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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

LIVRES PARA QUÊ?

corrente partida



Embora a modernidade tenha aberto muitas possibilidades ao homem, poucos se comprometem verdadeiramente com um ideal que valha a pena. O homem moderno parece ter-se libertado de muitos obstáculos que entravavam a sua liberdade de fora, sobretudo depois dos totalitarismos do século XX, mas não consegue libertar-se das suas limitações internas.
Grande parte da atual confusão acerca da liberdade se deve ao fato de pensarmos que a liberdade consiste apenas na ausência de limitações externas, esquecendo-nos de que são tão ou mais importantes as limitações internas, buscadas ou simplesmente aceitas, que impedem o desenvolvimento da nossa verdadeira personalidade. Trata-se, essencialmente, de possuir e de saber exercer um potencial interior que inclui o domínio de si, a posse de si e a realização pessoal, todos em íntima relação.
“Tornas livre um homem – dizia James Farmer, líder da campanha em favor dos direitos civis dos negros americanos –, mas ele ainda não é livre. Falta ainda que se liberte a si mesmo”. E Nietzsche, aquele que sentenciou a morte de Deus, escreveu: “Julgas que és livre? Fala-me da raiz dos teus pensamentos, não de como te livraste do jugo. Achas que foste capaz de livrar-te dele? Muitos abandonaram todos os seus valores ao rechaçarem as suas servidões. Livre de quê? Que importa isso a Zaratustra? Olha-me nos olhos e responde-me: livre para quê?... (p.229)”.
O homem moderno quer ser livre “de”. Mas o seu problema consiste em não saber “para” que deve ser livre. E, como resultado, corre o perigo de perder ou abandonar a sua liberdade, nem que seja pela simples razão de ser cada vez menos capaz de se propor uma meta que valha a pena, para a qual possa orientar essa mesma liberdade.
Em nenhuma outra época na história, a humanidade teve, ao seu dispor, tantos recursos técnicos: informações imediatas, precisão de dados, rotinas de trabalho facilitadas, livre acesso a fontes de informação distantes, bens de consumo a preços acessíveis.
Por outro lado, em nenhuma outra época, os homens sentiram tanta falta de critérios, os quais, não raro, são determinados por terceiros para que baseiem suas escolhas sobre estes. Somos uma sociedade que investiu maciçamente no desenvolvimento tecnológico, mas se esqueceu do desenvolvimento moral, de ensinar critérios de valor capazes de fundamentar as decisões.
É por isso que temos medo da liberdade: porque não conseguimos mais distinguir o bem do mal. Depois de anos e anos de relativismo filosófico-cultural, pode-se chegar ao absurdo de pensar que dar uma esmola a um mendigo como deixá-lo morrer de fome são posturas axiologicamente iguais. Temos argumentos lógicos e estatísticas que justificam ambas as atitudes...
É evidente que, se apresentamos as coisas desta forma, aquilo que ainda resta de humano em nós revolta-se contra semelhante paralelo, mas quantos de nós conseguiriam argumentar com clareza sobre o que é certo fazer e por que é certo fazê-lo?
A sociedade contemporânea perdeu o sentido de finalidade. Conseguimos chegar a um razoável acordo sobre os meios e os procedimentos (o como fazer), mas se perguntássemos a cada cidadão qual é o fim que se deve perseguir na sociedade, se questionássemos cada um sobre o “para quê” de tudo isso, dificilmente chegaríamos a um consenso.
Essa dificuldade é uma consequência do desacordo com relação ao que é o bem. Platão, no seu diálogo Górgias, já advertia que há uma grande diferença entre o gosto e a vontade, entre algo que me faz bem ou que me faz mal. E exemplificava: se para recuperar minha saúde é necessário tomar um remédio do qual eu não gosto, a minha vontade – por um ato de decisão livre – pode querê-lo.
E o mesmo filósofo explicava que essa capacidade é precisamente a liberdade. A liberdade é a qualidade da vontade que permite a autodeterminação – a livre escolha –, tendo em vista o fim que me convém – o escopo, como ensinava Platão.
Contudo, a sociedade contemporânea anda um pouco desorientada sobre o sentido do fim, sobre o que convém ao homem para realizar-se verdadeiramente como homem. Dostoievski já escrevia em “Os Irmãos Karamazov”, que “nisto tu tinhas razão, porque o segredo da existência humana consiste não somente em viver, mas ainda em encontrar um motivo para viver. Sem uma idéia nítida da finalidade da existência, o homem prefere renunciar a ela, e assim se destruirá...(p.707)”.
Eis o calcanhar de Aquiles de todos os relativismos morais: se não há bem e mal, certo e errado, se não há uma finalidade que determine o critério das nossas escolhas, então tudo é permitido. Não há razão para estabelecer risíveis regras de convivência, éticas de conduta ou normas de comportamento. Serão meros condicionamentos cheios de formalismo e ocos de substância.


3 comentários:

disse...

As pessoas se enganam quando acham que o poder de fazer o que dá na telha é sinônimo de liberdade ou que dizer sim pra tudo é ser livre.

“Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.” Gálatas 5:01

Sejamos livre pra dizer: Eu venço o mundo!


bju

Tony Pasquel disse...

Excelente texto. Há muito em que se questionar neste mundo, mas se não nos apegar-mos a Palavra de Deus e a Sua Única Verdade Absoluta - Dez Mandamentos, seremos escravos neste mundo tão anátema.

Grande Abraço e Fica com Deus.

Xênia da Matta disse...

Obrigada pelos comentários.
Bjux e sucesso!