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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Como vencer o crack? O poder das famílias

Neste momento em que eu escrevo este artigo muitas mães estão chorando desesperadas, arrasadas pelo vício dos filhos. Crianças e jovens bem nascidas com uma estrutura familiar definida, se jogam no abismo do crack e se deparam com a dura realidade das ruas, da violência, da marginalidade e da prostituição que bancam seus vícios.

Como nós, mães e educadores poderemos vencer o crack? Como podemos lutar contra esse terrível inimigo?

Todo esse questionamento deve partir de uma reflexão profunda: que tipo de pais temos sido? Qual ser humano estamos formando? A partir de quais valores estamos educando nossos filhos? Os pais são culpados ou inocentes? Quem é o grande vilão?

O combate à dependência não é tarefa apenas da polícia ou dos governos. É também tarefa nossa, no dia-a-dia, no acompanhamento dos nossos filhos. O vício entrou pela mesma porta que abandonamos. Na medida em que não acompanhamos os passos dos nossos filhos, não sabemos com quem eles lidam nos seus relacionamentos diários, seja no trabalho, na escola ou pela internet, pode estar aí a porta de entrada para um mundo que talvez não tenha volta. Isto pode ser feito sem repressões, perseguições ou restrições.
O caminho ainda é o diálogo aberto e franco com os jovens. Não se deve omitir informações. Devemos pesquisá-las ao máximo para que possamos repassá-las na melhor linguagem possível. Não é possível estar o tempo todo ao lado deles. Mas é possível ter a certeza de que eles saberão se defender. Não sabemos onde está o inimigo. Só sabemos que ele existe.
Muitos pais não dedicam um tempo de qualidade para estarem com seus filhos. Saem cedo de casa para o trabalho e se enchem de todo tipo de preocupação que acabam se tornando estranhos na própria casa. Um adolescente usuário de crack me disse que seus pais o criaram como se cria um animal de estimação: lhe deram casa, comida, roupas e falavam com ele superficialmente, faziam carinhos mecânicos, mas não o encarava nos olhos, fazia com que se sentisse extremamente sozinho, mesmo em companhia deles. 
Isso me fez refletir: qual é o tipo de relacionamento que temos com nossos filhos? Estamos sendo parceiros, companheiros de caminhada ou estamos apenas convivendo de forma fria e impessoal?
Você é amigo de seu filho? Ele te conta seus medos, seus segredos, suas aventuras? (Pense nisso com cuidado)
Em uma rápida pesquisa pelo google temos uma infinidade de notícias dos efeitos e da devastação do crack nas nossas familias. Mães acabam acorrentando ou até matando seus filhos, filhos também cometem todo tipo de desrespeito com os pais chegando até mesmo a assassina los sem nenhum remorso. É um quadro alarmante e assustador.
 O que têm em comum a mãe que mata seu próprio filho com vários tiros, a pessoa que foge depois de atropelar três adolescentes e o jovem que arrisca a própria vida para salvar o irmão surfista preso num cabo, todos episódios noticiados por Zero Hora e ocorridos no último fim de semana? A resposta é a motivação,segundo Irmã Rosa, no mesmo jornal,  que compele o indivíduo para determinado comportamento, que neste caso pode ser traduzida como desespero. O mecanismo cerebral envolvido na motivação é o mesmo responsável pela impulsividade, pelas tomadas de decisão, pela manutenção das funções básicas, como alimentar, beber, reproduzir e também pela eventual dependência a drogas
Nos jovens, os circuitos cerebrais envolvidos neste processo ainda não estão completamente desenvolvidos, razão pela qual são mais suscetíveis a experimentação e apresentam dificuldades interligando condições do ambiente externo com as condições internas de definir qual o melhor comportamento a ser executado. Mais importante para esta discussão é que esses circuitos cerebrais ao serem ativados liberam substâncias que provocam sensações extremamente prazerosas.

Tendo isto em mente, podemos entender por que tantos jovens envolvem-se com o uso de drogas. Algumas produzem sensações muito intensas e seu efeito é muito rápido. Quanto mais potente a droga e mais rápido seu efeito, mais rapidamente se instala a dependência. Esta é a razão pela qual nos preocupamos tanto com o advento do crack.

Entretanto, a mesma força que pode iniciar o uso das drogas é a força que faz o dependente químico recuperar-se. Sim, mesmo aqueles que usam crack podem, com a adequada motivação, abster-se da droga e retomar sua vida.

Inicialmente, o dependente tem com a droga o mesmo que temos no início de um relacionamento: só enxergamos o lado bom, ficamos cegos para as dificuldades, não vemos defeitos e não acreditamos nas pessoas que tentam abrir nossos olhos. À medida que a paixão se esvanece, começamos observar a pessoa como ela é realmente. Então, avaliando as qualidades e defeitos, os benefícios e os riscos, definimos se vamos manter ou não a relação. Com a droga, a fase de namoro tem duração variável, mas os efeitos negativos acabam aparecendo. É nesta hora que a intervenção terapêutica tem muita possibilidade de ser exitosa.

Quando o sofrimento provocado pelo uso da droga é maior que o prazer que ela oferece, o usuário procura ajuda. Nem sempre nesta primeira oportunidade o êxito é total. Recaídas existem e fazem parte do processo. Mas, em cada vez, reforçamos os benefícios do viver sem drogas e propomos a busca de novas formas de prazer. Nas comunidades mais carentes, elas são escassas e este é um papel que podemos delegar para outras áreas que não a da saúde. A construção de centros de cultura e lazer, locais que possam proporcionar diversão e convivência com seus iguais, pode fazer com que os jovens fiquem longe das drogas.


Também procuramos ajudar essas pessoas a descobrirem objetivos, sonhos. A maioria desses jovens não percebe o futuro como possível e não se sente qualificada para o mercado de trabalho. Mesmo assim, temos Maria, que, após abster-se docrack, comprou sua casa e terminou o supletivo; Pedro, que tornou-se monitor e há dois anos trabalha em uma comunidade terapêutica; Ana, que cuida do filho, cuja gestação iniciou ainda em uso do crack, do qual permanece abstinente há mais de dois anos; José, que foi aprovado no último vestibular e tantos outros anônimos. O sucesso destes casos mostram que, sim,crack tem tratamento e recuperação. Isso também deveria ser notícia. O segredo, quem sabe, é acreditar no poder individual e no que se faz.

6 comentários:

Mr.Jones disse...

Eu vi esses dias no jornal, uma mãe que largou os 3 filhos em casa sozinhos por 2 dias, sendo que um deles ainda um bebezinho de meses. Motivo? viciada em crack.
Essa é a droga do momento...
Essa é a era da baixa estima das pessoas.
só pode.
abçs

Sissym disse...

Xenia, para mim qualquer vicio é uma tremenda droga que acaba com todos ao redor, os familiares sempre sofrem juntos as consequencias deste mal.

Rosana Madjarof disse...

Xênia,

Adorei a sua postagem.

Acredito que essa luta é interminável, e o crack está afetando milhares de jovens e de famílias do mundo inteiro.

Os pais, por amor aos filhos, acabam cometendo certas atrocidades com os mesmos, mas tudo em nome do amor.

É muito difícil para uma mãe ver o filho, que ela cuidou, amou e educou, entregue às drogas.

Os governantes deveriam tomar medidas para que se investissem mais em hospitais e clínicas para dependentes químicos, mas que as mesmas fossem gratuitas, pois a maioria das clínicas são pagas, e a maioria dos usuários são pobres... Verso e Reverso...

Adorei!

Bjs.

Ro.

Roniel A. disse...

Amiga Xenia, uma excelente matéria. Já trabalhei com um grupo de dependentes químicos, e acredite, as famílias sofrem mais do que imaginamos, pois muitas delas criam seus filhos com muito amor e conforto, no entanto, os filhos passam a conviver com maus elementos, e estes acabam por convencê-los a cair no mundo do crack. Temos que ajudar esses jovens, mas, principalmente, ajudar seus familiares. Abraços. Roniel.

Principe Encantado disse...

Não é só uma matéria, é uma matéria de utilidade pública, sensacional seu texto.
Abraços forte

Zergui disse...

Atitude elogiável essa iniciativa de postar esses assuntos e mensagens, que certamente podem vir a auxiliar famílias que convivem com tal suplício; ter um ente da família à mercê de traficantes inescrupulosos.

Já ofereci alguma contribuição em meu blog, voltada a atacar a origem desse mal que se alastra pelo Ocidente.

Aproveito o ensejo e a parabenizo, informando que deixei seu endereço na minha lista de sugestões para visita.

Tudo de bom para todos!