Mensagem do dia

Estude! Saber é o maior diferencial que existe!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Direito de Errar - A utopia do mundo perfeito é opressora

Veja - Existe uma fórmula para evitar que os filhos sigam por um caminho errado?
Jean Pierre Lebrun - É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Às vezes é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso. Hoje os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles. (Entrevista de Jean-Pierre LeBrun a Revista Veja, Ed. 2142, 09/12/09)

Não há tempo e espaço para erros nos dias de hoje. E isto se aplica ao mundo dos negócios tanto quanto à escola. Pelo menos é esta a postura adotada por milhões de pessoas em diferentes países que compõem o planeta. Errar deixou de ser uma possibilidade, tornou-se praticamente um crime ou um pecado mortal, como queiram... E se tentarmos raciocinar dentro desta linha de pensamento, vamos na seguinte direção: Qualquer falha, por menor que seja, indica fraqueza e, com isto, incapacidade de quem errou para estar na posição em que se encontra em uma empresa, por exemplo. 

Outra circunstância, se os erros são percebidos nas crianças ou nos adolescentes é preciso resolver tais questões e dificuldades o mais rapidamente possível, para que eles não sejam fadados ao fracasso e possam, hoje e no futuro, fazer parte do grupo dos vencedores, aqueles imortais que ascendem aos melhores postos de trabalho, no alto do pódio, no Olímpio da vida...

Com isto, na verdade, estamos, todos nós, errando feio... Não percebemos que tal pressão acaba gerando uma série de problemas para todos, que vão do stress à depressão, passando pela síndrome do pânico e a ansiedade, para mencionar apenas os efeitos psicológicos... 

Imaginem esta pressão entre os alunos de uma escola, por exemplo, aonde pode levar? E em funcionários de uma empresa, que sempre devem lucrar e que, para tal, precisam todo o tempo do mais alto grau de comprometimento e sucesso de todos os seus trabalhadores? Aonde vamos parar com isto?

Quando li a entrevista de Jean-Pierre LeBrun à Veja, identifiquei a temática por ele abordada como fundamental para nossas vidas. Até mesmo porque me vejo pressionado, sinto que também acabo cobrando o erro zero de pessoas com as quais convivo, percebo tantos conhecidos e colegas passando por situação semelhante, leio nos jornais a carga de responsabilidades crescendo num ritmo avassalador no que tange a cobranças de sucesso permanente...

E o Direito de Errar, não existe mais? E a ideia de que aprendemos com nossos erros, onde foi parar?

Gosto sempre de lembrar que somos seres errantes, sei que o sentido mais óbvio é o de que vagamos pelo mundo, realizando nossas vidas por diferentes (ou nem tanto assim) trilhas. Errar, neste sentido, significa conhecer, explorar, viajar, descobrir e tentar... E nestes caminhos que percorremos, é certo que vamos sempre cometer falhas, pequenas ou grandes, que podem nos legar dores e dissabores, mas sem as quais nossas vidas não teriam a mesma grandeza e possibilidade de nos refazermos, de crescermos, de amadurecermos diante daquilo que a princípio pode parecer azar, amargura, drama, tragédia...

Erro porque sou humano e esta não é uma sina, mas uma certeza em nossas vidas, a de que em alguns momentos iremos falhar. Temos que administrar melhor isto, nos permitir o erro como outrora o fazíamos. Estender esta possibilidade para as novas gerações, cuja bagagem que carregam parece cada vez mais pesada e difícil para os trajetos que terão pela frente, o que torna ainda mais complexa a tarefa de passar por esta existência sem que sejam errantes, no duplo sentido do termo...

Peço perdão se nestas palavras revelo minha fraqueza, que também é a de todos os demais seres humanos, e reconheço nossa perspectiva de erro, certeza tão grande em nossas vidas quanto os acertos e a morte, que é hora de admitirmos o quanto isto é natural em nossas vidas e que nos violentar é tentar a todo o custo e tempo viver como se fôssemos imaculados, ou seja, livres de qualquer erro, falha, pecado...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pensar para causar... Articulando-se e realizando

Apure os sentidos... Sinta a brisa que levemente acaricia seu rosto... Permita-se escutar os sons ao seu redor... Aprecie o ar que respira... Veja as pessoas que circulam ao seu redor... Perceba a natureza em todo o seu esplendor... 

Estas seriam as primeiras palavras que iria proferir se tivesse que dar a um grupo de alunos alguma orientação no sentido de ensinar-lhes como pensar ou, ainda, de que modo podem se articular e realizar em suas vidas (ainda que pense, em meu íntimo, que há vários fatores que conduzem uma pessoa a atingir à necessária altivez, destemor e presença de espírito para que possa se pronunciar ao mundo, dizer por que veio a esta Terra).

Penso ser inconcebível o livre pensar sem a sensibilidade, a possibilidade de perceber tudo o que está ao nosso redor: a natureza, as pessoas, as construções, os odores, os sabores...

Mas o quanto nos permitimos esta sensibilidade nos dias de hoje, fechados como estamos em nossas casas, casulos protetores que nos isolam dos pingos da chuva, da corrida em campos de terra, do cheiro do mato, das árvores em que temos que algum dia subir, das águas de rios e mares em que devemos nos molhar e nadar?

Nossos filhos, por conta do medo que sentimos de nós mesmos, seres humanos, vivem diante de monitores (de TV, de computadores, de videogames), escondidos em seus quartos, criando conexões pela web, aprendendo com a babá eletrônica e pouco ou nada se atrevendo a trilhar os caminhos do mundo, singrar os mares, escalar montanhas...

Alimentar a alma, o corpo e a mente passa por experiências que não estamos nos permitindo viver, pelo contato direto, no encontro com a vida. Pode parecer discurso de livros de autoajuda ou mesmo relacionados a algum tipo de culto ou caminho espiritual... Não é... Os filósofos antigos já advogavam a necessidade da experiência concreta, que é aquilo que realmente elucida, explica, permite a compreensão inicial e desencadeia os processos reflexivos.

É claro que não é possível crescer apenas a partir deste mais do que necessário pontapé inicial dado com as experiências diversas que temos que acumular ao longo de nossas vidas. É preciso também buscar apoio nas pessoas – familiares, amigos, professores, colegas de trabalho e até mesmo no contato com desconhecidos (é claro que com algum cuidado e bom senso para evitar acidentes de percurso!).

Ao vivo e em cores, como costumamos dizer, é certamente muito mais intenso e passível de gerar saberes do que mediado pelas tecnologias. Não que com isto possamos abrir mão de tudo aquilo que estamos compondo como elementos de comunicação e interação, em especial as redes concebidas através da Internet. Também constituem recursos de valor, que certamente não podem ser deixados de lado e que prestam serviços que podem repercutir para o nosso pensar.

O que não pode ocorrer é nos tornarmos cibercidadãos apenas, ou seja, avatares o tempo todo, interagindo apenas a partir de nossos lares e bases eletrônicas ou, então, dando mais espaço e ênfase a este universo do que ao mundo real. Usemos a tecnologia e seus variados recursos a partir daquilo que realmente são, única e tão somente, ferramentas e nada mais.
As tecnologias são meios e não fins em si mesmas, mas temos nos entregue de tal forma à sua manipulação e uso que, pessoalmente, temo pelas novas gerações, não apenas quanto a sua liberdade de pensamento, quanto a sua altivez, presença de espírito, capacidade de ação e reação, sentimentos, interação, paixão pela vida...

O primordial é sempre o contato com as outras pessoas, sem intermediários... Como nem sempre é possível, criaram-se recursos que nos permitem criar conexão até mesmo com quem já não está por aqui ou ainda com pessoas que vivem muito longe (não apenas fisicamente, mas também social, cultural, política e economicamente). Mas que as crianças e jovens deste mundo conectado se deem conta que há vida e recursos extrainternet, como os livros, as músicas, os filmes, o teatro, a filosofia, as ciências, as artes plásticas, o esporte, a dança...

Artistas, escritores, pensadores, dançarinos, atletas, cineastas e tantas pessoas que realizam produções culturais e científicas, acadêmicas e políticas, só para sintetizar, também nos falam através de suas produções. Palavras, pinturas, celuloide, movimentos, gols, letras, lírica e canções podem dizer muito para nós...

O quanto já aprendi com Monet, Debret, Disney, Chaplin, Mandela, Gandhi, Pontecorvo, Machado, Cervantes e tantos outros grandes mestres através de suas ações e produções? É incomensurável tal conhecimento. 

Assim como é impossível avaliar como alguns mestres que passaram por minha vida me incutiram não apenas saberes prontos e acabados, como muitos ainda pensam deve ser o papel da escola, mas principalmente estimularam a dúvida, a curiosidade, em trilha infinita pelo saber, por aquilo que ainda não conhecemos, em busca do que nos intriga e nos faz refletir... Sem dúvida alguma, os grandes educadores que conheci tinham esta postura, de não acomodação e, ademais, não apenas professores eram, também exerciam outras profissões e, sempre demonstraram prazer nesta busca e na socialização de suas dúvidas e das respostas que foram encontrando...

Pensar para causar passa necessariamente por vários caminhos, que felizmente não são iguais e sim diversos, pois a cada um de nós é permitida uma experiência única, sem igual. É certo, no entanto, que para chegar às respostas (ainda que não definitivas) encontradas ao longo de nossas existências, temos que contar com a nossa sensibilidade, com o apoio de outras pessoas, com a dúvida e a curiosidade que alimentam nossos espíritos e nos faz seguir adiante e, ainda, com as ferramentas que criamos desde que surgimos neste planeta...

E causar para quê? Por nossa glória pessoal? Por dinheiro? Por projeção profissional? Por conforto material? É claro que seria por demais falso deixar de admitir que tudo isto movimenta as pessoas e as fazem seguir em frente. Mas não é por estes fatores, de base mais imediata e materialista, que realmente buscamos o conhecimento, desenvolvemos a nossa capacidade de pensar... Assim o fazemos porque somos seres humanos, aptos a tal exercício e ação, sempre movidos pelo desejo da superação, da realização e, em especial, da felicidade (não apenas individual, mas grupal, coletiva, social!).

Causar, neste caso, por mais dignidade, justiça social, ética, saúde, liberdade, paz, amor e alegria (afinal de contas, bom humor é fundamental, não é mesmo?).

Escrito por : João Luís de Almeida Machado

sábado, 23 de janeiro de 2010

Breve Manifesto em Favor do Politicamente Incorreto Ou ainda, Em Defesa da Diversidade de Pensamento

Vivemos tempos em que prevalece o politicamente correto. Temos que pensar toda e qualquer palavra que proferimos ou escrevemos para que não corramos o risco de sermos censurados. Groucho Marx, comediante americano da primeira metade do século XX, certamente sofreria muito com tal situação. Mestre do incorreto, do humor ácido e cínico, que colocava seus interlocutores em situação delicada, Groucho não media seus dizeres e, ao menos nos filmes, não parecia se importar com a opinião alheia.

Certamente não é o que ocorre hoje em dia. Todos os nossos passos, versos, falsetes, atos e percursos sendo percebidos, analisados, julgados como estão, paralisam a espontaneidade e privam o mundo da graça e da loucura que por vezes parecem tão necessárias. 

Talvez por isto em “O Cavaleiro das Trevas” o Coringa tenha feito muito mais sucesso que o Batman. O bandido pôde se atrever a falar aquilo que o mocinho encapuzado tinha que conter entre suas línguas, para não parecer fora de contexto...

Mas como já pude destacar em outro texto, temos tanto o Coringa quanto o Batman correndo em nosso sangue. Calar um dos lados não é exercício que devamos fazer, a censura a nós mesmos é uma violência tão grande e extrema quanto a própria coerção realizada contra terceiros.
É certo que cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém e que, portanto, em alguns momentos medir as palavras antes de proferi-las pode ser ato de autopreservação. Nestes momentos compete a cada um de nós, utilizando o melhor de nossos neurônios, ordenar os pensamentos e abrir a boca (se preciso for) apenas quando se fizer necessário e sempre no sentido de evitar embaraços ou constrangimentos.

Mas estas situações devem constituir exceções e não a regra. Viramos a mesa de cabeça para baixo a tal ponto que hoje, quando alguém fala abertamente o que pensa e suas palavras contrariam o pensamento vigente, logo vem pedrada. Críticas chovem como se o diferente pensar fosse pecado. E a maior ironia nisto tudo é que é justamente na diversidade e na liberdade de expressão que reinam, sobretudo, os maiores avanços já vividos pela humanidade.

É certo, direto e mais do que premente resgatar, neste sentido, os dizeres de Voltaire, quando afirmava que “posso até não concordar com aquilo que você diz e pensa, mas lutarei até o fim de minha vida pelo seu direito de expressão de tais pensamentos”.
Outra grande contradição vem à tona quando vemos, por exemplo, as pressões imensas que foram feitas sobre o Papa e a Igreja Católica para que expiassem suas culpas quanto a condenação de Galileu Galilei, ainda na Idade Moderna, tão longínquo no tempo, admitindo que o cientista italiano tinha razão quanto a sua teoria heliocêntrica que contrapunha o teocentrismo cristão.

Não que pessoalmente eu considerasse tal ato inapropriado, ainda que tardio. Penso que a Igreja devia isto a Galileu. A contradição não reside na ação do clero católico, mas sim da turba que exigia esta retratação e que, por sua vez, erige tantas dificuldades para que fluam entre nós os pensamentos dissonantes, aqueles que não constituem a voz da maioria (por vezes tão burra, surda e cega, mas sempre tão impositiva quanto aos seus ditames).

Nelson Rodrigues já dizia que as unanimidades são burras. Apesar de reconhecer os méritos de sua obra, mas não ser simpatizante de seus escritos, Nelson Rodrigues tinha como um de seus maiores méritos a honestidade, a franqueza, a sinceridade e a língua solta que tanto nos faz falta nos dias de hoje.


Todo mundo é tão certinho, tão correto e, finalmente, tão político em suas ações e considerações que o mundo está ficando chato em demasia. É preciso incendiar um pouco o debate, trazer a tona àquilo que poucos ou ninguém se atreve, desafiar a lógica dominante e enfrentar a massa. 

O jogo de cena que temos em andamento nos dias de hoje é tão entediante que, quando alguém surge em cena e diz aquilo que ninguém tem coragem de dizer, vira manchete de jornais, estrela da internet e ganha os noticiários das redes de rádio e televisão. Que o digam, por exemplo, muito recentemente, o bispo que defendeu a excomunhão dos médicos que praticaram o aborto em uma menina de nove anos de idade ou mesmo o político que, em tribuna, escancarou que pouco se lixava para a opinião pública.

Apesar de não concordar com seus posicionamentos, não posso deixar de destacar que eles foram, no mínimo, bastante valentes ao exporem publicamente aquilo que realmente pensavam. Apesar de não assinar embaixo daquilo que disseram, defendo (como Voltaire) o direito de livre expressão de ideias não só deles, mas de todo mundo que quiser falar o que pensa.

Ressalto apenas que, politicamente corretos ou incorretos, a diversidade dos pensamentos apresentados aqui, acolá e alhures é imprescindível para que todos possam crescer. Ainda que em determinados momentos tenhamos que ter “papas nas línguas” para a “batata quente” não arder em nossas mãos, e nisto entra, como já destaquei, a nossa capacidade de entender o contexto, as variáveis, as consequências e também a nossa representatividade, está faltando a pimenta que faz a vida ter a necessária ardência, brilho, evidência e sabor.

Por isso mesmo pensei neste texto como um breve manifesto em favor do politicamente incorreto e em prol da diversidade de pensamento e, desde já, deixo aberta a brecha para que mais opiniões (a favor ou contra) se juntem a esta reflexão...

Escrito por: João Luís de Almeida Machado

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Limão e limonada



 "O problema não é o problema. O problema é sua atitude com relação ao  problema." (Kelly Young)

Hoje a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitar que ela adentrasse os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso.

Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.

Hoje a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: amoxicilina e paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado. Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida...

Hoje problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e depois perdem-se, difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.

Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro. ( Limão e Limonada)

As Ciências Humanas estão sempre tomando emprestado das Exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da Física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou à propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.

Em Humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada, saborosa, refrescante e agradável.

Aprendi que não adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E rapidamente, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se forem alimentados. Muitos deles resolvem-se por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula corretamente. A felicidade pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade é quando grandes problemas são bem administrados.

Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem não do que nos falta, mas do mal uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.

Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que "tristeza não tem fim, felicidade sim". Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias ao invés de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas...

Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades, impostas ou auto-impostas, que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria. Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Apreciamos a luz porque já estivemos no escuro. Apreciamos a saúde porque já fomos enfermos.

Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza. Olhe para o céu, agora! Se for dia, o sol brilha e aquece. Se for noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida. (Por Tom Coelho)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Relato de experiência profissional com aluno com autismo - Professora Myrian de Rezende Martins

Minha experiência com o aluno Pedro (autista) começou em 2008, quando juntamente com a Auxiliar de Desenvolvimento Infantil Ednea (Néa), recebemos na sala de Jardim II este aluno que, juntamente aos demais, necessitava de nosso carinho, dedicação, atenção e ensinamentos.
O Pedro era diferente dos demais do grupo, pois apesar dos seus 5 anos, não falava, fugia da sala e não interagia com os demais colegas, mostrando uma extrema agitação.
Ao longo do ano letivo, eu e a Néa fomos juntas construindo saberes, pesquisando e conquistando o Pedro para que pudesse avançar, dentro de suas potencialidades. Nossa prioridade era que ele aprendesse a brincar, a interagir com os colegas e, também, que compreendesse as regras sociais e a rotina da sala e da escola.
Durante este tempo fui dialogando com a mãe sobre a importância da integração da família com a escola e ela pôde me dar importantes dicas de como melhor agir com o Pedro.
Os demais alunos se tornaram pequenos professores do Pedro e colaboravam conosco, ensinando e estimulando o Pedro a se envolver nas brincadeiras e demais atividades e, ele, a cada dia, apresentava progressos e se integrava com as atividades e a rotina da escola.
Ao final do ano, juntamente com a equipe de inclusão da Secretaria de Educação do município foi decidido que o Pedro permaneceria por mais um ano na Educação Infantil, de modo que pudesse desenvolver a linguagem oral, aperfeiçoar o entrosamento social e também pudesse nos dar mais subsídios para que pudéssemos contribuir ainda mais para o seu desenvolvimento cognitivo.
Ao longo de 2009, pudemos colher de fato os frutos de um árduo trabalho, envolvendo as pessoas que criaram vínculos: as ações às vezes intuitivas, às vezes pesquisadas, muitas observações transformadas em ações, oferecendo ao aluno caminhos para o seu desenvolvimento. Atualmente o Pedro fala frases simples, interage melhor com os colegas e funcionários, participou da festa junina, dançando com a turma, o que emocionou a todos, reconhece seu nome e conta até 10.
Sua mãe é muito participativa.
Enfim, o Pedro é um aluno que nos desafiou, mas que também nos trouxe a chance de perceber o quanto é possível oferecer a estes alunos, que por tantas vezes são discriminados. O Pedro não só nos ofereceu a condição de acreditar na inclusão como também nos fez sentir educadores inclusivos, pois, como educadores, somos tão capazes que muitas vezes desconhecemos nosso potencial inclusivo. Enfatizo que sou professora sem especialização em educação especial, apenas acredito que é possível dar a todos a mesma oportunidade! Assim como fizemos com o nosso Pedro.


Professora Myrian de Rezende Martins.
Prefeitura de Taboão a Serra – EMI Franjinha/ Nov-2009
Fonte: Rede Saci (http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=27537)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

VOLTA ÀS AULAS: Pais precisam ajudar filhos a organizar tempo no 6º ano


Começar o sexto ano, ou a antiga quinta série, é um passo importante na vida do estudante. Aumenta o número de disciplinas e de professores. Além disso, os alunos estão entrando na pré-adolescência.
São muitas novidades ao mesmo tempo. "Os alunos vão deixando a infância. Se antes os grupos eram divididos entre meninas e meninos, agora passam a ser mistos e começam as paqueras e namoros", explica Ângela Biazi, psicanalista e doutora pela USP (Universidade de São Paulo).


Com relação à escola, o principal desafio é ajudar os filhos a organizar o tempo, porque as exigências começam a aumentar. "Os pais podem ajudar a organizar os horários de estudos, equilibrando a hora da tarefa com o lazer e outros interesses do jovem", defende Biazi.

São vários professores e eles podem ter jeitos diferentes de ensinar e cobrar os alunos, o que requer jogo de cintura. As escolas costumam preparar a transição, explicando antes como será a rotina escolar e as aulas.


Pré-adolescência

No início, os pais podem estranhar o afastamento dos filhos - eles começam a se aproximar mais dos amigos, que se formam principalmente na escola.
Mas a psicóloga avisa que é absolutamente normal: "É um momento em que os pais não sabem a melhor forma de agir, porém precisam se mostrar próximos".

Os pré-adolescentes começam a querer sair mais de casa, ir a lugares que antes não iam, como festas à noite, e, segundo Biazi, não adianta fechá-los para o mundo. "Os perigos sociais existem e a família tem de alertar o jovem desses riscos, mas também pode negociar as saídas", sugere.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

VOLTA ÀS AULAS: Saiba como fazer da tecnologia uma aliada do professor em sala

É um clichê do século 21: o professor tem de trazer a tecnologia para a sala de aula. Mas como - e quando - fazer isso? A doutora em educação Maria Elizabeth de Almeida, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), procurou exemplos nas escolas do país e constatou: as novas ferramentas são, de modo geral, mal utilizadas em sala de aula.
"É preciso se perguntar por que usar a tecnologia, o que não se conseguiria atingir sem elas", diz Almeida. Isso quer dizer que não adianta fazer uma apresentação de slides e ler as páginas em voz alta - seria o mesmo que fazer um cartaz.
Adriano Canabarro Teixeira, professor da UPF (Universidade de Passo Fundo), dá sugestões de usos mais "criativos": é possível criar programas de rádio e de vídeo, por exemplo.

Ou ainda, "com programas simples de apresentação de slides dá para fazer exercícios interativos com as crianças".

Quem tem pouco domínio das ferramentas pode fazer parcerias com os alunos. "Não dá para competir com as crianças. Elas dominam a tecnologia muito melhor que os professores. A saída é abrir espaço para que contribuam", recomenda Teixeira.

Para evitar o "uso pelo uso", o pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) Adilson Citelli recomenda usar o computador para ensinar conteúdos do currículo escolar.

Teixeira exemplifica: para discutir um conceito, os alunos podem fazer jornais, blogs, programas de rádios, entre outros, explorando diferentes recursos. 


"Há a expansão da escola para além de seus muros, trazendo o que acontece no mundo para o interior da escola e levando a escola para o mundo", lembra Almeida, da PUC-SP. Ela opina que, assim, é possível integrar o currículo escolar com os acontecimentos atuais, os problemas do cotidiano e a cibercultura para produzir um conhecimento que leve à compreensão do mundo, dos fatos, da ciência e dos instrumentos culturais e linguagens da sociedade contemporânea.

de Amanda Polato
Especial para o UOL Educação  

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ano do futebol na África começa com violência

Sede da Copa do Mundo 2010, a África é também uma das regiões mais pobres do planeta, assolada por conflitos étnicos e nacionalistas que datam do final da era imperialista, no século 20. Esse lado mais sombrio do continente africano conferiu um ar de tragédia à Copa Africana das Nações, um torneio de futebol que reúne as 16 melhores seleções africanas e antecede os jogos da FIFA.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Na antevéspera da abertura do evento, ocorrida em 10 de janeiro de 2009, a delegação de Togo foi alvo de um ataque terrorista. Os atletas saíram de ônibus da República do Congo em direção a Cabinda, província de Angola. Quando atravessavam a selva, o veículo foi metralhado por guerrilheiros das Forças de Libertação do Estado de Cabinda (Flec). Três pessoas morreram - o motorista, o assessor de imprensa e um assistente técnico - e outras seis ficaram feridas. Temendo novos ataques, a equipe desistiu de participar da competição e foi desclassificada.

A Copa Africana das Nações é o maior torneio de futebol da África, similar em importância à Eurocopa ou à Copa América, realizados, respectivamente, nos continentes europeu e americano. A competição ocorre com regularidade desde 1968. Neste ano, os jogos acontecem em Angola, país de língua portuguesa.

Entre as 18 províncias angolanas escolhidas para receber as seleções africanas está Cabinda, onde foram marcados sete jogos. A região é tumultuada por guerras separatistas desde os anos 1960, mas o Comitê Organizador quis mostrar que ela estava pacificada e, assim, atrair investimentos com o campeonato.

Eventos esportivos dessa importância, entretanto, atraem não somente a atenção de pessoas bem intencionadas, mas também, dependendo do contexto político, terroristas (ver filme "Munique", indicado abaixo).


História

Cabinda é um exclave angolano, isto é, uma das 18 províncias da República de Angola, mas totalmente cercado por territórios estrangeiros; no caso, ao norte pela República do Congo, e a leste e ao sul pela República Democrática do Congo (a oeste, pelo Oceano Atlântico). São 7.283 quilômetros quadrados onde vivem 265 mil habitantes. Os limites territoriais foram definidos na Conferência de Berlim (1885), que dividiu a África em colônias europeias. Na ocasião, o Reino do Congo foi fragmentado em: Congo Belga, atual República Democrática do Congo; Congo Francês, atual República do Congo; e Congo Português, hoje Cabinda.

A região, originalmente, fazia parte de Angola, mas a Bélgica negociou com Portugal uma saída para o Oceano Atlântico, isolando assim o protetorado lusitano de Cabinda. Em 1956, o ditador português António Salazar (1932-1968) anexou novamente a terra a Angola, para conter despesas nas colônias.

Por este motivo, quando ocorreu a independência angolana, em 1975, Cabinda tornou-se província do governo de Luanda, capital da Angola. Desde então, grupos separatistas reivindicam a independência do povo cabindense, alegando diferenças culturais, históricas e geográficas.

Para Angola, contudo, a independência está fora de questão. O país é um dos maiores produtores de petróleo da África e Cabinda responde por até 80% dessa produção. Os guerrilheiros, por outro lado, contam com apoio da população local, que não se beneficia dos recursos gerados pela indústria petrolífera de Luanda.

Em agosto de 2006, o governo assinou um acordo de paz com as facções separatistas que lutavam pela independência. Elas concordaram em manter o território como província angolana, em troca de privilégios políticos e econômicos.

Mesmo assim, parte dos guerrilheiros da Flec continuou em atividade. O ataque à delegação do Togo é considerado a ação mais violenta do grupo nos últimos anos.

Guerras civis

O caso, porém, está longe de ser isolado na África, cujo fim do período de colonização legou disputas sangrentas pelo poder. A África do Sul, país sede da Copa do Mundo este ano, ficou quase 50 anos sob o regime de discriminação e violência do apartheid. Como atualmente é um Estado em desenvolvimento e politicamente estável, os organizadores garantem que não há risco de investidas terroristas.

Outros países africanos são praticamente dizimados por guerras civis que duram décadas, deixam milhares de mortos e milhões de famílias desabrigadas vivendo em campos de refugiados - e que dependem da ajuda humanitária da ONU (Organização das Nações Unidas) para sobreviver.

A Somália, por exemplo, é uma nação dividida entre duas facções islâmicas armadas que combatem o governo para impor um estado teocrático. Segundo dados da ONU, 40% da população passa fome e uma em cada cinco crianças é desnutrida. Os somalianos ficaram famosos pelos ataques de piratas a navios comerciais.

Na região de Dafur, a oeste do Sudão, os conflitos já deixaram 300 mil mortos e 2,7 milhões de refugiados, de acordo com dados da ONU. Os confrontos entre rebeldes e o governo do ditador Omar al-Bashir começaram em 2003, dando origem a um massacre de cidadãos da etnia "árabe".

República Centro Africana, República Democrática do Congo, Nigéria, Guiné, Chade e Mauritânia são outros países africanos onde atualmente são travadas violentas batalhas pelo poder.

Direto ao ponto volta ao topo
O ano do futebol começou mal na África, continente que sediará este ano a Copa do Mundo da FIFA. Na antevéspera da abertura da Copa Africana das Nações, o mais importante campeonato da região disputado por 16 seleções africanas, a delegação do Togo foi atacada por guerrilheiros da Forças de Libertação do Estado de Cabinda (Flec). Três pessoas morreram e os atletas desistiram de participar do torneio, que este ano ocorre em Angola.

Cabinda é um exclave angolano, isto é, uma das 18 províncias da República de Angola, mas totalmente cercado por territórios estrangeiros; no caso, ao norte pela República do Congo, e a leste e ao sul pela República Democrática do Congo (a oeste, pelo Oceano Atlântico). Desde os anos 1960, a província é tumultuada por violentas lutas pela independência, primeiro de Portugal (1885-1975) e, depois, de Angola.

O problema é que Luanda, capital angolense, é dependente economicamente de Cabinda. O país é um dos maiores produtores de petróleo da África e Cabinda responde por 80% de toda produção.

Disputas pelo poder, como a que acontece em Angola, fazem parte da rotina do continente africano. Desde o século 20, com o fim dos impérios colonialistas, grupos armados travam guerras contra regimes locais, deixando um saldo de milhares de mortos, fome, massacres étnicos e campos de refugiados. Entre os casos mais graves estão Somália e Dafur, localizada na região oeste do Sudão.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Entenda o que são asilo político e refúgio

Uma cena foi comum no segundo semestre de 2007, envolvendo artistas e atletas cubanos em visita ao Brasil: deserções e pedidos de refúgio ou asilo político ao Ministério da Justiça. Em dezembro de 2007, o governo garantiu proteção provisória (até o julgamento do caso pela Coordenação-Geral do Comitê Nacional para os Refugiados) para os músicos Miguel Ángel Costafreda, Arodis Verdecia Pompa e Juan Alcides Díaz.

Os artistas cubanos haviam desaparecido durante uma turnê em Pernambuco e, depois, formalizaram pedido de refúgio ao Ministério da Justiça, alegando perseguição do governo cubano. Com a proteção provisória, eles têm liberdade para circular no país e podem, inclusive, tirar a carteira de trabalho.

Durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, realizados entre 13 e 29 de julho, o atleta Rafael D'Acosta Capote, da seleção de handebol, e Lázaro Lamelas, técnico da equipe de ginástica olímpica, desertaram da delegação e viajaram de táxi até São Paulo, onde ingressaram com um pedido de asilo político, aceito pelo governo.

Ainda durante o Pan-Americano do Rio, dois ídolos do boxe cubano, os campeões mundiais Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, também desertaram, mas não tiveram a mesma sorte. Depois de fugirem da Vila Olímpica, os cubanos foram encontrados pela polícia na região dos Lagos (RJ), presos e deportados.

Na época, entidades de direitos humanos acusaram o governo brasileiro de ceder à pressão exercida pelo ditador Fidel Castro para repatriar os boxeadores. Uma comissão formada por políticos tentou impedir a saída dos cubanos do Brasil, sem sucesso. A Polícia Federal alegou que os boxeadores não tinham documentos e estavam ilegais no país.

Diferença entre asilo político e refúgio

Embora o asilo político e o refúgio tenham a mesma finalidade - permitir, legalmente, a um estrangeiro fixar residência em um outro país -, o Ministério da Justiça do Brasil tem explicações diferentes para ambos os casos. Segundo o ministério, o asilo político é destinado àqueles que se sentem perseguidos em seu país de origem.

O refúgio tem, por sua vez, o objetivo de proteger aqueles que tiveram de abandonar seu país porque sua vida ou liberdade estavam em perigo, por questões religiosas, raciais ou políticas. Historiadores e pesquisadores têm um consenso: o asilo é um instituto muito antigo, aplicado desde a Grécia Antiga. Os egípcios e os romanos também fizeram uso desse procedimento.

Para ingressar com o pedido de asilo, o estrangeiro deve procurar a Polícia Federal no local onde se encontra e prestar declarações, detalhando as perseguições que sofre em seu país. O processo, então, é encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, que dá um parecer. A decisão final cabe ao ministro da Justiça. Caso o pedido seja aceito, o asilado é registrado junto à Polícia Federal, onde presta compromisso de cumprir as leis do Brasil e as normas de Direito Internacional.

A solicitação de refúgio começa na Polícia Federal, que analisa declarações que o solicitante presta à autoridade imigratória. O solicitante também deve preencher um questionário com todos os seus dados, qualificação profissional, grau de escolaridade, além de fundamentar o pedido apresentando os fatos que o levaram a tomar essa decisão.

Em seguida, o estrangeiro é entrevistado por um funcionário do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), órgão colegiado vinculado ao Ministério da Justiça, a quem cabe a decisão final. Tanto o asilo como o refúgio não estão sujeitos à reciprocidade e protegem indivíduos independentemente de sua nacionalidade. Nos dois casos, o beneficiado recebe documento de identidade e carteira de trabalho, além de ter os direitos civis de um estrangeiro residente no país.
*Manuela Martinez é jornalista e publicitária.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Professor exonerado no Distrito Federal se diz perseguido por ser homossexual assumido

Lourenço Canuto
Da Agência Brasil
Em Brasília
A Secretaria de Educação do Distrito Federal divulgou nota esclarecendo que a punição ao professor Marcus Maciel teve como única razão a não prestação de contas prevista no sistema de gestão compartilhada.

O professor foi exonerado da direção do Centro de Ensino Fundamental Mestre D'Armas nº 4, na periferia de Planaltina, cidade satélite de Brasília, e suspenso como professor, sem direito a receber vencimentos por 90 dias.

Marcus Maciel se queixa de que o fato de ser homossexual assumido seria uma das razões para sua destituição, o que é negado pela secretaria.

A não prestação de contas no prazo legal, de acordo com a nota, levou a Corregedoria Geral do GDF a abrir Tomada de Contas Especial para que Maciel devolva os R$ 60 mil aos cofres públicos, deixando claro que "nada mais consta contra Maciel".

Segundo a Assessoria Especial de Comunicação da secretaria, o professor teve 90 dias de prazo para comprovar a regularidade do gasto de R$ 60 mil repassados à escola, mas "não conseguiu esclarecer o destino do dinheiro".

Na manhã de hoje (15), cerca de 20 alunos e pais fizeram manifestação em favor de Maciel em frente ao colégio, que tem 1.200 estudantes da primeira à quarta séries. O professor disse em entrevista que a prestação de contas está pronta para ser apresentada, bastando apenas a assinatura dos professores, que estão de férias.

A comunidade se divide no apoio ao diretor afastado. Há queixas de pais e estudantes sobre deficiências nas instalações, falta de professores em razão de abonos, licenças e afastamentos por problemas de saúde. Esse teria sido o motivo de abaixo assinado encaminhado à secretaria contra a permanência de Maciel.

Outras pessoas da comunidade, no entanto, defendem o professor dizendo que ele foi um bom diretor e sempre trouxe para a escola todas as inovações criadas pela Secretaria de Educação.

Aviso aos meus amigos e seguidores - Urgente -



Queridos amigos  do dihitt e seguidores do meu blog. 

Eu estou escrevendo hoje para informá los que estarei ausente por alguns dias. O motivo é festivo, graças a Deus. No dia 18 de dezembro próximo passado eu e o Sérgio oficializamos nossa união através do casamento civil. E deixamos nossa lua de mel para as férias escolares, pois assim podemos levar conosco nossos 6 filhos: 3 meus e 3 deles, rrss...
Então, não se preocupem com minha ausência nas notícias de vocês no Dihitt, ok?

Programei algumas postagens para atualizar o blog na minha ausência, gostaria que vocês comentassem também, tá?

Por falar nisso, na próxima 2ª feira, dia 18 de janeiro será meu aniversário, estarei completando 25 anos, rrss... Brincadeira, mas, deixa a idade pra lá, né?

Agradeço o carinho e a atenção de todos vocês, sniff, já estou com saudades... Ah, neim, viu?

Bjux e muito sucesso.

A moçada toda é essa aí abaixo:


 Matheus e Pedro( meus filhos),Nanda e o Brussy( ele é filho do Sérgio),Sergio, eu, Pamela, Douglas( filho do Sérgio) e agachados cassimiro e minha filha Nathany. Faltou a Crystal do Sérgio, foto abaixo:



Crystal




Até breve!


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Definitivo





Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...


Carlos Drumond de Andrade

Amigo, leia: Se eu morrer antes de você...





Se eu morrer antes de você,
faça-me um favor:
Chore o quanto quiser,
mas não brigue com Deus
por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar,
não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem
algum fato a meu respeito,
ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo,
só porque morri,
mostre que eu tinha um pouco de santo,
mas estava longe
de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio,
mostre que eu talvez tivesse um pouco
de demônio, mas que a vida
inteira eu tentei ser bom e amigo.
Espero estar com Ele o suficiente para
continuar sendo útil a você, lá onde estiver.
E se tiver vontade de escrever
alguma coisa sobre mim,
diga apenas uma frase:
- "Foi meu amigo,
acreditou em mim
e me quis mais perto de Deus!"
- Aí, então, derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la,
mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
E, vendo-me bem substituído,
irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando,
dê uma espiadinha na direção de Deus.
Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz
vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai,
aí, sem nenhum véu a separar a gente,
vamos viver, em Deus,
a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas?
Então ore para que nós vivamos
como quem sabe que vai morrer um dia,
e que morramos como
quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu
para mais perto da gente,
e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você,
acho que não vou estranhar o céu...
"Ser seu amigo...
já é um pedaço dele..."


 Atribuído a Chico Xavier 

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Crianças salvam homem de afogamento em praia na Austrália

Spencer, de 9 anos, e Jake, de 8, que tinham treinamento de salva-vidas, resgataram homem com suas pranchas.


Foto: Cortesia/Goldcoast News/BBC




Um homem foi salvo por dois meninos na praia de Surfers Paradise, em Queensland, na Austrália, no último final de semana.


Spencer Jeans, de 9 anos, estava com sua prancha a cerca de 50 metros do mar quando viu um homem sinalizando com a mão e gritando por ajuda. Ele e o amigo Jake Satherley, de 8 anos, foram então resgatá-lo.


O homem agarrou-se à prancha de Spencer e conseguiu se livrar da correnteza. O amigo Jake foi acompanhando atrás em sua prancha.

Segundo jornais australianos, o homem que estava se afogando nadava fora da área supervisionada pelos salva-vidas e acabou sendo surpreendido pela correnteza.


Spencer e Jakes são membros do clube de salva-vidas mirins de Northcliffe Surf.


Em entrevista à BBC Brasil, Dave Shields, presidente da associação Northcliffe Surf, se surpreendeu com a coragem das crianças. "Jamais vi alguém tão jovem executar um resgate de afogamento assim".


Segundo o clube, este foi apenas um dos 30 salvamentos realizados no último final de semana em Surfers Paradise.
Retirado do site G1.


É uma iniciativa muito interessante que merece atenção nas cidades litorâneas. Que tal o Brasil aderir a esse projeto também?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Expressões populares, significado e origem.

EXPRESSÕES  POPULARES 

TER PARA OS ALFINETES

Significado: Ter dinheiro para viver. 

Origem: Em outros tempos, os alfinetes eram objeto de adorno das mulheres e daí que, então, a frase significasse o dinheiro poupado para a sua compra porque os alfinetes eram um produto caro. Os anos passaram e eles tornaram-se utensílios, já não apenas de enfeite, mas utilitários e acessíveis. Todavia, a expressão chegou a ser acolhida em textos legais. Por exemplo, o Código Civil Português, aprovado por Carta de Lei de Julho de 1867, por D. Luís, dito da autoria do Visconde de Seabra, vigente em grande parte até ao Código Civil atual, incluía um artigo, o 1104, que dizia: «A mulher não pode privar o marido, por convenção antenupcial, da administração dos bens do casal; mas pode reservar para si o direito de receber, a título de alfinetes, uma parte do rendimento dos seus bens, e dispor dela livremente, contanto que não exceda a terça dos ditos rendimentos líquidos.»


 DO TEMPO DA MARIA CACHUCHA 
 
Significado: Muito antigo.
Origem: A cachucha era uma dança espanhola a três tempos, em que o dançarino, ao som das castanholas, começava a dança num movimento moderado, que ia acelerando, até terminar num vivo volteio. Esta dança teve uma certa voga em França, quando uma célebre dançarina, Fanny Elssler, a dançou na Ópera de Paris. Em Portugal, a popular cantiga Maria Cachucha (ao som da qual, no séc. XIX, era usual as pessoas do povo dançarem) era uma adaptação da cachucha espanhola, com uma letra bastante gracejadora, zombeteira.  

COISAS DO ARCO-DA-VELHA 
 
Significado: Coisas inacreditáveis, absurdas, espantosas, inverosímeis. 

Origem: A expressão tem origem no Antigo Testamento; arco-da-velha é o arco-íris, ou arco-celeste, e foi o sinal do pacto que Deus fez com Noé: "Estando o arco nas nuvens, Eu ao vê-lo recordar-Me-ei da aliança eterna concluída entre Deus e todos os seres vivos de toda a espécie que há na terra." (Génesis 9:16) 
Arco-da-velha é uma simplificação de Arco da Lei Velha, uma referência à Lei Divina. 
Há também diversas histórias populares que defendem outra origem da expressão, como a da existência de uma velha no arco-íris, sendo a curvatura do arco a curvatura das costas provocada pela velhice, ou devido a uma das propriedades mágicas do arco-íris - beber a água num lugar e enviá-la para outro, pelo que velha poderá ter vindo do italiano bere (beber).
 
DOSE PARA CAVALO 
 
Significado: Quantidade excessiva; demasiado. 

Origem: Dose para cavalo, dose para elefante ou dose para leão são algumas das variantes que circulam com o mesmo significado e atendem às preferências individuais dos falantes. 
Supõe-se que o cavalo, por ser forte; o elefante, por ser grande, e o leão, por ser valente, necessitam de doses exageradas de remédio para que este possa produzir o efeito desejado. 
Com a ampliação do sentido, dose para cavalo e suas variantes é o exagero na ampliação de qualquer coisa desagradável, ou mesmo aquelas que só se tornam desagradáveis com o exagero. 

DAR UM LAMIRÉ 
 
Significado: Sinal para começar alguma coisa. 

Origem: Trata-se da forma aglutinada da expressão «lá, mi, ré», que designa o diapasão, instrumento usado na afinação de instrumentos ou vozes; a partir deste significado, a expressão foi-se fixando como palavra autónoma com significação própria, designando qualquer sinal que dê começo a uma actividade. Historicamente, a expressão «dar um lamiré» está, portanto, ligada à música (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).
Nota: Escreve-se lamiré, com o r pronunciado como em caro. 

MEMÓRIA DE ELEFANTE 
 
Significado: Ter boa memória; recordar-se de tudo. 

Origem: O elefante fixa tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atrações do circo.

LÁGRIMAS DE CROCODILO 
 
Significado: Choro fingido. 

Origem: O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima. 

NÃO PODER COM UMA GATA PELO RABO 
   
Significado: Ser ou estar muito fraco; estar sem recursos.
Origem: O feminino, neste caso, tem o objectivo de humilhar o impotente ou fraco a que se dirige a referência. Supõe-se que a gata é mais fraca, menos veloz e menos feroz em sua própria defesa do que o gato. Na realidade, não é fácil segurar uma gata pelo rabo, e não deveria ser tão humilhante a expressão como realmente é. 




AFOGAR O GANSO 
 
Significado: Relação sexual; masturbação. 
Origem: No passado, os chineses costumavam satisfazer as suas necessidades sexuais com gansos. Pouco antes de ejacularem, os homens afundavam a cabeça da ave na água, para poderem sentir os espasmos anais da vítima. 

FILA INDIANA
 
Significado: enfiada de pessoas ou coisas dispostas uma após outra.
Origem: Forma de caminhar dos índios da América que, deste modo, tapavam as pegadas dos que iam na frente.

ANDAR À TOA 
 
Significado: Andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.
Origem: Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está "à toa" é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. 

EMBANDEIRAR EM ARCO 
 
Significado: Manifestação efusiva de alegria. 
Origem: Na Marinha, em dias de gala ou simplesmente festivos, os navios embandeiram em arco, isto é, içam pelas adriças ou cabos (vergueiros) de embandeiramento galhardetes, bandeiras e cometas quase até ao topo dos mastros, indo um dos seus extremos para a proa e outro para a popa. Assim são assinalados esses dias de regozijo ou se saúdam outros barcos que se manifestam da mesma forma. 

CAIR DA TRIPEÇA 
 
Significado: Qualquer coisa que, dada a sua velhice, se desconjunta facilmente. 
Origem: A tripeça é um banco de madeira de três pés, muito usado na província, sobretudo junto às lareiras. Uma pessoa de avançada idade aí sentada, com o calor do fogo, facilmente adormece e tomba. 
 
FAZER TÁBUA RASA 
 
Significado: Esquecer completamente um assunto para recomeçar em novas bases. 
Origem: A tabula rasa , no latim, correspondia a uma tabuinha de cera onde nada estava escrito. A expressão foi tirada, pelos empiristas, de Aristóteles, para assim chamarem ao estado do espírito que, antes de qualquer experiência, estaria, em sua opinião, completamente vazio. Também John Locke (1632 1704), pensador inglês, em oposição a Leibniz e Descartes, partidários do inatísmo, afirmava que o homem não tem nem ideias nem princípios inatos, mas sim que os extrai da vida, da experiência. «Ao começo», dizia Locke, «a nossa alma é como uma tábua rasa, limpa de qualquer letra e sem ideia nenhuma. Tabula rasa in qua nihil scriptum. Como adquire, então, as ideias? Muito simplesmente pela experiência.» 
 
AVE DE MAU AGOURO 
 
Significado: Diz-se de pessoa portadora de más notícias ou que, com a sua presença, anuncia desgraças. 
Origem: O conhecimento do futuro é uma das preocupações inerentes ao ser humano. Quase tudo servia para, de maneiras diversas, se tentar obter esse conhecimento. As aves eram um dos recursos que se utilizava. Para se saberem os bons ou maus auspícios (avis spicium) consultavam-se as aves. No tempo dos áugures romanos, a predição dos bons ou maus acontecimentos era feita através da leitura do seu voo, canto ou entranhas. Os pássaros que mais atentamente eram seguidos no seu voo, ouvidos nos seus cantos e aos quais se analisavam as vísceras eram a águia, o abutre, o milhafre, a coruja, o corvo e a gralha. Ainda hoje perdura, popularmente, a conotação funesta com qualquer destas aves. 

VERDADE DE LA PALISSE 
 
Significado: Uma verdade de La Palice (ou lapalissada / lapaliçada) é evidência tão grande, que se torna ridícula.
Origem: O guerreiro francês Jacques de Chabannes, senhor de La Palice (1470-1525), nada fez para denominar hoje um truísmo. Fama tão negativa e multissecular deve-se a um erro de interpretação.
Na sua época, este chefe militar celebrizou-se pela vitória em várias campanhas. Até que, na batalha de Pavia, foi morto em pleno combate. E os soldados que ele comandava, impressionados pela sua valentia, compuseram em sua honra uma canção com versos ingénuos:
"O Senhor de La Palice / Morreu em frente a Pavia; / Momentos antes da sua morte, / Podem crer, inda vivia."
O autor queria dizer que Jacques de Chabannes pelejara até ao fim, isto é, "momentos antes da sua morte", ainda lutava. Mas saiu-lhe um truísmo, uma evidência. 
Segundo a enciclopédia Lello, alguns historiadores consideram esta versão apócrifa. Só no século XVIII se atribuiu a La Palice um estribilho que lhe não dizia respeito. Portanto, fosse qual fosse o intuito dos versos, Jacques de Chabannes não teve culpa.
Nota: Em Portugal, empregam-se as duas grafias: La Palice ou La Palisse.
 
TER OUVIDOS DE TÍSICO 
Significado: Ouvir muito bem.
Origem: Antes da II Guerra Mundial (l939 a l945), muitos jovens sofriam de uma doença denominada tísica, que corresponde à tuberculose. A forma mais mortífera era a tuberculose pulmonar. 
Com o aparecimento dos antibióticos durante a II Guerra Mundial, foi possível combater esta doença com muito maior êxito. 
As pessoas que sofrem de tuberculose pulmonar tornam-se muito sensíveis, incluindo uma notável capacidade auditiva. A expressão «ter ouvidos de tísico» significa, portanto, «ouvir tão bem como aqueles que sofrem de tuberculose pulmonar».

COMER MUITO QUEIJO
 
Significado: Ser esquecido; ter má memória.
Origem: A origem desta expressão portuguesa pode explicar-se pela relação de causalidade que, em séculos anteriores, era estabelecida entre a ingestão de lacticínios e a diminuição de certas faculdades intelectuais, especificamente a memória.
A comprovar a existência desta crença existe o excerto da obra do padre Manuel Bernardes "Nova Floresta", relativo aos procedimentos a observar para manter e exercitar a memória: «Há também memória artificial da qual uma parte consiste na abstinência de comeres nocivos a esta faculdade, como são lacticínios, carnes salgadas, frutas verdes, e vinho sem muita moderação: e também o demasiado uso do tabaco». 
Sabe-se hoje, através dos conhecimentos provenientes dos estudos sobre memória e nutrição, que o leite e o queijo são fornecedores privilegiados de cálcio e de fósforo, elementos importantes para o trabalho cerebral. Apesar do contributo da ciência para desmistificar uma antiga crença popular, a ideia do queijo como alimento nocivo à memória ficou cristalizada na expressão fixa «comer (muito) queijo». 
 
QUE MASSADA*! 
 
Significado: Exclamação usada para referir uma tragédia ou contra-tempo.
Origem: É uma alusão à fortaleza de Massada na região do Mar Morto, Israel, reduto de Zelotes, onde permaneceram anos resistindo às forças romanas após a destruição do Templo em 70 d.C., culminando com um suicídio colectivo para não se renderem, de acordo com relato do historiador Flávio Josefo.
 
 PASSAR A MÃO PELA CABEÇA 
 
Significado: perdoar ou acobertar erro cometido por algum protegido.
Origem: Costume judaico de abençoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronunciava a bênção. 
 
 GATOS-PINGADOS 
 
Significado: Tem sentido depreciativo usando-se para referir uma suposta inferioridade (numérica ou institucional), insignificância ou irrelevância.
Origem: Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo a ferver em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos. Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente. Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão "gatos pingados" passou a denominar pequena assistência sem entusiasmos ou curiosidade para qualquer evento. 
 
METER UMA LANÇA EM ÁFRICA 
Significado: Conseguir realizar um empreendimento que se afigurava difícil; levar a cabo uma empresa difícil.
Origem: Expressão vulgarizada pelos exploradores europeus, principalmente portugueses, devido às enormes dificuldades encontradas ao penetrar o continente africano. A resistência dos nativos causava aos estranhos e indesejáveis visitantes baixas humanas. Muitas vezes retrocediam face às dificuldades e ao perigo de serem dizimados pelo inimigo que eles mal conheciam e, pior de tudo, conheciam mal o seu terreno. Por isso, todos aqueles que se dispusessem a fazer parte das chamadas "expedições em África", eram considerados destemidos e valorosos militares, dispostos a mostrar a sua coragem, a guerrear enfrentando o incerto, o inimigo desconhecido. Portanto, estavam dispostos a " meter uma lança em África".

QUEIMAR AS PESTANAS 
 
Significado: Estudar muito.
Origem: Usa-se ainda esta expressão, apesar de o facto real que a originou já não ser de uso. Foi, inicialmente, uma frase ligada aos estudantes, querendo significar aqueles que estudavam muito. Antes do aparecimento da electricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar azo a " queimar as pestanas".

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