Ao empreender uma viagem, escolhe-se o transporte adequado de acordo com as intempéries que se irá enfrentar. Um bom sistema de iluminação e sinalização anti-neblina; sistema de aquecimento ou refrigeração para manter agradável o ambiente interno seja em nevascas ou em calor escaldante; sistema de suspensão adequado e tração nas quatro rodas para terrenos esburacados e enlameados.
O casamento é uma viagem sem retorno por terrenos acidentados, razão pela qual os cônjuges têm que estar também devidamente equipados e virtuosamente qualificados.
O que são qualidades senão virtudes e bons hábitos que de início podem custar esforço, mas que quando entram em nosso sangue são aditivos que nos potencializam a grandes empreendimentos!! Que bons hábitos conclamam a vida conjugal, senão a sinceridade, generosidade e flexibilidade!
Estas três não são as únicas qualidades que temos que lutar para adquirir, mas são fundamentais no relacionamento a dois.
Sistema de iluminação: a sinceridade supõe que cada um é capaz, primeiramente, de captar a própria realidade... a sua e a do outro. E se esforça por querer manifestar ao cônjuge, no momento oportuno, o que faz, o que vê, o que sente, o que pensa.
Quando se falsifica a realidade, o que se aporta na vida a dois perde valor. E muitos o fazem inconscientemente por não se esforçarem por se auto conhecerem por dentro, para serem honestos consigo mesmos, para terem ações e palavras consistentes e para estarem dispostos a se abrir, a se comunicar com o outro.
Se não escolhemos o momento adequado, nossas palavras podem se perder aos quatro ventos por encontrar o receptor distraído, disperso em atividade paralelas ou inapto para recebê-las. Podem nossas idéias ser adicionalmente mal interpretadas se não nos preparamos para comunicá-las, o fazemos com precipitação, impacientes, ou afetados pela emoção.
Sistema de refrigeração: para manter o ambiente familiar nas condições ideais de temperatura e pressão, a generosidade. Relaciona-se com a sinceridade à medida que comunica e atua desinteressadamente a favor da outra pessoa, tendo em conta a necessidade do outro e não as próprias, e o quanto aquela comunicação será útil para que a relação a dois se fortaleça.
Parte do que se entrega e se comunica diz respeito à intimidade própria e a do casal. O pudor e a prudência são qualidades que capacitam ao cônjuge a valorizar adequadamente esta intimidade, e a entregá-la delicadamente e no momento adequado.
Sistema de suspensão: a flexibilidade é a virtude que permite a cada um adaptar-se às necessidades do cônjuge e às diversas circunstâncias, sem abandonar as convicções fundamentais próprias.
Não se trata de um anular-se continuo frente à vontade do outro, mas sim da adaptação e flexibilização contínuas e criativas, para viabilizar a complementaridade da vida a dois. Trata-se de sermos tolerantes com o que é trivial, com o dia a dia, sabermos dar tempo ao tempo, mantendo e cultivando os valores fundamentais da vida a dois.
A sinceridade, a generosidade e a flexibilidade são a base para o bom relacionamento, e seu aprendizado é dinâmico. O exercício contínuo nos fará mais habilidosos, não apenas nestas, mas nas demais qualidades e virtudes que a partir destas provêem ou que trabalham entremeados a elas. Cada um de nós pode, de fusquinha, chegar a ser um Ferrari para o cônjuge, e se assim o for, estará se reafirmando preciosidade de valor incontestável.
3 comentários:
Gostei muito do seu texto, e posso dizer que depois de quase 30 anos de casada, concordo com você em gênero, número e grau.
Sei que meu casamento ainda é uma viagem maravilhosa porque tanto eu quanto meu marido afirmamos constantemente para quem quiser ouvir que começaríamos tudo outra vez, se preciso fosse... (isso ainda vai dar música rsrsrss).
Pois é Xênia!!!
Mas mesmo depois de um casamento desfeito, ainda podemos continuar dirigindo uma Ferrari...
Muito legal p seu texto.
Bjs.
Rosana.
Muito interessante o texto!!
Meus parabéns...
Fiquei até inspirada em adquirir uma Ferrari dessas, agora que conheci os sistemas principais.
bjs.
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