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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Uma ideia tingida de poesia...

O sonho tem o poder de transformar a realidade, tingindo com cores mágicas o mundo que nos cerca. Devemos conservar o olhar da criança diante do mundo, um olhar curioso, que se deslumbra com cada descoberta.

Jamais deveríamos esquecer a inquietação da juventude e deixar que nossos sonhos sejam sepultados, transformando-nos em escravos do hábito e da rotina. É lógico que essa mudança não ocorre da noite para o dia. Esse processo vai se instalando devagarzinho, e nem percebemos que, pouco a pouco, deixamos de buscar novas ideias, de percorrer novos caminhos, de conhecer outras experiências, de rever nossas convicções. E... de repente, poderíamos repetir as palavras de Fernando Pessoa: “Quando é que me desato dos laços que eu me dei?”.

Ninguém, a não ser nós mesmos, pode lutar para reencontrar o caminho dos sonhos, da ousadia e da liberdade, pois foi nele que traçamos nossa trajetória, repleta de planos engenhosos e certos de que nosso ideal seria fecundado na partilha e na troca de experiências.

Encarar cada etapa como um recomeço. Ousar trilhar caminhos diferentes, ter a coragem de contestar valores que se esvaziaram porque nada permanece imutável num mundo que caminha para frente. Cada conquista possibilita um novo olhar revelador e ilumina um canto antes desconhecido.

À medida que nos abrimos para novas possibilidades, descobrimos em nós mesmos capacidades e aptidões adormecidas, que, muitas vezes nos conduzirão a um trabalho totalmente diferente e infinitamente mais prazeroso, pois nós o alcançaremos após tentativas, erros e acertos. As sugestões obtidas em cursos e oficinas são apenas propostas instigantes que, ao serem vivenciadas com os alunos, deverão sofrer mutações para se adequarem à realidade deles. A reflexão do professor com sua turma sobre qualquer tema proposto é única para cada classe e deverá chegar a resultados e metas diferentes, nem melhores, nem piores, porém frutos de um grupo singular, com características distintas.

Vivenciar uma atividade sem a intenção de enquadrá-la em parâmetros inflexíveis, permitindo que os alunos deem a sua contribuição e usem sua capacidade criativa, torna a aprendizagem mais eficaz. São tantos os caminhos que nos levam ao objetivo traçado, por que não percorrê-los todos? Cada um nos apresentará um ângulo diferente de abordagem e cada experiência se tornará única. O professor que para no meio do caminho e se recusa a crescer, a continuar em busca de um sonho, não destrói apenas seu futuro como mestre, mas destrói, ao mesmo tempo, o sonho de dezenas de alunos que poderiam ir além, pois, como dizia Nietzsche, “infeliz do mestre que não tem um discípulo que o supere”. Os bons exemplos dão frutos, mas os maus exemplos também terão seus seguidores.

Que tal pensarmos cada nova proposta a ser trabalhada com os alunos como “uma ideia tingida de poesia”, como propôs Balzac? Nós podemos tingi-la com nuances infinitas de sonhos e esperanças. O processo da aprendizagem é realizado pelo professor que age, e não pelo que discute de que maneira as coisas não deveriam ter sido feitas. Nunca poderemos deixar de ter dúvidas, pois quando as dúvidas param de existir, é porque paramos em nossa caminhada.

Rubem Alves afirma que “todo conhecimento começa com um sonho. O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das profundezas do corpo, como a água brota das profundezas da terra. Como mestres, podemos dizer aos alunos: “Conte-nos os seus sonhos, para que sonhemos juntos”.

Nietzsche captou como ninguém a essência da missão do professor, ao dizer: “Caminho para o meu objetivo; sigo o meu caminho; passarei por cima dos negligentes e dos retardados. Desta maneira será a minha marcha rumo ao meu objetivo”. Provando e interrogando, é assim que devemos caminhar, pois só o que prossegue aprende. Devemos utilizar a linguagem que todos compreendem: a linguagem do entusiasmo, das coisas feitas com amor e com vontade, em busca de algo que se deseja ou em que se acredita.

Baseado no poema Morre Lentamente, de Pablo Neruda

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