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sábado, 13 de junho de 2009

Aumenta a solidão entre os jovens e aumenta o número de adolescentes bissexuais

Uma geração extremamente conectada ao Orkut, MSN e dezenas de outras redes sociais pela internet, mas com poucas oportunidades de se sociabilizar de verdade. Os adolescentes contemporâneos convivem com poucas pessoas e têm poucas oportunidades para transitar em espaços públicos considerados seguros. São meninos e meninas que saem cedo da infância e crescem numa sociedade que os educa a não ter vínculo. A consequência disso é que passou a existir uma grande dificuldade em transpor as barreiras da aproximação com o sexo oposto para estabelecer um relacionamento que de fato seja um namoro.

A avaliação desta nova juventude é do psicólogo Jairo Stacanelli Barros, para quem o namorar só acontece quando passa o tempo do ficar. “O ficar é uma ótima estratégia de defesa. Se eu tenho medo de me abrir, dessa profundidade, é uma ótima defesa. Não dá nem tempo de o menino passar a mão onde não deve. Mas o mais complicado é que o vínculo é uma coisa que eles não são educados para ter”, diz. Especialista em educação e acostumado a lidar com todo tipo de problema deste público no consultório, ele afirma que não existem mais instituições que ensinem as diferentes formas de vínculo social e tudo o que esta relação demanda. Como o aluno que antes conferia gratuitamente respeito ao professor, ou a família que ensinava o filho a respeitar o pai. “A família está fragmentada, os pais e o professor não impoem mais tanto respeito”, diz.

A comparação que o psicólogo faz chega a ser assustadora, mas é realista. Muitos dos novos jovens formam uma nova geração de presos. “Você tem uma geração de presos dentro do condomínio. Embora eles não se vejam presos - porque têm MSN, TV, Orkut – e não se sintam sozinhos, a experiência de solidão é plena. Então, quando estão soltos longe do olhar dos pais, eles ‘caem matando’. Uma estratégia saudável de defesa”Alinhar ao centro, diz.


Público X privado


Jairo explica o que é ‘cair matando’: “Você solta jovens de 16 ou 17 em eventos como axé, pop rock etc, e eles vão ficar com o máximo de meninas possível tendo uma vivência muito pública da intimidade. Aquele cantinho escuro da festa perdeu totalmente o valor. Hoje em dia o negócio é ficar com o máximo de meninas ou meninos em público – porque tem que ter plateia – e quem sabe ser fotografado para o site de festa”, relata.

Para o psicólogo, esse comportamento indica uma inversão entre o público e o privado. ”Eles não definem muito bem o que é público e privado. No orkut publicam tudo o que é privado. Mas é engraçado porque alguns deles, quando se vinculam, mesmo que não com tanta responsabilidade, colocam gigantescos anéis de compromisso e começam a vigiar o orkut um do outro”, diz. Este comportamento ressuscita um elemento que vai ‘prendê-los’, embora seja só uma maquiagem, já que muitos continuam tendo o mesmo comportamento de solteiros, com a moral que lhes convier. “O anel de compromisso é a ideia de propriedade em função da inversão do público e do privado. Tenho clientes que colecionam anéis de compromisso”, conta.

Bissexualidade é um estado

Outra característica importante desta geração que estabelece uma grande diferença com a anterior é a compreensão do que é homo e o que é hetero. “Antes, o bi era o que experimentava os dois pontos. Mas os jovens desta geração não tem a instância definida com relação ao gênero, o que impõe outra dificuldade na demonstração do afeto”, diz. Ele afirma que, entre muitos adolescentes, ser bissexualdeixou de ser um estágio para ser um estado.


“Hoje em dia o sujeito é bi”, afirma. Baseado nas histórias que atende em seu consultório, ele conta que em muitos shows de bandas admiradas por adolescentes os meninos beijam meninos e meninas; e meninas beijam meninas e meninos. Uma experiência que não necessariamente inclui sexo, mas que mostra essa tendência que muitas vezes é reflexo não da curiosidade, mas da falta de afeto. “Os adolescentes de hoje são convidados a uma maturidade precoce e acabam ficando à deriva. Para alguns que buscam intimidade, profundidade, fica um negócio complicado. E se não dão conta de responder a esse desafio com o sexo oposto, muitas vezes acham o afeto, a reciprocidade, no parceiro do mesmo sexo”, diz.

Poucas vantagens


Jairo Barros diz que não vê grandes vantagens em começar cada vez mais cedo a experiência afetiva do namoro. “Eles assumem responsabilidade com relação ao próprio corpo cada vez mais cedo. Estão transando cada vez mais cedo porque o ficar é cada vez mais cedo. Para os meninos é mais complicado porque têm um desafio de maturidade que não estão dando conta de responder. Eles estudam menos e, quando há a experiência homoafetiva, sofrem muito. Uma coisa é brincar no show, outra é o pai perceber isso”, afirma, ao se referir ao caso de um garoto que trocava cartas com outro. “Quando a história veio à tona, explodiu o preconceito dentro de casa”, relata.

Apesar de todas as complicações que aparecem quando os pais entram na história, que muitas vezes é fruto da necessidade de afeto e vínculo, para Jairo, as experiências homoafetivas destes jovens demonstram que o que todos querem é ser feliz. Em alguns casos, eles experimentam e depois dão conta de entender que o que havia era um medo muito grande da intimidade. “Eu tenho um cliente que o envolvimento não foi alardeado. Ele hoje dá conta de relacionar-se com uma menina. Imagino que, quando estiverem mais velhos, vão formar uma geração muito menos homofóbica”, completa.

Para o psicólogo, a maior contribuição dos pais desta geração deve ser justamente negar a liberdade excessiva. “Pai e mãe não precisam deixar dormir nem transar dentro de casa. Eles estão numa fase em que o estudo e o trabalho é o que movimenta a vida deles. Já acompanhei um caso de uma adolescentes que me relatava problemas conjugais e sexuais de uma mulher de mais de 40 anos”, admira-se. Dizer não e demonstrar afeto estando presente na vida dos filhos é um desafio, mas é uma tarefa essencial para a construção deste vínculo que falta.

Transar com gente do mesmo sexo ou do sexo oposto não vai pesar para a aceitação social em um futuro bem próximo.( Adriano Silva)

Numa boa, sem estardalhaço: em uma ou duas gerações essa parede de silêncios, vergonhas, desconfianças e incômodos que há entre heterossexuais e homossexuais vai ser reduzida a uma risca quase invisível no chão. Se estivéssemos no fim dos anos 60 e eu escrevesse aqui que, em 40 anos, os conceitos de esquerda e direita, proletariado e burguesia, de explorados e exploradores não significariam mais nada, provavelmente seria metralhado. Ou pela polícia política do regime ou pelos guerrilheiros da oposição.Da mesma forma, minha tese sobre o esmaecimento da importância da escolha sexual corre o risco de ser metralhada hoje tanto por ativistas gays quanto por machões homofóbicos. Mas é o que parece que vai acontecer. Transar com gente do mesmo sexo ou do sexo oposto não vai pesar muito nem para a aceitação social de uma pessoa nem para sua discriminação pela comunidade.Quais os indícios de que isso vai rolar? Ligar para a opção sexual de cada um, ficar preocupado com a orientação das pessoas na cama, sala, varanda ou casinha de sapê é uma postura cafona, associada a gente desinteressante, desinformada, jeca. Ter medo da diferença que o outro nos impõe, sentir-se ameaçado ou agredido pelo que o outro faz ou deixa de fazer com seu corpo, na intimidade, com outra pessoa também é postura que remete a gente que está atrasada, uma ou duas curvas aquém dos giros que o mundo não pára de dar.

Entre meninos e meninas, mas especialmente entre elas, um dos valores mais fortes da nova geração é a liberdade para ter experiências, para tentar a mão – entre outras partes do corpo – e ver qual é. Na vida profissional, na hora das férias ou de escolher alguém para namorar. Outro valor dessa moçada é o hedonismo. Tudo tem de envolver prazer. As regras existem, mas vêm sempre a reboque das sensações, da satisfação estética, do deslumbre com uma novidade, do que pede a epiderme e do que manda a paixão. Essa turma beija um monte de gente na boca pela farra, sem compromisso, e começa a enxergar homens e mulheres não como dois gêneros estanques e bem definidos, mas como pessoas. Esses garotos e garotas vão virar adultos em dez anos. E depois vão dar à luz, com todo o seu espectro de liberalidade, uma nova geração de adolescentes.Trazer o namorado para dormir em casa, que já não é problema para muitas meninas, vai deixar de ser problema também, logo, logo, para os meninos. E não será raro uma garota engatar um namoro firme com um rapaz e, depois, com outra garota. Afinal, ela não estará procurando o “homem”, mas a “pessoa” de sua vida, de um amor que a encante e a complete – busca que vai passar a muitos quilômetros da questão de gênero que ainda trava tanto a minhageração como as anteriores.

2 comentários:

e-paulopes disse...

Xênia: o Jairo Barros exagera na parcialidade. Ele só considera as redes sociais pelo que acha ser o lado negativo delas, demonizando-as. Ele não contempla o outro lado da questão. Parece que o (suposto) problema está na tecnologia, e não nas pessoas. Ou seja, a análise dele é rasa.

Há também exagero em dizer que aumentou o numero de adolescentes bissexuais sem que tenha havido um estudo aprofundado, uma pesquisa séria. Tirar conclusão tão ampla com base no que se passa dentro de um consultório me parece ser irresponsabilidade.

Também percebo, ao menos em seu texto, e não necessariamente nas observações do psicólogo, um viés preconceituoso contra a bissexualidade.

Abs.

Paulopes

cucasuperlegal disse...

OI, Paulo, Tudo bem?
Seja bem vindo por aqui, nos abrilhantando com seus comentário. Adoro pessoas inteligentess e francas como você. Valeu!
Olha, me perdoe se meu texto passa uma visão preconceituosa, não foi essa a minha intenção. Tive o cuidado de tentar ser neutra... E não deu certo, né?
Eu aprendi a conviver com todo e qualquer tipo de pessoas, e a opção sexual de cada um não afeta em nada minha vida e meus valores. Valeu a dica. Vou tentar ser mais imparcial.
Bjux e sucesso!!!!