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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Consciência negra e o racismo brasileiro


Cada ano, em novembro, crescem em todo o Brasil as comemorações ligadas ao dia da união e consciência negra. Desde alguns anos, a data do martírio do Zumbi dos Palmares se integra no calendário nacional. Antes, poucos livros de história do Brasil contavam que, em 1695, senhores de engenho, bandeirantes vindos de São Paulo e militares de Pernambuco invadiram o Quilombo dos Palmares, no alto da Serra da Barriga, hoje Alagoas, onde viviam pacificamente mais de 30 mil pessoas - negras, índias e brancas, em uma sociedade livre e mais igualitária. Os invasores, com respaldo da sociedade e da Igreja, mataram milhares de homens, mulheres e crianças. O líder Zumbi dos Palmares, traído por um companheiro, preferiu entregar-se aos inimigos para evitar um massacre maior. No dia 20 de novembro de 1695, foi fuzilado e teve seu corpo esquartejado em uma praça do Recife. Até hoje, na comunidade de Muquém (AL), sobrevivem do artesanato de argila descendentes de alguns sobreviventes do massacre.

Mais de 300 anos depois, as comunidades negras e os quilombos são exemplos de resistência cultural e social do povo negro em meio ao conjunto da sociedade brasileira, ainda injusta e discriminadora. Conforme o censo mais recente, 44% da população brasileira é afro-descendente, mas só 5% das pessoas se declaram negras. Estes dados se tornam mais ainda espantosos quando sabemos que, da população brasileira mais empobrecida, 64% são pessoas negras.

A lei proíbe o racismo, mas mantém estruturas sociais e econômicas que o alimentam. Pode evitar que um viole o direito do outro, mas não tem como levar brancos e negros a se amarem e menos ainda como ajudar cada pessoa a se sentir bem em sua pele e em sua identidade cultural.

No Brasil, os dados oficiais mostram que as desigualdades sociais são mais profundas à medida que as pessoas pobres não só são empobrecidas, mas são negras. O Brasil branco é 2,5 vezes mais rico que o Brasil negro. Nos últimos anos, as diferenças entre negros e brancos vêm se mantendo. Na educação, um branco de 25 anos tem, em média, mais do que o dobro de anos de estudo do que um negro da mesma idade.

Os governos têm procurado solucionar esta desigualdade através de medidas que continuam compensatórias e provisórias, já que a solução mais profunda exige um processo de reestruturação da sociedade, que é lento e muito exigente. Entretanto para quem vive a dor da exclusão social é melhor contar com essas medidas do que viver no desamparo como, durante a história, tem sido, muitas vezes, o destino dos mais pobres.

2 comentários:

Claudinha disse...

Xênia!
Teu post é inteligente e está muito bem construído.
Fiquei pensando que o princípio de tudo é a auto-estima. Negros andando de cabeça erguida, felizes, porque não há motivos para não o serem em razão da cor de sua pele. Depois, obviamente, educação do povo! As diferenças constróem uma sociedade, são positivas! E viva as diferenças!
Bjs

Leh disse...

Xênia,
acredito que a maioria dos negros brasileiros descendem de escravos que saíram das casas dos seus senhores "com uma mão na frente e outra atrás" , sem NENHUMA indenização.
Essa foi a herança a eles deixados.
Seus descendentes batalham com muita coragem e, muitos, apesar da discriminação tem conseguido superar todas essas marcas do período escravo.
O país deve muito a eles, pois fazem parte da história, assim como no às vítimas do período da ditadura, pois foram igualmente torturados.
As vítimas da ditadura foram reconhecidas e felizmente foram indenizadas.
Aos negros, nem mesmo reconhecimento.
Uma raça forte, bravia, de pessoas dispostas e vigorosas.
Parabéns pelo post!
Beijos