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domingo, 5 de julho de 2009

GUERRA JUSTA OU INJUSTA?

Tenho lido nos jornais de circulação nacional e local análise sobre a guerra travada no solo iraquiano. Mas ela é justa ou injusta? Eis a questão.

Acho que à justiça não pertence o vocábulo guerra, embora na escolástica medieval a guerra contra os infiéis fosse considerada "bellum justum".
Todas as construções mentais de uma guerra costumam servir a uma finalidade política.

Enquanto um povo existe na esfera da política, com Estado constituído, é de sua essência decidir por si mesmo a quem deve considerar amigo ou inimigo, pois se assim não o fizer cessa para ele a existência política. Se for o estrangeiro que lhe prescreve a característica de seu inimigo e contra quem vai ou não lutar, ele já não é mais um povo politicamente livre e será inserido noutro sistema político.
É possível que o Estado faça declaração em que assuma a postura de não utilizar as armas para soluções ou conflitos internacionais.

A Suíça na 2º Guerra Mundial adotou tal comportamento. Mas mesmo neste caso sua declaração decorreu de certas reservas, quais sejam, sua própria existência, sua autodefesa e a reserva de acordos internacionais.
Um povo politicamente organizado como Estado haverá sempre de reconhecer que tem amigos e inimigos políticos.
Não é possível imaginar um Estado de pura moralidade, ou um puramente moral. Isto é algo hoje inimaginável.
Um teólogo deixa de o ser se não considera os homens pecadores ou necessitados de salvação; o moralista pressupõe uma liberdade de escolha entre o bem e o mal.

Mas esse mundo bom entre homens bons, como se disse acima, não habita o nosso planeta, na atual conjuntura espiritual.
Por conseguinte, teoria política com dogmas teológicos não sustenta o conceito de guerra justa ou injusta, haja vista as guerras santas e as cruzadas.
Portanto, todas as teorias políticas pressupõem o homem mau, mais dinâmico e perigoso e jamais não problemático.

Nesta guerra, Bush, Blair e o falecido Saddam representam Estados politicamente organizados. Qualquer valor moral sobre justiça e injustiça escapa às justificativas que levam à certeza moral.

É por isso que o jornalista Michael Ignatieff em artigo para o New York Times mencionou a opinião de Isaiah Berlin, que costumava dizer que, "na ausência de uma certeza moral, ou do conhecimento do futuro, simplesmente temos que optar por uma escolha ou outra (guerra justa ou injusta)".
Assim como no caso do Vietnã, a discussão sobre o Iraque virou referendo sobre o poder americano e o que cada um pensa sobre Saddam parece importar muito menos do que se pensa sobre a América. O fato é que os Estados Unidos da América do Norte não são nem o país redentor nem o império do mal. A ideologia não ajudará neste ponto.

Nas semanas e anos vindouros, as escolhas não dirão respeito ao que somos, ou com quem andamos, nem do que os EUA são ou deveriam ser. Mas sim dirão respeito a quais os riscos valem a pena de serem assumidos quando nossa segurança depende desta resposta.

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