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sábado, 26 de dezembro de 2009

Educação,adolescência e as festas de fim de ano...





Uma questão que aflige a todos os pais e educadores é a transformação que as crianças passam no período conhecido como adolescência. De repente aquelas crianças começam a questionar tudo, a fazer planos diferentes daqueles familiares, a apresentar atitudes e posturas que parecem dizer que sabem muito mais que seus pais ou os adultos à sua volta. Os conflitos parecem ir se acentuando cada vez mais.

Do ponto de vista da psicologia, a adolescência representa, de fato, uma transição da fase infantil à fase adulta, o que implica uma série de "tarefas" a serem desenvolvidas pela criança. Seu corpo não é mais o mesmo; aquela criança que levou anos para aprender a lidar e conhecer seu próprio corpo, de repente percebe que ele vai se modificando, parecendo surpreendê-lo dia-a-dia. E ela tem que aprender a lidar rapidamente com esse novo corpo. Aqueles pais "heróis" que pareciam saber tudo há tão pouco tempo, de repente parece não saberem de mais nada, e tudo o que ela ouve parece coisa ultrapassada e sem serventia. Os adolescentes se deparam com uma capacidade intelectual nova, se antes precisavam de elementos concretos para pensar e entender o mundo, agora podem imaginar sistemas e teorias completamente abstratas, e muitas vezes se sentem todo poderosos com tal poder.

Do ponto de vista da Doutrina Espírita, tais mudanças relacionam-se, também, à retomada, pelo Espírito, de sua natureza, que até então estivera como que adormecida pela não consciência dos seus atos (ver pergunta 385 de O Livro dos Espíritos¹). Aquela aparente fragilidade infantil é que permite que a criança seja acessível às influências de seus pais durante a infância. Nessa transição entre infância e fase adulta, o adolescente vai tomando consciência de si mesmo.

Joanna de Ângelis² tem uma imagem belíssima sobre essa passagem: "O desabrochar da adolescência, à semelhança do que ocorre com o botão de rosa que se abre ante a carícia do Sol, desvela-lhe a intimidade que se encontra adormecida, e desperta, suavemente, aspirando a vida, exteriorizando aroma e oferecendo pólen para a fertilização e ressurgimento em novas e maravilhosas expressões" (p.33). Partindo da analogia citada, observamos que o botão de rosa não se abre abruptamente, mas devagar, mostrando vagarosamente algumas pétalas, que antes estavam encolhidas. Em contrapartida, vai também exteriorizando aroma, ou seja, também vai trazendo algo de seu para aqueles à sua volta.

Neste processo de "abrir-se para o mundo", o adolescente precisa ainda muito do amparo e acompanhamento do adulto. Por mais conflituoso e desgastante que isso pareça ser, a passagem da total dependência infantil para a independência do adulto não deve ser abrupta. Os limites existem também para os adolescentes. Saber onde se pode ceder e onde tem que ser exigente; saber ser firme, sem perder a ternura, constitui um dos grandes desafios para os pais e educadores de adolescentes.

Joanna de Ângelis² afirma: "Todo jovem aprecia ser amado pelos pais e desfruta essa afetividade com muito maior intensidade do que demonstra, constituindo-lhe segurança, que passa adiante em forma de relacionamento social agradável" (p.66).

Acrescentando-se a isso tudo a firme convicção de que somos Espíritos imortais, a responsabilidade diante da educação desses jovens assume proporção ainda maior. Cada vez mais os adolescentes vão se tornando mais aptos intelectualmente, tendo acesso aos avanços tecnológicos que deixam seus pais boquiabertos. Mas são os valores morais que vão direcionar suas realizações. E novamente aqui o papel da família é essencial. Muitas vezes chamamos nossos filhos para conversar sobre a carreira que estão escolhendo, para definir onde estudar ou onde trabalhar, mas nem sempre nos lembramos de chamar para conversar sobre suas opções morais, sobre as atitudes, o seu projeto existencial. Segundo Joanna de Ângelis², "o projeto existencial do adolescente não pode prescindir da visão espiritual da vida; da realidade transpessoal dele mesmo; das aspirações do nobre, do bom e do belo, que serão as realizações permanentes no seu interior, direcionando-lhe os passos para a felicidade" (p.27).

A compreensão do que se passa com o adolescente nessa fase pode possibilitar uma mudança de nossas ações para com ele. Ter um adolescente em casa implica também numa construção de novos pais: ser pais de um bebê é diferente de ser pais de criança pequena, como é diferente também de ser pais de adolescente, como é diferente ser pais de adulto. Temos que aprender, em cada nova fase, a ser pais. Compreender essas mudanças permite que também nos transformemos junto com nossos filhos, encontrando meios mais afetivos de chegar até eles.

Comenius, um filósofo que viveu no século XVII, trouxe, como Espírito, a seguinte mensagem³: "Educar com liberdade não é abandonar o ser à própria sorte, esquecendo-se de suas necessidades básicas de alimento físico e espiritual. Educar com liberdade não é nos desleixarmos com sua postura mental, indiferentes ao seu roteiro evolutivo. O amor, que é a condição necessária da liberdade, não permite tal disparate" (p.230).

Educar adolescentes implica esse amor redobrado, essa consciência da importância dos limites e do direcionamento de suas conquistas para o bem, a compreensão da importância do papel dos pais nessa caminhada. É mais um desafio da vida, um importante desafio que acaba por resultar em crescimento moral para os jovens e para seus pais.

Referências Bibliográficas:
1. Kardec, A. O Livro dos Espíritos.
2. Joanna de Ângelis. Adolescência e Vida, Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Salvador, BA: Livraria Espírita Alvorada, 1997. 
3. Comenius (mensagens psicografadas), in Dora Incontri, A Educação Segundo o Espiritismo, SP: FEESP, 1997.

3 comentários:

Valéria disse...

Oi X~enia... amos seus post sobre educação... ensinam muito.
Também sou espirita. Tenho um filho de 07 anos e sei que mais rápido que imagino estarei me vendo as voltas com um adolescente.
E assim como fiz antes de ele nascer, estou tentando ler tudo o que posso sobre adolescência.
Beijo enorme no seu coração

Francisco Castro disse...

Olá, Xênia!

Realmente, no período da adolescência, é preciso ter muito cuidados com os filhos. Notadamente nesse período de festas, bebidas e outras coisas mais que podem levar para caminhos tirtuosos ou o início da construção de uma tragédia familiar.

Abraços

Francisco Castro

vovolili disse...

Olá querida amiga Xênia,

Parabéns pela matéria publicada!

A adolescência é o período mais difícil na educação dos filhos.

Tudo tem de ser na medida certa para não provocar um desequilíbrio emocional, social e domiciliar:- amor, liberdade, atenção, sermão, quando necessário, tempo para ouvir, ditar regras, amizades e religião.

Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian