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sábado, 27 de junho de 2009

Neda Soltani

Há cenas que permanecem sempre gravadas dentro de nós. Passam dias, passam meses, passam anos e lá estão elas, vivas e torturantes. Principalmente quando se trata de crianças ou de jovens que ainda desconhecem como é mau o mundo em que vivemos.

Como esquecer a figurinha daquela criança nua, correndo apavorada entre bombas de napalm que explodiam, às dezenas, numa aldeia do Vietnã?

Como esquecer a coragem daquele jovem chinês vestido de branco, desarmado, diante de um tanque de guerra numa Praça de Pequim como se dissesse: “Passem por cima de mim, já que humanos vocês não são!?”


Como esquecer? É tudo bem emblemático, uma jovem estudante de filosofia morre com um tiro no peito durante manifestação contra a fraude eleitoral que mantém um homem deplorável no comando de importante país do Oriente Médio. O nome dela pra completar significa ‘voz’ ou ‘chamado’ em persa e é verbete na Wikipedia. Tudo foi filmado e devidamente postado. A figura daquela jovem iraniana de apenas dezesseis anos, que há poucos dias foi assassinada numa cidade do Irã? A cena foi filmada por um amigo de Neda e colocada clandestinamente no You Tube. O filme nos mostra o corpo de Neda Soltani estirado no asfalto com um tiro no peito, disparado por um “devoto” do presidente Mahmoud Ahmadinejad, do alto de um prédio. O filme nos mostra Neda deitada de lado. Sangrando. Mostra seus olhos voltando-se para cima e para o lado, enquanto seus amigos gritam “Neda, Neda”. Tudo em vão. Nem a solidariedade de um médico que aparece por ali. Neda está morta. Seus sonhos de libertação morreram ali. Sonhos de viver numa pátria livre com os direitos humanos que lhe foram roubados. Neda está morta. A violência avança como um tsunami, assolando as praias onde crianças e jovens estão brincando. Em paz.

O número dos opressores cresce como cogumelos. Chegam distribuindo bombons, cestas básicas e camisinhas. Seu amor pelo povo provoca lágrimas nos mal-informados. Mostram-se humanitários. Na África, na América, na Ásia, na Europa. Estão por toda parte. O governo chinês, só em 2008, condenou quase oito mil à pena de morte. Agora, dizem os jornais de hoje, decidiu por um método menos doloroso: não mais à bala, que era paga pela família, mas a injeção letal. O condenado não mais sente dor. Morre suavemente, graças à benevolência e compreensão do ditador.

Lembro-me de um slogan do Fascismo: “Il Duce a sempre raggione” (O Chefe tem sempre razão). É isso aí, quem tem o poder (seja político, econômico ou religioso), tem sempre razão. Quanto a nós, resta-nos sonhar. “Los sueños son sueños”. Ou, como dizia Shakespeare: “Men are men”. Os homens são sempre os homens. Nada mais.

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