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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Semana da Pátria

A Semana da Pátria acontece em torno do dia 7 de setembro, data em que se comemora oficialmente a Independência do Brasil. No ano de 1822, diversos grupos das elites brasileira e portuguesa discutiam quanto aos rumos que os países deviam tomar. Aristocratas e comerciantes do Brasil buscavam mais liberdade, em termos econômicos e políticos. Já as Cortes portuguesas desejavam uma recolonização do Brasil. Pedro de Alcântara, reunindo os interesses da opinião pública brasileira, de sua esposa d. Maria Leopoldina, e do ministro José Bonifácio, decidiu por proclamar a independência do Brasil.
Em uma versão romântica da história, este fato é apresentado como um ato heróico de d. Pedro I. Quando estava às margens do riacho Ipiranga, no estado de São Paulo, recebeu uma correspondência de d. João VI, seu pai e rei de Portugal, o qual exigia submissão ao Reino Português. Nesse momento, d. Pedro teria gritado as famosas palavras “independência ou morte!”, passando a ser o imperador do Brasil, aclamado e coroado, no final deste ano.
A Independência, no entanto, foi mais burocrática do que heróica. Para ser reconhecido como país independente, o Brasil precisava do reconhecimento oficial das outras nações. Para isso, mediante acordos comerciais extremamente desfavoráveis ao nosso jovem país, a Inglaterra usou seu exército de mercenários e seu prestígio internacional para garantir a independência. Além disso, nosso governo pagou a indenização de dois milhões de libras esterlinas a Portugal. O reconhecimento veio, finalmente, em 1825.
Passados quase 200 anos, ainda há quem discuta se o Brasil já conquistou, verdadeiramente, sua independência. Afinal, de lá pra cá, existiram muitos momentos em que o Brasil não foi soberano em suas decisões. A grande influência da Inglaterra no século 19 passou para os Estados Unidos no decorrer do século 20, e assim nosso país participou de guerras que não nos interessavam, teve instalada uma ditadura militar que interessava mais aos estrangeiros do que ao nosso povo e fez acordos que prejudicaram nossa economia e aumentaram nossas dívidas. Enquanto isso, grande parte da população continuou sofrendo as mesmas mazelas: fome, falta de cuidados médicos e de educação.
Em um mundo globalizado, regido pelas multinacionais, é impossível conquistar uma verdadeira independência dos interesses políticos e econômicos que manipulam as nações. No entanto uma visão menos heróica e mais realista de nosso passado pode nos ajudar a perceber que rumos nosso país precisa tomar.

O país sem ordem e sem progresso

Sem nenhum desrespeito à nossa bandeira e sem o menor intuito de ridicularizar nossas instituições, meditemos um pouco sobre o que pretendia e pretende o país que ostenta semelhante lema num de seus três símbolos.

Quem idealizou e aprovou o lema, supunha que progrediríamos somente com ordem e disciplina e que a ordem e disciplina nos conduziriam ao progresso. Isto quer dizer que, se progredimos sem ordem, o progresso não foi progresso. E, se admitimos a desordem social, de nada vai adiantar o progresso alcançado, posto que toda desordem leva ao retrocesso.
Não é o que está acontecendo neste país onde campeia o medo, o desrespeito à lei e onde a falta de perspectivas leva o cidadão a gestos irrefletidos e desesperados. Afinal, a violência destes últimos anos tem ou não tem um componente social chamado fome? E, das desordens sociais, nenhuma é mais desagregadora do que a fome. Junte-se a isso a humilhação do desemprego, do subemprego, da impunidade para os grandes criminosos, o abismo de classes e uma série de outras injustiças gritantes e teremos nada mais e nada menos do que a indisciplina e a desordem como precursoras do caos e da anarquia.

Entendemos que nem todos os assaltantes ou saqueadores são pessoas famintas. Haverá muitos que roubam, assaltam e matam por instinto animalesco. Mas não há como negar que muitos dos assaltantes e criminosos de hoje vêm de famílias desagregadas e de ambientes onde não existia a mínima condição de decência e humanidade. Quem nasce em ambiente marginalizado não se preocupa muito com ordem e progresso. O que ele quer é sobreviver, custe o que custar. Se é verdade que muitos pobres e oprimidos são modelo de humanidade, também é verdade que muitos outros são a prova do que se torna uma criança que jamais conheceu ternura e conforto.
Séculos e séculos de marginalização. Décadas e décadas de raiva impotente acabam por explodir em violência. Os quebra-quebra de trens e ônibus, os assaltos cada dia mais ousados, o aumento dos assassinatos a sangue frio, a perda de valores morais, a desagregação da família e tudo o que se verifica no Brasil de agora tem um passado. Não veio de repente. Progredimos descompassadamente e com desordem para descobrir que não foi progresso porque serviu apenas a uma parcela privilegiada da população. A grande maioria viu o país a se modernizar e sentiu que os pobres perdiam terreno. Trabalham mais e ganham menos do que ganhavam seus avós. O país progrediu, mas a população sofreu um retrocesso econômico e moral.


Para que o ideal da ordem e do progresso volte a ser verdade, o Brasil precisa voltar aos valores morais que já foram mais estáveis que os de agora. A ordem familiar, a ordem social, a justiça que é o nome do verdadeiro progresso, continua falha. Enquanto o Brasil for ordenado em favor de poucos, nunca teremos ordem e o progresso não será progresso. Avenidas iluminadas e edifícios ou supermercados suntuosos podem esconder milhares de trogloditas vestidos de terno ou de jeans. Não é isso o que a violência desses últimos anos sugere?
José Fernandes de Oliveira

Em nossas mãos está a mudança

A comemoração da Semana da Pátria nos coloca diante de muitos questionamentos: o Brasil que temos, o Brasil que queremos, as possibilidades de participação na construção desse sonho de ter um país para todos: com justiça e igualdade. Sonho ainda distante, mas razão da luta de tantos que já tombaram sem desistir. A semana culmina com o 7 de setembro, quando o grito dos excluídos, preso na garganta de tantos brasileiros, quer ecoar e se fazer ouvir.
Mudar o nosso país e a nossa vida requer entender que cidadania é uma condição construída historicamente. Não é somente ter direitos, liberdade de ir e vir, de pensamento e fé, de propriedade, de ter direitos sociais. É, sobretudo, ter vida digna, qualidade de vida, é sentir-se sujeito participante do mundo em que está inserido.

O grito dos excluídos diz não à cidadania de papel, que deforma e esmaga a sociedade brasileira. Renega a miséria, a falta de moradia, de desemprego e de educação.

O grito dos excluídos diz não às drogas, à prostituição, ao alcoolismo, à violência e à alienação. O grito dos excluídos condena o racismo, a destruição da natureza, o desrespeito à terceira idade e a corrupção.


O grito dos excluídos implora a igualdade de oportunidades e acredita na efetivação da célebre frase descrita na nossa bandeira: Ordem e Progresso.
Percebe o amor como a bússola que orienta o caminho dos humanos e a união como remédio necessário para o crescimento harmonioso e sustentável de um país que quer tornar-se desenvolvido. O grito dos excluídos quer um Brasil de cidadãos plenamente realizados e felizes por serem brasileiros.

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