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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Como lidar com a internação de um familiar em UTI





Ter um familiar internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é motivo de estresse, ansiedade e distúrbios de humor para os parentes, que, de uma hora para outra, ficam distantes de seu ente querido. E ainda, sentem se impotentes, com medo de perdê lo.  Após a internação não há muito o que fazer além de aguardar por notícias na sala de espera. É exatamente neste momento tão delicado que equipe de saúde e familiares precisam estabelecer um relacionamento de confiança. A parceria entre estes dois pólos interfere positivamente em todo o processo de internação e tratamento do doente.

Cada vez mais, a medicina percebe que não só os doentes, mas os familiares dos internados precisam da atenção da equipe de saúde. Em artigo falando sobre o assunto, Márcio Soares, médico do Instituto Nacional do Câncer do Rio de Janeiro, destaca que a responsabilidade pelo cuidado e atenção neste trato com a família é de todos os integrantes da equipe de UTI.

“Muitos profissionais de saúde das UTI ainda acreditam que o cuidado dos familiares dependa basicamente de habilidades e características individuais, e que esta responsabilidade seja exclusiva de profissionais específicos como psicólogos e assistentes sociais. Entretanto, embora esses profissionais tenham extrema importância nesse processo, o cuidado dos familiares é de responsabilidade de todos [da equipe]”, afirma Márcio.

A enfermeira Roberta Berte, que enfrenta diariamente a rotina de acompanhar pacientes internados naUTI do Hospital Prontomed concorda com o médico carioca. Segundo Roberta, a relação entre familiares e equipe de saúde da Terapia Intensiva precisa ser de troca, já que a família desempenha o papel fundamental de repassar informações que o próprio paciente muitas vezes não está em condições de expressar. “Precisamos ter a família como aliada. Durante o período de internação, são eles que vão nos passar detalhes sobre o paciente, apresentar dados que nós não temos como conseguir de outra forma e que podem auxiliar no tratamento”, explica a enfermeira.

Do outro lado, a equipe de saúde precisa encontrar a unidade, evitando repassar informações desencontradas para os familiares, e demonstrando disponibilidade para atendê-los e apóia-los sempre que possível. Neste ponto, o artigo do médico Márcio Soares frisa que a comunicação com os parentesde um internado deve ser feita de modo claro e com a utilização de termos que sejam compreensíveis, pois a utilização de expressões técnicas ou do uso do jargão médico pode dificultar a compreensão, gerando outras interpretações.

A hora da visita

Para que toda esta relação de troca funcione bem, os familiares precisam controlar a ansiedade em ver e visitar o paciente. Roberta ressalta que a UTI é um espaço de tratamento e, como tal, possui uma rotina e segue regras de funcionamento. Por isso, não é concebível a presença desregrada dos familiares dentro deste espaço.

“O familiar precisa compreender que sua presença dentro da UTI acaba por modificar toda a rotina do local, nosso fluxo de trabalho. Em vez de estar focada totalmente no paciente, e em suas condições, a equipe precisa se preocupar em atender as demandas daquele familiar, que quer saber o porque de cada procedimento médico que está sendo realizado”, explica Roberta, ressaltando que a preocupação do visitante é perfeitamente compreensível, mas acaba por tumultuar o trabalho da equipe. “Não podemos esquecer que, apesar da importância do apoio dado à família, nosso foco principal é o paciente que está internado. É ele que está em situação mais frágil, necessitando do máximo da nossa atenção”.

Na hora de conversar com os médicos ou receber os boletins, uma dica importante é levar um parente ou amigo menos emotivo, que esteja em melhor situação para compreender as informações repassadas pelo médico. “É sempre bom trazer um tio, um irmão, alguém que esteja em melhores condições de escutar e compreender a situação do paciente. Os pais ou o cônjuge podem até participar, mas não devem enfrentar sozinhos estes momentos”, ressalta Roberta.

UTI não é sentença de morte

Para finalizar, a enfermeira do Prontomed destaca que desmistificar a UTI é outro aspecto que pode facilitar a relação com os familiares. De acordo com a enfermeira, as pessoas ainda enxergam a UTIcom muito temor, como se ninguém conseguisse sair vivo dali. “Na verdade, a grande maioria das pessoas internadas em UTI só está lá porque tem pelo menos algum potencial de recuperação”, garante Roberta.

Mesmo nos casos em que o paciente não tem chances de recuperação, a internação na UTI garante menor sofrimento e dor para aquela pessoa em estágio terminal. “UTI é um espaço de tratamento. Nela, o paciente goza de um suporte de saúde totalmente focado nele e em sua recuperação”, frisa Roberta.


Dicas para os familiares

Confiar na equipe que escolheu para tratar do paciente

Sempre levar um parente menos emotivo para as conversas com o médico

Controlar a ansiedade e respeitar os horários de visita

Aproveitar os momentos com os pacientes para demonstrar carinho. Isto influi positivamente na recuperação do internado.


Dicas para equipe de saúde

Manter a unidade nas informações repassadas para os familiares.

Passar informações de modo claro e compreensível, evitando o jargão médico. Afinal, O que pode um familar entender desta frase: "ele está desenvolvendo um quadro de acidose metabólica" ?

Só um membro da equipe pode falar para os familiares sobre a evolução do paciente - o diretor médico da UTI. Os outros devem dizer: -"no próximo boletim você terá informações precisas". A precaução evita a divulgação de informações desencontradas.


Ter sensibilidade e calma diante da fragilidade ou distúrbios de humor dos familiares.

Dedicar um tempo para retirar dúvidas e atender às demandas da família do internado. Esta atividade deve ser exercida por um só membro da equipe médica, uma vez por dia, através de um representante da família.





2 comentários:

Edilza disse...

Uma coisa importante também para quem acompanha o enfermo é observar e procurar se inteirar com o chefe da uti dos procedimentos que o paciente está sendo submetido, as possibilidades, consequencias e em caso em que há o plano de saúde envolvido, buscar desse profissional também informações e questionar quando necessário. Tive experiência nesse sentido e sei o quanto o médico do plano interfere e as vezes nem sempre em favor do paciente. É importante estar sempre atendo aos direitos do paciente e intervir. Mas sempre com calma e sempre com firmeza.

S. Levy Lima disse...

Seu texto é muito importante e informativo.
a Edilza tbm está correcta.

Continuo orando e enviando reiki todos os dias.
e para si, envio coragem e força.

abraços Xenia.