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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os 10 princípios que Maria utilizou para educar Jesus - Parte II



Alguns homens surgiram subitamente arrastando uma mulher. Ela estava esfolada e sangrando. Chorando e sem forças, ela clamava em desespero por compaixão! Compaixão!
Quem era a vítima? Uma mulher pega em flagrante adultério. Esbravejavam com o homem que dormia com ela, mas o deixaram livre. Que injustiça!

Hasteando a bandeira do moralismo, os carrascos da mulher a arrastavam e bradavam: "Prostituta! Prostituta! Você contamina nossa terra! Merece a morte!". Os sentimentos de solidariedade diluíram-se no radicalismo religioso.

Atrás dos algozes um cortejo de homens furiosos gritavam: "Apedrejem-na! Apedrejem-na!". Alguns sacudiam o pó dos pés, outros cuspiam na vítima. Ao longo da história os piores inimigos de Deus sempre foram seus defensores radicais.

Era possível prostituir-se na mente, nas intenções, nas ações, mas não fisicamente. Era aceitável estar infectado por dentro, mas não era admissível uma demonstração exterior. A sociedade era e sempre foi hipócrita!

Ao apedrejar publicamente as mulheres adúlteras, os radicais religiosos queriam que a doutrina do medo se infiltrasse como chamas de fogo no inconsciente coletivo, reprimindo comportamentos.

A multidão se aglomerou. O ritual começou. 

Não havia idade mínima para assistir a essa brutalidade. Muitas meninas, agarrando-se às vestes de suas mães, choravam ao ver a dor da miserável mulher. Entre elas havia uma pequena garota que cobria seu rosto com as mãos, mas deixava escapar por entre os dedos flashes da cena da mulher que agonizava.

Seu nome era Maria. Como todas as outras meninas do seu tempo, ela deve ter assistido a diversas cenas como essa. Causava-lhe arrepios pensar em um dia cometer o mesmo sacrilégio. Como toda criança, é provável que a pequena Maria tenha perdido o sono relembrando os gritos e as cenas terríveis que vira no dia anterior.

Sartre, como Freud, acreditava que nos primeiros sete anos de vida arquivamos algumas experiências emocionais reprimidas, nas quais temos dificuldades de colocar para fora. Dentro de nós há uma criança que exige reparos por tudo o que viveu.

A pequena menina cresceu. Tornou-se uma jovem vivaz, instigante, estava com cerca de 15 anos. A cultura de seu povo e as dificuldades de sobrevivência da época faziam as mulheres amadurecer mais rápido e assumir compromissos sociais mais cedo. Mas Maria ainda era uma adolescente.

Como muitas jovens de sua idade, já estava noiva. Na cultura judaica, o noivado era tão sério como o próprio casamento. Estava prestes a finalizar o ritual do casamento, mas não havia mantido relações sexuais com seu futuro marido, José, um carpinteiro sem grandes posses, que carregava pesadas toras e as lapidava para sobreviver. Tinha as mãos calejadas pelos atritos das ferramentas que usava e a pele ressequida pelo calor do sol. Era um homem acostumado ao trabalho pesado.

UMA VISITA INESPERADA, UMA MUDANÇA DE ROTA

Quando tudo parecia transcorrer tranquilamente na vida da jovem Maria, e principalmente em seu casamento, um acidente de percurso aconteceu.

Maria estava em seu pequeno e humilde aposento quando, de repente, um estranho ser chamado Anjo Gabriel apareceu. O nome Gabriel significa "homem de Deus" ou "valente de Deus". Esse enigmático ser está sempre envolvido em anúncios espetaculares.

O mensageiro do Autor da existência fita a jovem Maria e transmite-lhe uma inusitada mensagem na qual traz uma intrigante proposta: conceber uma criança sem a participação de um homem.

E adiciona à indecifrável proposta a afirmação de que o menino que a virgem engravidaria seria chamado de filho de Deus2. E, para completar a surpreendente notícia, declara que o menino terá a mais notória incumbência: libertar seu povo e, por extensão, toda a humanidade.

A notícia era deslumbrante, capaz de deixar sem fôlego qualquer um que pensasse minimamente em suas consequências. Não era uma proposta política de libertação de fora para dentro, mas de dentro para fora, sonhada pela psicologia e almejada pela filosofia.
Será que essa proposta foi feita a Maria porque ela era ingênua? Será que Maria alcançou o seu conteúdo? Nos textos posteriores ficaremos espantados ao detectar que sua cultura e inteligência eram fenomenais. Maria entendeu nas entrelinhas a sua dimensão.

As características da personalidade dessa jovem suplantavam a dos intelectuais de sua época. A quase totalidade dos habitantes de Israel desconhecia a arquitetura da liberdade interior, sonhava apenas com a liberdade social. Mas veremos que Maria conhecia ambas.

O povo judeu, como muitos outros povos, estava sob o jugo do Império Romano. A máquina estatal de Roma era imensa e pesada. Senadores, legiões de exércitos, serviçais, todos dependiam dos pesados impostos pagos em moeda corrente ou em grãos pelas nações subjugadas.

Um mensageiro de Deus apareceu para uma adolescente dizendo que ela conceberia um menino libertador, uma dádiva para a humanidade. Mas qual a garantia jurídica? Que forças armadas sustentariam o libertador? Nenhuma. O resgate da humanidade dependia de uma adolescente e de sua fé.

GRÁVIDA SEM A CARGA GENÉTICA DE UM HOMEM

O Anjo disse para ela se alegrar, porque era uma bem-aventurada, uma mulher feliz, porque Deus se encantara com ela.
O mensageiro de Deus parecia vir ao encontro de uma busca incessante de Maria, pois, apesar de não ser uma religiosa típica, nem filha de sacerdotes, veremos que sua relação com Deus era estreita, íntima, ultrapassava os limites da religiosidade.
O processo de concepção de Jesus entra na esfera da fé, portanto, não há como discuti-lo de modo científico. Independentemente dos atributos da fé, a análise dos textos em várias versões demonstra que o nascimento de Jesus foi programado pelo Deus Altíssimo, o Autor da existência.


A psiquiatria e a psicologia ficam atónitas com a afirmação das Escrituras do Novo Testamento, a qual, segundo elas, esse Deus incompreensível, que está muito além dos parâmetros do tempo e do espaço, amou a humanidade a ponto de enviar seu filho para penetrar nas fibras das experiências humanas, objetivando tratar dos seus conflitos de dentro para fora, estimular seu aparelho psíquico a produzir anticorpos contra a intolerância, agressividade, discriminação, assassinatos, ciúmes, inveja.

O Anjo disse: "Alegra-te muito favorecida. Eis que engravidarás e darás à luz um filho. E o seu nome será Jesus. Ele será grande e será chamado de Filho do Altíssimo"4. E acrescentou que o seu reinado extrapolaria as leis da física, seria eterno, não teria fim.
Antes de ter relações sexuais com seu marido, Maria achou-se grávida do Espírito Santo. Como isso é possível? Crer nesse fenómeno entra novamente na esfera da fé, portanto, ultrapassa os limites deste livro, mas é inquestionável que a proposta feita à jovem Maria foi estupenda.
É uma proposta exuberante para gerar uma nova humanidade, em que os grandes servem os pequenos, onde não há discriminação de pessoas, nem classes sociais.
Como formar um ser sem a participação do espermatozóide masculino? Hoje, através da clonagem, sabemos que não é necessária a participação de um espermatozóide, pois é possível extrair a célula de um animal, que em condições especiais começa a se multiplicar, gerando uma explosão criativa, desenvolvendo um embrião normal, à imagem e semelhança do progenitor. Deus usou o processo de clonagem?

Se admitirmos os fatos da concepção do menino Jesus como reais e não como conjecturas, podemos inferir que o Autor da existência fez o primeiro processo de clonagem da História.
Todo o código genético de Maria foi usado para formar um ser único, inigualável, que seria chamado de filho do Autor da vida, cujo destino era sublevar paradigmas e reescrever a história da humanidade.

O MEDO DE SER APEDREJADA

Maria aceitou participar do sonho de Deus, que se tornou seu próprio sonho. Porém, não tardaria para esse sonho converter-se em pesadelo, trazer riscos inimagináveis. Maria aceitou engravidar de um modo antinatural. Quais seriam as consequências desse convite? O risco de ser apedrejada sumariamente!

Apenas esse fato poderia trazer recordações estressantes e produzir um desgaste no córtex cerebral de Maria, gerando pavor e ansiedade e, como consequência, uma série de sintomas psicossomáticos.

Se Maria pensasse em todas as consequências desse ato não teria fé, imergiria num mar de dúvidas e medo. Quem pensa em todos os acidentes do caminho paralisa-se.

Todas as mulheres que engravidavam de outros homens morriam apedrejadas. O convite de Deus iria submeter Maria a percorrer os becos do terror. Quem conseguiria entender essa gravidez? A quem explicaria o inexplicável? Que parente a acolheria? Que amiga lhe daria ouvidos? Que religioso a entenderia?

O Anjo disse que ela passaria a ser a mais exaltada entre as mulheres. Mas quem aceitaria tal exaltação diante do risco de ser mutilada? É como dizer: "Hoje darei a você todo o dinheiro do mundo, mas amanhã você estará morto". Quem desejaria ser o mais rico do cemitério?
Não apenas o risco de ser apedrejada a rondou, tempos mais tarde outros eventos angustiantes atingiram a sua história. Jamais uma mãe se alegrou tanto com a notícia e, com o passar do tempo, derramou tantas lágrimas.

OS GRANDES RISCOS VIVIDOS POR JESUS EM NAZARÉ

Jesus resolveu iniciar o discurso sobre o projeto de Deus no lugar menos recomendado, na cidade onde cresceu, Nazaré. Parece que ele gostava de enfrentar situações difíceis.
Era uma tarde ensolarada e resolveu ir até a sinagoga local. O público era grande. Todos estavam em silêncio esperando a leitura de um dos livros sagrados. Segundo a tradição, esperavam que algum fariseu ou escriba se levantasse e lesse um determinado texto e o interpretasse.

Jesus não teve dúvida, levantou-se e foi para a frente da plateia. Muitos que ali estavam brincaram com ele. Folheou o livro de Isaías atentamente e encontrou o texto do capítulo 61. Sua leitura foi eloquente e sua interpretação, chocante para os presentes.

Nesse texto está escrito que Deus misteriosamente enviaria um Messias para libertar os cativos, recuperar a visão dos cegos, aliviar os oprimidos e anunciar o ano aceitável do Senhor.
O Messias era aguardado havia séculos pelo povo de Israel. Muitos enchiam seus pulmões ao falar dele. No inconsciente da população, as imagens de um homem valente, acompanhado de escoltas e de mantos escarlates se mesclavam. Ele libertaria Israel do seu sofrimento e em especial do jugo dos romanos. Seria um novo tempo.

Quem seria tal Messias? Quem teria essa magna incumbência? Todos os presentes ansiavam por saber como Jesus interpretaria essa difícil e inspiradora passagem. Talvez anunciasse que o Messias viria em breve, ou em dez anos, ou em cem.

No início de sua preleção todos admiraram-se da sua eloquência. Mas, de repente, Jesus fitou a plateia atentamente e disse: "Hoje essas palavras foram cumpridas".

A plateia ficou assombrada. Fora pega de surpresa. Perguntavam uns aos outros: "Ele se declarou o Messias?", "Como pode ser isso?", "Um pobre carpinteiro de mãos calejadas?", "Impossível!", "Nós não conhecemos seus pais! Que heresia!".

A população de Nazaré sabia que ele era discreto, inteligente, gentil, mas se declarar o sonhado Messias era demais. Um insulto inaceitável para os mais religiosos.

Essas reações indicam que Maria correu muitos riscos quando o concebeu. Ou ela ocultou a identidade do filho em Nazaré ou, o que é mais provável, ninguém entendeu os fatos "inexplicáveis" ligados à sua concepção.

Jesus escandalizou os ouvintes. Iniciou sua trajetória com o risco sumário de morrer. Seguro, ele não se retratou nem desfez mal-entendidos. Para ele não havia mal-entendido. Se ele se calasse, seria admirado, mas quem conseguiria contê-lo? Quem conseguiria silenciar esse homem?

Sua mãe, quando o concebeu, correu o risco de ser apedrejada pela vizinhança. Agora, seu filho corria o risco de ser linchado por pessoas que conviviam com ele.

Ao ouvir sua declaração, um grupo de homens se enfureceu. Agarraram-no com violência e o levaram para um alto penhasco, ameaçando jogá-lo de lá. O tumulto foi grande. A agressividade dos instintos atingiu o auge, mas felizmente ele escapou.

Após sair do clima de terror, o Mestre dos mestres afirmou um sábio princípio psicossocial que é uma verdade indiscutível até os dias de hoje: "Nenhum profeta será bem recebido em sua própria casa". A inveja surge normalmente entre os iguais. E um vírus que nunca morre. Quando um entre os iguais desponta, o vírus da inveja que está incubado multiplica-se incontrolavelmente.

Por isso, ninguém que tenha uma grande proposta, novos caminhos, uma nova teoria será aceito sem traumas na sua universidade, na sua classe profissional, na sua empresa. Quem quer propor grandes ideias tem de correr o risco injusto da inveja.

FALHA NA EDUCAÇÃO PÓS-MODERNA

A educação pós-moderna é a da era dos computadores, da internet, dos recursos multimídia. Embora ela tenha trazido vantagens visíveis, são gritantes as suas falhas. Para dar maior praticidade a este livro, sempre que possível usarei os princípios da educação do menino Jesus para comentar algumas grandes falhas da educação atual e apontar caminhos.


Toda vacina expõe o corpo a antígenos, que, muitas vezes, é um vírus atenuado. O objetivo é que o corpo receba um choque metabólico para produzir anticorpos, para que um dia, quando a pessoa for infectada com um vírus ativo, possa combatê-lo.

Aqui há um princípio psicológico e pedagógico. Muitos pais não sabem como ajudar seus filhos a construir "anticorpos" contra as intempéries da vida. Muitos querem poupar seus filhos dos riscos sociais e existenciais, criam-nos numa bolha artificial. Uma educação completamente diferente da cio menino Jesus.

Claro que os computadores e a internet podem ser úteis para o desenvolvimento de algumas áreas da inteligência. Mas um computador não critica, não rejeita, não pressiona, não provoca ansiedade ou frustrações existenciais, enfim, não estimula o sistema "auto-imune" da psique.
No passado, as famílias tinham vários filhos. Os irmãos provocavam uns aos outros, estimulavam a reação, a competição, a superação. Hoje, muitas famílias têm apenas um filho. Ser filho único e ainda gravitar na órbita de um computador dificulta mais ainda a educação.
É preciso ensinar aos jovens que a vida é um contrato de risco, levá-los a compreender que há um mundo lá fora diferente do espaço controlado da sala de aula, da sala de casa e do ambiente da internet.


Mas onde estão os jovens que correm riscos para materializar seus sonhos? Onde estão os jovens que sabem lidar com eventos inesperados e angustiantes? Muitos são tão frágeis que se paralisam diante de uma vaia, não apostam mais em si mesmos depois de uma derrota profissional ou afetiva. Os fracassos deveriam torná-los mais fortes, mas os fragilizam.

Eles não entendem que muitas pessoas na sociedade que conquistaram o sucesso já experimentaram os patamares mais baixos do fracasso. Muitas pessoas que hoje são aplaudidas já foram, em algum período de sua vida, vítimas de deboche e desprezo.

A melhor maneira de gerar filhos e alunos frágeis diante dos desafios da vida é oferecer-lhes um ambiente isento de estímulos estressantes. A ausência desses estímulos pode ser tão prejudicial para o desenvolvimento da inteligência como a presença maciça deles. Jovens educados em ambientes superprotegidos só conseguem brilhar se as situações forem previamente conhecidas.

É fundamental que as escolas, inclusive as universidades, construam laboratórios de riscos sociais, emocionais, profissionais, onde se criem ambientes que simulem ("vírus atenuados") rejeições, perdas, frustrações, competições.

Nesses laboratórios têm de haver liberdade para serem construídas novas ideias e formas de defendê-las, bem como maneiras de treinar a garra para vender produtos e serviços difíceis de ser explicados. Lembre-se de que Maria teve de explicar o inexplicável e sobreviver às incompreensões.

Esses laboratórios contribuiriam para desenvolver habilidades para lidar com as intempéries reais da vida, produzindo ânimo para os jovens enfrentarem novos desafios. Caso contrário, eles poderão sentar por décadas nos bancos de uma escola e se tornar apenas frágeis servos do sistema social. Somente a exceção brilhará. A maioria dos alunos ficará muito aquém de onde outros já chegaram.

A educação do menino Jesus não é a que busca o sucesso exterior, pois este é mera consequência, mas é a educação que desenvolve o sucesso interior, as mais excelentes habilidades intelectuais e emocionais.

Devemos nos lembrar de que um dos princípios que permearam a educação de Maria é quem vence sem riscos sobe no pódio sem louvor.

Retirado do livro de Augusto Cury Maria, a maior educadora da História

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