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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pais modernos, filhos caretas




Adolescentes são rebeldes, agem sem pensar e gostam de curtir a juventude. Mães são naturalmente caretas, acham que as músicas que os filhos ouvem é “barulho” e ficam loucas se alguém da prole chega depois do horário combinado. No entanto, existem famílias que andam na contramão dessa realidade.

“A sociedade valoriza o jovem, Hoje, para uma pessoa envelhecer bem, ela precisa ter atributos juvenis”, explica a psicóloga Mariana Chalfon, de São Paulo. Ela diz que, antigamente, os filhos queriam ser como os pais - e hoje são os pais que querem ser como os filhos.

“Alguns associam a adolescência dos filhos com a sua adolescência e tentam revivê-la”, afirma a psicóloga Fabiana Rocha Biagigo, também de São Paulo. E ressalta que algumas mães não sabem mesmo lidar com o envelhecimento e começam assumir o comportamento das filhas e até competir com elas. “As mães fazem amizade com os amigos, vão nas mesmas baladas e podem até se envolverem afetivamente com um colega da filha”, ressalta.

Enquanto alguns pais querem curtir os embalos de sábado à noite como se não houvesse amanhã, pode acontecer dos filhos adotarem um comportamento oposto ao dos progenitores e serem totalmente caretas e reservados. Segundo Fabiana, a reação dos filhos com a maneira peculiar de agir dos pais pode variar de acordo com sua personalidade. “Alguns adoram. Outros se sentem invadidos e constrangidos”, diz. Ela fala que o mais importante é o pai ou a mãe saber impor limite na hora certa. “Ter um comportamento jovial não é problema. Mas os adolescentes gostam de testar limites. Se ninguém mostrar o certo e o errado, eles não têm referência”, completa.

Mariana acha que os pais devem ser majoritários dentro de uma família e ter consciência de que a maneira como agem influencia na formação da personalidade dos adolescentes. Para ela, alguns acham que está na moda ser liberal e não impõem limites aos jovens. “Tudo que é só para ficar na moda é um erro. Ficar na moda é igual a ficar igual ao coletivo, as pessoas tem que ter a própria personalidade”, pondera.

É comum vermos mães com um visual alternativo, como tatuagens, piercings, cabelos coloridos e roupas diferentes. Diante disso, Mariana se posiciona “Não se deve confundir valores com estilo. Alguns pais gostam de se vestir de maneira diferente e ter uma aparência peculiar, mas isso não quer dizer que não saibam colocar limites nos filhos”. Educar os filhos e impor limites não é uma tarefa simples. Muitos pais confundem liberdade com libertinagem e autoridade com autoritarismo. É ai que mora o perigo. São nessas atitudes que os pais podem dar um passo errado e confundir a cabeça dos pequenos quanto aos valores.

A psicóloga Silvana Rabello, professora da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e especialista em Clínica com Crianças, explica que reconhecer a autoridade dos pais é sinal que os filhos admiram as atitudes deles. Quando os filhos enxergam de maneira positiva a postura que os progenitores adotam, aceitam com facilidade as dicas e até as ordens.

Silvana alerta para a importância do diálogo. “As conversas devem ser constantes, claras e justas. O diálogo sempre é um excelente caminho”. A psicóloga explica que é importante que os pais não oscilem nas decisões que tomam, pois isso pode confundir a cabeça dos filhos.

Quando ainda são crianças e não conseguem dialogar, é importante que os pais sejam firmes e expliquem que a vontade não será atendida. Mesmo o filho não gostando, terá de compreender que é para seu bem. Mas é importante saber como agir. Impor limites pelo medo é uma maneira um tanto errônea e vazia de educar os filhos. Tal atitude só atrapalha na formação do caráter e pode fazer com que eles cresçam revoltados.

Se o filho estiver na puberdade ou na adolescência é fundamental saber negociar e conversar. Nessa idade, é comum desafiar os pais e achar que é o dono da verdade. Silvana explica que esse tipo de comportamento é normal nessa fase da vida e cabe aos pais terem paciência e jogo de cintura.

Muitos se sentem intimidados na hora de aplicar a punição. Entretanto, Silvana afirma que ela deve ser aplicada sempre que o filho quebrar uma promessa ou até ordem dos pais. Vale lembrar que o conceito de punição é relativo e atitudes violentas não são a solução.

Castigos leves, como deixá-lo um tempo sem fazer algo que gosta muito e conversar para que entenda que errou são boas maneiras de punir sem traumatizar. Quando a família percebe que está tendo problemas na educação é importante repensar a relação e tentar entrar em um consenso. Autoridade imposta é bem diferente de respeito conquistado.

Por Cínthya Dávila/

2 comentários:

Juerci Reis disse...

Eu, Juerci, também psicóloga, vejo esta questão imposta pelos pais desta forma: dependendo do limite da participação dos pais, nas baladas,ou outros locais, tudo é aceitável, mas é claro que tem momentos que eles querem viver a vida deles e neste momento em algumas circunstâncias é mais comum ser ao lado da turma deles(claro que se for confiável).
Eu já tivi o caso de uma adolescente pedir para a mãe:-"me deixa viver", como se sentisse sufocada, mesmo gostando muitas vezes da presença da mãe que se faz jovem e agradável; de tanto que estava sempre junto em tudo.
Ou seja, ela se sentia privada da sua liberdade de viver a sua adolescência e aprender com os próprios erros.
E muitos pais se comportam assim para manter uma vigilância sutil sem ser percebida a sua presença como vigilância. Como neste caso que citei.
De 0 a 7 anos os pais ensinam o que precisam ensinar e os filhos formam a sua personalidade nesta fase depois quando vão colocar em prática os pais não conseguem confiar. Apartir daí o que eles precisam é de confiança dos pais e de orientação.
Muito bom post amiga!
Att. Juerci Reis

Xênia da Matta disse...

Muito obrigada por colaborar com sua opinião. seja sempre bem vinda ao blog, querida!
bjux e sucesso!