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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Olhai a criança


Quando estiveres entre os teus pequenos, na sala ou no pátio, escrevendo ou criando objetos artísticos, não vos preocupeis tanto com a redação e o objeto: olhai a criança.
Quando confeccionares um lindo painel para o mural de tua instituição, olhai menos para o que estais fazendo, olhai mais para a criança.
A redação, o objeto e o painel são apenas pretextos, tu podes querer que seja uma música ou uma dança, mas não tires os olhos da criança.
Nunca duvides de que ela é o mais importante do teu trabalho, e que o que fazes só adquire realmente significado se olhares a criança.
Verás a que chora irritada, a que ri contente, a que teme tanto errar que mal consegue ter calma para trabalhar.
Verás a criança ansiosa para acabar e brincar, e a que até se esquece do que está fazendo, enquanto viaja por sua própria imaginação.
Verás a criança amedrontada e aflita, e podereis ajudá-la a encontrar coragem e serenidade.
Verás a criança que chora, e poderás sentar-te ao lado dela até que as lágrimas cessem.
Verás a criança que anseia e procura, e poderás auxiliar em sua busca.
Verás a criança autêntica, e poderás cultivar sua autenticidade.
Verás a criança alegre, e te alegrarás junto com ela.
Se olhares a criança, verás um mundo até então desconhecido.
Verás a flor dos sentimentos, a raiz dos valores, a seiva da confiança.
Verás o que está por traz das chamadas malcriações, verás mais e mais além de todas as aparências do mundo adulto, se aprenderes a olhar a criança.
Se olhares a criança, com ternura e paciência, com muita atenção, verás Deus.

A criança é o foco central das atividades educacionais, e assim precisa ser encarada.
Nenhum tempo investido em conquistar-lhe a confiança, em buscar solucionar seus problemas será perdido, simplesmente porque deixamos de cumprir o programa ou o roteiro da aula.
"Olhai" poderia ser traduzido como: observai atentamente, detalhadamente, incansavelmente o verdadeiro sentido do seu trabalho. Tudo quanto existe nele de realmente importante está no coração de cada um destes pequeninos, porque o restante pode ser substituído ou adaptado - o plano de aula, o material, a sala, o currículo. Podemos mudar de casa espírita ou de coordenação, no departamento, mas os instantes de olhar nos seus olhos e encontrar suas almas são preciosos, e não deverão ser banalizados.

por Pestalozzi / psic. Rita Foelker

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