Mensagem do dia

Estude! Saber é o maior diferencial que existe!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Trânsito: a vida em primeiro lugar







A violência no trânsito é a resposta ao grande individualismo em que se vive. Todos acreditam ter direito sempre: se está pedestre, crê ter direito a usar a via para fazer as caminhadas; se está condutor(a), acha que pode desobedecer o semáforo recém-fechado para chegar ao local desejado o mais depressa possível. Precisamos estabelecer que a vida tem que ser colocada sempre em primeiro lugar.

     Ficamos muito felizes em saber que hoje o trânsito é também uma questão de saúde pública. Isso foi um grande ganho. Hoje temos mais pessoas inseridas neste trabalho de educação para o trânsito seguro.

     Temos uma visão de que o jovem tem sede de viver. Mas é uma sede de tudo. Ele quer tudo, ele pode tudo, ele tem que viver tudo agora e não pode perder tempo para nada. E, infelizmente, os índices de mortalidade no trânsito são maiores entre os jovens dos 19 aos 29 anos de idade. O que estaria faltando para os jovens, para que eles pensem, coloquem mais amor à própria vida, pensem mais no seu próprio futuro?

     Quase toda a educação, hoje, passa pelo professor. Aquela educação que era recebida no lar está transferida quase toda para a escola. Como pais e mães vão cobrar a responsabilidade no trânsito, se dão o carro para um filho menor de idade para sair no final de semana ou até quando deixam que ele desloque o carro dentro do pátio, dê uma volta na quadra, e essas coisas todas? Esta é uma responsabilidade grande que se concede a ele. Depois, como freá-lo? Como proibir esta direção?

     Outra coisa, quando se está dirigindo, e o filho fica sentado atrás, ou até mesmo na frente, e se diz a ele: “Quando enxergar a polícia, você deve se abaixar”. Que exemplo está sendo dado? Ou quando o celular toca e a pessoa atende ao volante... Existem vários maus exemplos que os adultos acabam dando para as crianças, para os jovens e isso eles levam para o volante futuramente.

A “cultura” do carro

     Ainda há a idéia de que o jovem se sente com mais poder, com mais potência atrás de um volante. Ele consegue as melhores meninas ou a menina que tanto almeja. E tem também a questão do racha, disputas entre carros que são reponsáveis por acidentes fatais entre os jovens: o culto ao poder da velocidade. A própria mídia propaga esta idéia de poder através do carro: a pessoa vive para o carro. Então, esses conceitos acabam sendo passados para o jovem e ele associa isto a uma idéia de liberdade. E é a partir destes sentimentos que ele se joga na rua.

     Muitas pessoas preocupam-se em adquirir um automóvel, antes de adquirir sua casa própria. E hoje as ofertas são incríveis: há muito favorecimento para que as pessose compre um carro. Não temos nem vias que comportem o número de automóveis que as montadoras estão produzindo. O transporte coletivo é precário, é de má qualidade, mas muita gente nem sabe disto porque vive a “cultura do automóvel”.

     Por que tivemos que criar uma lei de “tolerância zero” (Lei Seca 11.705) para controlar a questão da mortandade? Toda vez que falamos “digir e beber são duas coisas que não combinam”, as pessoas não acreditam. Tem quem afirme que quando bebe dirige melhor ainda. Mas isso não é verdadeiro. Seria importante manter esta lei ativa, pois com ela a fiscalização tem o amparo legal e fará com que o trabalho de fiscalização no trânsito realmente tenha efeito.

     O que precisamos, de fato, é que os donos dos estabelecimentos, de bares e restaurantes, entendam que esta lei está protegendo a vida. Uma iniciativa interessante, divulgada pelo Ministério do Transporte, e que não foi levada a sério, é o amigo da vez: a pessoa que não bebeu se dispõe a levar os amigos em segurança de volta pra casa.

     Quem faz parte do Movimento Gaúcho pelo Trânsito Seguro são comprometidas com essa causa de conscientizar a sociedade para que todos se desloquem com segurança. É importante que as pessoas tenham muita clareza do motivo por que a criança tem que ficar no banco de trás, numa cadeirinha especial; por que não falar ao celular enquanto dirige; a importância do encosto de cabeça no banco traseiro; a importância dos equipamentos de segurança; por que não jogar lixo pela janela do carro etc.

Atividade:
Júri Simulado - Lei Seca

Com o objetivo de debater sobre a Lei Seca, fazer um exercício de participação e elaboração do senso crítico. A estratégia é formar dois grupos, ficando em números iguais. Todos participam, exceto os jurados e o juiz.

Participantes
Juiz: dirige e coordena a sessão e o andamento da atividade.
Jurados: ouvirão todo o processo e no final irão se reunir para declarar o veredito, determinando uma pena ou indenização a ser cumprida.
Advogados de defesa: defendem o réu (a Lei Seca) e respondem às acusações feitas pelos promotores.
Promotores (advogados de acusação): devem acusar o réu (a Lei Seca), a fim de condená-lo.
Testemunhas: falam a favor ou contra o acusado, pondo em evidência as contradições e argumentando junto com os promotores ou advogados de defesa.


Observações
É importante, antes de iniciar o Júri Simulado, fixar bem o tema, apontando quais fatos serão julgados. Para tanto será importante realizar algumas combinações anteriormente, preparando os argumentos das partes. Após o Júri, deve-se avaliar a atividade, ressaltando a participação de todos.


Maria Brasilina Meleu de Oliveira,
coordenadora do Movimento Gaúcho pelo Trânsito Seguro e agente de fiscalização de trânsito, Viamão, RS.
Endereço eletrônico: brasilinameleu@terra.com.br

Nenhum comentário: