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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O país sem ordem e sem progresso





     Sem nenhum desrespeito à nossa bandeira e sem o menor intuito de ridicularizar nossas instituições, meditemos um pouco sobre o que pretendia e pretende o país que ostenta semelhante lema num de seus três símbolos.

     Quem idealizou e aprovou o lema, supunha que progrediríamos somente com ordem e disciplina e que a ordem e disciplina nos conduziriam ao progresso. Isto quer dizer que, se progredimos sem ordem, o progresso não foi progresso. E, se admitimos a desordem social, de nada vai adiantar o progresso alcançado, posto que toda desordem leva ao retrocesso.

     Não é o que está acontecendo neste país onde campeia o medo, o desrespeito à lei e onde a falta de perspectivas leva o cidadão a gestos irrefletidos e desesperados. Afinal, a violência destes últimos anos tem ou não tem um componente social chamado fome? E, das desordens sociais, nenhuma é mais desagregadora do que a fome. Junte-se a isso a humilhação do desemprego, do subemprego, da impunidade para os grandes criminosos, o abismo de classes e uma série de outras injustiças gritantes e teremos nada mais e nada menos do que a indisciplina e a desordem como precursoras do caos e da anarquia.

     Entendemos que nem todos os assaltantes ou saqueadores são pessoas famintas. Haverá muitos que roubam, assaltam e matam por instinto animalesco. Mas não há como negar que muitos dos assaltantes e criminosos de hoje vêm de famílias desagregadas e de ambientes onde não existia a mínima condição de decência e humanidade. Quem nasce em ambiente marginalizado não se preocupa muito com ordem e progresso. O que ele quer é sobreviver, custe o que custar. Se é verdade que muitos pobres e oprimidos são modelo de humanidade, também é verdade que muitos outros são a prova do que se torna uma criança que jamais conheceu ternura e conforto.

     Séculos e séculos de marginalização. Décadas e décadas de raiva impotente acabam por explodir em violência. Os quebra-quebra de trens e ônibus, os assaltos cada dia mais ousados, o aumento dos assassinatos a sangue frio, a perda de valores morais, a desagregação da família e tudo o que se verifica no Brasil de agora tem um passado. Não veio de repente. Progredimos descompassadamente e com desordem para descobrir que não foi progresso porque serviu apenas a uma parcela privilegiada da população. A grande maioria viu o país a se modernizar e sentiu que os pobres perdiam terreno. Trabalham mais e ganham menos do que ganhavam seus avós. O país progrediu, mas a população sofreu um retrocesso econômico e moral.

     Para que o ideal da ordem e do progresso volte a ser verdade, o Brasil precisa voltar aos valores morais que já foram mais estáveis que os de agora. A ordem familiar, a ordem social, a justiça que é o nome do verdadeiro progresso, continua falha. Enquanto o Brasil for ordenado em favor de poucos, nunca teremos ordem e o progresso não será progresso. Avenidas iluminadas e edifícios ou supermercados suntuosos podem esconder milhares de trogloditas vestidos de terno ou de jeans. Não é isso o que a violência desses últimos anos sugere?


José Fernandes de Oliveira,
padre Zezinho, cantor e escritor.

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