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domingo, 21 de junho de 2009

Paz se aprende.

Há alguns dias estava no pátio de uma das escolas em que trabalho conversando com uma senhora. Estava me relatando a experiência que teve ao visitar uma escola pública de Porto Alegre e como ficou surpreendida com a “violência” dos alunos. Mas algo de chocante me abalou na fala daquela mulher. Afirmou com veemência que aquelas crianças não eram seres humanos, usando os termos dela, “eram animais”. Tentei argumentar dizendo que um conjunto de fatores favoreciam as atitudes daquelas crianças, como as desigualdades sociais, o desemprego estrutural, a falta de atenção por parte da escola, a situação familiar precária em que muitos deles vivem, enfim, vários fatores que geravam aquela situação. Mas não obtive sucesso na argumentação a que me propus, sendo que a mulher insistia que não poderiam se tratar de seres humanos, mas sim de animais.

Confesso que na hora fiquei até com raiva das afirmações feitas por ela, e depois da raiva veio a tristeza. Primeiramente por se tratar de um desrespeito com as crianças, e em segundo lugar por desconsiderar o fato de sermos seres humanos independente de nossas atitudes. Por isso, creio que uma das perguntas mais eloqüente e necessária para quem pretende ser um promotor da paz é se a violência e a paz são constituintes da natureza ou da cultura humana. A senhora estava expressando mais que uma idéia sobre aquele fato específico. Estava falando sobre uma visão de humanidade, como se aquelas crianças, por suas atitudes, pudessem ser consideradas não humanas. Ora, com base nesse pensamento poderíamos afirmar que essas crianças não têm seus direitos básicos (a saúde, educação, lazer, cultura, entre outros) garantidos como os outros (seres humanos de fato). E aí poderíamos discorrer em exemplos históricos em que, por terem, algumas pessoas (judeus, negros, indígenas), sido consideradas como não possuidores do grau Ser Humano, mas animais ou seres humanos inferiores, cometeram-se barbáries.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos deixa claro que TODOS somos seres humanos iguais e devemos ser tratados como tais. Quando a Educação para a Paz propõe que paz se aprende, está-se dizendo que ser ou não violentos é uma construção cultural e não um atributo natural ao ser humano. Primeiramente é necessário afirmar com força que somos sim todos humanos e não existe nada que possa negar isso. Negar a uma pessoa o direito se ser um ser humano é desconhecer o que é um ser humano ou querer se aproveitar desse menosprezo para justificar a necessária exclusão do convívio “humano”. Em segundo lugar é urgente semear o pensamento agregador de que tudo é construído através da cultura. Até mesmo o pensamento implícito na fala daquela senhora de que aquelas crianças nasceram assim, ou seja, são naturalmente assim é uma construção cultural. Educar para a paz é ter consciência de que o ser humano se movimenta na história pelo desenvolvimento cultural. Educar para a paz é ter clareza de que é uma construção sem fim, pelo menos enquanto existirem seres humanos.

“Como as guerras e as violências nascem nas mentes humanas é nas mentes humanas que deverão ser erguidas as estruturas de paz”.

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