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domingo, 14 de junho de 2009

O intelectual e a sociedade



Você sabe quais são os benefícios trazidos pelo trabalho de um intelectual? Segundo Jean Paul-Sartre, o mais importante filósofo do século 20, “Um intelectual é alguém que é fiel a um conjunto político e social, mas não o deixa de contestá-lo”.

Sartre queria mostrar que o intelectual é uma testemunha atenta de seu tempo e percebe o que está em convulsão. Não detém nenhuma verdade pronta e acabada. Apenas aponta para a desordem e, quando possível, mostra caminhos para superá-la.Sartre, em função da época em que viveu e das posições que tomou, viu de perto intelectuais em nome de uma ideia previamente defendida não conseguirem voltar atrás mesmo quando seus ideais caíam por terra.

Chamou isso de a cegueira do intelectual.Essa cegueira era de consequências nefastas para a cidade, pois, ao não conseguir retroceder no seu modo de pensar, o intelectual cego usa de seu prestígio pessoal para dar racionalidade ao irracional.E quando o intelectual se cega? Há várias maneiras de isso acontecer. Receber dinheiro para sustentar posicionamentos intelectuais é o modo mais comum. Há os que vendem objetos e coisas e há os que vendem seus princípios. Tornam-se uma espécie de mascates de ideias.

Ficam perambulando aqui, ali e acolá. Quando aparece uma oportunidade, põem-se a pensar ideias fáceis de serem absorvidas. Dêem um pulo numa livraria mais próxima e vejam a profusão de ideias fáceis, carregadas de banalidades, que estão à venda.Outra cegueira que acomete muitos intelectuais: a que leva à militância partidária. Há uma corrente de pensamento que defende que intelectual de verdade é aquele que se engaja em alguma causa (o próprio Sartre a defende).

Em função disso, esse tipo de intelectual encontra no partido político uma maneira de abraçar teses e, portanto, de se engajar em nome de algo.O problema desse tipo de cegueira ocorre quando, em nome de teses a serem defendidas, o intelectual não consegue manter a lucidez necessária para desempenhar bem sua vocação primeira, que é ver aquilo que os outros não vêem. Ao se ligar a esse ou aquele partido, passa, num determinado momento, a ver somente o que o partido vê. Mal percebe esse intelectual que sua intelectualidade está a serviço da tirania e da opressão e que se torna, assim, um inimigo da cidade.

A especialidade do intelectual é trazer o debate para um lugar inesperado; mais que apenas uma testemunha, ele vê os vestígios do futuro e as pegadas do passado. Dedica-se aos imprecisos contornos e aprimora, lendo o explícito e o implícito. A condição básica do intelectual é ser absolutamente livre.A liberdade do intelectual pode ser observada no exemplo de Sócrates, que fazia de seu ofício de filósofo e, por extensão, de intelectual uma ode à sua condição de homem livre. Sócrates percebeu que o intelectual, na cidade, tem uma finalidade muito específica: existe exclusivamente para incomodar.O problema é que intelectual cego não incomoda.

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