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domingo, 2 de agosto de 2009

meu filho é homossexual: Pais esclarecidos, filhos bem resolvidos


Conselhos para os Pais




Onde foi que eu errei?


Os pais precisam entender que esse choque que pode acontecer com a revelação é natural. Nenhum pai, nenhuma mãe escolhe criar um filho homossexual. Aí não é só uma questão de preconceito, mas das dificuldades que esse filho vai encontrar numa sociedade heterocentrada. Então, independente de ser bom ou ser ruim, é uma sociedade heterocentrada, então ser homossexual é ser minoria, ser minoria requer um certo grau de sofrimento, e os pais gostariam que seus filhos que não passariam por isso. Então para os pais tem várias questões que os pais precisam lidar, alguns mitos, como “onde eu errei?”, a primeira pergunta dos pais. Eles precisam entender que não erraram.


Lidando com a frustração

Depois, lidar com a frustração, “não vou ter netos”, “meu filho ao vai ser aquilo que eu esperava que ele fosse”. Lidar com a culpa, “o que eu fiz de errado”, se os pais se separam, ou pôr a culpa em mais alguém, “quem foi que te fez isso”, tentar entender que se é difícil para eles, é mais difícil para os filhos, que provavelmente o filho para chegar e contar, ele já caminhou um bom pedaço da sua vida com um grau de sofrimento muito grande, pra chegar e dizer isso. Então essa compreensão os pais precisam ter.


Informação contra o preconceito

É importante os pais entenderem que eles vão precisar saber mais sobre esse assunto, precisa se perguntar onde é que eu posso obter mais informações sobre isso.

Nos Estados Unidos, por exemplo, tem uma associação chamada “Pink Flag”, formada por pais e amigos dehomossexuais, que existe há 30 anos, tem em toda cidade americana. Ela dá todo o apoio para o pai doshomossexuais, há reuniões, uma linha que a mãe pode ligar, conhecer outras mães, tem uma estrutura de comunidade que no Brasil ainda não existe, pelo menos que eu saiba. Os pais precisam saber como é que podem ajudar seu filho. É uma situação complicada, difícil, por mais que eu aceite, eu o ame, ele vai encontrar dificuldades na vida. Então o que eu posso fazer para ajudá-lo, são preocupações que os pais devem ter.


O amor em primeiro lugar

A condição básica é dizer assim: “olha, eu te amo independente do que você está me contando”, quer dizer, reafirmar o seu amor, até dizer coisas do tipo, “eu não consigo ainda entender, aceitar, mas eu vou fazer o possível pra aceitar, queria que você me ajudasse a entender isso”. Essa visão mais realista ajuda mais os pais, porque também achar que os pais vão ouvir aquilo e falar “ah, tudo bem, eu sou Corinthians, eu sou Palmeiras, não é assim. Existe realmente um choque nisso, então é importante que os pais que têm que lidar com esse choque da maneira mais natural possível, dando suporte emocional, reafirmando seu amor, buscando informações a respeito disso e lembrando que aquilo é um sofrimento também para o filho que está contando. E isso não é um processo muito fácil. Por isso que tanto para o jovem que está saindo do armárioquanto para os pais que estão vivendo essa história, seria muito interessante ter suporte, de associações, de outras pessoa, suporte profissional em alguns casos.

Para os pais, eu digo: aceitem. Não há outra solução. Basicamente, a principal coisa que tem que ser dita aos pais é que não há como seu filho mudar a sua orientação sexual. Não há essa possibilidade. Quanto mais cedo você aceitá-lo, melhor. A segunda coisa que eu acho que tem que se dizer é: você não tem noção do quanto a sua não aceitação sobre seu filho pode causar efeitos nefastos e muito duradouros ele. A maioria dos filhos que sofre muito, atrozmente, são filhos de pais que não aceitam, a sua sexualidade. Tem pacientes que eu atendo com 40, 50 anos, que já saíram completamente da vida de jovens, são pessoas maduras, que sofrem conseqüências muito penosas por terem sido rejeitados pelos seus pais. Isso é terrível. Ao passo que uma mãe e um pai que aceitam seus filhos, a diferença é gritante, como essas pessoas são mais equilibradas emocionalmente.


Renúncia aos ideais

Para os pais, geralmente, também há um grande conflito. Dentro do ideal de eu, também tem o ideal de pai, e o ideal de pai é o ideal de um pai que tem um filho de determinada maneira. Então é muito importante que todos os pais que soubessem da sexualidade dos seus filhos procurassem uma ajuda psicológica, porque eles vão ter que fazer uma renúncia aos seus ideais.


Apoiando as decisões dos filhos


Os pais têm que imaginar que a vontade do filho é soberana em relação à vida dele, e também ter uma concepção de que é importante apoiar as escolhas e decisões dos filhos. E isso já é um grau de elaboração muito grande. É muito difícil você renunciar a um ideal se você não tem nenhuma força contra isso. Então o trabalho dos pais é mais difícil mesmo. Por isso eu acho que é mais importante que os pais sejam acompanhados psicologicamente do que os filhos, porque eles é que vão ter que fazer uma renúncia forte. Às vezes surge um sentimento de culpa, como se eles fossem responsáveis pela sexualidade, isso não é verdade. Ninguém consegue criar desejo em outra pessoa, isso é impossível. Do mesmo jeito que você não consegue seduzir uma pessoa que não esteja te desejando, você não consegue impedir que uma pessoa deseje determinado objeto.


Conselhos para os Jovens


Auto-aceitação

Quando chega a pré-adolescência e a adolescência, essa coisa da orientação sexual ainda não é muito clara para o adolescente, até porque ele não tem clareza do que é a sexualidade. Então, quando ele adquire clareza da orientação sexual e gostaria de sair do armário, entra o grande medo que esse adolescente tem de se revelar. Claro que esse medo vai depender do ambiente no qual ele vive como também da história dele de como foi essa percepção da diferença, se ele percebeu isso e aceitou de uma maneira natural ou se ele percebeu de cara que era uma coisa muito ruim. E aí, portanto, as suas dificuldades internas sem relação a isso, sua visão negativa, preconceituosa, sua própria visão, vai influenciar na maneira com ele vai administrar a questão de sair do armário ou não. De maneira geral, ainda existe uma homofobiainternalizada muito grande, porque não tem como você eliminar anos e anos de uma mensagem negativa a respeito da sua sexualidade. O grau de auto-aceitação varia muito, muito em função da mensagem que essa criança, esse adolescente, esse adulto vem recebendo na sua história de vida.


Saindo do armário aos poucos

Sair do armário pode ser feito de várias maneiras, por exemplo, sair do armário de forma seletiva. O que significa isso? O adolescente hoje entra na internet e tem um contato com uma comunidade que na minha época não existia, e hoje você tem um acesso direto. Esse jovem acaba muito mais estimulado a sair do armário de forma seletiva, para os amigos, começar a freqüentar lugares gays, etc, mas não necessariamente para a família, para a sociedade, porque ainda existe um grau de intolerância muito grande. Claro que, dependendo da família, de onde esse jovem cresce, ele pode ter maior ou menor facilidade de lidar com isso. sair do armário não é necessariamente um ato único em que o sujeito está fora do armáriopara todo mundo. sair do armário publicamente é a terceira e última etapa desse processo, que é muito mais longo. Por outro lado, também, hoje você tem mais modelos, você tem uma visibilidade um pouco maior, principalmente nas grandes cidades, o que torna essa situação teoricamente menos problemática do que era no passado, mas não necessariamente. Porque uma coisa é você ser aceito nesse pequeno grupo, outra coisa é ser aceito de maneira mais integrada na sociedade. Até em cidades como São Paulo você vê que não é muito fácil você se assumir de uma forma mais aberta.


Família: não há como prever a reação dos pais

Para sair do armário diante da família, é importante que esse jovem saiba que não há como prever a reação das pessoas. Portanto, qualquer tentativa de se mostrar está sempre sujeita às reações das mais diversas. Você tem história de pessoas que esperam que os pais tenham um ataque e os pais falam “ah, eu já sabia”, e você tem história de pessoas que achavam que os pais, liberais e tal, cabeça boa, vão lidar bem com isso, e quando contam os pais querem se matar. Então é importante lidar com uma certa incerteza em relação a como as pessoas vão reagir.


Compreender a dificuldade na aceitação

Segunda coisa: se a maior parte dos homossexuais demora alguns anos para se auto-aceitar, é importante entender que os pais não vão aceitar de uma hora para a outra. Se para eu que sou jovem homossexual é difícil, como é que eu espero que alguém vá aceitar da maneira mais imediata? È preciso também estar preparado para uma situação que não necessariamente vai ser exatamente como eu gostaria que fosse.


Planejando o momento de se abrir

O terceiro ponto que eu acho muito importante é, na medida do possível, que esse jovem planeje, faça um planejamento da saída do armário, porque muitas vezes acontece de uma maneira não planejada e na pior hora possível. Então numa hora numa briga fala: “e também eu sou gay”. Então, nessa hora, as coisas tendem a acontecer de uma maneira muito mais conflituosa do que se há alguma coisa planejada. Tenho uma história de um cliente meu de uns 20 e poucos anos que queria contar para a mãe mas não sabia como. Aí eu recomendei uma peça que estava passando em São Paulo, Norma, que trata da questão de uma maneira muito sensível, e tem uma redenção no final positiva, e todo muito se emociona. Ele levou a mãe no espetáculo, a mãe estava evidentemente sensibilizada, emocionada com aquela situação, ele falou, “bom, eu queria te contar que eu sou gay”. E foi muito bom, porque ele estava emocionalmente muito mais preparada para lidar com isso do que em outra situação. Então isso é o que eu chamo de planejar, qual é o melhor momento, em que não exista um outro conflito aparecendo.


orientação sexual não é só sexo

Outra coisa que eu acho importante, dentro desse planejamento, é se preparar para como eu vou dizer. È importante que esse jovem fale de sua orientação sexual de uma maneira ampla e muito mais profunda do que simplesmente “eu gosto de transar como homens ou transar com mulheres”, que esteja preparado para falar um pouco mais de seus sentimentos, de como isso surgiu, da dificuldade que tem sido, do medo que ele tem de repente não ser amado, de ser rejeitado, não ser aceito, a expectativa que ele tem dos pais de que continuem a amá-lo da mesma maneira, porque ele é a mesma pessoa, então estar mais preparado para falar de uma maneira muito mais significativa e profunda do que é a orientação sexual do que simplesmente dar uma conotação sexual. È importante que ele tenha clareza para entender na verdade o que é uma orientaçãohomossexual, que na verdade é uma atração que não é puramente sexual, mas também emocional, afetiva, é espiritual, estar preparado para dizer “olha, isso não é uma coisa que eu estou escolhendo, eu não aprendi com ninguém”.


A importância das amizades

Fora do núcleo familiar, é importante que esse jovem desenvolva certas alianças também na comunidadehomossexual. Aqui no Brasil ainda é uma coisa muito complicada, mas pessoas que possam dar a ele esse suporte, que possam, numa eventual situação de conflito familiar, a quem ele pode recorrer para ter algum suporte emocional, para não sentir abandonado. No Estados Unidos, porexemplo, é muito legal, você tem várias associações, tipo ONGs que nós temos no Brasil, que dão suporte para esse cara, ele recebe folhetos, vídeo, faz reuniões de “coming out”, ele se prepara para lidar com isso, tem o apoio da comunidade. Então, na medida do possível, ele ter algum suporte, algum amigo mais velho, que tenha passado por esse situação.

Esconder demais pode ser perigoso

Uma outra coisa em relação ao jovem que é muito importante: cuidado para não ser descoberto, que é uma coisa muito pior. Geralmente o jovem não conta, principalmente numa sociedade como a nossa em que as pessoa adoram viver na ambigüidade, ninguém fala nada, todo mundo sabe, mas ninguém quer falarabertamente, e aí se descobre e é muito mais complicado, tem a mentira, a falta de confiança. Quando a mãe descobre que aquela amiguinha com quem ele sai não é uma amiguinha, é um amiguinho, aí acaba tendo uma outra variável, que é a perda de confiança dos pais. Mas não tem uma regra pra isso, porque é muito difícil, mas, se ele decidir fazer, se achar que é o melhor caminho para ele, esse são os cuidados básicos: planejar e evitar ser descoberto.

9 comentários:

Anônimo disse...

BIXONA

Xênia da Matta disse...

Olha, não gostaria que você usasse do anonimato para xingar em meu blog.
Se você se refere a mim, posso lhe assegurar que não sou gay, estou casada pela 3 vez com um homem muito especial e temos 06 filhos.
Se eu fosse gay, não teria o menor constrangimento em assumir minha orientação sexual, coisa que parece que você não tem, uma vez que precisa postar anonimamente um xingamento e ainda por cima escrito errado: o certo seria Bichona.
Bjux e sucesso!!!!

Adriano Queiroz disse...

Tenho um perfil no twitter que divulga post de blogs que abordem o tema LGBT.
Divulguei o seu lá.
Se tiver indicações de post e blogs interessantes, pode me mandar e-mail.
Obrigado.

E-mail: lgbtblogs@gmail.com

twitter.com/LGBT_Blogs

Abraços.

blog da união disse...

se alguem ficar en duvida se é ou não no meu blog tem algumas dicas para ve se vc é ou não

blog-da-uniao.blogspot.com

Alex Nascimento disse...

Xênia...

Lindo post, principalmente por ser bem realista.

grande beijo

Lemon Blog disse...

Parabéns pelo post! Não se incomode com babacas como o anônimo que postou aqui, primeiro pq o cara é covarde, pois não tem coragem de colcoar nem o próprio nome, segundo que quem fica feio é ele, essa postura medieval ta começando a ser vista como babaquice pela nossa sociedade, embora muita coisa ainda tem que mudar e evoluir.

No seu post, que está ótimo, eu só mudaria a orientação. Orientação significa que vc tem uma escolha, se orienta em tal direção, no entanto homossexualidade não é escolha, nasce assim. Ninguém pede nem quer ser minoria e sofrer preconceito.

No mais, parabens pela iniciativa.

Xênia da Matta disse...

Obrigada por participarem valeu a força!
Bjux e sucesso!

Dani disse...

Postagem Maravilhosa!
Você colocou de forma objetiva a forma ideal ...infelizmente muitas pessoas(pais) ainda são intolerantes e enfim, nem ajuda psicologica conseguem fazer os pais aceitarem a orientação sexual de seus filhos..Não há como ajudar quem não quer,não é mesmo.
Abraços

cristao disse...

A matéria é falsa. Há fortes indícios de que homossexuais podem sim mudar sua "orientação" sexual. Se a senhora admite - por uma simples questão de coerência - que um homem possa fazer uma cirurgia para decepar seu órgão sexual porque diz se sentir como uma mulher, então o mínimo que pode fazer é considerar que alguém que sofra com o homossexualismo possa submeter-se a tratamentos muito menos agressivos para voltar - exatamente: voltar - à heterossexualidade, uma vez que nunca se comprovou cientificamente que um único ser humano haja nascido homossexual.