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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Novos estudos mostram que o divórcio não prejudica as crianças - ao contrário, em alguns casos chega a ajudar

Dave Riley, professor da universidade de Madison, dividiu os grupos de divorciados em dois: os que se tratavam civilizadamente e os que viviam em conflito. Os filhos dos primeiros iam bem na escola e eram tão saudáveis emocionalmente quanto os filhos de casais ''estáveis''. Os do segundo grupo tinham mais problemas, mas em proporção semelhante à dos filhos de pais casados que viviam brigando. Segundo ele, são cinco os fatores que podem prejudicar as crianças do divórcio:
- Se o pai ou a mãe ''desaparece'' após a separação.
- Se as crianças passam por dificuldades econômicas.
- Se o número de irmãos é muito grande (fica mais difícil cuidar de todos).
- Se o adulto que tem a guarda ou algum dos filhos sofre de depressão prolongada.
- Se o divórcio faz a criança se afastar de sua rede de amigos e parentes - por exemplo, mudando de cidade.
Uma família unida é o ideal para uma criança, mas é possível apontar pontos positivos para os filhos de separados. ''Eles amadurecem mais cedo, o que de certa forma é bom, num mundo que nos empurra para uma eterna dependência. Na classe média, com novos casamentos, há uma ampliação das figuras próximas, padrastos, madrastas. Quando eles mantêm um relacionamento saudável com a criança, promovem um aumento de sua auto-estima e segurança. Sem falar que oferecem experiência de vida diversas, importantes na formação pessoal'', explica o psicólogo Bernardo Jablonski, da PUC do Rio de Janeiro. ''Eles também aprendem mais cedo a negociar, barganhar. E desenvolvem grande poder de adaptação a novas realidades, mais do que muitos adultos.'' A psicóloga Maria Teresa Maldonado observa que essas crianças têm uma vantagem, que é a de raramente ser superprotegidas. ''O tempo passado com os pais separados, por ser menor, tende a ganhar em qualidade'', diz. Para a terapeuta infantil Vitória Duarte Pereira, quem não tem mais os pais casados experimenta mais cedo o poder de escolher. ''Aprender a optar é uma das coisas mais importantes e também mais difíceis para o ser humano. Essas crianças aprendem o que é isso precocemente, o que pode ser útil no futuro'', diz.
Para a educadora Tania Zagury, autora de best-sellers como Limites sem Trauma e Os Direitos dos Pais, um dado importante na vida dos filhos de divorciados são as regras diferentes na casa do pai e na da mãe. ''É um aprendizado importante para que se tornem adultos capazes de enfrentar o mundo'', diz. Se na casa da mãe comem biscoito no sofá, pode acontecer de o pai não deixar. Se no apartamento do pai dormem tarde, têm de aceitar que a mãe os coloque na cama às 10 horas. ''Essas situações acabam sendo uma boa escola de adaptação a regras sociais e confronto com a adversidade'', diz Eliane Nazareth, terapeuta de família e pioneira na atuação como mediadora na Justiça de São Paulo.
Um dos elementos mais decisivos para o bem-estar dos filhos de casais separados é que o pai (ou a mãe) não se torne uma figura distante. 
Para garantir a convivência com ambos, tem ganho terreno no Brasil a guarda compartilhada. O assunto é alvo de três projetos de lei no Congresso Nacional. Nesse tipo de guarda, pais e mães dividem igualmente direitos e deveres. ''Não significa que a criança deverá ter um convívio exatamente igual entre os pais. Cada um tem seu trabalho e sua disponibilidade. O que a guarda compartilhada institui é que qualquer decisão relativa à criança não pode ser unilateral'', diz o advogado de família Paulo Lins e Silva. Uma vez sancionado o projeto, ele será incluído no Código Civil e juízes deverão tratá-lo com prioridade nas sentenças de divórcio. O atual Código Civil não é claro sobre a guarda, diz apenas que fica com a criança o cônjuge que tiver ''melhores condições''. Já a Lei do Divórcio, de 1977, dá prioridade à figura materna.


PELA UNIÃO DOS FILHOS


Como lidar com os pequenos na hora da separação

 Mesmo que os filhos tenham assistido a brigas dos pais, na hora da separação deve-se manter a calma

 Os dois, juntos, devem se reunir com os filhos para informá-los da decisão. Mesmo que sejam pequenos é possível contar uma história que ilustre o que aconteceu

 O mais importante é deixar claro que continuarão a ser pai e mãe, apesar de não mais casados. Mostrem sempre respeito um pelo outro e digam que serão sempre amigos

 Expliquem que a rotina das crianças vai mudar, mas que continuarão a conviver com pai e mãe, na casa de cada um

 É importante que os filhos saibam que terão seu espaço na casa do cônjuge que sair

 Os pais devem permitir que os filhos se manifestem sobre a separação, mesmo que de forma triste ou agressiva, e explicar exaustivamente a decisão

 Filhos que agem muito tranqüilamente à decisão muitas vezes escondem seus verdadeiros sentimentos, o que pode ser prejudicial num futuro próximo. Os pais devem puxar assunto com eles

 Fazer com que avós, tios ou outros adultos de confiança também conversem com as crianças sobre a separação pode ajudar

 Importante deixar claro, o tempo todo, que os filhos não têm nenhuma culpa em relação ao divórcio

 Façam referência a crianças conhecidas que vivem a mesma situação, para que não se sintam diferentes ou inferiores

 A escola e outros lugares onde as crianças exercem atividades devem ser informados da separação, para que observem possíveis mudanças de comportamento

 Uma vez separados, os pais não devem utilizar as crianças como mensageiras de recados

 Não é bom discutir questões como dinheiro ou regras de visitação diante das crianças, especialmente se houver algum tipo de discordância sobre o assunto. É recomendável debater essas questões em outro momento

 É importantíssimo não falar mal do ex-cônjuge na frente dos filhos, seja em que momento for

 Se, no início, as crianças manifestarem algum desejo de não ficar na casa do pai ou da mãe que tiver saído de casa, é bom respeitar sua vontade. Mas insistindo para que haja uma rotina de convivência com os dois. Isso garante que elas tenham pai e mãe como referência emocional


ESCOLA DA VIDA

O que os filhos de pais separados sabem a mais que os outros

Ruptura - A experiência de passar pela separação dos pais e administrar o impacto emocional disso leva as crianças a amadurecer seu papel na família

Relativização - Quando os pais convivem bem, o filho acaba tendo dois lares. São casas diferentes, com ambientes e regras internas distintas. Torna os filhos mais flexíveis

Maturidade - Os filhos acabam tendo proximidade com mais adultos - padrastos, madrastas, namorados dos pais. Convivem mais cedo com assuntos e problemas de gente grande

Companheirismo - Muitas vezes têm mais atenção dos pais, já que o convívio parcial promove um desejo de maior qualidade do tempo juntos. Também desenvolvem maior cumplicidade

Amor - Tendem a não idealizar casamento e família tradicionais, o que pode ajudar nos relacionamentos afetivos futuros #Q:Guarda compartilhada:#

O QUE É A GUARDA COMPARTILHADA?
É quando pais e mães divorciados dividem direitos e deveres relativos aos filhos. Guarda compartilhada não significa necessariamente que haja convivência igualitária entre os filhos, mas sim que toda e qualquer decisão sobre eles deve ser conjunta

COMO ESTÁ NO BRASIL
Não consta do novo Código Civil, que entrou em vigor em 2002. Em casos de separação amigável, cada vez mais juízes têm dado a guarda compartilhada a pais separados que assim desejam. Projeto de lei no Congresso pode incluí-la como prioridade nas separações, consensuais ou litigiosas

PARA QUE SERVE O MEDIADOR?

É um profissional escolhido pelo juiz para ajudar nas negociações. Pode ser um psicólogo, assistente social ou mesmo um juiz que atue como mediador. Ele é mais importante nos casos de guarda compartilhada.

 

Madrasta do bem

Professora lançou livro que ensina o caminho para ser uma boa madrasta

Madrastas, assim como padrastos, são personagens quase sempre presentes na vida dos filhos de pais separados. Ao contrário do que apregoam histórias infantis como Branca de Neve e Cinderela, o convívio destas com seus enteados pode ser uma experiência não só bem resolvida como prazerosa. Há dez anos a professora paulista Roberta Palermo, de 35, começou a namorar o pai de duas crianças. Eles se casaram e ela se viu no difícil papel de ajudar a cuidar dos meninos. A partir de sua experiência, lançou o livro Madrasta - Quando o Homem da Sua Vida já Tem Filhos, criou um site e organizou a Associação de Madrastas e Enteados (AME), que tem feito encontros em São Paulo para discutir o tema.

ÉPOCA - Quais são os segredos para ser uma boa madrasta?
Roberta Palermo - Primeiro de tudo, deixar de lado qualquer tipo de ciúme. Quem tem direito a ter ciúme são a crianças. É preciso se colocar no lugar delas e também, se possível, no lugar da ex-mulher. É difícil para todos, não só para a madrasta.

ÉPOCA - Quais são os erros mais comuns?
Roberta - Muitas mulheres falam mal da mãe das crianças na frente delas, ou mesmo para elas, o que é inconcebível. Mesmo que seja de forma indireta, a criança tem sensibilidade, percebe o clima hostil.

ÉPOCA - Madrasta deve dar bronca na criança ou só o pai?
Roberta - A madrasta pode falar se as regras na casa dela forem diferentes das da casa da mãe das crianças. Isso as faz saber que haverá ambientes diversos ao longo da vida. É melhor, porém, que o pai inicialmente oriente a companheira sobre essas regras. Até para não ouvir depois a famosa frase: ''Você não manda em mim!''.

3 comentários:

Joana disse...

Se o casal tem uma relação onde as brigas e discussões são constantes, então o divórcio é preferível. Mas, apesar dos estudos eu continuo a acreditar que o melhor para uma criança é mesmo viver com o pai e a mãe.
É só perguntar-lhes.

Um abraço

Joana

Xênia da Matta disse...

Justamente como você colocou, Joana: O ideal seria que os pais não se separassem. Mas, se for para ficar brigando e discutindo sempre é preferível mesmo o divórcio. Bjux e sucesso!

prjulio disse...

Duvido deste estudo.
Até parece que essa é a realidade a nossa volta.
Está parecendo uma manipulação encomendada por grupos pró divórcio.
E aqui não está em questão divórcio ou não, mas as consequências negativas na vida de filhos de pais divorciados é inegável.
Esse sujeito deve ter feito este estudo em outro planeta.

Um abraço, Xênia.