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domingo, 14 de junho de 2009

Serão todos filhos do Brasil?



A Globo revelou ao Brasil uma paraense que aceitou vender a filha menor, por quinhentos reais. Um magistrado do Pará mostrou sua indignação diante dessa monstruosidade. É claro que ele tem razão.

É inadmissível.

Como são inadmissíveis as condições que vivem as pessoas do lugarejo onde ocorreu o fato. Fome, esgoto a céu aberto, palafita, virose, parasitismo, analfabetismo, gravidez indesejada, drogas, violência.
Eis parte do cenário onde esta história acontece.Qual terá sido a trajetória de vida dessa mulher que entrega sua cria por míseros reais? Em que condição nasceu e cresceu? Quem são os seus pais? Em que teto sobreviveu? Que escola frequentou? Que livro leu? Que sorvete provou? Que dente tratou? Com quem se casou? De quem são seus filhos?

O ato praticado por essa mãe tem alguns co-autores. Um deles é o Governo que abandona à própria sorte milhões de pessoas sem a mais singela condição de saúde, educação, moradia e segurança. Porém, nada justifica o que ela fez.

Assim como não se justifica a atitude de pais que estimulam filhos a dirigir antes da idade legal, dos que vão à delegacia para livrar os filhos que espancaram a moça no ponto de ônibus por achar que era prostituta, dos que julgam inocentes os que atearam fogo em um índio na capital federal, dos que têm seus filhos como sócios em negociatas que rendem milhões de reais necessários para melhorar a vida de muita gente, inclusive no lugarejo do Pará.

A mãe paraense nos remete à época em que se sacrificavam crianças para reduzir a imensa prole. Ou ao tempo da roda dos expostos, na qual era depositada a criança, sendo que ao girar o artefato ela era conduzida para dentro das dependências do mesmo, sem que a identidade de quem ali colocasse o bebê fosse revelada.

Já o acobertamento pelos pais das “travessuras" de seus filhos bem-nascidos faz parte das sutilezas “admissíveis” no mercantilismo de compra e venda do mundo moderno. São dois Brasis de uma única pátria que deveria tratar seus filhos igualmente.

2 comentários:

João Carlos disse...

Todos tem uma culpa... Pense?

Xênia da Matta disse...

Com certeza, temos uma parcela de culpa também.Principalmente por que nos calamos.
Bjux