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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Como preparar novas lideranças

Como pensar a formação de lideranças e de acompanhamento num contexto de mudança cultural? Considerando que essa mudança é algo mais profundo, que altera o modo de construir-se como humano, estamos frente a novos modos de relacionar-nos conosco, com o outro, com o planeta, com Deus.

     Essas mudanças podem ser percebidas a partir de um olhar atento ao nosso redor, desde a forma da construção e organização das casas. Aqueles(as) que possuem alguma propriedade isolam-se em condomínios ou atrás de muros com proteção, segurança e outros fatores que contribuem para o isolamento. Nas residências “com alguma possibilidade” há uma televisão em cada cômodo, ou ainda, computadores. Está na moda a construção de redes e grupos virtuais.

     Observe-se o mundo do trabalho: as pessoas não se relacionam do mesmo modo, não há segurança e nem interesse em se manter por muito tempo no mesmo lugar. Mesmo na família. Antes o homem tinha um domínio sobre a mulher e filhos. Hoje as relações são mais próximas e já se avançou muito no respeito e no cuidado. O que todas essas mudanças significam? Que alterações provocam em nosso modo de ser e viver? Como deve ser a liderança deste tempo? Como essas lideranças se organizam? Como acompanhar lideranças jovens que estão vivendo mergulhadas nesta cultura?

Críticos, criativos e cuidantes

     Essas mudanças geram tendências de comportamento. Uma delas é voltar-se para o ninho, ou seja, para o seu mundo particular. Estamos preocupados(as) conosco mesmos(a), com a minha felicidade, da minha família, da minha escola, da minha Igreja. Neste ambiente onde enxergamos a nós mesmos e os nossos interesses, como educar para olhar a outra pessoa, a sociedade e o mundo no qual estamos inseridos?

     Para o acompanhamento, o(a) educador(a) precisa, em primeiro lugar, educar o olhar. Como nos provoca Leonardo Boff, para sermos críticos, criativos e cuidantes. Críticos quando olhamos a realidade, criativos quando as propostas que fazemos aos jovens são atraentes e os envolvem, e cuidantes quando esses jovens nos interessam, isto é, quando exercitamos a dimensão ética do cuidado do planeta desde as relações mais próximas até o cuidado com nossa casa comum.

     Falamos de liderança quando preparamos sujeitos com capacidade de posicionar-se frente a questões de sua vida, do seu projeto de pessoa, da comunidade eclesial e da sociedade onde vive e atua. Essa formação e esse acompanhamento estão cercados de muitos desafios. Nossa tarefa é compreender o fenômeno juvenil a partir do lugar onde atuamos para encontrar respostas para esta tarefa. Não há uma fórmula mágica num contexto marcado pelo consumo, classificados de incluídos ou, então, de excluídos da possibilidade de consumir. Como despertar pessoas, num contexto assim, com atenção ao outro(a)?

Assessoria e acompanhamento

     Ainda mais complexo será pensar em liderança juvenil com um acompanhamento adulto. Há, entre esses dois mundos, abismos de visão de mundo, provocadores de arrogâncias que geram distanciamentos na realidade que nos toca viver.

     Quando pensamos em lideranças, supõe-se pessoas autônomas, felizes, capazes de ter direção, ou seja, projetos de sociedade por onde se pode apontar caminhos. O mesmo vale para pessoas adultas, vestidas com a utopia de um “outro mundo possível”, dispostas a superar seus limites pessoais e contribuir na construção de gente que possa superar a si mesmo.

     Assessores, ou seja, educadores de adolescentes e jovens, com a tarefa de acompanhar são aqueles(as) que estão centrados no outro, um diferente de si mesmo, com o desejo de vê-los superando-nos através de todas as suas potencialidades, ajudando-os a romper barreiras que ainda guardam, mas que sejam capazes de romper.

     O acompanhamento na formação de lideranças está vinculado com a capacidade de planejamento a partir e desde os interesses dos sujeitos e com eles organizar um caminho, um processo que não se resume em reflexões, mas em práticas novas.

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