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sexta-feira, 19 de junho de 2009

A imaginação das crianças


No país das maravilhas

"Mamãe - diz Maria de quatro anos - a Branca de Neve diz que me vai levar ao bosque para conhecer os sete anões..."

- Está bem - diz a mãe- mas, quando ela vier me chame que eu vou com vocês, tá bom?

É bom observar com a criança as histórias que inventam. Para os pequenos, às vezes, o real anda de mãos dadas com o imaginário. Quando inventam, não mentem intencionalmente, apenas imaginam. Neste artigo sugiro como lidar com esse pequeno sonhador e orientar a sua imaginação.

A criança costuma misturar o real com o imaginário. Não sabe onde termina um e começa o outro. Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, a bruxa ou o dragão podem ser companheiros de jogos.

O trabalho dos pais e educadores deve ser o de orientar devidamente a imaginação das crianças para afastá los do perigo, de por exemplo, se acharem o Super Homem e se atirar de uma janela.

Sonhar, faz falta

Qual será a atitude correta?

A criança deve dar rédea solta à sua imaginação para criar e, através da criatividade, desenvolver a sua inteligência. Uma criança sem imaginação será mais tarde um adulto intelectualmente pobre.

A criança precisa de sonhar com personagens de ficção. Gnomos, princesas, gigantes e fadas fazem parte do seu mundo mágico. São os protagonistas criados pela imaginação infantil, através de inumeráveis histórias.

Educar o filho longe das fantasias próprias da sua idade é convertê-lo num pequeno-homem antes do tempo. A criança distingue-se do adulto pela capacidade e também pela necessidade de abstração da realidade: pode falar com sereias, julgar que é um índio, vestir a bata de médico e operar o seu irmão mais novo e, logo a seguir, chamar a mamãe para o levar ao parque. E tudo isto em menos de meia hora. Interpretou quatro histórias fantásticas, mas no fim converteu-se no filho da sua própria mãe...

Para amadurecer, temos que passar por algumas situações, e a fantasia ocupa um lugar muito importante nos primeiros anos da vida.

Todas as crianças gostam de imaginar que são reais certas personagens, como o Super-homem ou os Reis Magos. Nenhum menino poderá ficar traumatizado por descobrir que não existem. Pelo contrário, a época do Natal, e outras, convertem-se em festas alegres para as crianças, que trabalham toda a sua imaginação.

O melhor método

Uma criança sem imaginação será no futuro um adulto intelectualmente pobre.

Não se deve cruzar os braços e esperar que o filho, naturalmente, desenvolva a sua imaginação. Tem que haver um empenho em dar ao pequeno todas as oportunidades possíveis para que imagine, crie e desenvolva o seu cérebro.

Como se consegue isso?

- Através de brincadeiras criativas com plasticina, construções e barro. A criança manipula diretamente os materiais e faz árvores, casas, pontes, etc.

- O vídeo com um controle e seleção de programas é um meio muito eficaz para estimular a imaginação.

- Os jogos com os objetos mais simples da casa. Procura-se fabricar brinquedos com caixas de sapatos, pedras, pedaços de madeira, miolo de pão, etc.

- Bonecos pequenos com os quais se podem inventar mil histórias.

- Tintas e muitas folhas brancas podem fazer do seu filho um pequeno Picasso.

- Os jogos de interpretação são muito divertidos; a mãe pode ser a avozinha e os filhos o lobo e o capuchinho vermelho.

- O contato com a natureza é muito importante para o desenvolvimento da imaginação da criança. Aproveitar os fins de semana e ir para o campo com os filhos. Contar-lhes histórias de animais. Ensinar-lhes os nomes e como crescem as árvores e as plantas, ou brincar com terra a construir cabanas...

- Os contos bem contados, ditos devagar, oferecem à criança muitos recursos para sonhar e imaginar.

O grau de imaginação que se desperta no filho depende da maneira como ele é educado.

Não reprimir constantemente a sua imaginação e evitar:

- Que um filho se converta em sujeito passivo das suas atividades: colado à televisão ou observando como os outros jogam.

É claro que tudo tem a sua idade e que os primeiros anos são aqueles em que é preciso acompanhar constantemente a criança, mas chegará o momento em que ele tem que vestir as calças sozinho.

A atitude ideal é deixá-lo só, embora sob vigilância, para que aprenda a ter iniciativas.

- Não proteger demasiado o filho. Tem que cair, experimentar e conhecer. Se se meter numa redoma de vidro o seu cérebro nunca se desenvolverá. A mãe deve aprender a ser positiva quando educa o filho.

- Animá-lo a participar acivamente dos jogos e a tomar as suas próprias iniciativas. Não decidir sempre por ele.

Demonstrar alegria quando mostra alguma coisa feita por ele próprio (de sonhos, bonecos coloridos, etc.).

- Tal como na educação, o exemplo é o mais importante: tratar o filho com imaginação, para que ele nos imite.

Fazer planos divertidos e variados

- Romper a monotonia diária com alguma surpresa inesperada: uma pessoa amiga que vem almoçar ou o peixinho com que sonhava há muito e que o pai acabou por lhe comprar.

Pode haver motivos de preocupação?

Há crianças que estão convencidas de que são Robin dos Bosques, Asterix ou a Gata Borralheira. Algumas são mesmo capazes de ter conversas diárias com toda a família Disney.

Os extremos não são bons. A criança tem que perceber que a imaginação tem limites determinados e não pode levar dias inteiros imaginando que é o Peter Pan.

Se um filho não faz mais nada do que sonhar e andar o dia inteiro nas nuvens, tal situação pode dever-se a algumas circunstâncias:

- Demasiada dureza em casa e castigos desmedidos.

- Pode ter problemas de timidez. Como lhe custa relacionar-se com crianças da sua idade, converte-se em Superman e desta forma sente-se seguro e forte.

- Muitas vezes ultrapassa os limites da imaginação para fugir a uma realidade familiar que lhe causa desgosto: discussões entre os pais, famílias separadas, ambientes de profunda tristeza...

- Notas más. Fracasso escolar. Sobretudo quando os pais reagem, maltratando psicologicamente os filhos pelas suas más notas.

Mas em qualquer altura é tempo de corrigir um filho, se ele sonha mais do que o devido. O remédio é tratá-lo com muito amor e paciência em doses elevadas.

- Nada de começar aos gritos sempre que diga que acaba de falar com o anão Dunga. Ensiná-lo a separar a realidade da fantasia: "Se quiser, vamos conquistar o castelo da feiticeira má, mas, é de mentirinha, né?".

- Corrigir qualquer situação familiar negativa que possa influenciar a criança (brigas, discussões...).

- Procurar ser sempre muito sincero quando a criança faz perguntas, e adaptar as respostas à sua idade.

Verdade ou mentira

Por vezes castiga-se injustamente o filho e chama mentiroso, porque responde a uma pergunta de forma completamente sem nexo.

O que acontece é que as vezes, o filho, tem medo da mãe, que inventa qualquer coisa para sair da dificuldade.

Pode ainda suceder que nem pense na pergunta e, sem má intenção, diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça.

Outra hipótese é o filho gostar de inventar respostas, sobretudo quando nota que enerva os pais. De qualquer forma, a reação dos pais não pode ser agressiva. Não gritar, nem chamar de mentiroso.

Quando se repara que o filho não disse a verdade, deve dialogar-se calmamente com ele, para que explique por que respondeu dessa forma.

Procurar verificar se a mentira tem alguma coisa a ver com a sua imaginação ou invenção.

Quando a criança mente, oculta sempre qualquer coisa intencionalmente. Quando inventa ou imagina, não tem intenção de ocultar nada.

2 comentários:

Juba e Dea disse...

Xênia, muito bom o artigo! Devemos realmente entender que mentira é uma coisa, o lúdico e o conto, outra coisa.

Sou da opinião de que a criança aprende muito mais desta forma: Enquanto brinca, aprende; enquanto aprende, brinca.
Mentira é outra história!

grande abraço,
andrea.

Ainex Airam disse...

Obrigada Andrea, fico feliz que tenha gostado.
Bjux e sucesso!
Xênia da MAtta