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sábado, 28 de novembro de 2009

Caso Geyse: SOS universidades brasileiras





Já faz alguns dias que o caso da aluna  do Curso de Turismo de uma instituição de Ensino Superior no grande ABC – SP,  que foi hostilizada e maltratada pelos colegas por estar usando roupa curta (o vestido rosa da foto acima), repercute intensamente na mídia nacional e até internacional. A universitária foi realmente ao campus onde estuda com um vestido pouco ortodoxo e bastante instigador, mas o fato é muito comum no corpo de violão das moças desse país tropical. O assunto toma conta da imprensa. Esqueceram a gripe suína e o José Sarney. Esqueceram até o Barack Obama. Só andam falando, contra ou a favor, da aluna loira que já está inclusive sendo cortejada para posar nua nas principais revistas nacionais do gênero. Até o MEC andou dando as caras nessas paragens, o que certamente contribuiu para a readmissão da ex-expulsa aluna. Tal fato, por ridículo, banal e enfadonho que pareça, serve para mostrar umas feias verdades.


Inicialmente, é espantosa e assombrosa a incompetência como a referida instituição de Ensino Superior tratou o caso. Conseguiu que uma bolinha de gude se transformasse em uma bola de neve graúda, gigante. Ainda permitiu que se formasse em torno do assunto uma propaganda demasiadamente negativa. Anos de publicidade serão necessários para consertar o estrago feito. Bom para os bolsos da turma do marketing. Esse tipo de infelicidade foi certamente fruto da falta de humildade e da arrogância dos gestores da instituição. Agiram como reizinhos-mandões e se lascaram.


Outro fato que podemos evidenciar é a triste situação da mentalidade de  parte dos universitários desse país. Vaiaram e gritaram insultos à moça com a mesma atmosfera barbárica dos tempos do Coliseu. Esse tipo de comportamento doentio é provável consequência da indisciplina extrema e caótica que assola os meandros educacionais brasileiros, sobretudo e mais intensamente na última década. E já que tocamos no quesito educação pública e de berço, podemos constatar facilmente que a Educação Básica nacional começou a dar seus primeiros sinais de falência com a implementação da Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, Lei Nº 9.394/96, que até é excelente instrumento legislativo, tendo apenas a infelicidade de ter sido tão mal interpretada e mal executada durante esses mais de doze anos. Outras tragédias foram as experiências com o sistema de ciclos implementado no Ensino Fundamental há aproximadamente onze anos – que  apodreceu relevantes camadas da Educação Básica. Era a famosa época da progressão continuada automática escalafobética. Uma outra tragédia “bem trágica” foi o tratamento dado ao novo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. O que era para ser um meio de inclusão e proteção só atuou em prol da libertinagem, da anarquia e da formação da sensação de constante impunidade. Para piorar, meninos de treze e quatorze anos não podem mais trabalhar com carteira assinada e ajudar os pais como em áureos tempos de outrora. Saudades!!


Não é de se assustar, portanto, que a clientela do Ensino Superior comece a dar indícios de falência de valores e princípios éticos. Essa parcela de alunos descompromissados, indisciplinados,  irresponsáveis e anarquistas é fruto de graves falhas que começaram a ocorrer, por conseguinte, há mais de uma década. A bola de incompetência em gestão e de asneiras sócio-pedagógicas veio rolando nesses últimos anos e cresceu. Os aluninhos impunes, “protegidos” e “abandonados” da 5ª série ginasial são hoje alguns dos crescentes delinquentes universitários sem causa e  de ideologias vazias. Os universitários sérios e bem-intencionados desse Brasil, que são felizmente ainda a maioria, devem-se precaver contra essas banalizações do sagrado processo de ensino-aprendizagem.


Os gestores das instituições de Ensino Superior desse país é que abram os olhos e se cuidem, reforçando e redimensionando seus esquemas táticos de fiscalização e orientação educacional. Ninguém precisa de talibans, nazistas, fascistas e demais manifestações dementes, aliás, é necessário distância de toda ação extremista, mas se a coisa descambar – o que já está acontecendo por aí, como é o caso da IES de São Paulo, sentiremos saudades do AI-5. E poderão ser muitas saudades. Evoluir ou involuir. Eis a questão.



Um comentário:

S. Levy Lima disse...

estou 100% de acordo. mas esta maré está para durar.
a educação começa em casa.
cada um reage segundo os seus (ou falta deles) valores.

bjs