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domingo, 27 de junho de 2010

A Prisão de Cada Um



O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver. 

Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. 

A liberdade é uma abstração. 

Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço. 

Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura. 

São cativeiros bem mais agradáveis do que Carandiru (ex-presídio brasileiro de péssimas condições). Para pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão (parlamentar preso em cela especial), temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar. 

O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima ... 

Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança, ao mesmo tempo o escraviza. 

Viver sem laços igualmente pode nos reter. 

Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também.

Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho. 

Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. 

Nós é que decidimos quando seremos capturados, para onde seremos levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. 

Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria, exclusão.. 

Brindemos: temos todos cela especial! 

7 comentários:

Anderson Ferreira disse...

Muito legal
http://andersontudocerto.blogspot.com

Roniel A. Julio disse...

Amiga Xenia, um texto muito bem escrito. A nossa vida é uma prisão permanente, mas depende de cada um de nós sabermos como conviver nesta prisão em liberdade, pois temos o livre-arbítrio para escolher aquilo que queremos para as nossas vidas. Parabéns pela postagem. Abraços. Roniel.

Rosana Madjarof disse...

Xênia,

Muito bom o texto minha amiga.

É muito difícil falar de prisão, pois se pensarmos bem, vivemos em uma grande redoma, e essa é a nossa prisão.

Temos que saber nos livrar de alguns conceitos, de alguns preconceitos, e, somente assim, nos sentiremos livres para voar e sair da nossa própria prisão.

Adorei!

Bjs.

Ro.

lison disse...

Saudações!
Amiga XENIA:
Li a mensagem, e destaque-se, é impressionante a linha de pensamentos do autor, eu também concordo com as variáveis.
Valeu a pena conferir!
Parabéns por mais um excelente Post!
Abraços,
LISON.

Cecília Avenca disse...

Xênia,que lindo post!A liberdade é uma forma de clausura.Muito interessante mesmo.
bjos

Principe Encantado disse...

O homem muitas vezes é prisioneiro da sua própria consciência, alguns são prisioneiros do mundo e não de Deus.
Abraços forte

aabaca.org disse...

È um bocado constrangedor.
Se pudéssemos escolher a prisão...