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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Garota se finge de morta, é jogada em rio e sobrevive no interior de SP

A notícia vinculada hoje pelos jornais sobre a tentativa de homicídio de uma jovem de apenas 15 anos, pelo namorado, de 18 anos, e pelo tio dele de 33 anos, revela uma sociedade sem valores morais e éticos. Um verdadeiro absurdo! 

Notícia retirada no G1 de 01/09/2009: 

"Uma garota de 15 anos, de Indaiatuba, a 98 km de São Paulo, se livrou de ser assassinada pelo ex-namorado ao se fingir de morta na noite de sábado (29). Ela foi jogada no Rio Capivari, em Monte Mor, a 117 km da capital paulista. O ex-namorado, um rapaz de 18 anos, foi preso junto com seu tio, de 33 anos, por suspeita de tentar matar a menina.
 Segundo a Polícia Militar, os dois acusados obrigaram a garota a entrar no carro em Indaiatuba e seguiram em direção a Monte Mor. No caminho, a menina foi agredida pelo ex-namorado, que a enforcou. 
De acordo com o registro na polícia, a garota fingiu perder os sentidos, e os dois suspeitos acreditaram que ela tinha morrido. A jovem foi jogada da ponte sobre o Rio Capivari a uma altura de cerca de 15 metros. Ela conseguiu nadar e pedir ajuda a um morador, que chamou a polícia. 
Os dois suspeitos foram presos na casa onde moram, no Jardim Morada do Sol, em Indaiatuba. O caso foi registrado na delegacia de Indaiatuba. " 

Cabe a nós, pais educadores fazer uma reflexão sobre quais os fatores que tem levado os nossos jovens a um nível tão elevado de violência...

A sociedade está em constante evolução socioeconômica. As pessoas estão cada vez mais voltadas para o trabalho, os estudos e o crescimento pessoal. Com esta mudança comportamental, as famílias estão deixando de ser um modelo tradicional paraassumirem outros padrões de convivência.
Em decorrência dessa mudança, entre os membros de algumas famílias diminuiu o respeito entre pais e filhos, o diálogo do dia-a-dia foi trocado pela televisão e pelo mundo virtual da internet. É cada um por si, dentro de um egoísmo perverso.

A era da globalização e da tecnologia avançada é uma grande conquista do homem na busca de melhores condições na qualidade de vida para a sociedade, os meios de comunicação estão mais amplos e mais velozes, os acontecimentos são difundidos em tempo real para o mundo todo. No entanto, em um mundo de transformações tão rápidas, imprevistas e radicais, nos deparamos com sua complexidade, sua crise e seu susto diante dos novos problemas emergentes: as relações familiares, relações comunitárias e a ausência de um projeto de vida para viver o cotidiano dos nossos jovens e adultos.

A era da Internet está desvinculando as pessoas de seu principal meio de comunicação, que é a forma verbal, não existe mais o compartilhamento de idéias, alegrias ou tristezas entre familiares, amigos ou colegas de escola e de trabalho, a comunicação está restrita aos e-mails, orkuts, menssenger, facebox, fotolog e outros tantos meios virtuais.

A família está perdendo seus valores básicos, dando espaço para as desestruturações familiares, sociais e econômicas, onde as pessoas são afetadas emocionalmente, abrindo as portas para a depressão, as violências, ao stress, à fragilidade, ao acometimento de diversos tipos de doenças, e também, ao mundo do álcool, das drogas e da criminalidade.

Dentro deste contexto social surge o mundo paralelo da violência, da AIDS e das drogas, atingindo a maioria dos jovens que, sem o apoio da família, sem um caráter bem estruturado, buscam o refúgio nesse mundo obscuro da vida que os leva muitas vezes até à morte.

TRAGÉDIAS GREGAS CONTEMPORÂNEAS

Filhos que matam pais. Netos que assassinam avós. Tios que tiram a vida de sobrinhos. Pais que matam filhos. Realmente, soam atuais as palavras do mais famoso príncipe da Dinamarca quando se referiu ao estado das coisas em seu reino. São tragédias que muito se assemelham àquelas da ficção, as quais penso ter, por pano de fundo, salvo casos patológicos, o problema da desagregação familiar que parece ter se hospedado nos lares, despejado os valores da fraternidade e da alteridade, tomado o coração dos homens e proporcionado, sem prejuízo de outras causas, o incremento nos índices de violência.

Certa feita, Sêneca disse, a respeito dos gladiadores romanos, que eles eram entregues às feras logo de manhã e, no meio do dia, eram jogados ao público. Pois bem, hoje, em termos de exposição à violência das ruas, a regra, infelizmente, é essa: pela manhã, são os pais (que se dirigem ao local de trabalho); ao meio-dia, são seus filhos (que vão ou retornam da escola).

Penso que vários são os fatores desencadeadores da violência que nos cerca. O materialismo exacerbado que leva a pessoa a fazer tudo para satisfazer seus desejos, ainda que tenha que exterminar seu semelhante por causa de uma ninharia. A omissão da sociedade civil, que cobra do Estado uma relação paternalista, vinculação esta já sepultada pela História. A dificuldade do Poder Executivo em implementar ações sociais afirmativas, sem se esquecer das repressivas, que fazem a linha de frente contra os delinqüentes, tais como o policiamento comunitário e a efetivação da ótima Lei de Execução Penal.

Ainda saliento a postura do Poder Legislativo na criação de leis penais lenientes, que vão na contramão da onda de violência que afoga os cidadãos, que fazem lembrar a feliz constatação de Roberto Campos, de que o problema brasileiro não é de inflação legislativa, mas de diarréia normativa. A morosidade do Poder Judiciário é patente, sobretudo no julgamento dos processos criminais, transmitindo a sensação de impunidade para o cidadão, o que é provocado pelo enorme número de feitos sob a responsabilidade dos juízes e por leis penais e processuais penais anacrônicas. Enfim, alguns setores minoritários da imprensa falada e escrita também procuram chamar a atenção dos leitores com manchetes sensacionalistas que envolvam o tema em foco.

As soluções possíveis têm sido apontadas diariamente pela mídia com maiores ou menores variações e, no geral, consistem na tomada de atitudes que evitem as críticas aqui feitas e repetidas aos quatro ventos. Todavia, noto que, dentre as respeitáveis sugestões, não recebem a devida atenção aquelas reforçam o vínculo familiar sob qualquer ângulo, como, por exemplo, por intermédio de medidas legislativas ou ações afirmativas.

A família é a célula básica de uma sociedade. O vigor de todo o tecido social está umbilicalmente ligado a cada uma dessas células. Os problemas sociais, inclusive o da violência, são causados por pessoas, as quais nasceram em uma família e nela se amadureceram ou se envileceram; aprenderam a noção de amor ou de ódio ao semelhante; souberam viver a fraternidade ou conviveram sob a “Lei de Gérson”; foram preparadas para enfrentar as dificuldades da vida ou sofrem ante o menor contratempo; enfim, a família é a fonte emergente dos valores do homem e se ela adoece, a sociedade sucumbe. Vale a pena nela investir.

Por fim, enquanto houver homens, haverá desventuras, dada a falibilidade de nossa natureza. Não sejamos utópicos. Mas tal fato não nos isenta de empenhar todo o esforço possível para combater todo tipo de violência, certos de que, nesta árdua jornada, a esperança nos protegerá do desânimo, fornecerá alento diante de qualquer esmorecimento e dilatará nosso coração na perseverança.

Assim, tragédias gregas, tais como a de Faetonte, que caiu do carro do sol, após ter sido alvejado por um raio lançado por Júpiter, depois de ter consultado o pai daquele jovem, não mais ultrapassarão os limites dos livros de mitologia e nem ganharão versões contemporâneas.

3 comentários:

LISON disse...

SAUDAÇÕES!
AMIGA XENIA,
O seu texto é repleto de verdades incontestáveis com variantes ilustradas e fato em tela robustecendo-o.
Penso que a partir do momento que os responsáveis contribuem e arremessam ao lixo os valores morais que deveriam continuar a nortear na construção da família, fica decretado o falecimento da própria família. O distanciamento do mundo cristão, do sagrado, e ou todos os seus seguimentos, robustecidos pela total falta de diálogos é uma fábrica de cânceres.
O resultado é esse que você publicou e integra a estatística negra da nova história da humanidade.
Parabéns pelo magistral texto!
Abraços!
LISON.

Diacono Sergio Christino disse...

Olá, seu blog esta de parabéns, vejo nesta matéria somente a Palavra de Deus se cumprindo, e chegará a hora onde o amor se esfriará, e teremos pais contra filhos, filhos contra pais, irmãos contra irmãos, o nosso amor pelas o ser humano está acabando, estou lhe seguindo no dihitt e estou levando seu blog comigo. Amém

Xênia da Matta disse...

É uma honra ter aqui dois grandes comentaristas como vc Lison e vc Sérgio. Muito obrigada por me acompanharem. Fiquem com Deus e voltem sempre...
Bjux e sucesso!