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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O casamento de crianças e adolescentes é uma prática comum na Índia.



O primeiro sinal de que uma procissão de casamento se aproxima é o batucar ruidoso que começa diante da porta do templo. É apenas um punhado de crianças com tambores- nada de especialmente musical.

O sacerdote, com cabelos longos e ralos tingidos de ruivo brilhante, mais lembrando o punk Johnny Rotten (vocalista do grupo de rock Sex Pistols) do que um dignitário de um templo hinduísta, se levanta sonolento, do chão de mármore nu.

Apesar dos ventiladores de teto em ação, o calor é sufocante. É uma típica procissão de casamento hindu.

O noivo está desajeitado e envergonhado debaixo de um turbante imenso, algo que evidentemente não está acostumado a usar, e com a testa marcada com um desenho especial.

A noiva, tímida, esconde o rosto por trás das dobras de seu colorido sari, as mãos recobertas de um intricado rendado pintado em hena. Mas há um porém: a noiva, Radha Javat, tem apenas 11 anos de idade.



É a primeira vez que ela vê seu marido, Kailash, que, com 20 anos, tem quase o dobro de sua idade. Eles estão se casando hoje, e Radha vai deixar a casa de seus pais e ir morar com a família de seu marido. Ela nunca esteve com nenhum deles antes.

A casa de seus pais fica a mais de 46 quilômetros de distância. Em se tratando da zona rural indiana, onde os carros são poucos, e os ônibus, raros, é uma distância grande." Não estou com medo", afirma Radha. Ela diz que está emocionada com o casamento.

Seus modos ainda são os de uma criança; a maquiagem colorida e brilhante argola que usa no nariz não conseguem fazer dela uma mulher.Sua irmã menor, Jyothi, está saltitando ao seu lado, invejosa do casamento de Radha. Para ela, não passa de brincadeira. mas não é.

Radha é uma das centenas de milhares de meninas obrigadas a se casar ainda crianças na Índia, todos os anos. Elas não têm escolha; seus pais decidem por elas.

No templo onde encontramos Radha, Jalpa Devi, em Rajgarh, autoridades registraram os nomes de 32 casais que celebraram seus casamentos no mesmo dia. Em 25 deles, pelo menos um dos noivos era menor de idade. E esse é apenas um templo entre as centenas de outros semelhantes espalhados pelo Estado de Madhya Pradesh e o vizinho Rajastão.

Dizem que até 200 mil casamentos de crianças acontecem por ano na Índia, embora não existam cifras oficiais. É um hábito que, de acordo com o Unicef, o Fundo das nações Unidas para a Infância, deixa um legado de mulheres com a saúde devastada por terem qualquer chance de estudar, negociadas por suas famílias como se fossem bens de compra e venda.


O casamento de crianças é ilegal na Índia. Era permitido sob governo colonial britânico, mas é ilegal desde a independência do país, em 1947.

Mas aplicar a lei é um processo difícil e repleto de perigos. Enquanto conversávamos com Radha e seu marido no templo, uma funcionária indiana do serviço de bem-estar infantil lutava por sua vida, não muito longe dali. O "crime" de Shakuntala Verma foi ter tentado impedir três meninas menores de idade de se casarem no povoado de Bhagar.

Os moradores da vila reagiram decepando uma das mãos dela e tentando matá-la. Verma, do Departamento de Bem-Estar de Mulheres e Crianças, só estava fazendo seu trabalho.

Ela foi informada de que três garotas menores de idade de uma mesma família iriam se casar no povoado. Então, um dia antes, ela foi até o local e fez uma visita à família. Exigiu documentos que comprovassem a idade das meninas e tentou convencer a família a desistir dos casamentos. Não conseguiu, e então voltou para casa.

Naquela noite, ouviu uma batida em sua porta. Quando a abriu, um rapaz lhe entregou uma folha de papel com seu nome e endereço e perguntou se era ela. Quando Verma respondeu, ele sacou uma espada e tentou cortar sua cabeça e suas duas mãos. Uma mão foi decepada completamente, a outra ficou gravemente ferida. Mas Verma teve sorte de não ter sido gravemente ferida na cabeça. Foram necessárias nove horas de cirurgia para reimplantar sua mão.
Agora ela está fora de perigo, e suas duas mãos foram salvas. A polícia prendeu um homem de 23 anos e o acusou de ataque. Mas sua experiência comprova o quão profundamente a prática dos casamentos infantis continua entranhado na sociedade indiana.

Quando encontramos Radha, ela estava com seu tio, Naru Lal, de 70 anos. Ele explicou, sorridente: "Se mantemos nossas filhas conosco até os 13 anos, elas apenas irão fugir com alguém. É melhor que se casem cedo".

Radha não era a menina menor que ia se casar naquele dia. Encontramos outra noiva de apenas dez anos, mas ela se negou a falar conosco.

Dois anos antes, Sharda Bai se casou com apenas dois anos de idade. Seu noivo, Gajraj Singh, tinha 16. Ela era tão pequena que seu pai precisou carregá-la para dentro do templo para receber a benção. Não são apenas meninas que se casam ainda menores de idade.

O jovem Lakshminarayan Ahirwar, de 15 anos, chega para se casar com sua noiva de 13 anos, Manju. Quando lhe perguntamos por que se casou tão cedo, ele responde em tom de desafio: "Não podem fazer nada comigo. Sou casado. Não cometi nenhum crime". pelas leis indianas ele cometeu um crime, sim, mas os policiais do lado de fora do templo não fazem nada.

"Tentamos impedir os casamentos de crianças", diz um deles. "Não podemos prendê-los por causa da pressão social. Damos conselhos a eles; é só o que podemos fazer". Mas um clima de medo cerca os casamentos de crianças.

Os moradores do povoado sabem que podem ter problemas. Ouvimos falar sobre um casamento que estava para acontecer e partimos para vila em questão para localizar o jovem casal.

Num primeiro momento, os moradores da cidade negam que o casal viva ali. Quando achamos a casa da família, o irmão mais velho diz que o casal não está lá. O ambiente se torna ameaçador.

" vocês vieram da parte do governo?", alguém pergunta. Lembrando o caso da funcionária que teve a mão decepada, partimos.

Na cidadezinha de Khujner, topamos com Sangeeta Sahu, que aparentava ter 14 anos. Quando lhe perguntamos sua idade, um funcionário local fez uma observação em hindi, esperando que ninguém fosse traduzir sua pergunta para o jornalista estrangeiro. " Qual é a idade legal para se casar?", perguntou o funcionário a um colega. " Dezoito anos, ele respondeu. Então diga a ele que você tem 19", ele aconselhou Sangeeta.

A idade mínima legal para o casamento, na Índia, é 18 anos para as mulheres e 21 para os homens. Mais adiante encontramos Manju Sahu. Ela não era parente de Sageeta. Aqui, todos os moradores do mesmo povoado usam o mesmo sobrenome.

" Tenho 15 anos", ela falou. "Não, espere - tenho16. Não 17". A primeira resposta parecia ser mais exata. Mas nem todas as noivas meninas vão viver com os maridos logo depois de casadas. A mãe de Manju disse que a guardaria em casa por mais um ano antes de deixá-la partir.

Com frequência isso faz parte do contrato de casamento. em alguns locais do Rajastão, as crianças ficam noivas praticamente assim que nascem, mas só se casam anos mais tarde. De volta ao templo de Jalpa Devi, Indrajit Singh Bais explica por que o costume dos casamentos infantis persiste até hoje.

Bais trabalha para o Departamento de Bem - Estar de Mulheres e Crianças, o mesmo que Shakuntala Verma. Ele está aqui para registrar os nomes de todos os pares recém- casados que procuram o templo, para que o departamento possa guardar um registro dos casamentos envolvendo menores de idade na região.

Às vezes ele tenta convencer os mais jovens desistirem da idéia. Mas não tem coragem de fazer mais que isso. "Eles o fazem por causa do analfabetismo", diz Bais. " Eles não cuidam de seus filhos. Os pais querem que seus filhos homens se casem o quanto antes para que suas mulheres seja mais mãos para ajudá-los no campo, na cozinha, na casa.

E os pais da menina querem casá-la logo porque, nesta comunidade, não existe dote. São os pais da noiva que recebem pagamento", ele conta." Nessa região existe uma tradição chamada 'natra'.
Se o casamento termina em separação, a garota volta para a casa dos pais. Então estes a vendem como esposa para outra pessoa. Isso pode acontecer diversas vezes, e a cada vez o preço diminui".

Em outras palavras, as mulheres, nesta região, são bens para serem vendidas. E, de acordo com Anu Dikshit, do Unicef, são as meninas que pagam o preço maior por se casarem tão jovens. "Isso não é um problema sério para os rapazes", diz Dikshit. " Não são eles que irão engravidar, cuja saúde será prejudicada, que não terão chance de fazer mais nada com suas vidas".

Recentemente, um grupo de meninas e jovens indianas se uniu para tentar se proteger contra o casamento infantil, dizendo a seus pais e comunidades que se negariam a se casarem antes dos 18 anos, exigindo ainda o direito de estudar.

Mas casos de rebelião, como esse, são raros na Índia, e quase impensáveis entre as comunidades analfabetas daqui. Quando informado sobre o que aconteceu com Shakuntala Verma, o ministro -chefe de Madhya Pradesh, Babula Gaur, reagiu de maneira tão deprimente quanto previsível. "

Depois de conversar com autoridades, não acho que o assunto guarde alguma relação com casamentos de crianças", declarou. " Não é possível pôr fim a isso ( o casamento infantil)", Disse ele.

" Por acaso conseguimos acabar com o alcoolismo ou a condição dos intocáveis? Se o próprio Gandhi não o conseguiu, como Babula Gaur conseguiria?" Enquanto isso, centenas de jovens em Madhya Pradesh continuam a ter suas vidas prejudicadas de maneira irreparável.

Fonte: Folha de São Paulo

Um comentário:

Castidade disse...

TV Globo / Propaganda / Preservativo / Religião.
Atenção Brasil! A Mídia está querendo fazer a cabeça da Igreja e da Religião para ser a favor do preservativo camisinha. Quando os senhores assistirem a Tv Globo, preste atenção que em um dado momento, aparece uma propaganda da camisinha, envolvendo a Igreja e a Religião. A Mídia acredita que a imposição da Igreja, referente ao assunto, é preconceito, mas não é preconceito não é dogma de Fé. Gênese 1, 22: Crescei e multiplicai-vos. Além do mais, a liberação da camisinha é um convite ao adultério, à traição. Deuteronômio 5, 18.
A Igreja independente de Denominação fique atenta para não ceder a essa manifestação incrédula. Se você leitor (a), é a favor do preservativo, não freqüente a Igreja. Não comungue, pois é uma perversão à Doutrina Religiosa. A Igreja não pode desprezar a Fidelidade e a Pureza! Além do mais, a AIDS não é uma epidemia comum, mas um castigo de Deus pelo sexo desordenado. (Gênesis 18, 16 / 19,38). Mesmo havendo a cura para a AIDS, o sexo não pode continuar livre. Na pior das hipóteses, que libere a camisinha para maiores de 18 anos. Os jovens precisam conservar a virgindade; a castidade para o casamento. Faço um apelo aos governantes: retire do ar com urgência essa propaganda da TV Globo onde anuncia incentivo da camisinha incluindo a Religião. Não podemos esquecer que o salário do pecado é a morte: Romanos 6, 23. Nada justifica ludibriar a natureza da Providência Divina. Acesse: http://mariano.soares.zip.net Atenciosamente,
Mariano.