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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Reflexões a respeito da inclusão

Que todos somos diferentes, isso é mais do que sabido. Mesmo gêmeos “idênticos” têm suas diferenças e particularidades. Mas, sejam quais forem essas diferenças, todos nós temos os mesmos direitos e deveres perante a sociedade, correto? Teoricamente, a resposta seria SIM. Mas por que apenas teoricamente? Porque, infelizmente, isso não é realidade para um número enorme de pessoas. Além das diferenças de oportunidade, devido a problemas sociais, econômicos, políticos, ou de mero preconceito (de cor, religião, opção sexual ou qualquer outro), existe ainda toda uma gama de pessoas que têm sua liberdade tolhida no dia-a-dia, por não serem “enxergadas” pelos demais. São as pessoas com deficiência.

Como pode uma pessoa que tenha deficiência física andar normalmente pelas ruas, entrar em lojas, pegar um ônibus, se nenhum destes locais estiver preparado para receber cadeiras de rodas?

Como pode uma pessoa que tenha deficiência visual entrar num restaurante e escolher sua comida, se lá não houver ao menos UM cardápio em Braille? Como pode essa mesma pessoa andar tranquilamente pelas ruas, se não houver sinais sonoros nas esquinas e pisos diferenciados, avisando-os dos “perigos”, como um orelhão onde a pessoa pode bater de frente? Como pode se informar, se a maior parte dos livros não é editada em Braille ou em formato de áudio-livro, ou mesmo disponibilizada em formato digital, em que a pessoa pode usar um computador com leitor de tela? Se nem mesmo a TV é dotada de áudio-descrição de seus programas?

Como pode uma pessoa que tenha deficiência auditiva assistir TV se a tecla Closed Caption (que coloca legendas) não serve para nada na maior parte dos programas transmitidos? Como pode viajar sozinha, se ao chegar ao hotel ficará incomunicável, já que os quartos não possuem telefones adaptados? E, falando nisso, como pode se comunicar se a grande maioria da população sequer imagina o que seja a LIBRAS?


Como pode uma pessoa com deficiência intelectual se desenvolver e ter uma vida autônoma se todos a tratarem como criança eternamente, se não lhe derem oportunidade de estudar e aprender como qualquer pessoa? Como pode ter uma vida plena se não lhe permitirem sequer pensar em namorar, casar?


Isso vale, também, para as crianças que não têm deficiência, quando nos dirigimos a elas falando como criancinha, justamente na fase em que elas estão construindo seu vocabulário e seus neurônios formando seus laços. Até mesmo na TV se vê muito disso.


E, se formos pensar bem, quem pode afirmar que não possui NENHUMA deficiência? Se você usa óculos, se às vezes percebe que não escuta assim tão bem quanto deveria, se você tem problemas de coluna e não se adapta a qualquer tipo de cadeira, se sua coordenação motora não é lá tão boa para certas atividades, se a sua memória não ajuda se você precisa decorar alguma coisa, essas não são também formas de deficiência? Mesmo alunos nota 10 têm que se esforçar mais em uma ou outra matéria. E mesmo que não tenham, certamente não se saem bem em outras áreas, como artes ou esportes. Porque ninguém é perfeito! Ninguém é especialista em todas as áreas, ninguém domina todos os assuntos com facilidade! E é isso que faz cada um de nós tão especial! Essa é a tão falada DIVERSIDADE!


É por isso que hoje em dia se fala tanto em INCLUSÃO. Porque é preciso que cada pessoa passe a olhar em sua volta e perceber as diferenças. É preciso que cada um respeite o próximo, que não olhe uma pessoa com deficiência como se fosse algo de outro mundo, e sim como uma pessoa como qualquer outra, que tem tanto direito quanto qualquer outra pessoa de estar ali. É preciso que se saiba, ao menos, oferecer ajuda, se esta for necessária. Se cada um começar a mudar suas atitudes, certamente daqui a um tempo não será mais preciso nem falar em inclusão, porque ela será uma realidade no nosso dia-a-dia.


Mas como fazer para mudar? É preciso basicamente duas coisas: se destituir de todo e qualquer preconceito, e buscar informação.

Não ter preconceito é fundamental. É preciso que se fale com as pessoas que têm deficiência da mesma maneira que se fala com as que não têm. Mesmo quem não tem a fala oralizada tem como se comunicar. Salvo, claro, algumas exceções de pessoas com comprometimento muito grande e, ainda assim, é possível encontrar algum canal de comunicação. Chegue, pergunte, não precisa ter medo! Um simples “posso ajudar” já abre portas, quebra o gelo, e mostra a sua disposição. A pessoa que tem alguma deficiência sabe que nem todos conhecem sua condição, suas possibilidades, suas limitações, e estão normalmente dispostos a ensinar. Apenas um exemplo: antes de sair puxando uma pessoa com deficiência visual para ajudá-la a atravessar a rua, pergunte se ela precisa de ajuda. Afinal, pode ser que ela nem queira atravessar a rua! Se a pessoa está munida de bengala ou acompanhada de um cão guia pode não ser necessária ajuda externa. Se ela disser que “sim”, vai lhe dizer para não puxá-la, apenas deixar que segure em seu braço ou ombro, porque assim ela pode acompanhá-lo sem dificuldades.


Por outro lado, busque se informar. Hoje em dia a informação está muito mais fácil de ser alcançada. Livros, revistas, televisão, internet... são tantos os meios! Não espere ter uma pessoa com deficiência próxima de você (na família, no círculo de amigos, no colégio, no trabalho). Não passe a se interessar apenas porque a deficiência está sendo mostrada numa novela da Globo. Esteja preparado para encontrar um desconhecido na rua, e saber como agir!

Hoje em dia se fala muito no “politicamente correto”, mas que não são apenas termos que são mais “bonitos de falar”, são termos que podem ser usados sem que se corra o risco de ofender as pessoas. Essa atitude mostra que se tem respeito, cuidado com as pessoas. Por exemplo: antigamente as pessoas com síndrome de Down eram chamadas de “mongolóides” por causa da semelhança de suas características físicas com as pessoas nascidas na Mongólia. Só que esse termo passou a ser usado para ofender pessoas, querendo dizer que são “retardadas”, ou “bobas” (e que também são palavras carregadas de preconceito). Hoje, as próprias pessoas com síndrome de Down não aceitam esse termo! Portanto, continuar a usá-lo, mesmo que se dirija a uma pessoa sem a síndrome de Down, é uma forma grave de ofensa a todas as pessoas que a têm. Da mesma forma, pessoas com deficiência física não devem ser chamadas de “aleijados”. Apenas diz-se que a pessoa TEM (e não que é “portadora de”, pois ninguém “porta” uma deficiência, mas a tem) deficiência física. As que fazem uso de cadeiras de rodas são também chamadas comumente de cadeirantes, sem problemas.


Esse cuidado vale para toda e qualquer pessoa, desde o negro (e não “escurinho”, “pessoa de cor”), a pessoa que usa óculos (e não “quatro-olhos”), a que está acima ou abaixo do peso (e não “balofo”, “gorducho”, “magrela”, “varapau”), e por aí vai. É uma questão de respeito com o próximo, de não se achar melhor do que ninguém. Como foi falado antes, ninguém é perfeito, afinal de contas! CLARO que todo mundo comete deslizes, mas se ficarmos atentos, cada vez menos iremos cometê-los, e todo mundo viverá bem melhor.


Muito pode ser feito por cada um de nós, e nem exige tanto esforço assim. Apenas um pouco de boa vontade em perceber que o mundo não gira em torno de nosso umbigo, nem existe para atender apenas às nossas necessidades. Se cada um de nós fizer um pouquinho, logo não será mais preciso falar de inclusão.


E o que pode ser feito? Muita coisa! Além de estar informado e saber agir, trabalhos voluntários em entidades não faltam. Todo cidadão pode e deve exigir a acessibilidade: que os governantes aprovem leis, que arquitetos, engenheiros, construtores pensem em todos antes de construir algo, que as escolas aceitem a todos sem discriminação, que os sites possam ser navegados por qualquer pessoa, que os empresários dêem empregos a pessoas com deficiências, e pensem em seus produtos ou serviços para todos poderem usufruir. Na escola, pode-se auxiliar um colega que tenha dificuldade (e nem precisa ter uma deficiência para ter dificuldade), ajudando-o a entender o que o professor falou, dando uma força na hora das tarefas, estudando junto. Pode-se ajudar aos mais carentes, que sofrem preconceito sem ter consciência de seus direitos. Quem quiser pode, até mesmo, aprender LIBRAS para poder conversar (e até ensinar) pessoas com deficiência auditiva. E, preparar as novas gerações para que eles, quando chegar a hora de entrar no mercado de trabalho, já entrem com outra cabeça, olhando o todo, sempre! Só assim construiremos um mundo que seja realmente de todos.

Não tenho nenhuma pessoa com deficiência na família, nem trabalho na área. Apenas abracei a causa, que considero mais do que justa e, por isso mesmo, resolvi cursar Pedagogia. Afinal, é na educação que as transformações começam! Isso não significa que eu seja melhor que ninguém, ao contrário! Mas, ainda que eu seja uma "formiguinha", procuro estar sempre disponível para ajudar, para fazer minha parte e tentar tornar esse mundo um pouco melhor, não para mim, mas para TODOS!

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