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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dicas para projetos de educação e ação ambiental


O debate mundial desperta um chamado ante a degradação do planeta. Professores e coordenadores de grupos são convidados a pensar a questão num processo em que aprender junto é melhor que aprender sozinho. Para isso, uma das boas alternativas é desenvolver um projeto ecológico comunitário.

     Organizar um projeto desafia muita gente. No entanto, devido à multiplicidade de aspectos do tema, é preciso pensar bem a questão, o que exige tempo e paciência. O planejamento deve considerar que vai envolver um bom tempo. Evite restringir o trabalho a um único dia. Por melhor que sejam as intenções, o evento pode gerar mais lixo e perturbação ambiental que a contribuição pretendida pelos envolvidos.

Cuidar do que está próximo

     Temos a ensinar que a questão ambiental pede um envolvimento para toda a vida em gestos, modo de pensar e na nossa relação com as pessoas e seres ao nosso redor. O projeto pode mexer com conceitos arraigados do grupo e da comunidade. Também pode contrariar interesses econômicos e políticos e questionar valores, gerando reações inesperadas dos envolvidos.

     É preciso estar preparado quanto às expectativas de resultados. Nem sempre se vai mudar o mundo de forma radical. Se o trabalho contribuir para mudar os envolvidos já terá um grande mérito e êxito. Mas isto não significa que não se deva tentar.

     Embora haja muito apelo para tratarmos dos temas globais, é importante perceber que os grandes temas têm reflexos bem perto de nós. Podemos usar tais questões mundiais, mas o assunto ganhará mais interesse se for algo próximo dos envolvidos. A poluição das águas do planeta aparece no arroio, igarapé, lago ou baía próximo e permite atividades concretas que são mobilizadoras.

Tema, pesquisa, ação...

     Pode-se começar com um encontro para definir o foco da ação. É importante considerar o que mobiliza as pessoas. A liderança do trabalho deve ser de humildade para não impor seu tema, sendo sensível para reconhecer o que motiva o grupo. O tema pode ser muito variado, mas a definição deve ser bem amadurecida.

     Definido o tema, é preciso prever um período mínimo de algumas semanas de ação. Comece reconhecendo o terreno e registrando a situação por vários meios. Em seguida é interessante avaliar esta primeira impressão para começar a aprofundar a questão. Nesse momento, podemos ir em busca do conhecimento acumulado sobre o assunto. Pesquisa com pessoas da comunidade para saber a origem da situação, literatura, internet, órgãos públicos, universidades e escolas especializadas podem ser consultados.

     Um evento, com pessoa de notório saber (da comunidade ou convidada), é interessante para tirar dúvidas. Em alguns casos, um projeto pode encerrar nesta etapa.

     Se o grupo sentir necessidade de buscar soluções para os problemas verificados, surge a possibilidade de um segundo momento do processo. Às vezes o problema é tão gritante que dispensa a etapa de motivação e há grande ansiedade para resolver a questão. Mesmo nestes casos, nunca se deve esquecer a etapa de reconhecimento para que equívocos não sejam cometidos.

     É bom avaliar se o grupo quer prosseguir. Pessoas podem querer sair, outras entrar. Uma ação frente à realidade verificada é mais difícil e tem maior risco de frustração. O grupo deve preparar-se para este fato. A ação resolutiva começa pela identificação de soluções. O projeto pode evoluir para a conscientização da comunidade. Pode-se valer de uma passeata, produzir um jornal, um programa de rádio, um seminário ou visitas domiciliares.

     Neste momento, a equipe deve ensinar e saber ouvir o que as pessoas têm a dizer. Nem sempre é falta de consciência, mas de meios ou estratégias para envolver as pessoas na solução da questão. Pode haver histórico de frustrações para o problema que levam ao imobilismo de alguns.

     Também é possível que surja a compreensão de que será preciso um trabalho envolvendo outros atores de fora da escola ou comunidade, tais como prefeituras, ONGs, universidades, órgãos públicos e privados. É preciso construir uma agenda com esses órgãos na busca da solução.

     Pressão organizada tem mais força quando a solução depende de iniciativa maior. Nestes casos é bom buscar apoio da mídia para divulgar o trabalho. Isto fortalece a auto-estima das pessoas e aumenta as chances de resolver a questão.

     Se o trabalho tornar-se perene, é preciso estar atento para a renovação das pessoas envolvidas na ação. Numa escola, os alunos passam e novos grupos devem ser iniciados para absorver a experiência dos mais velhos, buscando seus próprios caminhos no processo. Pode-se criar um grupo de defesa da causa, que assume a tarefa ao longo do tempo.

     O trabalho tende a ser permanente e a desdobrar-se por rumos difíceis de serem previstos. Mas é capaz de oportunizar processos de crescimento pessoal e comunitário, decorrentes tanto dos sucessos quanto dos fracassos. São desafios que mexem com os envolvidos e têm potencial de transformar a vida de todos, o que engrandece e dá certeza de que se está fazendo algo para o bem de todo o planeta.

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