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domingo, 6 de setembro de 2009

Suicídio é um pedido de socorro, uma forma de querer voltar a vida.


"O suicídio faz com que os amigos e familiares se sintam seus assassinos".
(Vicent Van Gogh)



Hoje recebi a notícia trágica da morte de um amigo que se matou por enforcamento. Solteiro, com 45 anos, aparentemente bem sucedido, alegre, não consegui encontrar um motivo para que isso tenha ocorrido. Pesquisei pela net vários artigos relacionados ao tema e montei este post com o intuito de prevenir as famílias, alertar aos jovens que viver é um dom de Deus e que merece ser bem cuidado.
Não vamos aqui julgar ninguém, apenas, tentar expor as situações e agravantes que podem desencadear um auto extermínio a fim de que isso seja evitado por todos nós.


PENSAR EM MORTE É COISA NORMAL NA ADOLESCÊNCIA


A idéia do suicídio passar pela cabeça de alguém na adolescência é uma coisa normal. As palavras são do psicanalista Tenório Lima.
Segundo ele, o fato de um adolescente falar que pensa em se matar não significa que ele fará isso um dia.
O roqueiro que só quis se identificar como Carluxo, 22, é um desses. Quando eu tinha uns 19 anos vivia falando de suicídio. Eu me sentia em um labirinto. Queria morrer. Mas percebia que não valia a pena.
Segundo ele conta, a mania de brincar com a morte era normal entre seus amigos. A gente curtia bandas que cantavam músicas com letras depressivas.
Esse comportamento, segundo Tenório Lima, é comum em certos grupos durante a adolescência. Alguns teens romantizam a tristeza e a melancolia e fazem disso uma postura estética.
Ele explica que isso pode atenuar a depressão. Quando a angústia é compartilhada com os amigos, as coisas ficam mais fáceis e até divertidas.
Lima lembra ainda que os mais criativos podem transformar sua tristeza em arte, como poesia e letras de música. É o que fazem darks e punks.
Outro ponto ressaltado pelo psicanalista é que, quando a idéia de suicídio é exposta claramente, ou seja, quando é discutida, é mais difícil que ela se concretize.
Qualquer coisa que passa pela linguagem é atenuada. Se alguém diz que tem medo de um dia vir a se matar, provavelmente não vai fazer isso.




No filme Milk - A voz da igualdade, o protagonista Harvey Milk (interpretado por Sean Penn, que ganhou o Oscar pela atuação) recebe um telefonema crucial na noite em que aguarda o resultado de sua eleição para o cargo de supervisor em São Francisco (Califórnia).
Do outro lado da linha, um jovem do interior dos Estados Unidos ameaça se matar por não conseguir lidar com o preconceito que sofre por ser gay. Sem saber a quem recorrer, liga para Milk, cuja foto viu em um jornal. O político e ativista conversa por alguns momentos com o garoto, mas oferece a ele exatamente o que ele precisa: alguém que o escute.

Na tela, a cena cumpre o propósito de emocionar (e também de incrementar a história). Mas, na vida real, não é tão simples assim. Crianças e adolescentes enxergam no suicídio uma opção para fugir da escuridão em que vivem - e da qual acreditam que não conseguirão sair. 

De acordo com Adriana Pereira, psiquiatra infantil e pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), o número de suicídios entre os jovens aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Segundo a médica, mais de 3 milhões de jovens pensam em se matar todos os anos. 

Assim como o crescimento dos casos de depressão na infância e na adolescência, as taxas de suicídio também estão ligadas à fragilidade dos laços afetivos e à solidão de um mundo em que crianças e jovens vivem sozinhos na multidão. Adriana chama esse problema de "privação emocional".

O psicólogo Hélio Alves, professor da Universidade Católica de Santos (UniSantos), acredita que esse sentimento também se manifesta com outras agressões. Bulimia, anorexia e o uso de drogas também são formas de acabar com a própria vida - a insegurança e a falta de relacionamentos confiáveis geram a busca pela autodestruição.

A CADA 40 SEGUNDOS

O ato de acabar com a própria vida ainda representa um tabu na sociedade. Mas hoje, o suicídio está mais próximo de nós do que nunca. Em uma busca simples pela palavra na internet, o site Google mostra quase oito milhões de referências a esse termo, com especificações: "como cometer suicídio", "tipos de suicídio" e até mesmo "fotos de suicídio". Em todo o mundo, a cada 40 segundos, uma pessoa se mata.

"Um grande problema do suicídio infantil e juvenil é a notificação", afirmou Adriana. Isso porque, muitas vezes, os pais, médicos e professores não sabem (ou não querem) reconhecer a tentativa da criança ou adolescente de tirar a própria vida. O aumento no número de intoxicações por ingestão de remédios ou venenos pode ser um indicativo das intenções que se escondem por trás de um "acidente". Muitas crianças e adolescentes exteriorizam sua depressão por meio de dores físicas (de cabeça ou de estômago, por exemplo).

A especialista alerta que o ato de se matar é capaz de afetar de maneira negativa até seis outras pessoas, entre amigos e familiares da vítima. "É um choque muito difícil de se recuperar".


LONGO CAMINHO

Adriana explica que, embora a adolescência seja um período conturbado para a maioria das pessoas, por conta das mudanças orgânicas e emocionais dessa época da vida, alguns jovens são mais propensos a sentimentos depressivos. "Um jovem não decide se matar de uma hora para a outra. Há um longo caminho entre o desejo de morrer e a conclusão".

Segundo Alves, o perigo da depressão  e o consequente suicídio  pode passar despercebido por pais e professores. "A negação acontece. É mais fácil não olhar e não admitir a própria culpa".

É importante ter um espaço em casa para as discussões entre pais e filhos. "O grupo de amigos nunca vai substituir o diálogo com a família. Mesmo com a nossa vida agitada, o ideal é prevenir esses problemas e não deixar para o dia seguinte", conclui Alves.


Como identificar


  • Falta de interesse nas atividades habituais
  • Declínio geral nas notas 
  • Diminuição no esforço/interesse 
  • Má conduta na sala de aula 
  • Faltas não explicadas e/ou repetidas, ficar "matando aula" 
  • Consumo excessivo de cigarros (tabaco) ou de bebida alcoólica, ou abuso de 
  • drogas (incluindo maconha) 
  • Incidentes envolvendo a polícia e o estudante violento 
  • Tentativas prévias de suicídio 
  • Depressão 
  • Confronto com adultos 
  • Agressões diretas ou indiretas a pais e professores 
Fonte: Organização Mundial de Saúde

Pensamentos suicidas

Muitas pessoas pensam em suicídio ou dizem coisas como "eu queria estar morto" em momentos de grande estresse. Para a maioria das pessoas, esses pensamentos são uma maneira de expressar raiva, frustação e emoções fortes. Eles podem não ser um sinal de problema. Entretanto, pensamentos suicidas podem ser um sinal de necessidade de ajuda quando:

  • Não vão embora

  • Levam a ameaças, gestos ou tentativas de suicídio

  • São sintomas de problemas médicos ou doenças mentais como:

    • Depressão. Até 70% das pessoas que cometem suicídio tinham sofrido de depressão no período que antecedeu suas mortes.

    • Distúrbio bipolar (maníaco-depressivo) - um distúrbio do humor, de exaltação/euforia (mania) para depressão severa. O suicídio pode ocorrer tanto na fase depressiva como na fase de mania.

    • Esquizofrenia - um grupo de distúrbios mentais em que existem graves alterações no pensamento, humor e comportamento. A pessoa vivencia ilusões, alucinações, pensamentos desordenados e/ou emoções inapropriadas.

    • Luto/sofrimento - a perda de uma pessoa amada pode provocar pensamentos suicidas. A pessoa pode achar difícil continuar vivendo sem a pessoa amada ou querer ficar com ele/ela na morte.
    Suicídio:

    • É mais comum em homens do que em mulheres. Homens cometem 4 vezes mais suicídios do que as mulheres.

    • As mulheres tentam o suicídio 3 vezes mais do que os homens. Mulheres jovens tentam o suicídio de 4 a 8 vezes mais do que homens jovens.

    • Tem a maior taxa entre adultos acima de 65 anos.

    • É a terceira maior causa de morte em jovens com idade entre 15 e 24 anos.
    Ameaças e tentativas de suicídio são a maneira de a pessoa tornar pública sua necessidade de ajuda e de atenção. Ameaças e tentativas de suicídio nunca devem ser menosprezadas ou consideradas como um "blefe". Em sua maioria, as pessoas que ameaçam ou tentam o suicídio mais de uma vez, se não impedidas, acabam conseguindo.
    Prevenção e tratamento
    Prevenção e tratamento incluem:

    • Saber quais os sinais de alarme do suicídio.

    • Fazer cursos que ensinem como solucionar problemas e de consciência sobre o suicídio em escolas ou na comunidade.

    • Dar atenção e tratar os problemas emocionais que levam ao pensamento suicida e às tentativas de suicídio, com tratamento médico para doenças físicas e/ou mentais como a depressão. Estes incluem monitoramento do uso da medicação, quando for utilizada.

    • Terapia individual e familiar

    • Atendimento de emergência e hospitalização (se necessário) depois de uma tentativa de suicídio

    • Manter armas de fogo, drogas e outros meios de cometer suicídio fora do alcance das possíveis vítimas.
    Perguntas a fazer
    (Nota: Em alguns casos de suicídio, não há e não se notam sinais de alerta.)
    Algum dos sinais abaixo está presente?
    • Tentativas de suicídio
    • Planos de cometer suicídio sendo feitos
    • Pensamentos repetidos de suicídio ou morte

    Junto com os pensamentos de suicídio e morte, algum dos sinais abaixo está presente?
    • Depressão
    • Distúrbio maníaco depressivo
    • Esquizofrenia
    • Qualquer outro problema de saúde físico ou mental




    Os pensamentos suicidas ocorrem em decorrência de alguma das causas abaixo:
    • Tomar, parar de tomar ou mudar a dose de algum medicamento receitado
    • Uso de drogas ou abuso de álcool

    Tem havido muito menos interesse ou prazer em quase todas as suas atividades? Há humor depressivo na maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos nas 2 últimas semanas? Ou, você tem estado deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias das últimas 2 semanas, e teve algum dos sintomas abaixo?
    • Sentir-se lento ou irrequieto ou incapaz de ficar parado
    • Sentimento de culpa ou de inutilidade
    • Mudanças no apetite ou ganho ou perda de peso
    • Pensamentos de morte ou suicídio
    • Dificuldade em se concentrar, pensar, lembrar ou tomar decisões
    • Dificuldade para dormir ou dormir demais
    • Falta de energia ou sentir-se cansado o tempo todo
    • Dores de cabeça
    • Ouras dores
    • Problemas digestivos
    • Problemas sexuais
    • Sentir-se pessimista ou desesperançado
    • Estar ansioso ou preocupado

    A pessoa agiu de alguma das maneiras abaixo recentemente?
    • Dar suas coisas favoritas, limpar a casa e colocar os assuntos legais em ordem
    • Comprar ou obter uma arma ou comprimidos que possam ser usados para suicídio
    • Fazer afirmações ou perguntas repetidas que indiquem pensamentos suicidas, como "Eu quero morrer", "Eu não quero mais viver" ou "Como uma pessoa faz para deixar seu corpo para a ciência?
    • Fez gestos suicidas, como parar na beirada de uma ponte, cortar os pulsos com um instrumento cortante, ou dirigir de maneira imprudente de propósito
    A pessoa que está pensando em suicídio tem outros familiares que cometeram ou tentaram cometer suicídio?

    Os pensamentos suicidas surgiram em decorrência de alguma das situações abaixo:
    • Uma separação
    • Um divórcio
    • A morte de uma pessoa amada ou uma perda como a de um emprego
    • Uma rejeição
    • Ter sido ridicularizado
    Dicas de autocuidado

    • Se você está tendo pensamentos de suicídio: Conte para alguém. Converse com um membro da família, amigo ou professor de confiança. Se para você for difícil falar com alguém diretamente, escreva seus pensamentos e deixe alguém lê-los.

    • Ligue para o telefone de prevenção de suicídios ou de crises. Faça acompanhamento do problema com uma visita ao seu médico ou a um centro de saúde mental local.

    • Procure um terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

    4 comentários:

    Ebrael Shaddai disse...

    OI Xenia!!

    Confesso q, eu sempre com um repertório grande de um monte de coisas, não estou encontrando nada para comentar. Vc disse tudo, dissecou o assunto sem deixar nem os ossos para nós roermos...kkkkkkkkkkkkkkk

    Mas assim. Sinto q, como todas as tragédias em nossas vidas, o suicídio (ou o desejo de) está ligado a um desequilíbrio (quando falo em desequilíbrio, incluo EXCESSOS OU CARÊNCIAS de algo). Mas desequilíbrio de que?? Qual princípio estaria em desequilíbrio??

    Por intuição, pensando em suicídio, me vem de repente a palavra "vaidade".

    Não sei explicar exatamente porquê. Por exemplo, uma pessoa bem-sucedida ou um jovem superpaparicado e rico, pode muito bem ter superalimentado sua vaidade e orgulho a tal ponto que, não conseguindo satisfazer suas necessidades necessidades afetivas básicas, acaba não aceitando q ele próprio e a forma como age não seja suficiente para ser "bom" para os outros. E por vaidade não quer mudar, mudar o "paradigma". O mundo é pequeno demais para sua vaidade e o necessário para dar um passo diferente.

    Por outro lado, a carência de vaidade saudável (a que eu chamo de amor-próprio) pode levar a pessoa a se submeter a situações humilhantes e degradantes. Isso acontece entre pessoas e crianças reprimidas pela família ou pelo sistema em q estão inseridas. Quando sentem q "não podem" ser "normais" e felizes como os outros, se sujeitando à "tirania" de outrem, elas vêem no suicídio uma forma de fuga ao sofrimento.

    No entanto, concluindo, o suicídio é um desequilíbrio na auto-estima, vaidade pessoal. É um egoísmo exacerbado de quem:

    - no primeiro caso, acha que tem poder demais para ir na direção contrária da maré;

    - no segundo caso, acha q não consegue deixar de ser levada pela maré e nadar para os mares do Sul, onde será feliz.

    Bjs e bom domingo!!

    cucasuperlegal disse...

    Oi, Ebrael,
    valeu pelo comentário.
    É sempre bom tê lo por aqui.
    Obrigada.
    Bjux e sucesso!@

    Cris disse...

    Excelente post. Como tenho um jovem em casa, estarei mais atenta aos sinais, entretanto, estamos felizes e não pensamos em suicídio.

    Na minha opinião, a religiosidade ajuda a pessoa a se manter equilibrada e mais forte para poder lidar com os problemas da vida. Não nos sentimos carentes quando estamos equilibrados.

    É claro que nos casos de doenças mentais, como você citou, a religiosidade por si só não resolve sendo necessário a administração de medicamentos e acompanhamento psicoterapico.

    Beijocas

    Xênia da Matta disse...

    Oi, cris,
    obrigada por participar aqui conosco.
    Bjux e muito sucesso sempre!