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domingo, 14 de junho de 2009

O sadio e o podre



Não me lembro mais do nome, sei apenas que foi um filósofo grego. Afirmava que a Natureza se constitui de polos opostos: feio-bonito, alto-baixo, bom-mau, justo-injusto, falso-verdadeiro, sadio-podre, alegre-triste e assim por diante. Neste sentido existem comportamentos bons e comportamentos maus, palavras belas e palavras feias, homens altos e baixos, frutas podres e frutas sadias.
Não faz muito tempo, alguém me perguntou o que era “oximoro”. Achei o termo tão estranho que, na minha opinião, aquilo não existia. Mas, por via das dúvidas, fui ao dicionário. Lá estava o “oximoro” com todas as letras e toda a feiúra. É uma figura de gramática de uso inteligente que coloca dois termos opostos juntos para dar maior realce. Traz um exemplo: “silêncio eloquente”. A palavra é feia, mas existem palavras bonitas.
Há gestos feios, mas existem gestos bonitos. Há comportamentos podres, mas existem comportamentos sadios.
O que se espera das pessoas inteligentes e de boa vontade é que saibam distinguir o que é podre do que é sadio. Nem todas as coisas são podres, como também nem todas as coisas são sadias. Por que insistir só no que é podre? Ninguém pode exigir que todas as pessoas e coisas sejam belas, boas, limpas, verdadeiras, justas, honestas e alegres.
Anda tudo tão misturado, que os acontecimentos exigem de cada um de nós critérios justos para distinguir as coisas. Clarividência para acolher o que é positivo e jogar fora o que é negativo. Quando eu era criança, na fazenda, num monte de dejetos atrás de uma pocilga, fiquei espantado com uma flor que brotara ali. O que chamou minha atenção foi a flor e não o esterco. Mas eu era apenas uma criança. Não era um “adulto”...
Essa antinomia feio-bonito, nós a encontramos todos os dias nas palavras. Há palavras bonitas e palavras feias. As palavras bonitas alegram nossos sentidos. Deslizam suavemente. Mel que escorre de um frasco. Fluem docemente. Gerânio, saudade, infância, papoula, primavera, sutil e milhares de outras mais. As palavras feias são muitas. Por exemplo: “função”.
Existe palavra mais feia? Só mesmo “pudibundo”.
Geralmente as palavras que trazem um “til” são feias. Faço exceção para uma delas: “COMPAIXÃO”. Merece que seja escrita em maiúsculas. Ter compaixão não significa ter dó. Penso sempre nas mães de um criminoso, de um drogado, de um transviado. Se eu disser que tenho dó delas, não estou dizendo nada. Posso ter dó de um cachorro. De uma mãe que sofre tenho compaixão.
É muito diferente. Compaixão tem um sentido de empatia, de estar com. De compreender e viver junto àquela dor. Jesus não pediu que tivéssemos dó dos outros, mas compaixão. Sofrer com o que sofre.Meu irmão, minha irmã, meu amigo, minha amiga, o comportamento negativo de um não compromete os outros. Há o sadio e o podre.
O que é mesmo lamentável é que certo tipo de comportamento traz imensa dor para os pais, para os amigos, para os companheiros, para os superiores, para a comunidade. Que o Senhor, que é Pai, nos perdoe a todos nós. Todos nós temos os nossos erros e os nossos pecados.

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