e escalar juntos essa enorme montanha que nos aguarda.

Numa tentativa de poder compartilhar as alegrias do meu filho e de me ajudar, resolvi a escrever neste blog a convite, por que servirá de desabafo e registro de todos os obstáculos derrubados pelo meu grande amor.

Márcia, engenheira civil, 35 anos, Mãe de João Pedro, 4 anos, Seixal, Portugal


Meu filho é autista


Sempre que uma mulher toma a decisão de formar uma família, ela cria todo um cenário de como será sua nova vida, visualiza a carinha do seu bebê, como vai ficar com a roupinha comprada especialmente para a saída do hospital, onde serão seus primeiros passos e quais serão suas primeiras palavras.

Comigo não foi diferente, desde pequena, sabia que teria um menino, e que seu nome seria Gabriel. Quando engravidei, não teve negociação, até mesmo antes de saber o sexo já estava definido. Ele chegou lindo, saudável, bonzinho, foi crescendo e com o passar dos meses algumas dificuldades apareceram, o pouco conteúdo de psicologia que tive na faculdade – sou Nutricionista – me dizia que meu filho tinha autismo.

Muitos médicos foram consultados, todos dizendo que ele não tinha nada, mas alguma coisa estava errada, percebia uma "involução" de todo o seu desenvolvimento, principalmente da fala, que desapareceu por completo.

Como se fosse um sonho ruim, parecia que meu filho estava "indo embora" e não tinha idéia de como lidar com isso. Quando finalmente um médico concordou que havia um atraso importante, me senti aliviada, afinal não era eu a "louca" que achava que o filho tinha problemas.

Infelizmente os problemas eram reais e com o diagnóstico aumentaram minhas angústias. Quem recebe um filho especial tem uma missão, mas nem sempre é fácil se adaptar, é preciso de um tempo para aceitar. E a família tem direito a um período de "luto", no qual você chora e a frustração é imensa, afinal você planejou algo muito diferente!

Você tenta achar natural, tanta gente já passou e passa por isso... mas você acha que não dará conta! Engana-se quem diz que é fácil...

No meu caso a insegurança e a vontade de fazer alguma coisa por meu filho e não conseguir foi o pior. Os exames eram intermináveis e todos os resultados normais, confesso que chegou um momento que me perguntava, "prá quê tudo isso?". Admito também que, muitas vezes, eu cheguei a orar que algum resultado desse alterado e que esse martírio chegasse ao fim... mas tudo sempre normal.

Quando conheci outras famílias de crianças com autismo - parecia que era tudo tão fácil para elas (e ainda me parece às vezes!), que conseguiam ser tão felizes e que eu nunca chegaria a isso, eu só via dor, sofrimento e incertezas.

Quando definitivamente recebi o diagnóstico, senti novamente que a vida voltou, como se tivéssemos dado "um tempo" (ou a vida havia nos roubado esse tempo?) e a partir daquele momento voltaríamos ter a felicidade que me parecia ter sido tomada.

Senti-me estranhamente feliz, como que se essa felicidade não me fosse permitida, envergonhei-me ao sair do consultório com um sorriso nos lábios. Na verdade desde o diagnóstico nada mudou efetivamente, só o modo como passamos a enxergar a situação e lidar com as adversidades que surgem todos os dias.

Foi essa paz e a harmonia interior que fez com que tudo mudasse, passamos a compreender as dificuldades e respeitá-las, preservando-o muitas vezes de lugares, ou situações com os quais ele ainda não consegue lidar.

Hoje, quando olho para trás, parece que não foi comigo que aconteceu. Tudo está tão distante e mais fácil! Parece que consegui acordar daquele sonho ruim... continuo sendo mãe de um garotinho com autismo, o que mudou minha vida para sempre, deixei de trabalhar fora, me dedico exclusivamente a ele e ao seu tratamento, perdi amigos (seriam amigos de verdade ?!) que se distanciaram porque nossos interesses mudaram.

No entanto, continuo sendo mãe de um garoto de 5 anos, que tem dificuldades, mas ainda é uma criança como qualquer outra, que apronta as mesmas artes, faz as mesmas birras, tem comportamentos semelhantes aos meninos da mesma idade.

Minha experiência deve ser diferente da de uma mãe, cujo filho tem necessidades especiais desde o nascimento, não tento aqui fazer comparações ou tão pouco mensurar as dificuldades, apenas acredito que cada um recebe aquilo o que lhe cabe e deve fazer o possível, o que lhe parece ser o melhor, mesmo que muitas vezes lhe digam o contrário.

Quando olho para meu filho, quando recebo seu carinho, seus abraços e beijos (Sim!! Pessoas com Autismo são capazes de amar e demonstrar seu amor e seus sentimentos ao contrário do que a maioria das pessoas acha!!!) sinto um amor como nenhum outro!

Quando vejo o brilho em seus olhos me sinto completa, com a sensação de que até esse momento eu estou conseguindo, como dizia minha avó, "aos trancos e barrancos" cumprir minha missão: Ser mãe!

por SIMONE ZELNER, Nutricionista, 35 anos, Mãe de Gabriel, 7 anos, Curitiba, PR.



Essas conquistas incríveis...

Hoje temos assistido várias e várias conquistas de pessoas com deficiências, e não falo apenas de medalhas em jogos paraolímpicos. Os jovens estão avançando a passos largos graças, é claro, a muita luta por parte de seus pais, que não se deixam abater pelo preconceito, que fazem cumprir o direito de seus filhos ao estudo regular, à acessibilidade, e ao respeito.

Querem exemplo maior do que o músico Ray Charles, que tem deficiência visual ou o Stephen Hawking, tetraplégico, e um dos grandes físicos da atualidade, a ponto de ocupar hoje a cadeira que já foi de Einstein?

Temos conhecidos no Brasil (porque não há estatística sobre isso) sete pessoas com Down em faculdades, e entraram por seu mérito, fazendo vestibular como qualquer outra pessoa. Temos duas moças, em Natal, formadas no Magistério, dando aulas. No primeiro semestre tivemos o Daniel Jansen, autista, que concluiu seu mestrado em Zoologia na Unicamp, além de duas pessoas com paralisia cerebral que foram destaque na imprensa, uma por conseguir a carteira da OAB e outra por ter feito sua monografia na faculdade de Educação Física gravada, já que tem dificuldades na escrita.

Temos o caso de Rita e Ariel, que são super conhecidos, principalmente depois do lançamento do documentário "Do Luto à Luta“, de Evaldo Mocarzel. Muitos acompanharam o caso ocorrido em Socorro, da Maria Gabriela e do Fábio, ela com síndrome de Down e ele com uma outra deficiência intelectual, que tiveram uma filha linda (Valentina) sem deficiência nenhuma, e que tiveram que batalhar para conseguir registrá-la no nome dos dois porque o cartório não queria permitir. Eles tiveram que entrar na justiça para ter o direito assegurado!

Temos companhias de ballet de pessoas com deficiência visual ou de cadeirantes, temos grupos de percussão formado por pessoas com deficiência auditiva, e todos estes emocionam a quem assiste, simplesmente pela beleza de sua arte, porque a gente até esquece de que eles têm alguma deficiência.

Temos esportistas, como os judocas Breno Viola (síndrome de Down) e Antonio Tenório (tetracampeão paraolímpico, que tem deficiência visual) que além das medalhas conquistadas em jogos "especiais" também têm medalhas conquistadas em lutas com pessoas sem deficiências.

Os exemplos são inúmeros... mas até quando vamos precisar transformar essas conquistas em notícias, até quando vamos nos emocionar, espantar, exaltar essas conquistas como sendo algo de outro mundo? Quando vamos olhar para essas conquistas como sendo uma conseqüência de uma vida plena, digna, que na verdade é DIREITO dessas pessoas, como é de qualquer outra?

Falar nesse assunto é muito importante, pois, a medida que exteriorizamos nossos sentimentos fica mais fácil compreendê-los.
Pense nisso!
Por Xênia da Matta


domingo, 28 de junho de 2009

Pérolas em frases de jornal - Pior que ENEm e cia, kkkk

Confira uma coleção de erros em frases de jornal publicadas sem uma revisão adequada e que muitas pessoas nem percebem.


A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano.
Jornal do Brasil, Na cova?


Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente.
O GLOBO, O frio não estava filiado ao sindicato grevista.


Os sete artistas compõem um trio de talento.
EXTRA, Hã?Alguém tem uma clculadora ái?


A vítima foi estrangulada a golpes de facão.
O DIA, uma nova modalidade de estrangulamento


Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável.
O GLOBO, De modo algum!


No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos.
O DIA, naturalmente. …


Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva.
JORNAL DO BRASIL, Jura?


Parece que ela foi morta pelo seu assassino.
EXTRA, Não diga!


Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça.
O DIA, Espera, onde foi o machucado mesmo?


O acidente foi no triste e célebre Retângulo das Bermudas.
EXTRA, Gente, mas até ontem era um triângulo!


O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão.
O DIA, E será que ele tem cela especial?


O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou.
O DIA, Seria a volta dos mortos- vivos?


A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço.
EXTRA, Que aberração!


Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação dos habitantes.
JORNAL DO BRASIL, Água no além para purificar as almas…


Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis às suas origens.
O GLOBO, Do pó ao pó…


O aumento do desemprego foi de 0% em novembro.
O GLOBO, Onde vamos parar desse jeito?


O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos.
O DIA, Quanta confusão!


Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio.
JORNAL DO BRASIL, Ah, bom achei que fosse uma churrascada!


Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel.
EXTRA, Viu como ele é disciplinado?


O cadáver foi encontrado morto dentro do carro.
O DIA, Sem Comentários


Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto.
O DIA, acorda??!!!Como assim, o car não morreu?


Fonte: MegaCubo